Após várias explanações por parte deste blog, o fantástico da rede globo, colocou domingo (28-12-08), matéria sobre o assunto tantas vezes relatado aqui. Acho que agora fica mais fácil de acreditar, pois afinal de contas, foi na globo nê?
Você no sofá pode não acreditar, mas fazer exercício é tão bom para o cérebro que até camundongos preferem se mexer a ficar parados. Nós, humanos, não somos diferentes. Quando conseguimos vencer a preguiça e encontramos um exercício prazeroso, gostamos tanto que sentimos falta dele.
A atividade física, quando é desejada, ativa o sistema de recompensa. Por isso, gostamos do exercício.
Gostar de atividade física é muito útil para animais, como nós, que precisam se mexer para sobreviver, mesmo que o esforço exigido nos dias de hoje não se compare ao de nossos antepassados para conseguir o jantar.
A neurociência aprendeu, nos últimos anos, que exercício físico é um excelente tratamento para o cérebro, por pelo menos cinco razões.
Primeiro: quem faz exercícios físicos regularmente tem um risco menor de sofrer pequenos e grandes acidentes vasculares cerebrais, que colocam a mente e a vida em perigo. Isso acontece, porque o exercício melhora a saúde cardiovascular, o que beneficia também a irrigação sangüínea do cérebro.
Segunda razão: além de estimular o sistema de recompensa, o que nos deixa satisfeitos e até eufóricos durante o esforço, o exercício faz o cérebro produzir prolactina, um hormônio que tem ação calmante, e endorfinas, que colaboram para o aumento do prazer e ainda reduzem a dor.
A razão número três é que, ao usar os músculos, o exercício dá fim a toda aquela tensão acumulada. O corpo, finalmente, relaxa e isso acalma também o cérebro. Por isso, o jogo de bola ou a academia no fim do dia é desestressante.
Quatro: o exercício faz aumentar a atividade do sistema nervoso parassimpático, aquele que promove a digestão e o crescimento, protege o coração, e ainda age como um freio contra o estresse, a longo prazo.
Mas a grande novidade mesmo é a quinta razão. O exercício físico favorece algo que, até recentemente, se achava impossível: o nascimento de neurônios novos no cérebro, mais precisamente no hipocampo.
Durante o exercício, o fígado produz uma substância que cai no sangue, entra no cérebro e faz o hipocampo produzir outra substância, o BNDF, que estimula o nascimento de neurônios.
O hipocampo é responsável pela formação de memórias novas. O exercício, ao aumentar o número de neurônios novos, melhora a nossa memória.
Recapitulando: o exercício protege o cérebro de acidentes vasculares, aplaca a dor, alivia a tensão do corpo e acalma o cérebro, desestressa a curto e a longo prazos, melhora a memória e ainda dá prazer. Então? Ano novo e vida nova. Que tal começar a se exercitar?
E-MAIL PARA CONTACTAR O BLOG: mwsa2006@uol.com.br
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
Sistema de ciclos não piora ensino, diz estudo. Tema atual e muito discutido no sistema educacional. Este texto é sobre a cidade de São Paulo
"Folha de São Paulo"
Poucos debates educacionais mobilizaram tanto recentemente a sociedade quanto a adoção do sistema de ciclos. Objeto de discussões acaloradas em debates eleitorais, muitos políticos acusaram o modelo de ter piorado a qualidade de ensino com a "aprovação automática" de alunos sem base.
Um estudo a partir do desempenho de estudantes na Prova Brasil (avaliação do MEC que monitora a performance de alunos em português e matemática) traz um pouco de luz à discussão, mostrando que praticamente não há diferença nas notas em sistemas de ciclos -em que a reprovação não ocorre todo ano- e seriados.
O trabalho foi elaborado pelos pesquisadores Naércio Menezes Filho (USP e Ibmec), Lígia Vasconcellos, Sérgio Werlang e Roberta Biondi (os três últimos do Banco Itaú).
Pela primeira vez, eles utilizaram dados da Prova Brasil para comparar os sistemas.
A primeira comparação feita pelos autores do estudo é favorável aos alunos no sistema de ciclos, pois mostra que o desempenho deles nas provas de português e matemática é melhor, variando de uma diferença de 0,9% (na prova de matemática na 8ª série) para 4,4% (em português na 4ª série).
Nível socioeconômico
Isso, no entanto, não é suficiente para comprovar que o sistema de ciclos seja melhor, já que a diferença poderia ser devida ao fato de esses estudantes terem nível socioeconômico mais elevado e estarem em escolas mais bem equipadas.
Para captar melhor o efeito dos ciclos, os autores refizeram o cálculo, mas, desta vez, levando em consideração características das escolas e das famílias -que, já se sabe, têm peso significativo no rendimento.
Em outras palavras, eles comparam estudantes nas mesmas condições e com mesmas características.
O resultado mostra que a diferença passa a ser favorável a alunos no sistema seriado, mas é mínima. Na 4ª série, as notas dos estudantes em escolas que adotam o sistema seriado foi apenas 1% superior, diferença que fica dentro da margem de erro do levantamento.
Já na 8ª série, a diferença é um pouco maior: 1,8% em matemática e 1,4% em português.
Os autores do estudo fazem uma leitura favorável desses dados ao sistema de ciclos. Eles mostram que as taxas de reprovação e abandono são menores nesse regime, o que faz com que mais alunos consigam completar o ensino fundamental.
Argumentam ainda que, mesmo com a queda na qualidade, os efeitos futuros no rendimento de um estudante formado no sistema de ciclos compensam a pequena perda de rendimento, já que, quanto mais escolarizado, maior é a renda do trabalhador.
Eles levantam duas hipóteses para o desempenho ligeiramente menor na 8ª série. A primeira é que, no sistema de ciclos, há menos empenho do estudante ao saber que ele não será reprovado todo ano.
A segunda é que, nesse regime, mais alunos de menor nível socioeconômico conseguem chegar à 8ª série, o que acaba tendo impacto nas médias da turma. No sistema seriado, argumentam, esses jovens provavelmente já teriam abandonado a escola ou estariam retidos em séries mais atrasadas.
Lígia Vasconcellos diz que não deve se esperar que a simples adoção de ciclos aumente o desempenho. "É preciso ter mais qualidade, mas não é a progressão continuada que vai explicar a melhora ou a piora."
Poucos debates educacionais mobilizaram tanto recentemente a sociedade quanto a adoção do sistema de ciclos. Objeto de discussões acaloradas em debates eleitorais, muitos políticos acusaram o modelo de ter piorado a qualidade de ensino com a "aprovação automática" de alunos sem base.
Um estudo a partir do desempenho de estudantes na Prova Brasil (avaliação do MEC que monitora a performance de alunos em português e matemática) traz um pouco de luz à discussão, mostrando que praticamente não há diferença nas notas em sistemas de ciclos -em que a reprovação não ocorre todo ano- e seriados.
O trabalho foi elaborado pelos pesquisadores Naércio Menezes Filho (USP e Ibmec), Lígia Vasconcellos, Sérgio Werlang e Roberta Biondi (os três últimos do Banco Itaú).
Pela primeira vez, eles utilizaram dados da Prova Brasil para comparar os sistemas.
A primeira comparação feita pelos autores do estudo é favorável aos alunos no sistema de ciclos, pois mostra que o desempenho deles nas provas de português e matemática é melhor, variando de uma diferença de 0,9% (na prova de matemática na 8ª série) para 4,4% (em português na 4ª série).
Nível socioeconômico
Isso, no entanto, não é suficiente para comprovar que o sistema de ciclos seja melhor, já que a diferença poderia ser devida ao fato de esses estudantes terem nível socioeconômico mais elevado e estarem em escolas mais bem equipadas.
Para captar melhor o efeito dos ciclos, os autores refizeram o cálculo, mas, desta vez, levando em consideração características das escolas e das famílias -que, já se sabe, têm peso significativo no rendimento.
Em outras palavras, eles comparam estudantes nas mesmas condições e com mesmas características.
O resultado mostra que a diferença passa a ser favorável a alunos no sistema seriado, mas é mínima. Na 4ª série, as notas dos estudantes em escolas que adotam o sistema seriado foi apenas 1% superior, diferença que fica dentro da margem de erro do levantamento.
Já na 8ª série, a diferença é um pouco maior: 1,8% em matemática e 1,4% em português.
Os autores do estudo fazem uma leitura favorável desses dados ao sistema de ciclos. Eles mostram que as taxas de reprovação e abandono são menores nesse regime, o que faz com que mais alunos consigam completar o ensino fundamental.
Argumentam ainda que, mesmo com a queda na qualidade, os efeitos futuros no rendimento de um estudante formado no sistema de ciclos compensam a pequena perda de rendimento, já que, quanto mais escolarizado, maior é a renda do trabalhador.
Eles levantam duas hipóteses para o desempenho ligeiramente menor na 8ª série. A primeira é que, no sistema de ciclos, há menos empenho do estudante ao saber que ele não será reprovado todo ano.
A segunda é que, nesse regime, mais alunos de menor nível socioeconômico conseguem chegar à 8ª série, o que acaba tendo impacto nas médias da turma. No sistema seriado, argumentam, esses jovens provavelmente já teriam abandonado a escola ou estariam retidos em séries mais atrasadas.
Lígia Vasconcellos diz que não deve se esperar que a simples adoção de ciclos aumente o desempenho. "É preciso ter mais qualidade, mas não é a progressão continuada que vai explicar a melhora ou a piora."
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Efeitos terapêuticos de manter blogs atraem atenção de pesquisadores
Temos algumas vantagens como blogueiros, segundo a revista científica MENTE E CÉREBRO. Vamos a elas:
A busca por uma vida mais saudável pode ser um dos motivos do enorme aumento do número de blogs. Estima-se que sejam cerca de 3 milhões por todo o planeta.
Cientistas e escritores há anos conhecem os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos. Mas, além de servir como um mecanismo para aliviar o stress, expressar-se por meio da escrita traz muitos benefícios fisiológicos.
Pesquisas mostram que com a prática da escrita é possível aprimorar a memória e o sono, estimular a atividade dos leucócitos e reduzir a carga viral de pacientes com aids e até mesmo acelerar a cicatrização após uma cirurgia. Um estudo publicado na revista científica Oncologist mostra que pessoas com câncer que escreviam para relatar seus sentimentos logo depois, se sentiam muito melhor, tanto mental quanto fisicamente, em comparação a pacientes que não se deram a esse trabalho.
Pesquisadores empenham-se agora em explorar as bases neurológicas em jogo, especialmente levando em conta a explosão dos blogs. De acordo com a neurocientista Alice Flaherty, da Universidade Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, a teoria do placebo para o sofrimento pode ser aplicada a esse caso. Como criaturas sociais, recorremos a uma variedade de comportamentos relacionados à dor. A reclamação, por exemplo, funciona como um “placebo para conseguir satisfação”, afirma Flaherty. Usar o blog para “botar a boca no mundo”, expressar insatisfações e partilhar experiências estressantes pode funcionar da mesma forma.
Flaherty, que estuda casos como a hipergrafia (desejo incontrolável de escrever) e também o bloqueio criativo, analisa modelos de doenças que explicam a motivação por trás dessa forma de comunicação. Por exemplo, as pessoas em estado de mania (pólo oposto à depressão, característico do transtorno bipolar) geralmente falam demais. “Acreditamos que algo no sistema límbico do cérebro fomente a necessidade de a pessoa se comunicar”, explica Flaherty. Localizada principalmente no centro do cérebro, essa área controla motivações e impulsos relacionados a comida, sexo, desejo e iniciativa para resolução de problemas. “Sabemos que há impulsos envolvidos na criação de blogs, pois muitas pessoas agem de forma compulsiva em relação a eles. Além disso, o hábito de mantê-los atualizados pode desencadear a liberação de dopamina, os estímulos são similares aos que temos quando escutamos música, corremos ou apreciamos uma obra de arte”, diz Flaherty.
“Estudos recentes com ressonância magnética funcional demonstraram que o cérebro trabalha de forma diferente antes, durante e depois de escrever”, observa o psicólogo James Pennebaker, da Universidade do Texas, em Austin.
O que se sabe é que a escrita ativa um conjunto de vias neurológicas – e vários estudiosos estão comprometidos em descobri-las. Na Universidade do Arizona, o psicólogo e neurocientista Richard Lane usa técnicas de imagem cerebral para estudar a neuroanatomia das emoções e a forma como elas são expressas.Pennebaker continua a investigar a ligação entre a escrita expressiva e alterações biológicas, como uma melhor noite de sono, que são essenciais à saúde. “Acredito que o foco no sono é um dos mais promissores”, diz.
É, parece que a coisa é mais profunda do que parece. Os benefícios parecem ser além do imaginado, portanto, mãos a obra.
A busca por uma vida mais saudável pode ser um dos motivos do enorme aumento do número de blogs. Estima-se que sejam cerca de 3 milhões por todo o planeta.
Cientistas e escritores há anos conhecem os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos. Mas, além de servir como um mecanismo para aliviar o stress, expressar-se por meio da escrita traz muitos benefícios fisiológicos.
Pesquisas mostram que com a prática da escrita é possível aprimorar a memória e o sono, estimular a atividade dos leucócitos e reduzir a carga viral de pacientes com aids e até mesmo acelerar a cicatrização após uma cirurgia. Um estudo publicado na revista científica Oncologist mostra que pessoas com câncer que escreviam para relatar seus sentimentos logo depois, se sentiam muito melhor, tanto mental quanto fisicamente, em comparação a pacientes que não se deram a esse trabalho.
Pesquisadores empenham-se agora em explorar as bases neurológicas em jogo, especialmente levando em conta a explosão dos blogs. De acordo com a neurocientista Alice Flaherty, da Universidade Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, a teoria do placebo para o sofrimento pode ser aplicada a esse caso. Como criaturas sociais, recorremos a uma variedade de comportamentos relacionados à dor. A reclamação, por exemplo, funciona como um “placebo para conseguir satisfação”, afirma Flaherty. Usar o blog para “botar a boca no mundo”, expressar insatisfações e partilhar experiências estressantes pode funcionar da mesma forma.
Flaherty, que estuda casos como a hipergrafia (desejo incontrolável de escrever) e também o bloqueio criativo, analisa modelos de doenças que explicam a motivação por trás dessa forma de comunicação. Por exemplo, as pessoas em estado de mania (pólo oposto à depressão, característico do transtorno bipolar) geralmente falam demais. “Acreditamos que algo no sistema límbico do cérebro fomente a necessidade de a pessoa se comunicar”, explica Flaherty. Localizada principalmente no centro do cérebro, essa área controla motivações e impulsos relacionados a comida, sexo, desejo e iniciativa para resolução de problemas. “Sabemos que há impulsos envolvidos na criação de blogs, pois muitas pessoas agem de forma compulsiva em relação a eles. Além disso, o hábito de mantê-los atualizados pode desencadear a liberação de dopamina, os estímulos são similares aos que temos quando escutamos música, corremos ou apreciamos uma obra de arte”, diz Flaherty.
“Estudos recentes com ressonância magnética funcional demonstraram que o cérebro trabalha de forma diferente antes, durante e depois de escrever”, observa o psicólogo James Pennebaker, da Universidade do Texas, em Austin.
O que se sabe é que a escrita ativa um conjunto de vias neurológicas – e vários estudiosos estão comprometidos em descobri-las. Na Universidade do Arizona, o psicólogo e neurocientista Richard Lane usa técnicas de imagem cerebral para estudar a neuroanatomia das emoções e a forma como elas são expressas.Pennebaker continua a investigar a ligação entre a escrita expressiva e alterações biológicas, como uma melhor noite de sono, que são essenciais à saúde. “Acredito que o foco no sono é um dos mais promissores”, diz.
É, parece que a coisa é mais profunda do que parece. Os benefícios parecem ser além do imaginado, portanto, mãos a obra.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
SONO
Após toda a festança relacionada a data natalina, onde impreterivelmente dormimos tarde após comidas e bebidas nem sempre elementos facilitadores para um bom descanço, tentei neste momento de cansaço, devido aos fatores explicitados acima, escrever algo relacionado a importância do sono para a vida como um todo, incluindo aí, aprendizagem, memória e o sentido puramente de conforto após uma boa soneca.
Deixo bem claro, que um dia ainda vou morar na Espanha, local onde é respeitado a famosa sesta após o almoço. Espero que os assuntos descritos nos textos, sirva para estimulá-lo ao sono, mas por favor, tente não dormir durante a leitura.
HORA EXTRA DE SONO MELHORA SAÚDE DO CORAÇÃO
Dormir pode reduzir o risco de calcificação das artérias coronárias, segundo um estudo da Universidade de Chicago divulgado no periódico "Jama". O trabalho avaliou 495 pessoas saudáveis por cinco anos. Entre as que dormiam menos de cinco horas por noite, 27% desenvolveram o problema. O índice foi de 11% entre os que dormiam sete horas por noite e de 6% entre os que dormiam mais do que isso.
Dormir para aprender
A ciência enfatiza que o sono é essencial à consolidação
da memória e ao desempenho intelectual.
Ao investigarem a memória durante o sono, os especialistas obtiveram ainda respostas sobre o processo de seleção de informações quando o cérebro está em estado de repouso noturno. Trava-se ali uma competição frenética entre as informações assimiladas. Apenas uma parte delas, afinal, fará a jornada rumo ao arquivo duradouro no neocórtex, cuja capacidade é limitada. Qual o critério de decisão para separar as informações valorosas o suficiente para ser guardadas daquelas descartáveis? A neurociência hoje pode responder com certeza a essa questão. A resposta é surpreendente. As informações absorvidas quando a pessoa está sob algum tipo de emoção forte são justamente aquelas aptas a conquistar, durante a noite, um lugar definitivo no cérebro. Por essa razão, as pessoas tendem a se lembrar em profusão de detalhes dos mais lindos momentos da vida, mas também dos mais desagradáveis. A emoção é a chave de entrada das informações no neocórtex.
LEONARDO DA VINCI
(1452-1519)
O pintor da Mona Lisa e idealizador do princípio do vôo do helicóptero perseguia o descanso da mente com uma rotina incomum: trocava o sono noturno por cochilos de quinze minutos a cada duas horas
THOMAS A. EDISON
(1847-1931)
O inventor da lâmpada mantinha um diário onde avaliava a qualidade do sono na noite anterior. Não queria perder tempo. Não passava mais de três horas na cama
ALBERT EINSTEIN
(1879-1955)
Ele hibernava dez horas seguidas todas as noites, exceto quando estava às voltas com uma nova idéia. Nessas ocasiões, premiava-se com uma hora extra na cama
QUANDO O REMÉDIO É DORMIR
As pesquisas sobre os efeitos das mudanças de hábito noturno já têm aplicação terapêutica em diversos casos
Problema: falta de concentração.
Quando é mais freqüente: na infância.
Como o sono pode ajudar: a mais abrangente pesquisa sobre o assunto, conduzida pelo Hospital Sacré Coeur, do Canadá, concluiu que o hábito de dormir dez horas seguidas reduz em 40% o risco de uma criança apresentar problemas de concentração. Para aquelas com dificuldade em dormir tanto, o estudo indica uma hora de atividades físicas diárias – cientificamente reconhecido como ótimo estimulante do sono infantil.
Problema: dificuldade em resolver questões que envolvem raciocínio lógico.
Quando é mais freqüente: na adolescência.
Como o sono pode ajudar: promove um necessário momento de descanso aos neurônios. Um estudo da Universidade Harvard mostra que, quando alguém passa dezoito horas seguidas sem dormir, perde cerca de 30% da capacidade de resolver problemas que exigem raciocínios complexos. Por essa razão, o melhor é fazer uma pausa noturna e só retomar os estudos pela manhã. A pesquisa revela que o desempenho intelectual melhora depois disso.
Problema: perda da capacidade de memória.
Quando é mais freqüente: a partir dos 60 anos.
Como o sono pode ajudar: uma das causas para a redução da memória nessa faixa etária é que o sono se torna mais leve e a fase REM – justamente durante a qual se consolida a memória de longo prazo – passa a durar 50% menos tempo. A saída, dizem os cientistas, é esticar o número de horas na cama. Aos 60 anos, as pessoas dormem, em média, cinco horas. O ideal para a memória seriam pelo menos oito.
Deixo bem claro, que um dia ainda vou morar na Espanha, local onde é respeitado a famosa sesta após o almoço. Espero que os assuntos descritos nos textos, sirva para estimulá-lo ao sono, mas por favor, tente não dormir durante a leitura.
HORA EXTRA DE SONO MELHORA SAÚDE DO CORAÇÃO
Dormir pode reduzir o risco de calcificação das artérias coronárias, segundo um estudo da Universidade de Chicago divulgado no periódico "Jama". O trabalho avaliou 495 pessoas saudáveis por cinco anos. Entre as que dormiam menos de cinco horas por noite, 27% desenvolveram o problema. O índice foi de 11% entre os que dormiam sete horas por noite e de 6% entre os que dormiam mais do que isso.
Dormir para aprender
A ciência enfatiza que o sono é essencial à consolidação
da memória e ao desempenho intelectual.
Ao investigarem a memória durante o sono, os especialistas obtiveram ainda respostas sobre o processo de seleção de informações quando o cérebro está em estado de repouso noturno. Trava-se ali uma competição frenética entre as informações assimiladas. Apenas uma parte delas, afinal, fará a jornada rumo ao arquivo duradouro no neocórtex, cuja capacidade é limitada. Qual o critério de decisão para separar as informações valorosas o suficiente para ser guardadas daquelas descartáveis? A neurociência hoje pode responder com certeza a essa questão. A resposta é surpreendente. As informações absorvidas quando a pessoa está sob algum tipo de emoção forte são justamente aquelas aptas a conquistar, durante a noite, um lugar definitivo no cérebro. Por essa razão, as pessoas tendem a se lembrar em profusão de detalhes dos mais lindos momentos da vida, mas também dos mais desagradáveis. A emoção é a chave de entrada das informações no neocórtex.
LEONARDO DA VINCI
(1452-1519)
O pintor da Mona Lisa e idealizador do princípio do vôo do helicóptero perseguia o descanso da mente com uma rotina incomum: trocava o sono noturno por cochilos de quinze minutos a cada duas horas
THOMAS A. EDISON
(1847-1931)
O inventor da lâmpada mantinha um diário onde avaliava a qualidade do sono na noite anterior. Não queria perder tempo. Não passava mais de três horas na cama
ALBERT EINSTEIN
(1879-1955)
Ele hibernava dez horas seguidas todas as noites, exceto quando estava às voltas com uma nova idéia. Nessas ocasiões, premiava-se com uma hora extra na cama
QUANDO O REMÉDIO É DORMIR
As pesquisas sobre os efeitos das mudanças de hábito noturno já têm aplicação terapêutica em diversos casos
Problema: falta de concentração.
