Amigos Regina e Jorge, leiam com atenção e até terça.
(Novas situações do nosso cotidiano profissional).
Os exercícios de reabilitação labinrítica ou vestibular, são formas de terapia segura que buscam a recuperação do equilíbrio corporal nas mais variadas situações.
A Reabilitação Vestibular tem o intuito de restabelecer o equilíbrio por meio de movimentos repetidos e disciplinados de olhos, cabeça e corpo, reajustando as relações entre os sinais visuais, sensações táteis e labirínticas. O tratamento inicialmente, é aplicado por um especialista em consultório. Após orientações com o paciente , é possível realizar exercícios em casa, academia...
A terapia de reabilitação labiríntica é indicada para todas as idades, com pertubação do equilíbrio corporal, ilusão de movimento, sensação de instabilidade, flutuação, oscilação e vertigem (sensação rotatória de objetos ou de si próprio). O tratamento é indicado principalmente nos casos de:
Vertigens crônicas ;
Vertigens por mudanças de postura;
Pacientes idosos com alteração de equilíbrio que apresentam quedas e desvio de marcha ;
Tontura em veículos em movimento ;
Desconforto em lugares movimentados (shopping centers , supermercados, feiras ... ).
Os exercícios bem aplicados e personalizados, proporcionam 85% de melhora total dos sintomas, ou então, contribui na diminuição da intensidade e freqüência da tontura.
O objetivo principal da reabilitação vestibular é o retorno do paciente ás atividades diárias e a recuperação da auto estima e confiança.
Este link, contém alguns exercícios importantes para esta reabilitação. Espero que lhe seja útil.
CLÍNICA OTORRINOLARINGOLOGIA
E-MAIL PARA CONTACTAR O BLOG: mwsa2006@uol.com.br
domingo, 17 de maio de 2009
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Escala de pontos ajuda a prever risco de ter Alzheimer
Para especialista, índice poderá ser usado na tomada de decisão sobre indicação de remédios e exercícios para pacientes de risco
Um estudo publicado no "Neurology", periódico da Academia Americana de Neurologia, sugere uma escala para detectar o risco de um idoso desenvolver doença de Alzheimer nos próximos seis anos.
Por meio de 12 informações do paciente, como índice de massa corporal, consumo de álcool, tempo gasto para abotoar a camisa, problemas cardiovasculares e avaliações cognitivas específicas, é possível somar 15 pontos. Aqueles que marcam mais de oito pontos têm risco maior que 50% de manifestar a doença em seis anos, de acordo com o estudo.
Para chegarem ao índice, os pesquisadores da Universidade da Califórnia avaliaram durante seis anos dados de 3.375 pessoas sem sinal de demência e com idade média de 76 anos. Ao final do período, 480 delas (14%) desenvolveram sintomas de Alzheimer. Os fatores que melhor predisseram quem apresentaria o problema foram considerados para a escala.
"Vemos a escala como o primeiro passo de um longo processo para criar e validar um índice de risco de demência que possa ser usado no consultório ou em pesquisas para identificar idosos com alto risco", disse Deborah Barnes, responsável pelo trabalho.
Os fatores de risco para Alzheimer apontados pelo índice são conhecidos, mas a reunião de todos eles em uma escala que prevê as chances de desenvolver a doença é nova.
"Essa escala pode auxiliar na tomada de decisões. Por exemplo, um indivíduo com alto risco deve ser monitorado em intervalos menores, ser medicado para fatores vasculares, caso os tenha, ser incentivado a realizar exercícios físicos e mentais. Mas não serve para avaliar pacientes individualmente. Não é como realizar um exame de sangue que dá positivo para hepatite", afirma a patologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Cérebros da Faculdade de Medicina da USP.
A eficácia do método ainda precisa ser comprovada em outros estudos e outras populações. Para o Brasil, por exemplo, a escala de escolaridade, usada para determinar alguns quesitos, deveria ser diferente, assim como o nível socioeconômico e o ponto de corte de idade: 60 anos, contra 65 anos em países desenvolvidos.
"Existem fatores que são limitados no Brasil, como o exame de genotipagem do ApoE [que indica predisposição à doença]", acrescenta Grinberg.
Estilo de vida
Estima-se que a doença de Alzheimer comece a se desenvolver até 15 anos antes de os primeiros sintomas surgirem.
Para Paulo Caramelli, neurologista da Universidade Federal de Minas Gerais, médicos poderiam propor, com a ajuda da escala de risco, programas de prevenção a pacientes que têm mais chances de desenvolver demência.
Estudos anteriores mostram que atividades intelectuais como tocar um instrumento e jogos de estratégia protegem o cérebro. O mesmo ocorre com atividades físicas e a dieta do mediterrâneo. "De um lado, há o índice de risco alto, mas você pode tentar jogar com mudanças de hábitos de vida. Para promoção de saúde, esse estudo é muito interessante", diz.
Não há, porém, drogas que previnam a doença. Um diagnóstico precoce é essencial.
Um estudo publicado no "Neurology", periódico da Academia Americana de Neurologia, sugere uma escala para detectar o risco de um idoso desenvolver doença de Alzheimer nos próximos seis anos.