Quando é mais freqüente: na infância.
Como o sono pode ajudar: a mais abrangente pesquisa sobre o assunto, conduzida pelo Hospital Sacré Coeur, do Canadá, concluiu que o hábito de dormir dez horas seguidas reduz em 40% o risco de uma criança apresentar problemas de concentração. Para aquelas com dificuldade em dormir tanto, o estudo indica uma hora de atividades físicas diárias – cientificamente reconhecido como ótimo estimulante do sono infantil.
Problema: dificuldade em resolver questões que envolvem raciocínio lógico.
Quando é mais freqüente: na adolescência.
Como o sono pode ajudar: promove um necessário momento de descanso aos neurônios. Um estudo da Universidade Harvard mostra que, quando alguém passa dezoito horas seguidas sem dormir, perde cerca de 30% da capacidade de resolver problemas que exigem raciocínios complexos. Por essa razão, o melhor é fazer uma pausa noturna e só retomar os estudos pela manhã. A pesquisa revela que o desempenho intelectual melhora depois disso.
Problema: perda da capacidade de memória.
Quando é mais freqüente: a partir dos 60 anos.
Como o sono pode ajudar: uma das causas para a redução da memória nessa faixa etária é que o sono se torna mais leve e a fase REM – justamente durante a qual se consolida a memória de longo prazo – passa a durar 50% menos tempo. A saída, dizem os cientistas, é esticar o número de horas na cama. Aos 60 anos, as pessoas dormem, em média, cinco horas. O ideal para a memória seriam pelo menos oito.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
VÍDEO GAME E SEDENTARISMO: POR EMÍLIO TAKASE ( NEUROCIENTISTA)
Um dos fatores da obesidade infantil é a alimentação inadequada, principalmente influenciada pelos pais, apesar das crianças brincarem. Em muitos dos casos, a escola permite que a criança leve de casa, para o lanche, biscoitos recheados, salgadinhos, entre outras comidas calóricas. Além disso, é comum perceber que a maioria dos pais de crianças e adolescentes se recusa a admitir que seus filhos estão acima do peso ou obesos. Independentemente das estatísticas sobre o aumento da obesidade infantil, precisamos buscar/construir caminhos motivacionais para as crianças começarem a mudar seus hábitos alimentares e a praticar atividade física. Os hábitos alimentares dependem de vários fatores: genética, educação dos pais, os hormônios e a ansiedade. As alternativas são variadas, mas todas requerem um certo esforço dos pais e de mudança biológica. A segunda é mais fácil: a prática de atividade física, como a brincadeira.
A brincadeira é um processo natural durante o desenvolvimento infantil, como correr de pega-pega, subir em árvores, práticas esportivas, pular corda, entre outras atividades físicas. Na adolescência, o comportamento de brincadeira muda radicalmente, não há mais aquele tempo dedicado à atividade física. É o sedentarismo?
O sedentarismo é definido como a falta, ausência e/ou diminuição de atividade física. Segundo os profissionais da saúde o sedentarismo é prejudicial à saúde física e mental. Porém, ao observarmos os mamíferos, verificamos que ao atingirem a puberdade, não há mais atividade física como ocorria quando eram crianças/filhotes. Então, este é um processo natural das espécies mamíferas, serem “sedentárias” a partir da puberdade, porém os comportamentos sociais continuam. Então, como motivar as crianças e adolescentes a praticarem alguma atividade física?
Graças aos avanços tecnológicos, estamos presenciando novas alternativas para mudar o quadro de crianças obesas. E um desses avanços tecnológicos são os hardwares e softwares de jogos eletrônicos, como o Wii Fit e Xbox. Todos são fáceis e divertidos de jogar. Foi lançado também o Xavix, outro jogo eletrônico similar ao Wii e Xbox. Independentemente do gênero, cada vez mais as meninas estão aderindo aos videogames casuais e, conseqüentemente, deixando de ser exclusividade dos meninos. O que as têm atraído são as redes sociais que incentivam a utilização de jogos eletrônicos, como também a facilidade de se jogar.
O Wii, da Nintendo, por exemplo, está sendo utilizado independentemente da faixa etária, proporcionando uma interação social muito maior do que simplesmente jogar com o joystick na frente da TV ou computador. Qualquer meio que proporcione interações sociais possui maior probabilidade de obter sucesso entre a garotada. Então, por que não propormos a utilização de jogos eletrônicos para diminuir a obesidade infantil?
Promover uma campanha, por exemplo, como já existe em algumas escolas americanas, com o uso do tapete Dance Dance Revolution para motivar as crianças a praticarem atividade física.
Referência Bibliográfica
Robin R. Mellecker; Alison M. McManus. Energy Expenditure and Cardiovascular Responses to Seated and Active Gaming in Children. Arch Pediatr Adolesc Med, Sep 2008; 162: 886 - 891.
Lee Graves, Gareth Stratton, N D Ridgers, N T Cable. Comparison of energy expenditure in adolescents when playing new generation and sedentary computer games: cross sectional study British Medical Journal Dez. 2007. Artigo completo (PDF): http://www.bmj.com/cgi/reprint/335/7633/1282
Jogos ajudam no combate à obesidade http://ciberia.aeiou.pt/?st=6266
Jogos casuais tomam conta da indústria http://jogos.uol.com.br/reportagens/ultnot/2008/06/24/ult2240u131.jhtm
A brincadeira é um processo natural durante o desenvolvimento infantil, como correr de pega-pega, subir em árvores, práticas esportivas, pular corda, entre outras atividades físicas. Na adolescência, o comportamento de brincadeira muda radicalmente, não há mais aquele tempo dedicado à atividade física. É o sedentarismo?
O sedentarismo é definido como a falta, ausência e/ou diminuição de atividade física. Segundo os profissionais da saúde o sedentarismo é prejudicial à saúde física e mental. Porém, ao observarmos os mamíferos, verificamos que ao atingirem a puberdade, não há mais atividade física como ocorria quando eram crianças/filhotes. Então, este é um processo natural das espécies mamíferas, serem “sedentárias” a partir da puberdade, porém os comportamentos sociais continuam. Então, como motivar as crianças e adolescentes a praticarem alguma atividade física?
Graças aos avanços tecnológicos, estamos presenciando novas alternativas para mudar o quadro de crianças obesas. E um desses avanços tecnológicos são os hardwares e softwares de jogos eletrônicos, como o Wii Fit e Xbox. Todos são fáceis e divertidos de jogar. Foi lançado também o Xavix, outro jogo eletrônico similar ao Wii e Xbox. Independentemente do gênero, cada vez mais as meninas estão aderindo aos videogames casuais e, conseqüentemente, deixando de ser exclusividade dos meninos. O que as têm atraído são as redes sociais que incentivam a utilização de jogos eletrônicos, como também a facilidade de se jogar.
O Wii, da Nintendo, por exemplo, está sendo utilizado independentemente da faixa etária, proporcionando uma interação social muito maior do que simplesmente jogar com o joystick na frente da TV ou computador. Qualquer meio que proporcione interações sociais possui maior probabilidade de obter sucesso entre a garotada. Então, por que não propormos a utilização de jogos eletrônicos para diminuir a obesidade infantil?
Promover uma campanha, por exemplo, como já existe em algumas escolas americanas, com o uso do tapete Dance Dance Revolution para motivar as crianças a praticarem atividade física.
Referência Bibliográfica
Robin R. Mellecker; Alison M. McManus. Energy Expenditure and Cardiovascular Responses to Seated and Active Gaming in Children. Arch Pediatr Adolesc Med, Sep 2008; 162: 886 - 891.
Lee Graves, Gareth Stratton, N D Ridgers, N T Cable. Comparison of energy expenditure in adolescents when playing new generation and sedentary computer games: cross sectional study British Medical Journal Dez. 2007. Artigo completo (PDF): http://www.bmj.com/cgi/reprint/335/7633/1282
Jogos ajudam no combate à obesidade http://ciberia.aeiou.pt/?st=6266
Jogos casuais tomam conta da indústria http://jogos.uol.com.br/reportagens/ultnot/2008/06/24/ult2240u131.jhtm
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Aprendendo a valorizar o toque (tato)
O tato é a mãe de todos os sentidos -tão delicado que a ponta de um dedo é capaz de detectar uma saliência do tamanho de uma célula bacteriana. É um sentido evolutivamente antigo: até os mais simples organismos unicelulares sentem quando algo os aperta e reagem se encolhendo ou se afastando. É o primeiro sentido que surge durante a gestação e o último que some quando a vida se encerra.
"O tato é tão central para o que somos, para a sensação de sermos nós mesmos, que quase não conseguimos nos imaginar sem ele", disse Chris Dijkerman, neuropsicólogo do Instituto Helmholtz, da Universidade de Utrecht (Holanda). "Não é como a visão, em que você fecha os olhos e não vê nada. Não dá para fazer isso com o tato. Ele está sempre lá."
Durante muito tempo negligenciado em comparação aos estudos da visão e da audição, o tato ultimamente vem recebendo mais atenção dos neurocientistas, alguns dos quais passaram a se referir a esse campo de pesquisas como "háptica" (da palavra grega para o tato).
Para tentar entender o funcionamento da mente, os especialistas exploram as implicações de ilusões táteis recentemente relatadas, como as de pessoas que sentem ter três braços. Outros buscam aplicações mais práticas, como na criação de telas sensíveis ao toque ou de robôs com mãos.
"Há bastante pesquisa sobre novas formas de descarregar informação sobre o nosso tato", disse Lynette Jones, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). "Deixar o celular vibrar em vez de tocar já demonstrou ser muito vantajoso em algumas situações, e a questão é onde mais os sinais vibrotáteis podem ser aplicados."
O tato é o nosso sentido mais ativo. Susan Lederman, professora de psicologia na Universidade Queen’s, no Canadá, lembrou que, usando a audição e a visão, podemos perceber algo à distância e sem muito empenho, enquanto temos de nos mexer se quisermos conhecer uma coisa de forma tátil. Precisamos esfregar o tecido com as mãos, afagar o gato. "O contato é uma rua de mão dupla, e isso não vale para a visão ou a audição", disse Lederman. "Se você pega um objeto macio e o aperta, muda o seu formato. O mundo físico reage."
Enquanto os receptores para visão, olfato, paladar e audição estão agrupados na cabeça, os receptores do tato estão espalhados pela pele e pelos tecidos musculares e precisam transmitir seus sinais por meio da coluna vertebral.
Nossas mãos são brilhantes e podem fazer muitas tarefas automaticamente -abotoar uma camisa, colocar uma chave na fechadura, tocar piano. Lederman e seus colegas demonstraram que pessoas vendadas são capazes de reconhecer facilmente muitíssimos objetos comuns colocados em suas mãos. Mas, em algumas tarefas, o tato tem limites. Quando as pessoas recebem um desenho em relevo de um objeto comum, elas se confundem.
"O tato é tão central para o que somos, para a sensação de sermos nós mesmos, que quase não conseguimos nos imaginar sem ele", disse Chris Dijkerman, neuropsicólogo do Instituto Helmholtz, da Universidade de Utrecht (Holanda). "Não é como a visão, em que você fecha os olhos e não vê nada. Não dá para fazer isso com o tato. Ele está sempre lá."
Durante muito tempo negligenciado em comparação aos estudos da visão e da audição, o tato ultimamente vem recebendo mais atenção dos neurocientistas, alguns dos quais passaram a se referir a esse campo de pesquisas como "háptica" (da palavra grega para o tato).
Para tentar entender o funcionamento da mente, os especialistas exploram as implicações de ilusões táteis recentemente relatadas, como as de pessoas que sentem ter três braços. Outros buscam aplicações mais práticas, como na criação de telas sensíveis ao toque ou de robôs com mãos.
"Há bastante pesquisa sobre novas formas de descarregar informação sobre o nosso tato", disse Lynette Jones, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). "Deixar o celular vibrar em vez de tocar já demonstrou ser muito vantajoso em algumas situações, e a questão é onde mais os sinais vibrotáteis podem ser aplicados."
O tato é o nosso sentido mais ativo. Susan Lederman, professora de psicologia na Universidade Queen’s, no Canadá, lembrou que, usando a audição e a visão, podemos perceber algo à distância e sem muito empenho, enquanto temos de nos mexer se quisermos conhecer uma coisa de forma tátil. Precisamos esfregar o tecido com as mãos, afagar o gato. "O contato é uma rua de mão dupla, e isso não vale para a visão ou a audição", disse Lederman. "Se você pega um objeto macio e o aperta, muda o seu formato. O mundo físico reage."
Enquanto os receptores para visão, olfato, paladar e audição estão agrupados na cabeça, os receptores do tato estão espalhados pela pele e pelos tecidos musculares e precisam transmitir seus sinais por meio da coluna vertebral.
Nossas mãos são brilhantes e podem fazer muitas tarefas automaticamente -abotoar uma camisa, colocar uma chave na fechadura, tocar piano. Lederman e seus colegas demonstraram que pessoas vendadas são capazes de reconhecer facilmente muitíssimos objetos comuns colocados em suas mãos. Mas, em algumas tarefas, o tato tem limites. Quando as pessoas recebem um desenho em relevo de um objeto comum, elas se confundem.
Exame genético detecta corredores inatos
Em Boulder, Colorado (EUA), onde há grande interesse por esportes e saúde, a Atlas Sports Genetics está oferecendo um teste de US$ 149 que visa a indicar as habilidades atléticas naturais de cada criança. O processo consiste em submeter uma amostra de DNA -obtido nas mucosas bucais- a uma análise do ACTN3, um dos mais de 20 mil genes humanos.
O objetivo é determinar se a pessoa se sairá melhor em esportes de velocidade e força, como as corridas de curta distância ou o futebol americano, ou em modalidades de resistência, como as corridas de fundo, ou então em uma combinação de ambos. Um estudo de 2003 descobriu a ligação entre o ACTN3 e essas habilidades esportivas.
Atualmente, o DNA é analisado para determinar a predisposição a doenças, mas especialistas questionam a comercialização desse exame como sendo um primeiro passo para o direcionamento esportivo de uma criança, o que alguns pais consideram um atalho para uma bolsa universitária ou uma carreira como atleta profissional.
Executivos da Atlas admitem que o exame tem limitações, mas dizem que ele é capaz de fornecer orientações para as práticas esportivas infantis. A empresa recomenda o exame para crianças de até oito anos porque, nessa faixa etária, as avaliações físicas são pouco confiáveis.
O exame de ACTN3 produzido pela australiana Genetic Technologies já está disponível desde 2004 na Austrália, na Europa e no Japão e agora chega aos EUA por meio da Atlas.
Stephen Roth, diretor do laboratório de genômica funcional da Escola de Saúde Pública da Universidade de Maryland, que estuda o ACTN3, disse que o teste deve se popularizar. Mas expressou reservas. "Acho míope a idéia de que um ou dois genes contribuiriam para os Michael Phelps e os Usain Bolts do mundo, porque é muito mais complexo do que isso", afirmou ele, acrescentando que já foram identificados pelo menos 200 genes que afetariam o desempenho atlético.
Roth admitiu que o ACTN3 é uma das novidades mais importantes desse campo, mas sugeriu que qualquer teste relativo a esse gene encontraria o seu melhor uso apenas em atletas de ponta, na busca por treinamentos personalizados.
O estudo que identificou a correlação entre o ACTN3 e o desempenho esportivo de elite foi publicado em 2003 por pesquisadores radicados principalmente na Austrália. Esses cientistas examinaram combinações genéticas, com uma cópia fornecida por cada genitor. A variante R do ACTN3 instrui o corpo a produzir uma proteína, a alfa-actinina-3, encontrada especialmente nas fibras musculares rápidas, responsáveis pelas contrações repentinas e fortes, necessárias em esportes de velocidade e força. A variante X impede a produção da proteína.
Kevin Reilly, presidente da Atlas Sports Genetics e ex-técnico de halterofilismo, já prevê que o teste desperte polêmica. Segundo ele, algumas pessoas temem que leve a "um ressurgimento da eugenia, similar ao que fez Hitler na tentativa de criar uma raça de atletas perfeitos".
O objetivo é determinar se a pessoa se sairá melhor em esportes de velocidade e força, como as corridas de curta distância ou o futebol americano, ou em modalidades de resistência, como as corridas de fundo, ou então em uma combinação de ambos. Um estudo de 2003 descobriu a ligação entre o ACTN3 e essas habilidades esportivas.
Atualmente, o DNA é analisado para determinar a predisposição a doenças, mas especialistas questionam a comercialização desse exame como sendo um primeiro passo para o direcionamento esportivo de uma criança, o que alguns pais consideram um atalho para uma bolsa universitária ou uma carreira como atleta profissional.
Executivos da Atlas admitem que o exame tem limitações, mas dizem que ele é capaz de fornecer orientações para as práticas esportivas infantis. A empresa recomenda o exame para crianças de até oito anos porque, nessa faixa etária, as avaliações físicas são pouco confiáveis.
O exame de ACTN3 produzido pela australiana Genetic Technologies já está disponível desde 2004 na Austrália, na Europa e no Japão e agora chega aos EUA por meio da Atlas.
Stephen Roth, diretor do laboratório de genômica funcional da Escola de Saúde Pública da Universidade de Maryland, que estuda o ACTN3, disse que o teste deve se popularizar. Mas expressou reservas. "Acho míope a idéia de que um ou dois genes contribuiriam para os Michael Phelps e os Usain Bolts do mundo, porque é muito mais complexo do que isso", afirmou ele, acrescentando que já foram identificados pelo menos 200 genes que afetariam o desempenho atlético.
Roth admitiu que o ACTN3 é uma das novidades mais importantes desse campo, mas sugeriu que qualquer teste relativo a esse gene encontraria o seu melhor uso apenas em atletas de ponta, na busca por treinamentos personalizados.
O estudo que identificou a correlação entre o ACTN3 e o desempenho esportivo de elite foi publicado em 2003 por pesquisadores radicados principalmente na Austrália. Esses cientistas examinaram combinações genéticas, com uma cópia fornecida por cada genitor. A variante R do ACTN3 instrui o corpo a produzir uma proteína, a alfa-actinina-3, encontrada especialmente nas fibras musculares rápidas, responsáveis pelas contrações repentinas e fortes, necessárias em esportes de velocidade e força. A variante X impede a produção da proteína.
Kevin Reilly, presidente da Atlas Sports Genetics e ex-técnico de halterofilismo, já prevê que o teste desperte polêmica. Segundo ele, algumas pessoas temem que leve a "um ressurgimento da eugenia, similar ao que fez Hitler na tentativa de criar uma raça de atletas perfeitos".
sábado, 20 de dezembro de 2008
MUITO BOM ESTE TEXTO, MERECENDO A PEDIDOS, NOVA EDIÇÃO
A memória da velhice- Memória, atividade intelectual, exercícios físicos...
Por Dr Drausio Varela
Preservar a vida é o mais arraigado dos instintos. Na evolução das espécies, a seleção natural cuidou de eliminar os incapazes de defendê-la com unhas e dentes.
Os seres humanos não constituem exceção. Mas, pelo fato de sermos animais racionais, aceitamos determinados limites para a duração da existência; mantê-la a qualquer custo não nos parece sensato. A perda irreversível da memória configura uma dessas situações. Incapazes de lembrar quem somos e de entender o que se passa a nossa volta, de que vale a condição humana?
A perda progressiva de memória associada ao envelhecimento é característica comum a um conjunto de patologias que a medicina classifica como demências (termo que nada tem a ver com loucura), das quais a doença de Alzheimer é a mais prevalente. A incidência de quadros demenciais aumenta com a idade: aos 70 anos, já acometem entre 10% e 15% da população; aos 90 anos, entre 50% e 60%.
As primeiras manifestações da doença de Alzheimer são insidiosas, caracterizadas por pequenos lapsos de memória que podem passar despercebidos durante anos, até a pessoa esquecer o endereço de casa ou estranhar a fisionomia de um filho.
Em agosto de 2005, a revista "Science" publicou um artigo que reúne a informação científica apresentada na Conferência Internacional sobre Prevenção da Demência, realizada dois meses antes, em Washington.
Ainda na década de 1970, foi aventada a hipótese de que as atividades intelectuais, ao aumentar o número e a versatilidade das conexões (sinapses) entre os neurônios, criariam uma espécie de reserva cognitiva passível de ser utilizada na velhice. Em 1977, um grupo do St. Lukes Medical Center, de Chicago, estudando 642 idosos, demonstrou que cada ano de escolaridade formal reduziria o risco de desenvolver Alzheimer em 17%.
O resultado levou o mesmo centro a acompanhar, a partir de 1995, um grupo de padres e freiras submetidos periodicamente a uma bateria de 19 testes de avaliação da capacidade intelectual. Em 2003, depois de analisar 130 cérebros dos religiosos falecidos, os autores concluíram que a presença das placas no sistema nervoso, características da doença de Alzheimer, não guardava relação com os níveis de escolaridade. Mas, a bateria de testes aplicados em vida indicava que as habilidades cognitivas eram preservadas por mais tempo nos religiosos mais instruídos. Neles, a doença só se manifestava quando eram encontradas cinco vezes mais placas do que nos outros.
Com os mesmos objetivos, um grupo da Universidade de Minnesota conduziu o célebre "Estudo das Freiras", no qual foram analisados ensaios biográficos que 678 freiras nascidas antes de 1917 haviam escrito ao serem admitidas no convento, aos 20 anos. As irmãs com menor versatilidade lingüística naquela época desenvolveram Alzheimer mais precocemente e, ao morrerem, seus cérebros exibiam as placas características da enfermidade.
Inquéritos populacionais conduzidos em São Paulo pela Unifesp encontraram maior prevalência de demências entre os analfabetos e os que não haviam concluído o primeiro grau. Da mesma forma, em 109 pares de gêmeos idênticos matriculados no Registro Sueco de Gêmeos, nos quais apenas um dos irmãos desenvolveu demência, o gêmeo saudável, estatisticamente, havia estudado mais tempo.
Estímulos intelectuais e atividade física
Ao comentar essas pesquisas, o pesquisador Robert Friedland concluiu que não apenas a leitura, mas simples passatempos como a montagem de quebra-cabeças ou a prática de palavras cruzadas são atividades capazes de proteger o cérebro. No final, acrescentou que vários trabalhos demonstram que assistir à televisão está associado ao efeito contrário: aumenta a probabilidade de Alzheimer. Num inquérito conduzido entre 135 portadores da doença, comparados a 331 de seus familiares saudáveis, cada hora diária adicional diante da TV multiplicou o risco de Alzheimer por 1,3.
Vários estudos apresentados na conferência reforçam a idéia de que nem só do intelecto vive o cérebro: o exercício físico também é capaz de torná-lo mais resistente.
Anos atrás, uma avaliação dos resultados obtidos em 18 pesquisas (meta-análise) envolvendo mulheres e homens de 55 a 80 anos demonstrou que a vida sedentária aumenta o risco de demência. Desde então, surgiram vários estudos sobre o tema.
Os mais importantes foram realizados na Universidade da Califórnia, com cerca de 6.000 mulheres com mais de 65 anos, em Harvard, com mais de 18 mil mulheres, e na Universidade Johns Hopkins, com mais de 3.000 participantes de ambos os sexos. Os resultados são inequívocos: quanto maior o tempo gasto em atividades físicas, como andar (principalmente), mais lento o declínio da capacidade cognitiva.
Trabalhos experimentais confirmam essa conclusão: o exercício físico melhora o fluxo sangüíneo cerebral através da formação de novos capilares no córtex -área essencial para a cognição - e induz a produção de proteínas que estimulam o crescimento e favorecem a formação de novas conexões entre os neurônios.
Essas pesquisas estão sujeitas a um viés metodológico: será que a menor versatilidade lingüística demonstrada pelas freiras aos 20 anos, a menor dedicação à escolaridade formal e às atividades intelectuais, o maior número de horas passivas na frente da TV e a pouca disposição para atividades físicas já não fariam parte de um conjunto de manifestações extremamente precoces das demências que irão se instalar na senectude?
Impossível ter certeza, mas vale a pena acreditar na idéia de que, através de estímulos intelectuais e da atividade física, será possível preservar, na idade avançada, a experiência e as habilidades cognitivas acumuladas com tanto esforço no decorrer da vida.
Por Dr Drausio Varela
Preservar a vida é o mais arraigado dos instintos. Na evolução das espécies, a seleção natural cuidou de eliminar os incapazes de defendê-la com unhas e dentes.
Os seres humanos não constituem exceção. Mas, pelo fato de sermos animais racionais, aceitamos determinados limites para a duração da existência; mantê-la a qualquer custo não nos parece sensato. A perda irreversível da memória configura uma dessas situações. Incapazes de lembrar quem somos e de entender o que se passa a nossa volta, de que vale a condição humana?
A perda progressiva de memória associada ao envelhecimento é característica comum a um conjunto de patologias que a medicina classifica como demências (termo que nada tem a ver com loucura), das quais a doença de Alzheimer é a mais prevalente. A incidência de quadros demenciais aumenta com a idade: aos 70 anos, já acometem entre 10% e 15% da população; aos 90 anos, entre 50% e 60%.
As primeiras manifestações da doença de Alzheimer são insidiosas, caracterizadas por pequenos lapsos de memória que podem passar despercebidos durante anos, até a pessoa esquecer o endereço de casa ou estranhar a fisionomia de um filho.
Em agosto de 2005, a revista "Science" publicou um artigo que reúne a informação científica apresentada na Conferência Internacional sobre Prevenção da Demência, realizada dois meses antes, em Washington.
Ainda na década de 1970, foi aventada a hipótese de que as atividades intelectuais, ao aumentar o número e a versatilidade das conexões (sinapses) entre os neurônios, criariam uma espécie de reserva cognitiva passível de ser utilizada na velhice. Em 1977, um grupo do St. Lukes Medical Center, de Chicago, estudando 642 idosos, demonstrou que cada ano de escolaridade formal reduziria o risco de desenvolver Alzheimer em 17%.
O resultado levou o mesmo centro a acompanhar, a partir de 1995, um grupo de padres e freiras submetidos periodicamente a uma bateria de 19 testes de avaliação da capacidade intelectual. Em 2003, depois de analisar 130 cérebros dos religiosos falecidos, os autores concluíram que a presença das placas no sistema nervoso, características da doença de Alzheimer, não guardava relação com os níveis de escolaridade. Mas, a bateria de testes aplicados em vida indicava que as habilidades cognitivas eram preservadas por mais tempo nos religiosos mais instruídos. Neles, a doença só se manifestava quando eram encontradas cinco vezes mais placas do que nos outros.
Com os mesmos objetivos, um grupo da Universidade de Minnesota conduziu o célebre "Estudo das Freiras", no qual foram analisados ensaios biográficos que 678 freiras nascidas antes de 1917 haviam escrito ao serem admitidas no convento, aos 20 anos. As irmãs com menor versatilidade lingüística naquela época desenvolveram Alzheimer mais precocemente e, ao morrerem, seus cérebros exibiam as placas características da enfermidade.
Inquéritos populacionais conduzidos em São Paulo pela Unifesp encontraram maior prevalência de demências entre os analfabetos e os que não haviam concluído o primeiro grau. Da mesma forma, em 109 pares de gêmeos idênticos matriculados no Registro Sueco de Gêmeos, nos quais apenas um dos irmãos desenvolveu demência, o gêmeo saudável, estatisticamente, havia estudado mais tempo.
Estímulos intelectuais e atividade física
Ao comentar essas pesquisas, o pesquisador Robert Friedland concluiu que não apenas a leitura, mas simples passatempos como a montagem de quebra-cabeças ou a prática de palavras cruzadas são atividades capazes de proteger o cérebro. No final, acrescentou que vários trabalhos demonstram que assistir à televisão está associado ao efeito contrário: aumenta a probabilidade de Alzheimer. Num inquérito conduzido entre 135 portadores da doença, comparados a 331 de seus familiares saudáveis, cada hora diária adicional diante da TV multiplicou o risco de Alzheimer por 1,3.
Vários estudos apresentados na conferência reforçam a idéia de que nem só do intelecto vive o cérebro: o exercício físico também é capaz de torná-lo mais resistente.
Anos atrás, uma avaliação dos resultados obtidos em 18 pesquisas (meta-análise) envolvendo mulheres e homens de 55 a 80 anos demonstrou que a vida sedentária aumenta o risco de demência. Desde então, surgiram vários estudos sobre o tema.
Os mais importantes foram realizados na Universidade da Califórnia, com cerca de 6.000 mulheres com mais de 65 anos, em Harvard, com mais de 18 mil mulheres, e na Universidade Johns Hopkins, com mais de 3.000 participantes de ambos os sexos. Os resultados são inequívocos: quanto maior o tempo gasto em atividades físicas, como andar (principalmente), mais lento o declínio da capacidade cognitiva.
Trabalhos experimentais confirmam essa conclusão: o exercício físico melhora o fluxo sangüíneo cerebral através da formação de novos capilares no córtex -área essencial para a cognição - e induz a produção de proteínas que estimulam o crescimento e favorecem a formação de novas conexões entre os neurônios.
Essas pesquisas estão sujeitas a um viés metodológico: será que a menor versatilidade lingüística demonstrada pelas freiras aos 20 anos, a menor dedicação à escolaridade formal e às atividades intelectuais, o maior número de horas passivas na frente da TV e a pouca disposição para atividades físicas já não fariam parte de um conjunto de manifestações extremamente precoces das demências que irão se instalar na senectude?
Impossível ter certeza, mas vale a pena acreditar na idéia de que, através de estímulos intelectuais e da atividade física, será possível preservar, na idade avançada, a experiência e as habilidades cognitivas acumuladas com tanto esforço no decorrer da vida.
ENTREVISTA CONCEDIDA POR MIM A JORNAL SOBRE O TEMA ATIVIDADE FÍSICA E IDOSOS
1) Qual a importância da atividade física na terceira idade?
Sabemos que hoje este tipo de intervenção é de fundamental importância para que se obtenha uma melhor qualidade de vida no sentido de se viver mais e com melhor saúde, pois a expectativa de vida da população está cada vez maior (72,3 ANOS-IBGE-dezembro de 2007) e isto significa buscar meios para tornar este viver mais com melhor autonomia. O envelhecimento é um processo complexo que envolve muitas variáveis (por exemplo, genética, estilo de vida, doenças crônicas) que interagem entre si e influenciam significativamente o modo em que alcançamos determinada idade. A participação em atividade física regular (exercícios aeróbicos, força e equilíbrio) fornecem várias respostas favoráveis que contribuem para o envelhecimento saudável, melhorando os aspectos cognitivos e funcionais.
2) Existe alguma contra-indicação? Em que casos?
Contra-indicações sempre existem em qualquer faixa etária, podemos pegar, por exemplo, alunos de 30/40 anos que por determinado problema não é aconselhado realizar alguns exercícios que possam prejudicá-los. Para o idoso o processo de seleção de exercícios segue o mesmo princípio.
3) Quais são as atividades mais recomendadas?
Hoje a literatura nos diz que algumas modalidades de exercícios são mais recomendados. A musculação ( melhora de massa muscular e massa óssea), a atividade aeróbica ( melhora cardio-vascular ) e o exercício funcional ( ao qual trabalha equilíbrio, coordenação e flexibilidade) são os mais indicados.
4) Quais os cuidados que se deve ter?
Os cuidados são os mesmos de qualquer faixa etária. Temos que ter em mente que o corpo (físico e cerebral) atinge a maturidade entre a segunda e a terceira década de vida, a partir daí começa um processo chamado retrogênia neural, que são as perdas cognitivas e motoras. A questão é que não precisamos deixar que algo ocorra para que se comece os exercícios, deve-se,
tendo este conhecimento, procurar o exercício físico com o objetivo de adiar ao máximo este processo, fazendo que ele atue como forma preventiva.
5) Com que freqüência se deve praticar?
Devemos estimular a prática de atividade física mostrando a importância de se ter incluída nesta rotina três pontos fundamentais que são: estímulos adequados, repouso e boa alimentação. Partindo deste princípio, as pesquisas recentes aconselham, de duas a três vezes exercícios contra resistência (musculação e treinamento funcional), e mais duas a três sessões de treinamento aeróbico.
Obviamente tudo depende da realidade física em que se encontra o aluno.
6) Pessoas que tenham osteoporose, problema cardíaco ou seja vitima de AVC (ou outra doença séria) também pode se beneficiar com as atividades físicas? Sim, mas não podemos nos esquecer que cada caso tem que ser analisado para que se tenha a certeza que as diretrizes tomadas são as melhores para aquele tipo de problema. Daí a importância de se trabalhar em conjunto com o médico para que se busque o melhor caminho.
7) Qual a melhora que se pode observar nas pessoas da terceira idade que praticam atividades esportivas?
O decréscimo da massa muscular (sarcopenia) com a idade em humanos está bem documentada. A massa muscular total decresce aproximadamente 50%entre as idades de 20 e 90 anos. Estudos mostram que uma pessoa de aproximadamente 60 anos que faz exercícios físicos tem o mesmo nível de força de um sedentário de 27 anos. A melhora do equilíbrio também não pode ser esquecida, pois segundo estatística recente a partir dos 60 anos a cada três pessoas uma cai, o que pode gerar problemas seríssimos de saúde. Não podemos nos esquecer que a atividade física tem tomado uma nova dimensão que é exatamente a possibilidade de se desenvolver novas cognições cerebrais, ou seja, através do exercício fazemos com que nosso cérebro tenha um melhor desenvolvimento e realize mais sinapses, tornando-se mais apto as atividades do dia-a-dia.
8) Caso queira faça suas considerações gerias sobre o assinto?
Temos uma grande dificuldade quando falamos em atividade física, dando uma grande importância somente a questão do corpo, seria como exemplificar que a melhora corporal só se dá com exercícios físicos e a melhora cerebral só acontece com atividades ditas intelectuais. Não podemos fazer este tipo de divisão, pois sabemos que o corpo físico e cerebral interage na busca de soluções para os problemas apresentados naquele momento. Desta forma, conforme praticamos atividades física exercitamos concomitantemente o nosso corpo cerebral e conseguimos a sua melhora em conjunto com o físico. A atividade física hoje tem várias dimensões: busca de saúde, melhor estética corporal, prazer e sim, melhores cognições cerebrais, não podemos nos esquecer disso.
9) Por favor, qual o seu nome completo e sua formação profissional?
Marcos Wellington Sales de Almeida-
Graduado pela Universidade Gama Filho
Pós-graduado em ciência da musculação pela UGF
Mestrando em ciência da motricidade humana pela Castelo Branco
Precursor do treinamento sensório motor funcional
Treinador pessoal
Sabemos que hoje este tipo de intervenção é de fundamental importância para que se obtenha uma melhor qualidade de vida no sentido de se viver mais e com melhor saúde, pois a expectativa de vida da população está cada vez maior (72,3 ANOS-IBGE-dezembro de 2007) e isto significa buscar meios para tornar este viver mais com melhor autonomia. O envelhecimento é um processo complexo que envolve muitas variáveis (por exemplo, genética, estilo de vida, doenças crônicas) que interagem entre si e influenciam significativamente o modo em que alcançamos determinada idade. A participação em atividade física regular (exercícios aeróbicos, força e equilíbrio) fornecem várias respostas favoráveis que contribuem para o envelhecimento saudável, melhorando os aspectos cognitivos e funcionais.
2) Existe alguma contra-indicação? Em que casos?
Contra-indicações sempre existem em qualquer faixa etária, podemos pegar, por exemplo, alunos de 30/40 anos que por determinado problema não é aconselhado realizar alguns exercícios que possam prejudicá-los. Para o idoso o processo de seleção de exercícios segue o mesmo princípio.
3) Quais são as atividades mais recomendadas?
Hoje a literatura nos diz que algumas modalidades de exercícios são mais recomendados. A musculação ( melhora de massa muscular e massa óssea), a atividade aeróbica ( melhora cardio-vascular ) e o exercício funcional ( ao qual trabalha equilíbrio, coordenação e flexibilidade) são os mais indicados.
4) Quais os cuidados que se deve ter?
Os cuidados são os mesmos de qualquer faixa etária. Temos que ter em mente que o corpo (físico e cerebral) atinge a maturidade entre a segunda e a terceira década de vida, a partir daí começa um processo chamado retrogênia neural, que são as perdas cognitivas e motoras. A questão é que não precisamos deixar que algo ocorra para que se comece os exercícios, deve-se,
tendo este conhecimento, procurar o exercício físico com o objetivo de adiar ao máximo este processo, fazendo que ele atue como forma preventiva.
5) Com que freqüência se deve praticar?
Devemos estimular a prática de atividade física mostrando a importância de se ter incluída nesta rotina três pontos fundamentais que são: estímulos adequados, repouso e boa alimentação. Partindo deste princípio, as pesquisas recentes aconselham, de duas a três vezes exercícios contra resistência (musculação e treinamento funcional), e mais duas a três sessões de treinamento aeróbico.
Obviamente tudo depende da realidade física em que se encontra o aluno.
6) Pessoas que tenham osteoporose, problema cardíaco ou seja vitima de AVC (ou outra doença séria) também pode se beneficiar com as atividades físicas? Sim, mas não podemos nos esquecer que cada caso tem que ser analisado para que se tenha a certeza que as diretrizes tomadas são as melhores para aquele tipo de problema. Daí a importância de se trabalhar em conjunto com o médico para que se busque o melhor caminho.
7) Qual a melhora que se pode observar nas pessoas da terceira idade que praticam atividades esportivas?
O decréscimo da massa muscular (sarcopenia) com a idade em humanos está bem documentada. A massa muscular total decresce aproximadamente 50%entre as idades de 20 e 90 anos. Estudos mostram que uma pessoa de aproximadamente 60 anos que faz exercícios físicos tem o mesmo nível de força de um sedentário de 27 anos. A melhora do equilíbrio também não pode ser esquecida, pois segundo estatística recente a partir dos 60 anos a cada três pessoas uma cai, o que pode gerar problemas seríssimos de saúde. Não podemos nos esquecer que a atividade física tem tomado uma nova dimensão que é exatamente a possibilidade de se desenvolver novas cognições cerebrais, ou seja, através do exercício fazemos com que nosso cérebro tenha um melhor desenvolvimento e realize mais sinapses, tornando-se mais apto as atividades do dia-a-dia.
8) Caso queira faça suas considerações gerias sobre o assinto?
Temos uma grande dificuldade quando falamos em atividade física, dando uma grande importância somente a questão do corpo, seria como exemplificar que a melhora corporal só se dá com exercícios físicos e a melhora cerebral só acontece com atividades ditas intelectuais. Não podemos fazer este tipo de divisão, pois sabemos que o corpo físico e cerebral interage na busca de soluções para os problemas apresentados naquele momento. Desta forma, conforme praticamos atividades física exercitamos concomitantemente o nosso corpo cerebral e conseguimos a sua melhora em conjunto com o físico. A atividade física hoje tem várias dimensões: busca de saúde, melhor estética corporal, prazer e sim, melhores cognições cerebrais, não podemos nos esquecer disso.
9) Por favor, qual o seu nome completo e sua formação profissional?
Marcos Wellington Sales de Almeida-
Graduado pela Universidade Gama Filho
Pós-graduado em ciência da musculação pela UGF
Mestrando em ciência da motricidade humana pela Castelo Branco
Precursor do treinamento sensório motor funcional
Treinador pessoal
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
JOGO DE MEMÓRIA
Este link (CARACTERES JAPONÊS ABAIXO), dá acesso a um bom exercício de memória.
Marque os números em ordem crescente.
Mãos a obra ou mente a obra e boa sorte!!!
脳年齢テスト01 脳トレ瞬間記憶
Marque os números em ordem crescente.
Mãos a obra ou mente a obra e boa sorte!!!
脳年齢テスト01 脳トレ瞬間記憶
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
ONDA ALFA PARA MELHORAR A APRENDIZAGEM
Até 2010, 3.500 alunos da rede estadual estudarão em tempo integral em duas escolas especializadas em meditação. Parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e a Fundação David Lynch, comandada pelo cineasta americano, vai permitir a construção de dois colégios, em Vargem Grande e em Vigário Geral, onde os estudantes farão duas sessões de 15 minutos de meditação transcendental, no início e no fim das aulas.
Além das disciplinas tradicionais — nada será alterado em relação às outras matérias —, os jovens estudarão fundamentos da meditação e filosofia. O objetivo, segundo o subsecretário de Infra-Estrutura, Júlio da Hora, é aumentar a capacidade de concentração dos estudantes do Ensino Médio. "Com a meditação, nós observamos em gráficos que o poder de concentração dos alunos aumenta muito. Com maior poder de concentração, o rendimento deles vai lá em cima” relata o secretário.
Os gráficos que mostram a relação entre meditação e melhoria das notas são relativos aos alunos de um colégio em Sete Lagoas (MG), um dos muitos onde 41 mil estudantes meditam. “Os resultados são excelentes. Tudo é medido cientificamente, há exames de eletroencefalograma do aluno antes e depois e se compara esse resultado, seis meses depois”, explica Júlio da Hora. O programa da Fundação David Lynch é usado também por escolas dos Estados Unidos, da Colômbia, da Índia, da China e em países da África.
A meditação trabalha numa faixa de onda cerebral chamada alfa (8 a 13 hz), onda que está ligada a concentração, aprendizagem e foco de atenção, tudo que os alunos precisam para haver, de uma forma mais efetiva, aprendizagem e memória.
Segundo Ameida (2008),Ondas alfa oscilam na faixa de 8 a 13 Hz com uma amplitude de 20 a 60µV, representando oscilações entre uma área cortical e o tálamo. Acontecem durante a fase sensorial como, por exemplo, quando se está em um quarto quieto com os olhos fechados, em relaxamento mental e profundo, em meditação ou deixando a mente vazia (dissociação). Predominância de ondas alfa é o resultado desejado de indivíduos que praticam meditação. Sentimentos calmos, uma sensação de bem-estar, melhora do sono, melhora no desempenho acadêmico, aumento na produtividade no trabalho, menor ansiedade e melhora da imunidade é resultado natural da manutenção de uma grande amplitude alfa (SIEVER, 1999 apud CARDOSO, MACHADO, SILVA, 2006). O ritmo alfa foi o primeiro ritmo de onda cerebral humana descoberto por Hans Berger, em 1924, e tem sido, desde então, objeto de intensa investigação.
O meu grupo de estudo tem feito várias pesquisas neste faixa de onda e conseguido bons resultados quando se fala em aprendizagem e memória. Espero que estes alunos consigam também bons resultados, pois como professor da rede pública de ensino, acredito que realmente precisam muito deste trabalho.
Além das disciplinas tradicionais — nada será alterado em relação às outras matérias —, os jovens estudarão fundamentos da meditação e filosofia. O objetivo, segundo o subsecretário de Infra-Estrutura, Júlio da Hora, é aumentar a capacidade de concentração dos estudantes do Ensino Médio. "Com a meditação, nós observamos em gráficos que o poder de concentração dos alunos aumenta muito. Com maior poder de concentração, o rendimento deles vai lá em cima” relata o secretário.
Os gráficos que mostram a relação entre meditação e melhoria das notas são relativos aos alunos de um colégio em Sete Lagoas (MG), um dos muitos onde 41 mil estudantes meditam. “Os resultados são excelentes. Tudo é medido cientificamente, há exames de eletroencefalograma do aluno antes e depois e se compara esse resultado, seis meses depois”, explica Júlio da Hora. O programa da Fundação David Lynch é usado também por escolas dos Estados Unidos, da Colômbia, da Índia, da China e em países da África.
A meditação trabalha numa faixa de onda cerebral chamada alfa (8 a 13 hz), onda que está ligada a concentração, aprendizagem e foco de atenção, tudo que os alunos precisam para haver, de uma forma mais efetiva, aprendizagem e memória.
Segundo Ameida (2008),Ondas alfa oscilam na faixa de 8 a 13 Hz com uma amplitude de 20 a 60µV, representando oscilações entre uma área cortical e o tálamo. Acontecem durante a fase sensorial como, por exemplo, quando se está em um quarto quieto com os olhos fechados, em relaxamento mental e profundo, em meditação ou deixando a mente vazia (dissociação). Predominância de ondas alfa é o resultado desejado de indivíduos que praticam meditação. Sentimentos calmos, uma sensação de bem-estar, melhora do sono, melhora no desempenho acadêmico, aumento na produtividade no trabalho, menor ansiedade e melhora da imunidade é resultado natural da manutenção de uma grande amplitude alfa (SIEVER, 1999 apud CARDOSO, MACHADO, SILVA, 2006). O ritmo alfa foi o primeiro ritmo de onda cerebral humana descoberto por Hans Berger, em 1924, e tem sido, desde então, objeto de intensa investigação.
O meu grupo de estudo tem feito várias pesquisas neste faixa de onda e conseguido bons resultados quando se fala em aprendizagem e memória. Espero que estes alunos consigam também bons resultados, pois como professor da rede pública de ensino, acredito que realmente precisam muito deste trabalho.
domingo, 14 de dezembro de 2008
EXERCÍCIOS DE REABILITAÇÃO LABINRÍTICA OU VESTIBULAR
Amigos Regina e Jorge, leiam com atenção e até terça.
(Novas situações do nosso cotidiano profissional).
Os exercícios de reabilitação labinrítica ou vestibular, são formas de terapia segura que buscam a recuperação do equilíbrio corporal nas mais variadas situações.
A Reabilitação Vestibular tem o intuito de restabelecer o equilíbrio por meio de movimentos repetidos e disciplinados de olhos, cabeça e corpo, reajustando as relações entre os sinais visuais, sensações táteis e labirínticas. O tratamento inicialmente, é aplicado por um especialista em consultório. Após orientações com o paciente , é possível realizar exercícios em casa, academia...
A terapia de reabilitação labiríntica é indicada para todas as idades, com pertubação do equilíbrio corporal, ilusão de movimento, sensação de instabilidade, flutuação, oscilação e vertigem (sensação rotatória de objetos ou de si próprio). O tratamento é indicado principalmente nos casos de:
Vertigens crônicas ;
Vertigens por mudanças de postura;
Pacientes idosos com alteração de equilíbrio que apresentam quedas e desvio de marcha ;
Tontura em veículos em movimento ;
Desconforto em lugares movimentados (shopping centers , supermercados, feiras ... ).
Os exercícios bem aplicados e personalizados, proporcionam 85% de melhora total dos sintomas, ou então, contribui na diminuição da intensidade e freqüência da tontura.
O objetivo principal da reabilitação vestibular é o retorno do paciente ás atividades diárias e a recuperação da auto estima e confiança.
Este link, contém alguns exercícios importantes para esta reabilitação. Espero que lhe seja útil.
CLÍNICA OTORRINOLARINGOLOGIA
(Novas situações do nosso cotidiano profissional).
Os exercícios de reabilitação labinrítica ou vestibular, são formas de terapia segura que buscam a recuperação do equilíbrio corporal nas mais variadas situações.
A Reabilitação Vestibular tem o intuito de restabelecer o equilíbrio por meio de movimentos repetidos e disciplinados de olhos, cabeça e corpo, reajustando as relações entre os sinais visuais, sensações táteis e labirínticas. O tratamento inicialmente, é aplicado por um especialista em consultório. Após orientações com o paciente , é possível realizar exercícios em casa, academia...
A terapia de reabilitação labiríntica é indicada para todas as idades, com pertubação do equilíbrio corporal, ilusão de movimento, sensação de instabilidade, flutuação, oscilação e vertigem (sensação rotatória de objetos ou de si próprio). O tratamento é indicado principalmente nos casos de:
Vertigens crônicas ;
Vertigens por mudanças de postura;
Pacientes idosos com alteração de equilíbrio que apresentam quedas e desvio de marcha ;
Tontura em veículos em movimento ;
Desconforto em lugares movimentados (shopping centers , supermercados, feiras ... ).
Os exercícios bem aplicados e personalizados, proporcionam 85% de melhora total dos sintomas, ou então, contribui na diminuição da intensidade e freqüência da tontura.
O objetivo principal da reabilitação vestibular é o retorno do paciente ás atividades diárias e a recuperação da auto estima e confiança.
Este link, contém alguns exercícios importantes para esta reabilitação. Espero que lhe seja útil.
CLÍNICA OTORRINOLARINGOLOGIA
sábado, 13 de dezembro de 2008
TESTE SEU CÉREBRO
Pense rápido!
Siga as instruções e responda às perguntas mentalmente, uma de cada vez e tão rápido quanto possível. Quando tiver respondido a cada pergunta, desça mais na tela até a instrução seguinte.
Quanto é:
15+6
3+56
89+2
12+53
75+26
25+52
63+32
Sim, os cálculos mentais são difíceis mas agora vem o verdadeiro teste.
123+5
RÁPIDO! PENSE EM UMA FERRAMENTA E UMA COR!
E siga adiante...
Mais um pouco...
Um pouco mais...
Você pensou em um martelo vermelho? É bem provável que sim. Se não foi vermelho, provavelmente foi amarelo - e se não foi um martelo, provavelmente foi uma chave-de-fenda. Pode parecer impressionante, mas não há nada de mágica ou telepatia eletrônica nisso. Apenas acontece que, de todas as ferramentas, martelos são os mais usados e conhecidos. E, por razões de segurança, é comum os cabos de ferramentas serem vermelhos, bem visíveis, mesmo que martelos de cabo vermelho não sejam exatamente comuns.
Quando o cérebro se vê defrontado com o pedido de evocar uma ferramenta, ele resgata as representações mais fortemente associadas à idéia de "ferramenta". Reforçadas pela experiência, as conexões entre os neurônios que fazem as representações mentais de "ferramenta", "martelo" e "vermelho" devem ser muito mais fortes do que, por exemplo, "ferramenta", "torquês" e "rosa". Portanto, não é um instrumento de ferro rosa que lhe vem à mente, e sim, provavelmente, o tal martelo vermelho.
E não, você não é anormal se tiver pensado em qualquer outra cor ou ferramenta. É apenas um pouco diferente...
Siga as instruções e responda às perguntas mentalmente, uma de cada vez e tão rápido quanto possível. Quando tiver respondido a cada pergunta, desça mais na tela até a instrução seguinte.
Quanto é:
15+6
3+56
89+2
12+53
75+26
25+52
63+32
Sim, os cálculos mentais são difíceis mas agora vem o verdadeiro teste.
123+5
RÁPIDO! PENSE EM UMA FERRAMENTA E UMA COR!
E siga adiante...
Mais um pouco...
Um pouco mais...
Você pensou em um martelo vermelho? É bem provável que sim. Se não foi vermelho, provavelmente foi amarelo - e se não foi um martelo, provavelmente foi uma chave-de-fenda. Pode parecer impressionante, mas não há nada de mágica ou telepatia eletrônica nisso. Apenas acontece que, de todas as ferramentas, martelos são os mais usados e conhecidos. E, por razões de segurança, é comum os cabos de ferramentas serem vermelhos, bem visíveis, mesmo que martelos de cabo vermelho não sejam exatamente comuns.
Quando o cérebro se vê defrontado com o pedido de evocar uma ferramenta, ele resgata as representações mais fortemente associadas à idéia de "ferramenta". Reforçadas pela experiência, as conexões entre os neurônios que fazem as representações mentais de "ferramenta", "martelo" e "vermelho" devem ser muito mais fortes do que, por exemplo, "ferramenta", "torquês" e "rosa". Portanto, não é um instrumento de ferro rosa que lhe vem à mente, e sim, provavelmente, o tal martelo vermelho.
E não, você não é anormal se tiver pensado em qualquer outra cor ou ferramenta. É apenas um pouco diferente...
ATIVIDADE FÍSICA = SAÚDE = BOAS IDÉIAS
PARECE BESTEIRA FALAR SOBRE ESTE ASSUNTO, MAS É BOM DEIXAR BEM CLARO: EXERCÍCIO FÍSICO NÃO É APENAS PARA GANHAR MÚSCULOS, MAS PRINCIPALMENTE PARA DESENVOLVER NTELIGÊNCIA E OBTER SAÚDE, FATO ESTE ESQUECIDO PELA "RAPAZIADA", QUE NESTA ÉPOCA DO ANO SE "TURBINA" A QUALQUER PREÇO, EM BUSCA DE UMA SUPOSTA FELICIDADE (SERÁ?). É ISSO, SE É QUE ME ENTENDEM.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O que é neurociência? O que preciso estudar para ser neurocientista? Onde posso fazer pós-graduação em neurociência?
Suzana Herculano-Houzel e suas dicas sobre neurociência:
Neurociência é o conjunto de ciências que se interessam pelo sistema nervoso: de que ele é feito, como varia entre animais, como funciona, como se desenvolve, como se modifica com o aprendizado, como gera a mente, os pensamentos e as emoções. Como os interesses da neurociência são vastos, muitas abordagens são utilizadas: biologia molecular, genética, biologia celular, biofísica, engenharia, matemática e filosofia são todas úteis, cada uma à sua maneira, para estudar o sistema nervoso.
Como a neurociência é uma especialização que se obtém somente após a graduação, profissionais de várias formações podem se tornar neurocientistas: biólogos, médicos, biomédicos, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, físicos, matemáticos, filósofos e educadores físicos.
Cada formação confere uma bagagem diferente, e facilita especialmente um tipo de abordagem da neurociência. Por exemplo, enquanto a formação em medicina facilita a abordagem clínica, a formação em biologia é a melhor preparação para abordagens comparativas.
Se você se interessa por neurociência, procure a graduação que lhe parecer mais atraente, mas tente sempre manter seus interesses diversificados.
Algumas das melhores universidades, como a UFRJ e a USP, oferecem pós-graduação em neurociência, mas ainda não há muitos cursos de pós-graduação strictu sensu em neurociência no Brasil.
Neurociência é o conjunto de ciências que se interessam pelo sistema nervoso: de que ele é feito, como varia entre animais, como funciona, como se desenvolve, como se modifica com o aprendizado, como gera a mente, os pensamentos e as emoções. Como os interesses da neurociência são vastos, muitas abordagens são utilizadas: biologia molecular, genética, biologia celular, biofísica, engenharia, matemática e filosofia são todas úteis, cada uma à sua maneira, para estudar o sistema nervoso.
Como a neurociência é uma especialização que se obtém somente após a graduação, profissionais de várias formações podem se tornar neurocientistas: biólogos, médicos, biomédicos, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, físicos, matemáticos, filósofos e educadores físicos.
Cada formação confere uma bagagem diferente, e facilita especialmente um tipo de abordagem da neurociência. Por exemplo, enquanto a formação em medicina facilita a abordagem clínica, a formação em biologia é a melhor preparação para abordagens comparativas.
Se você se interessa por neurociência, procure a graduação que lhe parecer mais atraente, mas tente sempre manter seus interesses diversificados.
Algumas das melhores universidades, como a UFRJ e a USP, oferecem pós-graduação em neurociência, mas ainda não há muitos cursos de pós-graduação strictu sensu em neurociência no Brasil.
Cérebro de crianças pobres tende a ter desempenho pior, diz estudo
Cérebro parece ter sofrido danos semelhantes aos causados por derrames
O cérebro de crianças pobres tende a ter um desempenho pior do que o de crianças ricas e parece ter sofrido danos, segundo estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley que será publicado na revista especializada "Journal of Cognitive Neuroscience".
O estudo analisou eletroencefalogramas de 26 crianças entre nove e dez anos de idade, metade delas de famílias de baixa renda e a outra metade de famílias de renda alta, e concluiu que o córtex pré-frontal - a parte do cérebro que é crítica para a solução de problemas e criatividade - de crianças pobres apresenta menor atividade do que o de crianças ricas, diante dos mesmos estímulos.
"As crianças de nível socioeconômico mais baixo mostram padrões de fisiologia cerebral semelhantes aos de alguém que sofreu danos no lóbulo frontal já quando adulto", diz Robert Knight, diretor do Instituto de Neurosciência Helen Wills, da universidade americana.
"Concluímos que as crianças têm maior propensão a ter uma baixa resposta se vierem de classes econômicas mais baixas, mas nem todo mundo que é pobre tem baixa resposta do lóbulo frontal", ressalta o pesquisador.
Estímulos
As atividades do córtex pré-frontal foram medidas quando as crianças estavam envolvidas em uma atividade simples, como assistir a uma sequência de triângulos projetadas em uma tela.
Elas receberam a instrução de apertar um botão todas as vezes que um triângulo distorcido aparecesse.
Os pesquisadores estavam interessados na primeira resposta do cérebro - no primeiro quinto de segundo - depois que uma imagem inesperada, como a do Mickey Mouse, por exemplo, aparecia na tela.
Uma diferença importante foi notada na resposta do córtex pré-frontal não apenas quando uma imagem inesperada surgia na tela, mas também quando as crianças simplesmente assistiam à sequência de triângulos, esperando que um distorcido aparecesse.
Segundo um dos autores, a resposta cerebral das crianças de baixa renda era semelhante a de alguém que teve parte do lóbulo frontal destruído por um derrame.
"Ao prestar atenção aos triângulos, o córtex pré-frontal ajuda a processar melhor o estímulo visual", diz o pesquisador Mark Kishiyama. "O córtex pré-frontal está ainda mais envolvido em detectar novidades, como fotografias inesperadas."
"Essas crianças não têm danos neurais, nenhuma exposição a drogas quando ainda estavam no útero, nenhum dano neurológico", acrescenta Kishiyama.
"Ainda assim, o córtex pré-frontal não está funcionando tão eficientemente como deveria. Essa diferença pode se manifestar na solução de problemas e no desempenho escolar."
Relação direta
Estudos anteriores já haviam mostrado uma possível relação entre as funções do lóbulo frontal e diferenças de comportamento em crianças de diferentes classes econômicas.
Mas, segundo Kishiyama, "esses estudos eram medidas indiretas das funções cerebrais e não podiam ser 'desligados' dos efeitos da inteligência, proficiência de linguagem e outros fatores que costumam estar associados com baixa renda."
"Nosso estudo é o primeiro a medir diretamente a atividade do cérebro quando ele não executa nenhuma tarefa complexa", diz o autor da pesquisa.
Os pesquisadores afirmam, no entanto, que a baixa atividade não é necessariamente uma sentença e pode ser revertida com exercícios. Eles sugerem que apenas conversar mais com as crianças já pode ter efeito positivo.
Recursos
Co-autor do estudo, W. Thomas Boyce - professor emérito de saúde pública da Universidade da Califórnia em Berkeley - diz não estar surpreso com os resultados.
"Já sabemos que crianças que crescem em ambientes pobres em recursos têm mais problemas com tipos de controle de comportamento que seriam parcialmente regulados pelo córtex pré-frontal", afirma Boyce.
"Mas o fato de que vemos diferenças funcionais nas respostas do córtex pré-frontal em crianças de nível socioeconômico mais baixo é definitivo."
Para Knight, a descoberta é um chamado. "Não se trata apenas de as crianças serem pobres e mais propensas a ter problemas de saúde, mas elas podem não estar desenvolvendo seus cérebros plenamente por causa de ambientes estressantes e relativamente empobrecidos associados à baixa renda: menos livros, menos leitura, menos jogos e menos visitas a museus."
O cérebro de crianças pobres tende a ter um desempenho pior do que o de crianças ricas e parece ter sofrido danos, segundo estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley que será publicado na revista especializada "Journal of Cognitive Neuroscience".
O estudo analisou eletroencefalogramas de 26 crianças entre nove e dez anos de idade, metade delas de famílias de baixa renda e a outra metade de famílias de renda alta, e concluiu que o córtex pré-frontal - a parte do cérebro que é crítica para a solução de problemas e criatividade - de crianças pobres apresenta menor atividade do que o de crianças ricas, diante dos mesmos estímulos.
"As crianças de nível socioeconômico mais baixo mostram padrões de fisiologia cerebral semelhantes aos de alguém que sofreu danos no lóbulo frontal já quando adulto", diz Robert Knight, diretor do Instituto de Neurosciência Helen Wills, da universidade americana.
"Concluímos que as crianças têm maior propensão a ter uma baixa resposta se vierem de classes econômicas mais baixas, mas nem todo mundo que é pobre tem baixa resposta do lóbulo frontal", ressalta o pesquisador.
Estímulos
As atividades do córtex pré-frontal foram medidas quando as crianças estavam envolvidas em uma atividade simples, como assistir a uma sequência de triângulos projetadas em uma tela.
Elas receberam a instrução de apertar um botão todas as vezes que um triângulo distorcido aparecesse.
Os pesquisadores estavam interessados na primeira resposta do cérebro - no primeiro quinto de segundo - depois que uma imagem inesperada, como a do Mickey Mouse, por exemplo, aparecia na tela.
Uma diferença importante foi notada na resposta do córtex pré-frontal não apenas quando uma imagem inesperada surgia na tela, mas também quando as crianças simplesmente assistiam à sequência de triângulos, esperando que um distorcido aparecesse.
Segundo um dos autores, a resposta cerebral das crianças de baixa renda era semelhante a de alguém que teve parte do lóbulo frontal destruído por um derrame.
"Ao prestar atenção aos triângulos, o córtex pré-frontal ajuda a processar melhor o estímulo visual", diz o pesquisador Mark Kishiyama. "O córtex pré-frontal está ainda mais envolvido em detectar novidades, como fotografias inesperadas."
"Essas crianças não têm danos neurais, nenhuma exposição a drogas quando ainda estavam no útero, nenhum dano neurológico", acrescenta Kishiyama.
"Ainda assim, o córtex pré-frontal não está funcionando tão eficientemente como deveria. Essa diferença pode se manifestar na solução de problemas e no desempenho escolar."
Relação direta
Estudos anteriores já haviam mostrado uma possível relação entre as funções do lóbulo frontal e diferenças de comportamento em crianças de diferentes classes econômicas.
Mas, segundo Kishiyama, "esses estudos eram medidas indiretas das funções cerebrais e não podiam ser 'desligados' dos efeitos da inteligência, proficiência de linguagem e outros fatores que costumam estar associados com baixa renda."
"Nosso estudo é o primeiro a medir diretamente a atividade do cérebro quando ele não executa nenhuma tarefa complexa", diz o autor da pesquisa.
Os pesquisadores afirmam, no entanto, que a baixa atividade não é necessariamente uma sentença e pode ser revertida com exercícios. Eles sugerem que apenas conversar mais com as crianças já pode ter efeito positivo.
Recursos
Co-autor do estudo, W. Thomas Boyce - professor emérito de saúde pública da Universidade da Califórnia em Berkeley - diz não estar surpreso com os resultados.
"Já sabemos que crianças que crescem em ambientes pobres em recursos têm mais problemas com tipos de controle de comportamento que seriam parcialmente regulados pelo córtex pré-frontal", afirma Boyce.
"Mas o fato de que vemos diferenças funcionais nas respostas do córtex pré-frontal em crianças de nível socioeconômico mais baixo é definitivo."
Para Knight, a descoberta é um chamado. "Não se trata apenas de as crianças serem pobres e mais propensas a ter problemas de saúde, mas elas podem não estar desenvolvendo seus cérebros plenamente por causa de ambientes estressantes e relativamente empobrecidos associados à baixa renda: menos livros, menos leitura, menos jogos e menos visitas a museus."
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Excesso de TV e internet pode afetar saúde de crianças, diz estudo
ASSUNTO TRATADO ANTERIORMENTE (SEGUNDA-FEIRA)
Especialistas do National Institutes of Health dos Estados Unidos, da Universidade Yale e do California Pacific Medical Center analisaram 173 estudos conduzidos desde 1980, em uma das mais abrangentes avaliações já realizadas sobre a maneira pela qual a exposição a fontes de mídia pode afetar a saúde de crianças e adolescentes.
Os estudos, a maioria dos quais realizados nos EUA, se concentram em televisão, mas alguns também consideram videogames, filmes, música e uso de internet e computadores. Três quartos das avaliações apontam que consumo mais alto de mídia está associado a resultados negativos de saúde.
Os estudos oferecem fortes indícios de que as crianças com mais exposição à mídia têm maior propensão à obesidade, ao fumo e a iniciar atividades sexuais mais cedo do que as crianças que passem menos tempo diante de uma tela, dizem os pesquisadores.
Outras pesquisas apontam que mais exposição à mídia também está vinculada a uso de álcool e drogas e desempenho escolar mais baixo, mas os indícios quanto a um vínculo a problemas de deficiência de atenção e hiperatividade não são tão firmes, eles apontam.
"Acredito que o número de pesquisas que demonstram esse impacto negativo de saúde tenha sido uma surpresa", disse o médico Ezekiel Emanuel, do NIH, um dos pesquisadores responsáveis pelo relatório divulgado pela organização sem fins lucrativos Common Sense Media, em entrevista por telefone.
"O fato de que a questão da quantidade talvez importe mais que o conteúdo em si também é causa de preocupação. Temos uma vida de alta saturação de mídia, no século 21, e reduzir as horas de exposição será uma questão importante".
Especialistas do National Institutes of Health dos Estados Unidos, da Universidade Yale e do California Pacific Medical Center analisaram 173 estudos conduzidos desde 1980, em uma das mais abrangentes avaliações já realizadas sobre a maneira pela qual a exposição a fontes de mídia pode afetar a saúde de crianças e adolescentes.
Os estudos, a maioria dos quais realizados nos EUA, se concentram em televisão, mas alguns também consideram videogames, filmes, música e uso de internet e computadores. Três quartos das avaliações apontam que consumo mais alto de mídia está associado a resultados negativos de saúde.
Os estudos oferecem fortes indícios de que as crianças com mais exposição à mídia têm maior propensão à obesidade, ao fumo e a iniciar atividades sexuais mais cedo do que as crianças que passem menos tempo diante de uma tela, dizem os pesquisadores.
Outras pesquisas apontam que mais exposição à mídia também está vinculada a uso de álcool e drogas e desempenho escolar mais baixo, mas os indícios quanto a um vínculo a problemas de deficiência de atenção e hiperatividade não são tão firmes, eles apontam.
"Acredito que o número de pesquisas que demonstram esse impacto negativo de saúde tenha sido uma surpresa", disse o médico Ezekiel Emanuel, do NIH, um dos pesquisadores responsáveis pelo relatório divulgado pela organização sem fins lucrativos Common Sense Media, em entrevista por telefone.
"O fato de que a questão da quantidade talvez importe mais que o conteúdo em si também é causa de preocupação. Temos uma vida de alta saturação de mídia, no século 21, e reduzir as horas de exposição será uma questão importante".
Grupo de cientistas pede liberação de doping mental
Um manifesto assinado por pesquisadores de sete universidades líderes nos EUA e no Reino Unido pede que o uso de drogas com o fim de melhorar a inteligência seja regulamentado e, eventualmente, liberado. Em artigo ontem no site da revista "Nature" (www.nature.com), os acadêmicos argumentam que é preciso disciplinar o uso que pessoas saudáveis fazem de medicamentos como a Ritalina (metilfenidato).
Concebida para tratar crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção por Hiperatividade), essa droga (e outras similares) parece ter um efeito de melhora na concentração e na memória também em adultos saudáveis.
Um levantamento conduzido neste ano em universidades americanas revelou que cerca de 7% dos estudantes já fizeram uso de medicamentos desse tipo pelo menos uma vez, na tentativa de melhorarem seus desempenhos acadêmicos.
Tecnicamente, nos EUA, isso é crime, porque envolve comércio de uma droga para uso "off label" -fora do propósito original para o qual foi aprovada. Cientistas argumentam porém que a medida é um exagero e drogas como a Ritalina poderiam ser liberadas para "aprimoramento cognitivo", desde que novos testes comprovem sua segurança.
"Propomos ações que vão ajudar a sociedade a aceitar os benefícios do aprimoramento, acompanhadas de pesquisa apropriada e regulamento avançado", escrevem os cientistas. "Isso tem muito a oferecer para indivíduos e sociedade, e uma resposta apropriada por parte de todos deve incluir a disponibilização dos aprimoramentos acompanhada da gestão de riscos."
Entre os nomes que assinam o documento estão "pesos-pesados" das neurociências, como Michael Gazzaniga, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, e também um jurista, Henry Greely, da Universidade de Stanford. A idéia do manifesto saiu de um seminário promovido pela "Nature" e pela Universidade Rockefeller, de Nova York.
Além da Ritalina, os pesquisadores mencionam outras três drogas que já vêm ganhando algum grau de popularidade em usos "off label". Uma delas é a similar Adderall, também usada em transtorno de TDAH. Outra é a Stavigile (modafinil), aprovada para tratar o desgaste físico causado pela narcolepsia, mas que vem sendo usada por alguns estudantes para combater sono e cansaço.
Há ainda uma quarta droga, a Aricept, mais difícil de obter, originalmente aprovada para tratamento do mal de Alzheimer. A preocupação inicial dos cientistas, contudo, é mesmo a Ritalina. "Com a prevalência de TDAH indo de 4% a 7% entre universitários americanos (...), há um bocado de droga no campus que pode ser desviada para usos de aprimoramento."
Caso o uso de drogas para "turbinar" o cérebro venha realmente a ser aprovado, há outras questões que devem ser discutidas, além da segurança, afirma o manifesto publicado na "Nature". Uma delas é o risco de que estudantes deixem de concorrer em pé de igualdade quando participarem de exames que envolvam inteligência.
Uma pessoa que tenha se valido de uma droga poderia obter vantagem de maneira artificial, da mesma forma que um atleta dopado faz na disputa de uma competição, por exemplo. Os cientistas apontam também o risco de mais um problema: empresários poderiam obrigar seus funcionários -de maneira direta ou indireta- a fazerem uso dessas drogas para melhorarem o rendimento.
O manifesto reconhece, porém, que faltam ainda muitos dados essenciais para que a discussão tome o rumo desejado. Ninguém sabe dizer, por exemplo, o quanto uma droga como a Ritalina pode de fato ajudar a inteligência propriamente dita. O efeito de longo prazo de uma dessas drogas sobre pessoas que já estão saudáveis, também, ainda é totalmente desconhecido.
"Clamamos por um programa de pesquisa sobre o uso e o impacto das drogas de aprimoramento cognitivo por indivíduos saudáveis", ressalta o documento.
Concebida para tratar crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção por Hiperatividade), essa droga (e outras similares) parece ter um efeito de melhora na concentração e na memória também em adultos saudáveis.
Um levantamento conduzido neste ano em universidades americanas revelou que cerca de 7% dos estudantes já fizeram uso de medicamentos desse tipo pelo menos uma vez, na tentativa de melhorarem seus desempenhos acadêmicos.
Tecnicamente, nos EUA, isso é crime, porque envolve comércio de uma droga para uso "off label" -fora do propósito original para o qual foi aprovada. Cientistas argumentam porém que a medida é um exagero e drogas como a Ritalina poderiam ser liberadas para "aprimoramento cognitivo", desde que novos testes comprovem sua segurança.
"Propomos ações que vão ajudar a sociedade a aceitar os benefícios do aprimoramento, acompanhadas de pesquisa apropriada e regulamento avançado", escrevem os cientistas. "Isso tem muito a oferecer para indivíduos e sociedade, e uma resposta apropriada por parte de todos deve incluir a disponibilização dos aprimoramentos acompanhada da gestão de riscos."
Entre os nomes que assinam o documento estão "pesos-pesados" das neurociências, como Michael Gazzaniga, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, e também um jurista, Henry Greely, da Universidade de Stanford. A idéia do manifesto saiu de um seminário promovido pela "Nature" e pela Universidade Rockefeller, de Nova York.
Além da Ritalina, os pesquisadores mencionam outras três drogas que já vêm ganhando algum grau de popularidade em usos "off label". Uma delas é a similar Adderall, também usada em transtorno de TDAH. Outra é a Stavigile (modafinil), aprovada para tratar o desgaste físico causado pela narcolepsia, mas que vem sendo usada por alguns estudantes para combater sono e cansaço.
Há ainda uma quarta droga, a Aricept, mais difícil de obter, originalmente aprovada para tratamento do mal de Alzheimer. A preocupação inicial dos cientistas, contudo, é mesmo a Ritalina. "Com a prevalência de TDAH indo de 4% a 7% entre universitários americanos (...), há um bocado de droga no campus que pode ser desviada para usos de aprimoramento."
Caso o uso de drogas para "turbinar" o cérebro venha realmente a ser aprovado, há outras questões que devem ser discutidas, além da segurança, afirma o manifesto publicado na "Nature". Uma delas é o risco de que estudantes deixem de concorrer em pé de igualdade quando participarem de exames que envolvam inteligência.
Uma pessoa que tenha se valido de uma droga poderia obter vantagem de maneira artificial, da mesma forma que um atleta dopado faz na disputa de uma competição, por exemplo. Os cientistas apontam também o risco de mais um problema: empresários poderiam obrigar seus funcionários -de maneira direta ou indireta- a fazerem uso dessas drogas para melhorarem o rendimento.
O manifesto reconhece, porém, que faltam ainda muitos dados essenciais para que a discussão tome o rumo desejado. Ninguém sabe dizer, por exemplo, o quanto uma droga como a Ritalina pode de fato ajudar a inteligência propriamente dita. O efeito de longo prazo de uma dessas drogas sobre pessoas que já estão saudáveis, também, ainda é totalmente desconhecido.
"Clamamos por um programa de pesquisa sobre o uso e o impacto das drogas de aprimoramento cognitivo por indivíduos saudáveis", ressalta o documento.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
"Brincar faz bem à saúde"
GILBERTO DIIMENSTEIN
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As pessoas imaginam o brincar como um passatempo inútil; mas é um dos caminhos para o prazer da descoberta
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TRÊS PESQUISAS publicadas na semana passada:
1) Excesso de TV e internet na infância aumenta o risco de vida sexual precoce, abuso do álcool, fumo e drogas, além da obesidade (Universidade Yale);
2) Crianças que vivem longe de áreas verdes tendem a engordar mais do que as que moram próximas de parques ou praças (Escola de Saúde Pública da Universidade de Washington);
3) Em comparação com meninos e meninas ricas, crianças pobres demonstraram, em testes com neurocientistas, menor atividade no córtex pré-frontal -área do cérebro relevante para a criatividade e solução de problemas, o que se traduz em limitação, muitas vezes para sempre, do aprendizado (Instituto de Neurociência Helen Wills, da Universidade da Califórnia).
As três pesquisas sugerem, entre outras coisas, o dano físico e psicológico provocado pela escassez do prosaico ato de brincar, da qual a obesidade é só o sintoma mais visível.
Ao falar sobre o cérebro das crianças de famílias de baixa renda, um dos autores do estudo (Thomas Boyce) ressalvou que o problema não era necessariamente a pobreza, mas o precário estímulo lúdico no ambiente em que vivem. Além da falta de livros, poucos visitam museus e teatros. Para completar, faltariam brincadeiras desde o berço.
As pessoas, em geral, imaginam o brincar como um passatempo inútil. Mas é um dos caminhos para o prazer da descoberta, capaz de estabelecer conexões cerebrais usadas pelo resto da vida. Mesmo os pais ricos e de classe média desconsideram essas descobertas científicas. Basta ver a ansiedade para que seus filhos se alfabetizem o mais rapidamente possível, aprendam logo uma segunda língua e comecem a se preparar para o vestibular.
Assim como excesso de comida não significa saúde, mas doença, excesso de informação não significa capacidade de lidar criativamente com o conhecimento. Ficar muitas horas no computador é a versão intelectual da obesidade.
As pesquisas referentes a este assunto, vão ser colocadas na íntegra neste blog,ao longo da semana.
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As pessoas imaginam o brincar como um passatempo inútil; mas é um dos caminhos para o prazer da descoberta
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TRÊS PESQUISAS publicadas na semana passada:
1) Excesso de TV e internet na infância aumenta o risco de vida sexual precoce, abuso do álcool, fumo e drogas, além da obesidade (Universidade Yale);
2) Crianças que vivem longe de áreas verdes tendem a engordar mais do que as que moram próximas de parques ou praças (Escola de Saúde Pública da Universidade de Washington);
3) Em comparação com meninos e meninas ricas, crianças pobres demonstraram, em testes com neurocientistas, menor atividade no córtex pré-frontal -área do cérebro relevante para a criatividade e solução de problemas, o que se traduz em limitação, muitas vezes para sempre, do aprendizado (Instituto de Neurociência Helen Wills, da Universidade da Califórnia).
As três pesquisas sugerem, entre outras coisas, o dano físico e psicológico provocado pela escassez do prosaico ato de brincar, da qual a obesidade é só o sintoma mais visível.
Ao falar sobre o cérebro das crianças de famílias de baixa renda, um dos autores do estudo (Thomas Boyce) ressalvou que o problema não era necessariamente a pobreza, mas o precário estímulo lúdico no ambiente em que vivem. Além da falta de livros, poucos visitam museus e teatros. Para completar, faltariam brincadeiras desde o berço.
As pessoas, em geral, imaginam o brincar como um passatempo inútil. Mas é um dos caminhos para o prazer da descoberta, capaz de estabelecer conexões cerebrais usadas pelo resto da vida. Mesmo os pais ricos e de classe média desconsideram essas descobertas científicas. Basta ver a ansiedade para que seus filhos se alfabetizem o mais rapidamente possível, aprendam logo uma segunda língua e comecem a se preparar para o vestibular.
Assim como excesso de comida não significa saúde, mas doença, excesso de informação não significa capacidade de lidar criativamente com o conhecimento. Ficar muitas horas no computador é a versão intelectual da obesidade.
As pesquisas referentes a este assunto, vão ser colocadas na íntegra neste blog,ao longo da semana.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Jill Bolte Taylor - Neurocientista-
A neurocientista americana que sofreu um
derrame e observou em detalhes a deterioração
de sua mente relata a experiência e mostra como
ajudar as vítimas desse mal
Na manhã de 10 de dezembro de 1996, aos 37 anos, a neurocientista americana Jill Bolte Taylor, da Universidade Indiana, acordou com uma dor aguda na cabeça. Com seus conhecimentos, logo deduziu que estava sendo vítima de um derrame cerebral. Durante quatro horas, a cientista viu seu cérebro deteriorar-se enquanto tentava pedir ajuda. Nesse período, pôde observar por dentro, como protagonista, aquilo que havia estudado durante toda a vida – o funcionamento das regiões do cérebro e o que acontecia quando cada uma delas parava de trabalhar. Hoje, depois de uma incansável batalha pela cura, ela recuperou completamente suas funções físicas e mentais, sem nenhuma seqüela. A experiência lhe rendeu um livro, A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro, que vendeu 500 000 cópias nos Estados Unidos e foi lançado há pouco no Brasil. Jill deu a seguinte entrevista a VEJA.
Como a senhora percebeu que estava sofrendo um derrame cerebral?
Acordei com uma dor aguda na cabeça, bem atrás do olho esquerdo. Depois, percebi que minha coordenação muscular estava prejudicada. Quando entrei no chuveiro e abri a torneira, ouvi um estrondo, mas era só a água caindo. Juntando os três sintomas, e baseada na minha experiência como neurocientista, percebi que poderia estar sofrendo um derrame. No fim daquela manhã, já não conseguia andar, falar, ler, escrever ou lembrar informações básicas da minha vida, como quem era minha mãe, nem sequer o que a palavra mãe significava.
O que estava acontecendo em seu cérebro naquele momento?
O hemisfério esquerdo foi afetado. Ele é o lado racional, responsável pelo processamento das informações em forma de linguagem. Usa as palavras para classificar cada elemento do mundo ao nosso redor. Como essa parte se alterou, eu não era capaz de falar nem entender o que as outras pessoas diziam. O hemisfério esquerdo também abriga as células responsáveis por percebermos os limites de nosso corpo. Com o derrame, aos poucos o hemisfério direito do cérebro, que entende o mundo pelo lado emocional, começou a prevalecer. Na ausência do julgamento racional do hemisfério esquerdo, minha mente alternava momentos de consciência com outros de euforia, uma sensação de haver alcançado uma espécie de nirvana.
Em seu livro, a senhora descreve que, nas primeiras horas após o derrame, os sons, cheiros e luzes se tornaram torturantes. Qual é a explicação para isso?
Meu cérebro já não era capaz de processar os estímulos corretamente. Em condições normais, eles são transmitidos por diferentes grupos de células, que os filtram e refinam. Quando meu cérebro foi lesionado, o sangue se espalhou entre os neurônios e interrompeu a filtragem. Como conseqüência, os estímulos não podiam ser percebidos normalmente, o que tornou o contato com o mundo exterior uma experiência de completo caos e dor. Respirar fazia com que minhas costelas ardessem, e a luz que penetrava nos meus olhos parecia queimá-los.
"Os médicos não são treinados para lidar adequadamente com os pacientes de derrame, sobretudo quando o hemisfério esquerdo é afetado e o doente não consegue falar ou comunicar o que está pensando"
O fato de entender o que estava ocorrendo em seu cérebro contribuiu para acalmá-la ou a deixou ainda mais preocupada?
No primeiro momento, fiquei aflita e pensei: "Meu Deus, isto é um derrame!". No instante seguinte, surpreendi-me pensando que a situação era muito interessante. É estranho, mas fiquei animada quando me dei conta de que aquilo tudo que eu estava experimentando tinha uma base fisiológica e uma explicação. Pensava: "Quantos cientistas têm a oportunidade de estudar as funções do cérebro e sua deterioração de dentro para fora?". De fato, como neurocientista, durante o derrame aprendi tanto sobre o funcionamento do cérebro quanto havia aprendido em todos os meus anos de estudos. Naquele momento, a porção egoísta abrigada no hemisfério esquerdo do meu cérebro ainda acreditava que eu não morreria e que só ficaria longe de minhas atividades normais durante uma semana. Depois, fui me dando conta de que poderia morrer. Mas, à medida que era inundada pelo sentimento de libertação trazido pelo lado direito do cérebro, vivia momentos de paz. Neles, não havia medo da morte.
Como a senhora consegue se lembrar de detalhes do processo de deterioração de seu cérebro?
Em primeiro lugar, porque em nenhum momento fiquei inconsciente. Perdi o hemisfério esquerdo, que pensa em forma de linguagem, mas o hemisfério direito, que pensa em forma de imagens, guardou uma espécie de videoteipe da manhã do derrame. Então, o que tive de fazer durante a recuperação foi repassar esse vídeo com o auxílio de um profissional, que me ajudou a adicionar as frases correspondentes para descrever o que acontecia, tais como: "Eu me levantei, eu senti, eu vi". Foi como rever o videoteipe acrescentando a trilha sonora.
Que habilidades do dia-a-dia foram comprometidas pelo derrame?
Como muitas vítimas de derrame, eu conseguia escrever, mas não era capaz de ler. Isso acontece porque o circuito da escrita em nosso cérebro é separado do circuito da leitura. Eu só conseguia digitar mensagens básicas no computador. A escrita manual envolve o controle motor do hemisfério oposto à mão com que você escreve. Como sou destra, era meu hemisfério esquerdo que coordenava essa tarefa, que se tornou quase impossível. Mas, ao digitar, usam-se as duas mãos e recorre-se aos dois lados do cérebro. Digitar, portanto, era mais fácil. Minha habilidade matemática também se perdeu.
Como isso aconteceu?
Perdi os neurônios responsáveis por compreender os números. Deixei de entender qualquer coisa relacionada a dinheiro. Para mim, 25 não era nem maior nem diferente de 10. Sentia-me incapaz de julgar se os preços eram justos. Levou anos até que meu cérebro conseguisse entender o que era o algarismo 1. E, se você não consegue entender o que é 1, também não conseguirá entender o que significa 1 + 1. Só quatro anos após o derrame minha mente se recuperou o suficiente para entender o conceito de 1 e fiquei pronta para reaprender adição, subtração, multiplicação e divisão. Depois de entender o que era um número, treinei minha habilidade matemática com a ajuda de videogames e programas que estimulam essa área. Também demorei um ano para aprender a arrumar a louça no escorredor. Parece simples, mas as tarefas de organização demandam a capacidade de calcular.
Sua visão foi comprometida?
Eu não processava a visão de forma convencional. Perdi a habilidade para definir os limites entre os objetos. Todos eles se fundiam, formando uma imagem maior, como num quadro impressionista. Se uma pessoa ficasse parada junto à porta, eu não conseguia percebê-la, a menos que ela se movesse.
Por que nem todas as vítimas de derrame relatam as mesmas experiências ou distorções sensoriais pelas quais a senhora passou?
A diferença está no grau de conhecimento sobre biologia e neurologia que eu tenho em relação à maior parte dos pacientes. Talvez eles passem pela mesma experiência, mas a descrevem de forma diferente ou têm uma compreensão mais limitada do que lhes está acontecendo.
"É falso que o cérebro só se recupera nos seis meses posteriores ao acidente vascular. A estimulação pode fazer com que muitos neurônios, adormecidos para se proteger do trauma, voltem a funcionar depois desse prazo"
Como a senhora conseguiu se recuperar sem nenhuma seqüela?
Graças à minha experiência como neurocientista, soube como estimular meu cérebro da maneira correta para que parte dos neurônios recuperasse suas antigas conexões. Além disso, eu tinha um mapa muito claro das áreas que precisavam ser tratadas prioritariamente.
Como os médicos devem lidar com os pacientes vítimas de derrame?
Os médicos não são treinados para lidar adequadamente com esses pacientes, sobretudo quando o hemisfério esquerdo é afetado e o doente não pode falar nem comunicar o que está pensando. Durante minha recuperação, um médico que tentava avaliar meu raciocínio me perguntou quem era o presidente dos Estados Unidos. Primeiro, tive de vasculhar todos os meus arquivos mentais que me explicassem o que era um presidente. Depois, todos os arquivos relativos aos Estados Unidos. Mas o que ele queria saber não dizia respeito ao conceito de presidente ou de Estados Unidos, mas a um personagem específico, Bill Clinton, que estava armazenado numa pasta completamente diferente. O médico teria sido mais eficiente se tivesse me perguntado quem era Bill Clinton, uma resposta que eu certamente encontraria ao revirar meu arquivo mental sobre esse personagem. Os médicos precisam entender como o cérebro de um sobrevivente de derrame funciona, em vez de tentar avaliá-lo segundo seus próprios critérios.
O que sua experiência ensina aos médicos?
Que a afirmação de que seis meses é o prazo máximo para uma vítima de derrame recuperar determinada habilidade está totalmente errada. Os seis primeiros meses são os melhores, mas vi meu cérebro se recuperar durante oito anos. Já ouvi pacientes dizer, quinze anos depois do derrame, que estavam readquirindo movimentos. Além do mais, já se sabe que, após o derrame, algumas células cerebrais que sofreram o trauma interrompem suas conexões com outras células e ficam num estado de dormência, mas não estão mortas. As células que morrem são aquelas que entram em contato direto com o sangue do derrame. Os grupos de células que ficam adormecidas isolam-se para se proteger. Com o tempo, conforme aumentamos a estimulação, eles podem crescer, conectar-se à rede e voltar a funcionar. Isso sem falar na capacidade de adaptação das células cerebrais. Quando as células responsáveis por uma tarefa não podem mais realizá-la, passam a contar com a colaboração de outros grupos de células, desenvolvendo novas habilidades e compensando aquela que foi perdida. Quando se perde um dos sentidos, os outros tendem a ficar mais aguçados.
Que avanços a medicina fez recentemente no estudo dos acidentes vasculares cerebrais?
Nos últimos dez anos, houve duas grandes contribuições científicas à crença na capacidade de recuperação constante do cérebro. A primeira vem do conceito de neuroplasticidade, em que o cérebro altera suas conexões conforme o tipo de estímulo. Antes, pensava-se que a estrutura do cérebro era definida na primeira infância, e não mudava. A segunda vem da descoberta de que novos neurônios crescem em locais estratégicos. Um exemplo: um alcoólatra de longa data pára de beber. Depois de três meses, novos neurônios começam a crescer no hipocampo, a parte do cérebro responsável por armazenar memórias recentes. Assim, ele terá um grande estímulo à aprendizagem. Até dez anos atrás, tínhamos como certo que não se formavam novos neurônios.
Que conselhos a senhora daria a um familiar ou amigo de vítima de derrame?
Primeiro, entenda que o sobrevivente de derrame não se tornou um incapaz. Ele apenas está doente. Segundo, esteja certo de que o paciente está tentando fazer as tarefas propostas, apenas não no nível de habilidade nem no tempo de quem as propõe. Portanto, não avalie sua capacidade cognitiva pela velocidade com que ele responde. Fale com ele diretamente em vez de falar sobre ele com os outros, como se ele não estivesse ali. Incentive-o a aprender constantemente, mesmo que leve vinte anos. Ao propor um desafio ou tarefa, fragmente todas as ações em pequenos passos e esclareça ao paciente qual é o próximo, para que ele possa saber que objetivo está perseguindo. Formule questões de múltipla escolha em vez de perguntas cujas respostas sejam sim ou não. Elas estimulam o cérebro a trabalhar. E dê-lhe tempo para procurar a resposta em vez de completar suas frases. Comemore todos os pequenos avanços na recuperação, porque eles são a inspiração para conquistas maiores. Sobretudo, ame-o pelo que ele é hoje.
derrame e observou em detalhes a deterioração
de sua mente relata a experiência e mostra como
ajudar as vítimas desse mal
Na manhã de 10 de dezembro de 1996, aos 37 anos, a neurocientista americana Jill Bolte Taylor, da Universidade Indiana, acordou com uma dor aguda na cabeça. Com seus conhecimentos, logo deduziu que estava sendo vítima de um derrame cerebral. Durante quatro horas, a cientista viu seu cérebro deteriorar-se enquanto tentava pedir ajuda. Nesse período, pôde observar por dentro, como protagonista, aquilo que havia estudado durante toda a vida – o funcionamento das regiões do cérebro e o que acontecia quando cada uma delas parava de trabalhar. Hoje, depois de uma incansável batalha pela cura, ela recuperou completamente suas funções físicas e mentais, sem nenhuma seqüela. A experiência lhe rendeu um livro, A Cientista que Curou Seu Próprio Cérebro, que vendeu 500 000 cópias nos Estados Unidos e foi lançado há pouco no Brasil. Jill deu a seguinte entrevista a VEJA.
Como a senhora percebeu que estava sofrendo um derrame cerebral?
Acordei com uma dor aguda na cabeça, bem atrás do olho esquerdo. Depois, percebi que minha coordenação muscular estava prejudicada. Quando entrei no chuveiro e abri a torneira, ouvi um estrondo, mas era só a água caindo. Juntando os três sintomas, e baseada na minha experiência como neurocientista, percebi que poderia estar sofrendo um derrame. No fim daquela manhã, já não conseguia andar, falar, ler, escrever ou lembrar informações básicas da minha vida, como quem era minha mãe, nem sequer o que a palavra mãe significava.
O que estava acontecendo em seu cérebro naquele momento?
O hemisfério esquerdo foi afetado. Ele é o lado racional, responsável pelo processamento das informações em forma de linguagem. Usa as palavras para classificar cada elemento do mundo ao nosso redor. Como essa parte se alterou, eu não era capaz de falar nem entender o que as outras pessoas diziam. O hemisfério esquerdo também abriga as células responsáveis por percebermos os limites de nosso corpo. Com o derrame, aos poucos o hemisfério direito do cérebro, que entende o mundo pelo lado emocional, começou a prevalecer. Na ausência do julgamento racional do hemisfério esquerdo, minha mente alternava momentos de consciência com outros de euforia, uma sensação de haver alcançado uma espécie de nirvana.
Em seu livro, a senhora descreve que, nas primeiras horas após o derrame, os sons, cheiros e luzes se tornaram torturantes. Qual é a explicação para isso?
Meu cérebro já não era capaz de processar os estímulos corretamente. Em condições normais, eles são transmitidos por diferentes grupos de células, que os filtram e refinam. Quando meu cérebro foi lesionado, o sangue se espalhou entre os neurônios e interrompeu a filtragem. Como conseqüência, os estímulos não podiam ser percebidos normalmente, o que tornou o contato com o mundo exterior uma experiência de completo caos e dor. Respirar fazia com que minhas costelas ardessem, e a luz que penetrava nos meus olhos parecia queimá-los.
"Os médicos não são treinados para lidar adequadamente com os pacientes de derrame, sobretudo quando o hemisfério esquerdo é afetado e o doente não consegue falar ou comunicar o que está pensando"
O fato de entender o que estava ocorrendo em seu cérebro contribuiu para acalmá-la ou a deixou ainda mais preocupada?
No primeiro momento, fiquei aflita e pensei: "Meu Deus, isto é um derrame!". No instante seguinte, surpreendi-me pensando que a situação era muito interessante. É estranho, mas fiquei animada quando me dei conta de que aquilo tudo que eu estava experimentando tinha uma base fisiológica e uma explicação. Pensava: "Quantos cientistas têm a oportunidade de estudar as funções do cérebro e sua deterioração de dentro para fora?". De fato, como neurocientista, durante o derrame aprendi tanto sobre o funcionamento do cérebro quanto havia aprendido em todos os meus anos de estudos. Naquele momento, a porção egoísta abrigada no hemisfério esquerdo do meu cérebro ainda acreditava que eu não morreria e que só ficaria longe de minhas atividades normais durante uma semana. Depois, fui me dando conta de que poderia morrer. Mas, à medida que era inundada pelo sentimento de libertação trazido pelo lado direito do cérebro, vivia momentos de paz. Neles, não havia medo da morte.
Como a senhora consegue se lembrar de detalhes do processo de deterioração de seu cérebro?
Em primeiro lugar, porque em nenhum momento fiquei inconsciente. Perdi o hemisfério esquerdo, que pensa em forma de linguagem, mas o hemisfério direito, que pensa em forma de imagens, guardou uma espécie de videoteipe da manhã do derrame. Então, o que tive de fazer durante a recuperação foi repassar esse vídeo com o auxílio de um profissional, que me ajudou a adicionar as frases correspondentes para descrever o que acontecia, tais como: "Eu me levantei, eu senti, eu vi". Foi como rever o videoteipe acrescentando a trilha sonora.
Que habilidades do dia-a-dia foram comprometidas pelo derrame?
Como muitas vítimas de derrame, eu conseguia escrever, mas não era capaz de ler. Isso acontece porque o circuito da escrita em nosso cérebro é separado do circuito da leitura. Eu só conseguia digitar mensagens básicas no computador. A escrita manual envolve o controle motor do hemisfério oposto à mão com que você escreve. Como sou destra, era meu hemisfério esquerdo que coordenava essa tarefa, que se tornou quase impossível. Mas, ao digitar, usam-se as duas mãos e recorre-se aos dois lados do cérebro. Digitar, portanto, era mais fácil. Minha habilidade matemática também se perdeu.
Como isso aconteceu?
Perdi os neurônios responsáveis por compreender os números. Deixei de entender qualquer coisa relacionada a dinheiro. Para mim, 25 não era nem maior nem diferente de 10. Sentia-me incapaz de julgar se os preços eram justos. Levou anos até que meu cérebro conseguisse entender o que era o algarismo 1. E, se você não consegue entender o que é 1, também não conseguirá entender o que significa 1 + 1. Só quatro anos após o derrame minha mente se recuperou o suficiente para entender o conceito de 1 e fiquei pronta para reaprender adição, subtração, multiplicação e divisão. Depois de entender o que era um número, treinei minha habilidade matemática com a ajuda de videogames e programas que estimulam essa área. Também demorei um ano para aprender a arrumar a louça no escorredor. Parece simples, mas as tarefas de organização demandam a capacidade de calcular.
Sua visão foi comprometida?
Eu não processava a visão de forma convencional. Perdi a habilidade para definir os limites entre os objetos. Todos eles se fundiam, formando uma imagem maior, como num quadro impressionista. Se uma pessoa ficasse parada junto à porta, eu não conseguia percebê-la, a menos que ela se movesse.
Por que nem todas as vítimas de derrame relatam as mesmas experiências ou distorções sensoriais pelas quais a senhora passou?
A diferença está no grau de conhecimento sobre biologia e neurologia que eu tenho em relação à maior parte dos pacientes. Talvez eles passem pela mesma experiência, mas a descrevem de forma diferente ou têm uma compreensão mais limitada do que lhes está acontecendo.
"É falso que o cérebro só se recupera nos seis meses posteriores ao acidente vascular. A estimulação pode fazer com que muitos neurônios, adormecidos para se proteger do trauma, voltem a funcionar depois desse prazo"
Como a senhora conseguiu se recuperar sem nenhuma seqüela?
Graças à minha experiência como neurocientista, soube como estimular meu cérebro da maneira correta para que parte dos neurônios recuperasse suas antigas conexões. Além disso, eu tinha um mapa muito claro das áreas que precisavam ser tratadas prioritariamente.
Como os médicos devem lidar com os pacientes vítimas de derrame?
Os médicos não são treinados para lidar adequadamente com esses pacientes, sobretudo quando o hemisfério esquerdo é afetado e o doente não pode falar nem comunicar o que está pensando. Durante minha recuperação, um médico que tentava avaliar meu raciocínio me perguntou quem era o presidente dos Estados Unidos. Primeiro, tive de vasculhar todos os meus arquivos mentais que me explicassem o que era um presidente. Depois, todos os arquivos relativos aos Estados Unidos. Mas o que ele queria saber não dizia respeito ao conceito de presidente ou de Estados Unidos, mas a um personagem específico, Bill Clinton, que estava armazenado numa pasta completamente diferente. O médico teria sido mais eficiente se tivesse me perguntado quem era Bill Clinton, uma resposta que eu certamente encontraria ao revirar meu arquivo mental sobre esse personagem. Os médicos precisam entender como o cérebro de um sobrevivente de derrame funciona, em vez de tentar avaliá-lo segundo seus próprios critérios.
O que sua experiência ensina aos médicos?
Que a afirmação de que seis meses é o prazo máximo para uma vítima de derrame recuperar determinada habilidade está totalmente errada. Os seis primeiros meses são os melhores, mas vi meu cérebro se recuperar durante oito anos. Já ouvi pacientes dizer, quinze anos depois do derrame, que estavam readquirindo movimentos. Além do mais, já se sabe que, após o derrame, algumas células cerebrais que sofreram o trauma interrompem suas conexões com outras células e ficam num estado de dormência, mas não estão mortas. As células que morrem são aquelas que entram em contato direto com o sangue do derrame. Os grupos de células que ficam adormecidas isolam-se para se proteger. Com o tempo, conforme aumentamos a estimulação, eles podem crescer, conectar-se à rede e voltar a funcionar. Isso sem falar na capacidade de adaptação das células cerebrais. Quando as células responsáveis por uma tarefa não podem mais realizá-la, passam a contar com a colaboração de outros grupos de células, desenvolvendo novas habilidades e compensando aquela que foi perdida. Quando se perde um dos sentidos, os outros tendem a ficar mais aguçados.
Que avanços a medicina fez recentemente no estudo dos acidentes vasculares cerebrais?
Nos últimos dez anos, houve duas grandes contribuições científicas à crença na capacidade de recuperação constante do cérebro. A primeira vem do conceito de neuroplasticidade, em que o cérebro altera suas conexões conforme o tipo de estímulo. Antes, pensava-se que a estrutura do cérebro era definida na primeira infância, e não mudava. A segunda vem da descoberta de que novos neurônios crescem em locais estratégicos. Um exemplo: um alcoólatra de longa data pára de beber. Depois de três meses, novos neurônios começam a crescer no hipocampo, a parte do cérebro responsável por armazenar memórias recentes. Assim, ele terá um grande estímulo à aprendizagem. Até dez anos atrás, tínhamos como certo que não se formavam novos neurônios.
Que conselhos a senhora daria a um familiar ou amigo de vítima de derrame?
Primeiro, entenda que o sobrevivente de derrame não se tornou um incapaz. Ele apenas está doente. Segundo, esteja certo de que o paciente está tentando fazer as tarefas propostas, apenas não no nível de habilidade nem no tempo de quem as propõe. Portanto, não avalie sua capacidade cognitiva pela velocidade com que ele responde. Fale com ele diretamente em vez de falar sobre ele com os outros, como se ele não estivesse ali. Incentive-o a aprender constantemente, mesmo que leve vinte anos. Ao propor um desafio ou tarefa, fragmente todas as ações em pequenos passos e esclareça ao paciente qual é o próximo, para que ele possa saber que objetivo está perseguindo. Formule questões de múltipla escolha em vez de perguntas cujas respostas sejam sim ou não. Elas estimulam o cérebro a trabalhar. E dê-lhe tempo para procurar a resposta em vez de completar suas frases. Comemore todos os pequenos avanços na recuperação, porque eles são a inspiração para conquistas maiores. Sobretudo, ame-o pelo que ele é hoje.
"CÉREBRO HUMANO É UMA GAMBIARRA EVOLUTIVA QUE FREQÜENTEMENTE DÁ PAU"
São Paulo, domingo, 07 de dezembro de 2008
Engenheiros americanos costumam usar a gíria "kluge" ao se referirem a soluções improvisadas para problemas em projetos. A falta de iluminação numa casa nova pode rapidamente ser resolvida, por exemplo, com um fio desencapado, uma lâmpada velha, uma extensão e esparadrapo. Esse tipo de gambiarra, diz o psicólogo Gary Marcus, da Universidade de Nova York, é também a melhor analogia para descrever a mente humana.
"Kluge" é o título do novo livro de Marcus, dedicado a mostrar como nossas faculdades mentais mais caras -consciência e raciocínio lógico- foram construídas pela evolução aproveitando estruturas cerebrais primitivas, na falta de algo melhor. Dá para o gasto, mas o preço que pagamos por não sermos fruto de um "projeto inteligente" é que nossa gambiarra cerebral freqüentemente entra em curto-circuito.
Auto-engano, teimosia, presunção -e crenças religiosas- seriam todos efeitos colaterais da forma como a mente é estruturada. Nossa memória, também, parece ser ótima para um caçador identificar pegadas de animais, mas não muito para guardar senhas de banco.
Analisando suas teorias à luz de experimentos psicológicos, Marcus mostra o quanto somos capazes de violar a racionalidade que supostamente é a marca registrada do Homo sapiens, o homem que sabe. Em um fenômeno conhecido como "ancoragem e ajuste", por exemplo, o cérebro é normalmente induzido por valores arbitrários -o autor descreve um experimento no qual números que saíam numa roda da fortuna influenciavam voluntários a responder uma questão não-relacionada, como "qual é a porcentagem de países africanos na ONU?"
Outro fenômeno analisado por Marcus a chamada "preparação", ou indução subliminar. As pessoas tendem a responder a perguntas sobre suas vidas com mais otimismo depois de assistir a "Os Smurfs" do que a "O Ladrão de Bicicletas".
FOLHA - Seu livro tem uma espécie de seção de auto-ajuda ao final, listando coisas que as pessoas podem fazer para não serem apanhadas pelos truques que a mente prega em todos nós. Ter autoconsciência dessas falhas realmente pode fazer com que identifiquemos melhor nossas irracionalidades?
GARY MARCUS - Acho que a autoconsciência ajuda mais em alguns problemas do que em outros. Podemos reduzir a quantidade de problemas que acontecem. Não acho que possamos eliminá-los. Se você refletir um pouco mais sobre alguma decisão em particular e pensar: "Estou sendo influenciado por preparação?" ou "estou sendo influenciado por ancoragem?" você poderá melhorar, às vezes. Perguntar a si próprio sobre possíveis alternativas para explicar dados pode ajudar em diversas situações.
FOLHA - O sr. critica Steven Pinker, que foi seu orientador, por vender uma imagem do cérebro com um órgão bem adaptado ao ambiente, funcionando sempre em harmonia. Pinker respondeu à sua crítica?
MARCUS - Bom, acho que ele diria que os psicólogos evolutivos certamente estão cientes de que o cérebro tem limites. Eu diria que eles estão cientes, mas não têm prestado muita atenção nisso. Acho que nós temos uma diferença de ênfase. A maior parte dos exemplos que os psicólogos evolutivos dão são sobre coisas que o cérebro faz bem. Eu tenho tentado abordar isso com equilíbrio e falar também sobre as coisas que o cérebro não faz direito.
FOLHA - Seu livro se baseia em um argumento que questiona ideologias como o design inteligente. O combate ao design inteligente foi o que motivou o livro?
MARCUS - Certamente eu quis que o livro fosse um desafio ao design inteligente. Acho que essa é uma crença bizarra em tempos modernos, mas não gastaria muito tempo da minha vida combatendo especificamente um pequeno grupo de pessoas que não acho que esteja realmente querendo ter um debate científico.
Eu estava mais interessado, acho, em desafiar a psicologia evolutiva, mas acho que o livro é um ataque forte simultâneo a quem quer que pense que nós somos "bem projetados", por qualquer razão que seja, incluindo os criacionistas.
FOLHA - O livro destaca o quanto todos nós somos vulneráveis a adotar crenças que não temos base racional para sustentar. A religião se trata disso. O sr. acha que a evolução pode nos ter "programado" para a crença religiosa?
MARCUS - A evolução nos moldou de forma a que desejássemos ter explicações para as coisas. Não gostamos de informações mal explicadas. Isso é parte da razão pela qual somos atraídos pela religião. Acho que o fato de termos viés de confirmação -o hábito de acolher evidências favoráveis àquilo em que acreditamos e de desqualificar as evidências em contrário- nos torna inclinados a aceitar a religião com explicação para coisas que acontecem. Não acho que a evolução nos tenha tornado especificamente mais vulneráveis à religião do que a outros tipos de idéia, mas isso faz da religião um tipo de idéia muito sedutor para um humano.
FOLHA - Alguns sociólogos criticam hoje o culto ao otimismo, que é uma espécie de nova religião apregoada por livros populares de auto-ajuda. Seu livro, apesar de ter um traço de auto-ajuda, não apregoa o otimismo a qualquer custo...
MARCUS - Acho que todos procuramos ter um equilíbrio entre otimismo e realismo. O custo do otimismo excessivo é o auto-engano. E o auto-engano pode ser perigoso. Pessoas podem usar isso para justificar comportamentos que as põem em enrascadas.
FOLHA - Vários livros de ciência para leigos deste ano são títulos no estilo "Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estúpidas". Todos tentam explicar por que a mente sofre tanto auto-engano. Atacar o cérebro é a tendência nova na psicologia?
MARCUS - O que existe é a tendência entre muitos acadêmicos de elaborar as coisas considerando que o cérebro é perfeito. A economia, por exemplo, parte do pressuposto de que sempre tomamos nossas decisões racionalmente, e acho que a literatura em psicologia não vinha falando muito desse problema. É claro que o cérebro também não é completamente irracional, mas somos limitados. Fazemos algumas coisas muito bem, outras nem tanto. O importante é ter um panorama realista, mas é como um pêndulo que sempre vai e volta. Acho que, se nesses últimos anos saíram mesmo mais livros tratando dessas limitações humanas, é uma coisa boa.
FOLHA - Com esse tipo de conhecimento caindo nas mãos de pessoas com más intenções, o sr. não acha que elas podem aproveitá-los para explorar os outros em vez de ajudá-los? Não é o caso do marketing?
MARCUS - Bom, acho que eles já estão fazendo isso. Os publicitários já sabem intuitivamente várias das coisas das quais falo no livro, e os políticos também. O ponto é que o livro pode dar poder a cidadãos e consumidores para entenderem o que está acontecendo com eles.
FOLHA - Vários dos experimentos psicológicos que o sr. descreve no livro usam testes econômicos. Alguns economistas vêem na atual crise econômica raízes que têm a ver com auto-engano e um otimismo desmesurado no mercado. A natureza humana vai tornar crises como essas sempre recorrentes?
MARCUS - Como espécie, nós somos muito vulneráveis àquilo que chamamos de "jogos de pareamento mental". Quando vemos uma pessoa ganhando dinheiro, supomos que, se fizermos a mesma coisa, vai dar certo. As pessoas não se dão conta de que recursos são limitados e nenhum desses planos pode funcionar para sempre. Aconteceu isso na crise das empresas ponto-com e agora está acontecendo com a crise das hipotecas "subprime". Em nenhuma delas as pessoas pararam para pensar que o dinheiro teria de acabar alguma hora. Os primeiros a entrarem no plano podem mesmo fazem dinheiro, mas as pessoas no fim da linha não vão conseguir, porque os recursos se acabam.
FOLHA - Quando o sr. fala sobre memória, dá como exemplo o fato de que, infelizmente, a evolução não criou em nosso cérebro um mecanismo para procurar informações arquivadas. O sr. acha que o advento da internet e do Google, afinal, pode mudar a maneira com que as pessoas lidam com a memória?
MARCUS - Acho que isso já está acontecendo. Antes as pessoas provavelmente contariam com sua própria memória, e hoje a internet pode substituí-la. Mas, na verdade, livros fazem a mesma coisa. Livros de referência, em particular, servem como substitutos para a memória há séculos. Acho que há risco de que as pessoas, se recorrerem inteiramente a máquinas, possam perder suas habilidades naturais. Hoje usam-se máquinas para fazer aritmética, e acho uma pena que as crianças de hoje não consigam fazer aritmética como nós fazíamos. Mas, de um modo geral, acredito, é bom usar ferramentas externas. Essa é a mesma razão pela qual fabricamos martelos, carros etc.: eles nos trazem habilidades que não temos. A internet torna muito mais fácil adquirir informação. Acho que devemos aproveitar isso e poupar as crianças de passarem muito tempo decorando coisas, e ensiná-las um pouco mais sobre nossas limitações.
FOLHA - Usar pouco a memória não poderia tornar as pessoas piores em lidar com informação também?
MARCUS - Acho que, no pior dos cenários, poderia, mas não estou muito preocupado. Existe uma tendência chamada "Efeito Flynn", mostrando que em média os índices de inteligência estão crescendo, apesar de algumas habilidades estarem decrescendo. As pessoas não são tão hábeis para escrever como eram antes, mas é fato que as crianças podem encontrar informações mais facilmente, o que provavelmente é uma coisa boa. Nós podemos ensiná-las melhor a discriminar informações boas e ruins, mas os fatos disponíveis significam mesmo que uma pessoa hoje tem em média um arcabouço de informações melhor do que uma pessoa de cem anos atrás.
FOLHA - O sr. acredita que efeitos como o raciocínio por motivação e viés de confirmação seja hoje uma praga em ciência? Esse tipo de coisa está atrapalhando a academia mais do que antes?
MARCUS - Absolutamente. Cientistas são pessoas, e pessoas cometem todos os tipos de erros que eu descrevo no livro. O único motivo pelo qual a ciência progride é que há tantas pessoas trabalhando na área que idéias ruins alguma hora acabam sendo substituídas por idéias boas.
Engenheiros americanos costumam usar a gíria "kluge" ao se referirem a soluções improvisadas para problemas em projetos. A falta de iluminação numa casa nova pode rapidamente ser resolvida, por exemplo, com um fio desencapado, uma lâmpada velha, uma extensão e esparadrapo. Esse tipo de gambiarra, diz o psicólogo Gary Marcus, da Universidade de Nova York, é também a melhor analogia para descrever a mente humana.
"Kluge" é o título do novo livro de Marcus, dedicado a mostrar como nossas faculdades mentais mais caras -consciência e raciocínio lógico- foram construídas pela evolução aproveitando estruturas cerebrais primitivas, na falta de algo melhor. Dá para o gasto, mas o preço que pagamos por não sermos fruto de um "projeto inteligente" é que nossa gambiarra cerebral freqüentemente entra em curto-circuito.
Auto-engano, teimosia, presunção -e crenças religiosas- seriam todos efeitos colaterais da forma como a mente é estruturada. Nossa memória, também, parece ser ótima para um caçador identificar pegadas de animais, mas não muito para guardar senhas de banco.
Analisando suas teorias à luz de experimentos psicológicos, Marcus mostra o quanto somos capazes de violar a racionalidade que supostamente é a marca registrada do Homo sapiens, o homem que sabe. Em um fenômeno conhecido como "ancoragem e ajuste", por exemplo, o cérebro é normalmente induzido por valores arbitrários -o autor descreve um experimento no qual números que saíam numa roda da fortuna influenciavam voluntários a responder uma questão não-relacionada, como "qual é a porcentagem de países africanos na ONU?"
Outro fenômeno analisado por Marcus a chamada "preparação", ou indução subliminar. As pessoas tendem a responder a perguntas sobre suas vidas com mais otimismo depois de assistir a "Os Smurfs" do que a "O Ladrão de Bicicletas".
FOLHA - Seu livro tem uma espécie de seção de auto-ajuda ao final, listando coisas que as pessoas podem fazer para não serem apanhadas pelos truques que a mente prega em todos nós. Ter autoconsciência dessas falhas realmente pode fazer com que identifiquemos melhor nossas irracionalidades?
GARY MARCUS - Acho que a autoconsciência ajuda mais em alguns problemas do que em outros. Podemos reduzir a quantidade de problemas que acontecem. Não acho que possamos eliminá-los. Se você refletir um pouco mais sobre alguma decisão em particular e pensar: "Estou sendo influenciado por preparação?" ou "estou sendo influenciado por ancoragem?" você poderá melhorar, às vezes. Perguntar a si próprio sobre possíveis alternativas para explicar dados pode ajudar em diversas situações.
FOLHA - O sr. critica Steven Pinker, que foi seu orientador, por vender uma imagem do cérebro com um órgão bem adaptado ao ambiente, funcionando sempre em harmonia. Pinker respondeu à sua crítica?
MARCUS - Bom, acho que ele diria que os psicólogos evolutivos certamente estão cientes de que o cérebro tem limites. Eu diria que eles estão cientes, mas não têm prestado muita atenção nisso. Acho que nós temos uma diferença de ênfase. A maior parte dos exemplos que os psicólogos evolutivos dão são sobre coisas que o cérebro faz bem. Eu tenho tentado abordar isso com equilíbrio e falar também sobre as coisas que o cérebro não faz direito.
FOLHA - Seu livro se baseia em um argumento que questiona ideologias como o design inteligente. O combate ao design inteligente foi o que motivou o livro?
MARCUS - Certamente eu quis que o livro fosse um desafio ao design inteligente. Acho que essa é uma crença bizarra em tempos modernos, mas não gastaria muito tempo da minha vida combatendo especificamente um pequeno grupo de pessoas que não acho que esteja realmente querendo ter um debate científico.
Eu estava mais interessado, acho, em desafiar a psicologia evolutiva, mas acho que o livro é um ataque forte simultâneo a quem quer que pense que nós somos "bem projetados", por qualquer razão que seja, incluindo os criacionistas.
FOLHA - O livro destaca o quanto todos nós somos vulneráveis a adotar crenças que não temos base racional para sustentar. A religião se trata disso. O sr. acha que a evolução pode nos ter "programado" para a crença religiosa?
MARCUS - A evolução nos moldou de forma a que desejássemos ter explicações para as coisas. Não gostamos de informações mal explicadas. Isso é parte da razão pela qual somos atraídos pela religião. Acho que o fato de termos viés de confirmação -o hábito de acolher evidências favoráveis àquilo em que acreditamos e de desqualificar as evidências em contrário- nos torna inclinados a aceitar a religião com explicação para coisas que acontecem. Não acho que a evolução nos tenha tornado especificamente mais vulneráveis à religião do que a outros tipos de idéia, mas isso faz da religião um tipo de idéia muito sedutor para um humano.
FOLHA - Alguns sociólogos criticam hoje o culto ao otimismo, que é uma espécie de nova religião apregoada por livros populares de auto-ajuda. Seu livro, apesar de ter um traço de auto-ajuda, não apregoa o otimismo a qualquer custo...
MARCUS - Acho que todos procuramos ter um equilíbrio entre otimismo e realismo. O custo do otimismo excessivo é o auto-engano. E o auto-engano pode ser perigoso. Pessoas podem usar isso para justificar comportamentos que as põem em enrascadas.
FOLHA - Vários livros de ciência para leigos deste ano são títulos no estilo "Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estúpidas". Todos tentam explicar por que a mente sofre tanto auto-engano. Atacar o cérebro é a tendência nova na psicologia?
MARCUS - O que existe é a tendência entre muitos acadêmicos de elaborar as coisas considerando que o cérebro é perfeito. A economia, por exemplo, parte do pressuposto de que sempre tomamos nossas decisões racionalmente, e acho que a literatura em psicologia não vinha falando muito desse problema. É claro que o cérebro também não é completamente irracional, mas somos limitados. Fazemos algumas coisas muito bem, outras nem tanto. O importante é ter um panorama realista, mas é como um pêndulo que sempre vai e volta. Acho que, se nesses últimos anos saíram mesmo mais livros tratando dessas limitações humanas, é uma coisa boa.
FOLHA - Com esse tipo de conhecimento caindo nas mãos de pessoas com más intenções, o sr. não acha que elas podem aproveitá-los para explorar os outros em vez de ajudá-los? Não é o caso do marketing?
MARCUS - Bom, acho que eles já estão fazendo isso. Os publicitários já sabem intuitivamente várias das coisas das quais falo no livro, e os políticos também. O ponto é que o livro pode dar poder a cidadãos e consumidores para entenderem o que está acontecendo com eles.
FOLHA - Vários dos experimentos psicológicos que o sr. descreve no livro usam testes econômicos. Alguns economistas vêem na atual crise econômica raízes que têm a ver com auto-engano e um otimismo desmesurado no mercado. A natureza humana vai tornar crises como essas sempre recorrentes?
MARCUS - Como espécie, nós somos muito vulneráveis àquilo que chamamos de "jogos de pareamento mental". Quando vemos uma pessoa ganhando dinheiro, supomos que, se fizermos a mesma coisa, vai dar certo. As pessoas não se dão conta de que recursos são limitados e nenhum desses planos pode funcionar para sempre. Aconteceu isso na crise das empresas ponto-com e agora está acontecendo com a crise das hipotecas "subprime". Em nenhuma delas as pessoas pararam para pensar que o dinheiro teria de acabar alguma hora. Os primeiros a entrarem no plano podem mesmo fazem dinheiro, mas as pessoas no fim da linha não vão conseguir, porque os recursos se acabam.
FOLHA - Quando o sr. fala sobre memória, dá como exemplo o fato de que, infelizmente, a evolução não criou em nosso cérebro um mecanismo para procurar informações arquivadas. O sr. acha que o advento da internet e do Google, afinal, pode mudar a maneira com que as pessoas lidam com a memória?
MARCUS - Acho que isso já está acontecendo. Antes as pessoas provavelmente contariam com sua própria memória, e hoje a internet pode substituí-la. Mas, na verdade, livros fazem a mesma coisa. Livros de referência, em particular, servem como substitutos para a memória há séculos. Acho que há risco de que as pessoas, se recorrerem inteiramente a máquinas, possam perder suas habilidades naturais. Hoje usam-se máquinas para fazer aritmética, e acho uma pena que as crianças de hoje não consigam fazer aritmética como nós fazíamos. Mas, de um modo geral, acredito, é bom usar ferramentas externas. Essa é a mesma razão pela qual fabricamos martelos, carros etc.: eles nos trazem habilidades que não temos. A internet torna muito mais fácil adquirir informação. Acho que devemos aproveitar isso e poupar as crianças de passarem muito tempo decorando coisas, e ensiná-las um pouco mais sobre nossas limitações.
FOLHA - Usar pouco a memória não poderia tornar as pessoas piores em lidar com informação também?
MARCUS - Acho que, no pior dos cenários, poderia, mas não estou muito preocupado. Existe uma tendência chamada "Efeito Flynn", mostrando que em média os índices de inteligência estão crescendo, apesar de algumas habilidades estarem decrescendo. As pessoas não são tão hábeis para escrever como eram antes, mas é fato que as crianças podem encontrar informações mais facilmente, o que provavelmente é uma coisa boa. Nós podemos ensiná-las melhor a discriminar informações boas e ruins, mas os fatos disponíveis significam mesmo que uma pessoa hoje tem em média um arcabouço de informações melhor do que uma pessoa de cem anos atrás.
FOLHA - O sr. acredita que efeitos como o raciocínio por motivação e viés de confirmação seja hoje uma praga em ciência? Esse tipo de coisa está atrapalhando a academia mais do que antes?
MARCUS - Absolutamente. Cientistas são pessoas, e pessoas cometem todos os tipos de erros que eu descrevo no livro. O único motivo pelo qual a ciência progride é que há tantas pessoas trabalhando na área que idéias ruins alguma hora acabam sendo substituídas por idéias boas.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
MITOS SOBRE O TREINAMENTO DE HIPERTROFIA: ENVIADO PELO PROFESSOR RODOLFO FREITAS
No mundo do treinamento personalizado existem dois tipos de alunos: Os alunos, na maioria dos casos homens, que buscam hipertrofia, e os alunos, na maioria dos casos mulheres, que enxergam a hipertrofia como uma doença maligna. Para se desenvolver um programa de treinamento eficientemente e honestamente para ambos os casos, é importante revisarmos o que se sabe e ainda mais importante o que se acha que se sabe sobre o trabalho de hipertrofia.
Alguns desses mitos sobre hipertrofia.
1) Uma repetição controlada leva quatro segundos para ser completada;
O trabalho de hipertrofia é realizado entre 8 a 12 repetições correto? Muitos dos maiores líderes da preparação física no mundo enfatizam a utilização do TEMPO (cadência das fases excêntrica e concêntrica do movimento) na programação de treinamento, onde para a hipertrofia uma série deve durar em média de 30 a 70 segundos. As convencionais séries de 8 a 12 repetições levam em média de 16 a 24 segundos. Para produzir hipertrofia, seria necessário desacelerar as repetições para se ultrapassar a barreira dos 30 segundos.
Então, quando se treina buscando hipertrofia deve-se desacelerar a fase excêntrica do movimento de uma série de 10 repetições para 2 segundos, dessa forma o tempo de 2-0-1 atingirá a marca dos 30 segundos que é o limite mínimo ensinado para uma série de hipertrofia. Esse tipo de avaliação também produzirá maiores estímulos de hipertrofia funcional do que se tentarmos trabalhar com movimentos concêntricos mais lentos e certamente permitirá o uso de uma sobrecarga maior.
2) Exercícios básicos devem ser feitos com pesos livres para desenvolver a hipertrofia ou não?
Uma simples pergunta. Músculos têm a capacidade de reconhecer os variados tipos de resistência? Músculos conseguem diferenciar o que é borracha, peso ou cabo? Acredita-se que não.
A prática de exercício remove gordura corporal subcultânea e reduz as reservas lipídicas intramusculares, mas mudando a fonte de resistência em um exercício não vai produzir um músculo que tenha uma aparência diferente. Os músculos não têm como notar a diferença entre a resistência oferecida por um pedaço de borracha ou um pedaço de ferro. Precisamos produzir uma resistência que vai causar ocorrência de fadiga em torno dos trinta segundos ou mais para induzir a hipertrofia. Se treinamento de força tivesse que ser feito com peso livre para produzir hipertrofia, então uma remada básica seria um exercício mais eficiente que fazer barras. Milhares de artigos em fisiculturismo nos falam o oposto, mas a resistência na barra é apenas o peso corporal. Se não quiser hipertrofia então não trabalhe com pesos leves e mais repetições. acredita-se que a prescrição comum para mulheres, de peso leve e muita repetição, está mais ligado ao conceito do fisiculturismo, prescrição de produção de massa, do que distante do conceito. Se menos índice de hipertrofia é nosso objetivo, então devemos dar ênfase em um trabalho em cima de 5-6 repetições com grande intensidade gerando menos tempo sob tensão, em um número de séries reduzido. O resultado é simples: menos tempo sob tensão, menos volume, menos hipertrofia. Treinamento é tempo sob tensão e o ponto de fadiga, podendo hipertrofia ser produzida com ou sem peso.
3) Pesos leves e mais repetições
Porque alguém trabalharia com pesos leves? As mulheres, que geralmente dizem algo como “tenho um peso de cinco quilos e faço a mesma rotina três vezes por semana”. Quando as mesmas mulheres são perguntadas por que treinam com pesos tão leves, as respostas são sempre as mesmas: “eu não quero ficar grande!” Mais uma vez, isso é baseado numa percepção errada. Pergunte a qualquer fisiculturista quanto tempo e força são necessários para se obter cinco quilos de músculos de qualidade. A maioria deles responderá que leva em média um ano. Para uma mulher, pode ser até dois anos. Na realidade a turma do pesinho de cinco quilos precisa não se preocupar com hipertrofia.
Verdade sobre a hipertrofia:
A verdade é que a hipertrofia é o objetivo de alguns alunos e é considerado um produto desnecessário para outros. Em quaisquer das situações, não deveria ser a maior das preocupações. A realidade é que a hipertrofia para muitos (qualquer indivíduo longe dos anabolizantes) é muito difícil de ocorrer. E um dos maiores problemas do treinamento de hipertrofia, é que o próprio conceito de como se deve treinar está sendo influenciado por consumidores de esteróides. Se de fato hipertrofia é o objetivo, então um esforço consciente deve ser feito para controlar a fase excêntrica do movimento para aumentar o tempo sob tensão. Se um indivíduo quer fazer um trabalho de força, mais sem pretenções de ganho de massa, sugiro que o trabalho seja feito em séries de 5-6 repetições num tempo de 1-0-1.
Em quaisquer dos casos deve-se evitar a convencional programação de 3 ou 4 exercícios por parte do corpo, bem característica dos fisiculturistas, e se deveria fazer um ou dois exercícios por padrões de movimento do corpo. E se hipertrofia for o resultado desejado, deve-se enfatizar um movimento excêntrico mais lento.
Outro fator comumente interpretado erroneamente é que exercícios uniarticulares são melhores para hipertrofia. Mais uma vez, se um aluno está interessado em hipertrofia, o trabalho continuaria sendo feito em cima de exercícios multiarticulares como: apoio, agachamento e barra, por exemplo. É incrível assistir pessoas perdendo tempo com exercícios como elevação leteral, por exemplo, quando ainda nem fizeram o desenvolvimento. O fato é que os exercícios que oferecem os maiores benefícios são sempre os mais difíceis de serem realizados. A maioria da população é desinformada, e muitas das vezes, os próprios profissionais também.
Por que tanta dificuldade de se falar a verdade para os alunos? Quando alguém perguntar “eu não quero ficar muito grande?” Deve-se Rrsponder com sinceridade, grande são as chances de nunca se treinar tão intensamente ao ponto de se estimular a produção de massa muscular a esse nível.
Alguns desses mitos sobre hipertrofia.
1) Uma repetição controlada leva quatro segundos para ser completada;
O trabalho de hipertrofia é realizado entre 8 a 12 repetições correto? Muitos dos maiores líderes da preparação física no mundo enfatizam a utilização do TEMPO (cadência das fases excêntrica e concêntrica do movimento) na programação de treinamento, onde para a hipertrofia uma série deve durar em média de 30 a 70 segundos. As convencionais séries de 8 a 12 repetições levam em média de 16 a 24 segundos. Para produzir hipertrofia, seria necessário desacelerar as repetições para se ultrapassar a barreira dos 30 segundos.
Então, quando se treina buscando hipertrofia deve-se desacelerar a fase excêntrica do movimento de uma série de 10 repetições para 2 segundos, dessa forma o tempo de 2-0-1 atingirá a marca dos 30 segundos que é o limite mínimo ensinado para uma série de hipertrofia. Esse tipo de avaliação também produzirá maiores estímulos de hipertrofia funcional do que se tentarmos trabalhar com movimentos concêntricos mais lentos e certamente permitirá o uso de uma sobrecarga maior.
2) Exercícios básicos devem ser feitos com pesos livres para desenvolver a hipertrofia ou não?
Uma simples pergunta. Músculos têm a capacidade de reconhecer os variados tipos de resistência? Músculos conseguem diferenciar o que é borracha, peso ou cabo? Acredita-se que não.
A prática de exercício remove gordura corporal subcultânea e reduz as reservas lipídicas intramusculares, mas mudando a fonte de resistência em um exercício não vai produzir um músculo que tenha uma aparência diferente. Os músculos não têm como notar a diferença entre a resistência oferecida por um pedaço de borracha ou um pedaço de ferro. Precisamos produzir uma resistência que vai causar ocorrência de fadiga em torno dos trinta segundos ou mais para induzir a hipertrofia. Se treinamento de força tivesse que ser feito com peso livre para produzir hipertrofia, então uma remada básica seria um exercício mais eficiente que fazer barras. Milhares de artigos em fisiculturismo nos falam o oposto, mas a resistência na barra é apenas o peso corporal. Se não quiser hipertrofia então não trabalhe com pesos leves e mais repetições. acredita-se que a prescrição comum para mulheres, de peso leve e muita repetição, está mais ligado ao conceito do fisiculturismo, prescrição de produção de massa, do que distante do conceito. Se menos índice de hipertrofia é nosso objetivo, então devemos dar ênfase em um trabalho em cima de 5-6 repetições com grande intensidade gerando menos tempo sob tensão, em um número de séries reduzido. O resultado é simples: menos tempo sob tensão, menos volume, menos hipertrofia. Treinamento é tempo sob tensão e o ponto de fadiga, podendo hipertrofia ser produzida com ou sem peso.
3) Pesos leves e mais repetições
Porque alguém trabalharia com pesos leves? As mulheres, que geralmente dizem algo como “tenho um peso de cinco quilos e faço a mesma rotina três vezes por semana”. Quando as mesmas mulheres são perguntadas por que treinam com pesos tão leves, as respostas são sempre as mesmas: “eu não quero ficar grande!” Mais uma vez, isso é baseado numa percepção errada. Pergunte a qualquer fisiculturista quanto tempo e força são necessários para se obter cinco quilos de músculos de qualidade. A maioria deles responderá que leva em média um ano. Para uma mulher, pode ser até dois anos. Na realidade a turma do pesinho de cinco quilos precisa não se preocupar com hipertrofia.
Verdade sobre a hipertrofia:
A verdade é que a hipertrofia é o objetivo de alguns alunos e é considerado um produto desnecessário para outros. Em quaisquer das situações, não deveria ser a maior das preocupações. A realidade é que a hipertrofia para muitos (qualquer indivíduo longe dos anabolizantes) é muito difícil de ocorrer. E um dos maiores problemas do treinamento de hipertrofia, é que o próprio conceito de como se deve treinar está sendo influenciado por consumidores de esteróides. Se de fato hipertrofia é o objetivo, então um esforço consciente deve ser feito para controlar a fase excêntrica do movimento para aumentar o tempo sob tensão. Se um indivíduo quer fazer um trabalho de força, mais sem pretenções de ganho de massa, sugiro que o trabalho seja feito em séries de 5-6 repetições num tempo de 1-0-1.
Em quaisquer dos casos deve-se evitar a convencional programação de 3 ou 4 exercícios por parte do corpo, bem característica dos fisiculturistas, e se deveria fazer um ou dois exercícios por padrões de movimento do corpo. E se hipertrofia for o resultado desejado, deve-se enfatizar um movimento excêntrico mais lento.
Outro fator comumente interpretado erroneamente é que exercícios uniarticulares são melhores para hipertrofia. Mais uma vez, se um aluno está interessado em hipertrofia, o trabalho continuaria sendo feito em cima de exercícios multiarticulares como: apoio, agachamento e barra, por exemplo. É incrível assistir pessoas perdendo tempo com exercícios como elevação leteral, por exemplo, quando ainda nem fizeram o desenvolvimento. O fato é que os exercícios que oferecem os maiores benefícios são sempre os mais difíceis de serem realizados. A maioria da população é desinformada, e muitas das vezes, os próprios profissionais também.
Por que tanta dificuldade de se falar a verdade para os alunos? Quando alguém perguntar “eu não quero ficar muito grande?” Deve-se Rrsponder com sinceridade, grande são as chances de nunca se treinar tão intensamente ao ponto de se estimular a produção de massa muscular a esse nível.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
A memória da velhice- Memória, atividade intelectual, exercícios físicos...
Por Dr Drausio Varela
Preservar a vida é o mais arraigado dos instintos. Na evolução das espécies, a seleção natural cuidou de eliminar os incapazes de defendê-la com unhas e dentes.
Os seres humanos não constituem exceção. Mas, pelo fato de sermos animais racionais, aceitamos determinados limites para a duração da existência; mantê-la a qualquer custo não nos parece sensato. A perda irreversível da memória configura uma dessas situações. Incapazes de lembrar quem somos e de entender o que se passa a nossa volta, de que vale a condição humana?
A perda progressiva de memória associada ao envelhecimento é característica comum a um conjunto de patologias que a medicina classifica como demências (termo que nada tem a ver com loucura), das quais a doença de Alzheimer é a mais prevalente. A incidência de quadros demenciais aumenta com a idade: aos 70 anos, já acometem entre 10% e 15% da população; aos 90 anos, entre 50% e 60%.
As primeiras manifestações da doença de Alzheimer são insidiosas, caracterizadas por pequenos lapsos de memória que podem passar despercebidos durante anos, até a pessoa esquecer o endereço de casa ou estranhar a fisionomia de um filho.
Em agosto de 2005, a revista "Science" publicou um artigo que reúne a informação científica apresentada na Conferência Internacional sobre Prevenção da Demência, realizada dois meses antes, em Washington.
Ainda na década de 1970, foi aventada a hipótese de que as atividades intelectuais, ao aumentar o número e a versatilidade das conexões (sinapses) entre os neurônios, criariam uma espécie de reserva cognitiva passível de ser utilizada na velhice. Em 1977, um grupo do St. Lukes Medical Center, de Chicago, estudando 642 idosos, demonstrou que cada ano de escolaridade formal reduziria o risco de desenvolver Alzheimer em 17%.
O resultado levou o mesmo centro a acompanhar, a partir de 1995, um grupo de padres e freiras submetidos periodicamente a uma bateria de 19 testes de avaliação da capacidade intelectual. Em 2003, depois de analisar 130 cérebros dos religiosos falecidos, os autores concluíram que a presença das placas no sistema nervoso, características da doença de Alzheimer, não guardava relação com os níveis de escolaridade. Mas, a bateria de testes aplicados em vida indicava que as habilidades cognitivas eram preservadas por mais tempo nos religiosos mais instruídos. Neles, a doença só se manifestava quando eram encontradas cinco vezes mais placas do que nos outros.
Com os mesmos objetivos, um grupo da Universidade de Minnesota conduziu o célebre "Estudo das Freiras", no qual foram analisados ensaios biográficos que 678 freiras nascidas antes de 1917 haviam escrito ao serem admitidas no convento, aos 20 anos. As irmãs com menor versatilidade lingüística naquela época desenvolveram Alzheimer mais precocemente e, ao morrerem, seus cérebros exibiam as placas características da enfermidade.
Inquéritos populacionais conduzidos em São Paulo pela Unifesp encontraram maior prevalência de demências entre os analfabetos e os que não haviam concluído o primeiro grau. Da mesma forma, em 109 pares de gêmeos idênticos matriculados no Registro Sueco de Gêmeos, nos quais apenas um dos irmãos desenvolveu demência, o gêmeo saudável, estatisticamente, havia estudado mais tempo.
Estímulos intelectuais e atividade física
Ao comentar essas pesquisas, o pesquisador Robert Friedland concluiu que não apenas a leitura, mas simples passatempos como a montagem de quebra-cabeças ou a prática de palavras cruzadas são atividades capazes de proteger o cérebro. No final, acrescentou que vários trabalhos demonstram que assistir à televisão está associado ao efeito contrário: aumenta a probabilidade de Alzheimer. Num inquérito conduzido entre 135 portadores da doença, comparados a 331 de seus familiares saudáveis, cada hora diária adicional diante da TV multiplicou o risco de Alzheimer por 1,3.
Vários estudos apresentados na conferência reforçam a idéia de que nem só do intelecto vive o cérebro: o exercício físico também é capaz de torná-lo mais resistente.
Anos atrás, uma avaliação dos resultados obtidos em 18 pesquisas (meta-análise) envolvendo mulheres e homens de 55 a 80 anos demonstrou que a vida sedentária aumenta o risco de demência. Desde então, surgiram vários estudos sobre o tema.
Os mais importantes foram realizados na Universidade da Califórnia, com cerca de 6.000 mulheres com mais de 65 anos, em Harvard, com mais de 18 mil mulheres, e na Universidade Johns Hopkins, com mais de 3.000 participantes de ambos os sexos. Os resultados são inequívocos: quanto maior o tempo gasto em atividades físicas, como andar (principalmente), mais lento o declínio da capacidade cognitiva.
Trabalhos experimentais confirmam essa conclusão: o exercício físico melhora o fluxo sangüíneo cerebral através da formação de novos capilares no córtex -área essencial para a cognição - e induz a produção de proteínas que estimulam o crescimento e favorecem a formação de novas conexões entre os neurônios.
Essas pesquisas estão sujeitas a um viés metodológico: será que a menor versatilidade lingüística demonstrada pelas freiras aos 20 anos, a menor dedicação à escolaridade formal e às atividades intelectuais, o maior número de horas passivas na frente da TV e a pouca disposição para atividades físicas já não fariam parte de um conjunto de manifestações extremamente precoces das demências que irão se instalar na senectude?
Impossível ter certeza, mas vale a pena acreditar na idéia de que, através de estímulos intelectuais e da atividade física, será possível preservar, na idade avançada, a experiência e as habilidades cognitivas acumuladas com tanto esforço no decorrer da vida.
Preservar a vida é o mais arraigado dos instintos. Na evolução das espécies, a seleção natural cuidou de eliminar os incapazes de defendê-la com unhas e dentes.
Os seres humanos não constituem exceção. Mas, pelo fato de sermos animais racionais, aceitamos determinados limites para a duração da existência; mantê-la a qualquer custo não nos parece sensato. A perda irreversível da memória configura uma dessas situações. Incapazes de lembrar quem somos e de entender o que se passa a nossa volta, de que vale a condição humana?
A perda progressiva de memória associada ao envelhecimento é característica comum a um conjunto de patologias que a medicina classifica como demências (termo que nada tem a ver com loucura), das quais a doença de Alzheimer é a mais prevalente. A incidência de quadros demenciais aumenta com a idade: aos 70 anos, já acometem entre 10% e 15% da população; aos 90 anos, entre 50% e 60%.
As primeiras manifestações da doença de Alzheimer são insidiosas, caracterizadas por pequenos lapsos de memória que podem passar despercebidos durante anos, até a pessoa esquecer o endereço de casa ou estranhar a fisionomia de um filho.
Em agosto de 2005, a revista "Science" publicou um artigo que reúne a informação científica apresentada na Conferência Internacional sobre Prevenção da Demência, realizada dois meses antes, em Washington.
Ainda na década de 1970, foi aventada a hipótese de que as atividades intelectuais, ao aumentar o número e a versatilidade das conexões (sinapses) entre os neurônios, criariam uma espécie de reserva cognitiva passível de ser utilizada na velhice. Em 1977, um grupo do St. Lukes Medical Center, de Chicago, estudando 642 idosos, demonstrou que cada ano de escolaridade formal reduziria o risco de desenvolver Alzheimer em 17%.
O resultado levou o mesmo centro a acompanhar, a partir de 1995, um grupo de padres e freiras submetidos periodicamente a uma bateria de 19 testes de avaliação da capacidade intelectual. Em 2003, depois de analisar 130 cérebros dos religiosos falecidos, os autores concluíram que a presença das placas no sistema nervoso, características da doença de Alzheimer, não guardava relação com os níveis de escolaridade. Mas, a bateria de testes aplicados em vida indicava que as habilidades cognitivas eram preservadas por mais tempo nos religiosos mais instruídos. Neles, a doença só se manifestava quando eram encontradas cinco vezes mais placas do que nos outros.
Com os mesmos objetivos, um grupo da Universidade de Minnesota conduziu o célebre "Estudo das Freiras", no qual foram analisados ensaios biográficos que 678 freiras nascidas antes de 1917 haviam escrito ao serem admitidas no convento, aos 20 anos. As irmãs com menor versatilidade lingüística naquela época desenvolveram Alzheimer mais precocemente e, ao morrerem, seus cérebros exibiam as placas características da enfermidade.
Inquéritos populacionais conduzidos em São Paulo pela Unifesp encontraram maior prevalência de demências entre os analfabetos e os que não haviam concluído o primeiro grau. Da mesma forma, em 109 pares de gêmeos idênticos matriculados no Registro Sueco de Gêmeos, nos quais apenas um dos irmãos desenvolveu demência, o gêmeo saudável, estatisticamente, havia estudado mais tempo.
Estímulos intelectuais e atividade física
Ao comentar essas pesquisas, o pesquisador Robert Friedland concluiu que não apenas a leitura, mas simples passatempos como a montagem de quebra-cabeças ou a prática de palavras cruzadas são atividades capazes de proteger o cérebro. No final, acrescentou que vários trabalhos demonstram que assistir à televisão está associado ao efeito contrário: aumenta a probabilidade de Alzheimer. Num inquérito conduzido entre 135 portadores da doença, comparados a 331 de seus familiares saudáveis, cada hora diária adicional diante da TV multiplicou o risco de Alzheimer por 1,3.
Vários estudos apresentados na conferência reforçam a idéia de que nem só do intelecto vive o cérebro: o exercício físico também é capaz de torná-lo mais resistente.
Anos atrás, uma avaliação dos resultados obtidos em 18 pesquisas (meta-análise) envolvendo mulheres e homens de 55 a 80 anos demonstrou que a vida sedentária aumenta o risco de demência. Desde então, surgiram vários estudos sobre o tema.
Os mais importantes foram realizados na Universidade da Califórnia, com cerca de 6.000 mulheres com mais de 65 anos, em Harvard, com mais de 18 mil mulheres, e na Universidade Johns Hopkins, com mais de 3.000 participantes de ambos os sexos. Os resultados são inequívocos: quanto maior o tempo gasto em atividades físicas, como andar (principalmente), mais lento o declínio da capacidade cognitiva.
Trabalhos experimentais confirmam essa conclusão: o exercício físico melhora o fluxo sangüíneo cerebral através da formação de novos capilares no córtex -área essencial para a cognição - e induz a produção de proteínas que estimulam o crescimento e favorecem a formação de novas conexões entre os neurônios.
Essas pesquisas estão sujeitas a um viés metodológico: será que a menor versatilidade lingüística demonstrada pelas freiras aos 20 anos, a menor dedicação à escolaridade formal e às atividades intelectuais, o maior número de horas passivas na frente da TV e a pouca disposição para atividades físicas já não fariam parte de um conjunto de manifestações extremamente precoces das demências que irão se instalar na senectude?
Impossível ter certeza, mas vale a pena acreditar na idéia de que, através de estímulos intelectuais e da atividade física, será possível preservar, na idade avançada, a experiência e as habilidades cognitivas acumuladas com tanto esforço no decorrer da vida.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
O LADO POSITIVO DO VIDEOGAME NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E FÍSICO
Professor Dr. Emílio Takase
Nos 10 últimos anos, várias pesquisas foram realizadas sobre o videogame. De um lado, os resultados sugerem que os videogames violentos têm efeitos nocivos no desenvolvimento emocional, cognitivo e social das crianças/adolescentes. De outro lado, os videogames não violentos indicam os benefícios para saúde e educação, onde já observamos adesões ao uso de videogames para a reabilitação e o desenvolvimento cognitivo.
Um ponto é inegável: o videogame influencia emocionalmente, cognitivamente e socialmente a vida das pessoas, principalmente no desenvolvimento cerebral das crianças/adolescentes. Outro dado interessante é a participação cada vez maior do público feminino na utilização de videogames, mas não em videogames violentos.
Como venho falando, é importante levarmos em consideração a maturação cerebral, pois os avanços nas pesquisas científicas sobre a neuroplasticidade é um fato, ou seja, a estimulação mental pode modificar significativamente a configuração neural: a educação cerebral adequada é muito importante durante o desenvolvimento infantil. Estas pesquisas mostram que há mudanças significativas nas terminações nervosas, mudando de forma e contribuindo na comunicação entre si com maior eficácia. Logo, através de videogames cognitivos é possível melhorar o desempenho cognitivo.
O videogame também pode ser um aliado para melhorar a concentração (atenção: foco interno e externo), nas estratégias de aprendizagem, no controle da ansiedade, entre outras habilidades cognitivas e emocionais de atletas. Tudo dependerá de como o videogame será utilizado pelo usuário e/ou técnico/educador/psicólogo do esporte. Por exemplo, um estudo publicado em uma das revistas científicas mais conceituadas, a Nature de maio de 2003, mostrou que os novatos no videogame melhoraram a atenção visual após 10 dias de treino (Green & Bavelier, 2003). Além disso, o estudo mostrou que os usuários aumentaram a capacidade de orientação espacial e resolução temporal.
Existem outros meios de jogar, diferentes dos tão conhecidos mouse, teclado e joystick. Em 2001, foi lançado pela Konami o Dance Dance Revolution (DDR) um game que pode melhorar a atenção visual e coordenação motora (Thompson, 2002). O DDR é um tapete onde estão as setas (esquerda, direita, para cima e para baixo) e o usuário aciona a direção das setas com os pés, como é feito com as mãos, no teclado. Os atletas podem se beneficiar desse modelo de videogame e melhorar no desempenho cognitivo (visão esportiva) e na psicomotricidade (coordenação psico-motora). Já para as crianças obesas, pode ser um meio motivador para iniciarem uma atividade física.
Assim, cada vez mais os videogames, quando bem utilizados por pessoas que conheçam o funcionamento do cérebro, podem contribuir positivamente para as áreas de saúde, educação e esporte. Os psicólogos esportivos que forem utilizar o videogame como meio de elevação do desempenho mental de atletas devem considerar como fundamental o conhecimento na Ciência do Cérebro.
Referência Bibliográfica
Fonte do Estudo (Figura1): http://www.loni.ucla.edu/%7Ethompson/DEVEL/PNASDevel04.pdf
C. Shawn Green, Daphne Bavelier. Action video game modifies visual selective attention. Nature, 423: 534 - 537 (29 May 2003). http://www.med.upenn.edu/ins/Journal%20Club/Fall%202006/Bavelier,%20Dauphnie/GreenandBavelier_Ltrs_to_Nature.pdf
Thompson, A. J. Is it REALLY a "Revolution?". http://www.adamjthompson.com/thought/DDR.html, (2002).
Nos 10 últimos anos, várias pesquisas foram realizadas sobre o videogame. De um lado, os resultados sugerem que os videogames violentos têm efeitos nocivos no desenvolvimento emocional, cognitivo e social das crianças/adolescentes. De outro lado, os videogames não violentos indicam os benefícios para saúde e educação, onde já observamos adesões ao uso de videogames para a reabilitação e o desenvolvimento cognitivo.
Um ponto é inegável: o videogame influencia emocionalmente, cognitivamente e socialmente a vida das pessoas, principalmente no desenvolvimento cerebral das crianças/adolescentes. Outro dado interessante é a participação cada vez maior do público feminino na utilização de videogames, mas não em videogames violentos.
Como venho falando, é importante levarmos em consideração a maturação cerebral, pois os avanços nas pesquisas científicas sobre a neuroplasticidade é um fato, ou seja, a estimulação mental pode modificar significativamente a configuração neural: a educação cerebral adequada é muito importante durante o desenvolvimento infantil. Estas pesquisas mostram que há mudanças significativas nas terminações nervosas, mudando de forma e contribuindo na comunicação entre si com maior eficácia. Logo, através de videogames cognitivos é possível melhorar o desempenho cognitivo.
O videogame também pode ser um aliado para melhorar a concentração (atenção: foco interno e externo), nas estratégias de aprendizagem, no controle da ansiedade, entre outras habilidades cognitivas e emocionais de atletas. Tudo dependerá de como o videogame será utilizado pelo usuário e/ou técnico/educador/psicólogo do esporte. Por exemplo, um estudo publicado em uma das revistas científicas mais conceituadas, a Nature de maio de 2003, mostrou que os novatos no videogame melhoraram a atenção visual após 10 dias de treino (Green & Bavelier, 2003). Além disso, o estudo mostrou que os usuários aumentaram a capacidade de orientação espacial e resolução temporal.
Existem outros meios de jogar, diferentes dos tão conhecidos mouse, teclado e joystick. Em 2001, foi lançado pela Konami o Dance Dance Revolution (DDR) um game que pode melhorar a atenção visual e coordenação motora (Thompson, 2002). O DDR é um tapete onde estão as setas (esquerda, direita, para cima e para baixo) e o usuário aciona a direção das setas com os pés, como é feito com as mãos, no teclado. Os atletas podem se beneficiar desse modelo de videogame e melhorar no desempenho cognitivo (visão esportiva) e na psicomotricidade (coordenação psico-motora). Já para as crianças obesas, pode ser um meio motivador para iniciarem uma atividade física.
Assim, cada vez mais os videogames, quando bem utilizados por pessoas que conheçam o funcionamento do cérebro, podem contribuir positivamente para as áreas de saúde, educação e esporte. Os psicólogos esportivos que forem utilizar o videogame como meio de elevação do desempenho mental de atletas devem considerar como fundamental o conhecimento na Ciência do Cérebro.
Referência Bibliográfica
Fonte do Estudo (Figura1): http://www.loni.ucla.edu/%7Ethompson/DEVEL/PNASDevel04.pdf
C. Shawn Green, Daphne Bavelier. Action video game modifies visual selective attention. Nature, 423: 534 - 537 (29 May 2003). http://www.med.upenn.edu/ins/Journal%20Club/Fall%202006/Bavelier,%20Dauphnie/GreenandBavelier_Ltrs_to_Nature.pdf
Thompson, A. J. Is it REALLY a "Revolution?". http://www.adamjthompson.com/thought/DDR.html, (2002).
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Educação física ganha status de 'matéria nobre'
Por Nuno Cobra
Considerada durante muito tempo um apêndice no cotidiano escolar, a Educação Física ganha fôlego e marca importante território no currículo das escolas de ponta, na rede privada em São Paulo (SP). Isto porque o professor dessa disciplina tem um papel importante como elo entre o corpo e a cabeça dos alunos.
Há 40 anos falo sobre a importância desse elo. Cérebro e músculo não podem ser separados. O cérebro se pronuncia através do músculo e o músculo interage com o cérebro. Quando você melhora seu consumo máximo de oxigênio, ou seja, a quantidade de sangue que passa no coração por minuto, você abastece com mais nutrientes e oxigênio todas as células de seus órgãos vitais, inclusive o cérebro, que se torna mais rápido, lúcido e afiado em relação às respostas. Então a natureza do homem é chegar ao cérebro pelo músculo e vice-versa.
Mas falar desse elo ainda é pouco. Outra fator essencial para a valorização da Educação Física nas escolas é o desenvolvimento do lado emocional dos alunos.
Este desenvolvimento emocional será a base do seu sucesso no futuro. Sendo o ser humano um verdadeiro animal emocional, o controle e desenvolvimento desta força emocional será fundamental para que ele consiga ser bem sucedido e principalmente feliz.
Corpo emocional = disciplina e auto-imposição
O simples fato de a criança se envolver em algo que a entusiasme, faz com que ela passe a se exigir e a se obrigar a uma disciplina de envolvimento com o seu corpo, onde ela tem que se impor novas atitudes, tipo: ir para cama mais cedo, alimentação adequada e imposição de exercícios de ginástica, que a tornará mais hábil em relação aos outros. Quando ela impõe ações com o objetivo de melhorar sua performance e não ficar sedentária, desenvolve seu corpo emocional.
Caso contrário, na vida adulta ficará com debilidade emocional. Ou seja, sabe o que é preciso fazer para ter melhor qualidade de vida, mas não consegue implementar essas atitudes e sabe que a doença é fruto da determinação de não fazer nada. Muita gente sabe que está no caminho errado, mas não consegue mudar porque possui um fraco corpo emocional.
Quando recebo um empresário no meu escritório e passo a ele meu método de condicionamento físico, sugiro que comece caminhando por 25 minutos, isto exigirá um sólido corpo emocional para que ele se imponha esse novo hábito. Ao iniciar essa caminhada, uma série de hormônios estimulantes como adrenalina e endorfina serão derramados na corrente circulatória e quando tiver no auge da caminhada aos 25 minutos, terá que interromper. Em suma, o corpo emocional o ajuda a lutar para caminhar e a lutar para encerrar a caminhada.
Criança não leva só a cabeça para as aulas e nem só o corpo para as quadras
É impossível separar quadra e sala de aula. Isto porque todo movimento implica numa ação direta do nosso cérebro, coordenando dezenas de músculos e sinergias musculares para que o movimento seja perfeito. Esta exigência do nosso cérebro realizada pelos movimentos complexos, vão promover não só o aumento de neurônios como também o aumento da rede de ligações interneurais, melhorando a inteligência.
Fora os efeitos no próprio corpo físico melhorando a eficiência cardiovascular, que dará a esse jovem mais sustentação física para abrigar as futuras competições da vida. Enfim, ginásticas, jogos e esportes vão assim deixá-los mais aptos nos aspectos físico, mental e emocional para atingir uma vida plena.
Aula de sociedade
A educação física é o elemento mais dinâmico que a escola possui para educar crianças e jovens, formando seu caráter e desenvolvendo sua personalidade, já que as outras matérias visam preparar os jovens para o mercado.
O jogo esportivo é uma verdadeira aula de sociedade. A criança ou jovem ali envolvido, está naquela efervescência de atitudes e comportamentos, desenvolvendo no âmago da sua alma, de maneira concreta e matemática, atitudes de respeito ao adversário, de interação e de relacionamento com seus companheiros, sempre obrigados a seguir normas e regras para que o próprio jogo possa ser desenvolvido.
Eles estão, sem perceber, sendo preparados para uma vida em harmonia na futura sociedade com seus regulamentos e leis.
Nuno Cobra é formado pela Escola de Educação Física de São Carlos e pós-graduado pela Universidade de São Paulo. Foi preparador físico de Ayrton Senna, Mika Hakkinen, Rubens Barrichello, Abílio Diniz entre outros. É autor do best-seller A Semente da Vitória
Considerada durante muito tempo um apêndice no cotidiano escolar, a Educação Física ganha fôlego e marca importante território no currículo das escolas de ponta, na rede privada em São Paulo (SP). Isto porque o professor dessa disciplina tem um papel importante como elo entre o corpo e a cabeça dos alunos.
Há 40 anos falo sobre a importância desse elo. Cérebro e músculo não podem ser separados. O cérebro se pronuncia através do músculo e o músculo interage com o cérebro. Quando você melhora seu consumo máximo de oxigênio, ou seja, a quantidade de sangue que passa no coração por minuto, você abastece com mais nutrientes e oxigênio todas as células de seus órgãos vitais, inclusive o cérebro, que se torna mais rápido, lúcido e afiado em relação às respostas. Então a natureza do homem é chegar ao cérebro pelo músculo e vice-versa.
Mas falar desse elo ainda é pouco. Outra fator essencial para a valorização da Educação Física nas escolas é o desenvolvimento do lado emocional dos alunos.
Este desenvolvimento emocional será a base do seu sucesso no futuro. Sendo o ser humano um verdadeiro animal emocional, o controle e desenvolvimento desta força emocional será fundamental para que ele consiga ser bem sucedido e principalmente feliz.
Corpo emocional = disciplina e auto-imposição
O simples fato de a criança se envolver em algo que a entusiasme, faz com que ela passe a se exigir e a se obrigar a uma disciplina de envolvimento com o seu corpo, onde ela tem que se impor novas atitudes, tipo: ir para cama mais cedo, alimentação adequada e imposição de exercícios de ginástica, que a tornará mais hábil em relação aos outros. Quando ela impõe ações com o objetivo de melhorar sua performance e não ficar sedentária, desenvolve seu corpo emocional.
Caso contrário, na vida adulta ficará com debilidade emocional. Ou seja, sabe o que é preciso fazer para ter melhor qualidade de vida, mas não consegue implementar essas atitudes e sabe que a doença é fruto da determinação de não fazer nada. Muita gente sabe que está no caminho errado, mas não consegue mudar porque possui um fraco corpo emocional.
Quando recebo um empresário no meu escritório e passo a ele meu método de condicionamento físico, sugiro que comece caminhando por 25 minutos, isto exigirá um sólido corpo emocional para que ele se imponha esse novo hábito. Ao iniciar essa caminhada, uma série de hormônios estimulantes como adrenalina e endorfina serão derramados na corrente circulatória e quando tiver no auge da caminhada aos 25 minutos, terá que interromper. Em suma, o corpo emocional o ajuda a lutar para caminhar e a lutar para encerrar a caminhada.
Criança não leva só a cabeça para as aulas e nem só o corpo para as quadras
É impossível separar quadra e sala de aula. Isto porque todo movimento implica numa ação direta do nosso cérebro, coordenando dezenas de músculos e sinergias musculares para que o movimento seja perfeito. Esta exigência do nosso cérebro realizada pelos movimentos complexos, vão promover não só o aumento de neurônios como também o aumento da rede de ligações interneurais, melhorando a inteligência.
Fora os efeitos no próprio corpo físico melhorando a eficiência cardiovascular, que dará a esse jovem mais sustentação física para abrigar as futuras competições da vida. Enfim, ginásticas, jogos e esportes vão assim deixá-los mais aptos nos aspectos físico, mental e emocional para atingir uma vida plena.
Aula de sociedade
A educação física é o elemento mais dinâmico que a escola possui para educar crianças e jovens, formando seu caráter e desenvolvendo sua personalidade, já que as outras matérias visam preparar os jovens para o mercado.
O jogo esportivo é uma verdadeira aula de sociedade. A criança ou jovem ali envolvido, está naquela efervescência de atitudes e comportamentos, desenvolvendo no âmago da sua alma, de maneira concreta e matemática, atitudes de respeito ao adversário, de interação e de relacionamento com seus companheiros, sempre obrigados a seguir normas e regras para que o próprio jogo possa ser desenvolvido.
Eles estão, sem perceber, sendo preparados para uma vida em harmonia na futura sociedade com seus regulamentos e leis.
Nuno Cobra é formado pela Escola de Educação Física de São Carlos e pós-graduado pela Universidade de São Paulo. Foi preparador físico de Ayrton Senna, Mika Hakkinen, Rubens Barrichello, Abílio Diniz entre outros. É autor do best-seller A Semente da Vitória
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- Campos, RJ, Brazil
- Professor, Mestre em Ciência, assessor esportivo, maratonista.