Por meio de 12 informações do paciente, como índice de massa corporal, consumo de álcool, tempo gasto para abotoar a camisa, problemas cardiovasculares e avaliações cognitivas específicas, é possível somar 15 pontos. Aqueles que marcam mais de oito pontos têm risco maior que 50% de manifestar a doença em seis anos, de acordo com o estudo.
Para chegarem ao índice, os pesquisadores da Universidade da Califórnia avaliaram durante seis anos dados de 3.375 pessoas sem sinal de demência e com idade média de 76 anos. Ao final do período, 480 delas (14%) desenvolveram sintomas de Alzheimer. Os fatores que melhor predisseram quem apresentaria o problema foram considerados para a escala.
"Vemos a escala como o primeiro passo de um longo processo para criar e validar um índice de risco de demência que possa ser usado no consultório ou em pesquisas para identificar idosos com alto risco", disse Deborah Barnes, responsável pelo trabalho.
Os fatores de risco para Alzheimer apontados pelo índice são conhecidos, mas a reunião de todos eles em uma escala que prevê as chances de desenvolver a doença é nova.
"Essa escala pode auxiliar na tomada de decisões. Por exemplo, um indivíduo com alto risco deve ser monitorado em intervalos menores, ser medicado para fatores vasculares, caso os tenha, ser incentivado a realizar exercícios físicos e mentais. Mas não serve para avaliar pacientes individualmente. Não é como realizar um exame de sangue que dá positivo para hepatite", afirma a patologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Cérebros da Faculdade de Medicina da USP.
A eficácia do método ainda precisa ser comprovada em outros estudos e outras populações. Para o Brasil, por exemplo, a escala de escolaridade, usada para determinar alguns quesitos, deveria ser diferente, assim como o nível socioeconômico e o ponto de corte de idade: 60 anos, contra 65 anos em países desenvolvidos.
"Existem fatores que são limitados no Brasil, como o exame de genotipagem do ApoE [que indica predisposição à doença]", acrescenta Grinberg.
Estilo de vida
Estima-se que a doença de Alzheimer comece a se desenvolver até 15 anos antes de os primeiros sintomas surgirem.
Para Paulo Caramelli, neurologista da Universidade Federal de Minas Gerais, médicos poderiam propor, com a ajuda da escala de risco, programas de prevenção a pacientes que têm mais chances de desenvolver demência.
Estudos anteriores mostram que atividades intelectuais como tocar um instrumento e jogos de estratégia protegem o cérebro. O mesmo ocorre com atividades físicas e a dieta do mediterrâneo. "De um lado, há o índice de risco alto, mas você pode tentar jogar com mudanças de hábitos de vida. Para promoção de saúde, esse estudo é muito interessante", diz.
Não há, porém, drogas que previnam a doença. Um diagnóstico precoce é essencial.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Vitamina anula benefício de exercícios
Fazer exercício promove longevidade; já a ingestão de substâncias antioxidantes, como vitaminas, supostamente retardaria o envelhecimento. Mas essas duas opções de quem busca uma vida mais saudável podem ser contraditórias. Um novo estudo mostrou que tomar suplementos vitamínicos depois de fazer exercício pode causar a perda de um dos benefícios do esforço físico.
Um dos efeitos do exercício é melhorar a sensibilidade à insulina e o metabolismo do açúcar no corpo. Mas o exercício também aumenta a formação de moléculas altamente reativas contendo oxigênio, que causariam dano às células.
O novo estudo, publicado hoje no periódico "PNAS", mostra que o exercício ajuda a aumentar a sensibilidade do corpo à insulina justamente pela formação dessas espécies reativas de oxigênio, classificadas na categoria dos radicais livres, contra os quais agem as vitaminas.
"Nossa teoria era que os antioxidantes pudessem bloquear alguns dos efeitos benéficos do exercício, pois sabe-se que o exercício induz um leve estresse oxidativo no músculo", disse à Folha um dos líderes do estudo, C. Ronald Kahn, da Escola Médica de Harvard, nos EUA.
O estudo foi feito na Alemanha com 40 voluntários que fizeram exercícios e tomaram ou não vitaminas C e E.
As doses usadas "foram de 5 a 10 vezes a necessidade diária mínima de vitamina, mas essas doses são comumente usadas por pessoas que tomam suplementos de vitaminas C e E".
O experimento tinha duas partes. Primeiro foram quatro semanas de treinamento físico intenso para metade do grupo.
Metade de cada grupo -com ou sem treinamento prévio- foi então designada para receber ou não o suplemento vitamínico quando de um novo regime de treinamento, do qual todos participaram.
Os voluntários que tomaram os suplementos não tiveram mudança nos seus níveis de oxigênio reativo. Já os que não tomavam as vitaminas revelaram um aumento na formação de radicais livres.
O exercício aumentou a sensibilidade à insulina apenas quando não havia a presença extra dos antioxidantes.
E mesmo os radicais criados pelo exercício não eram tão "livres" assim. O pequeno estresse oxidativo fomentado pelo esforço físico "causou uma resposta adaptativa que promoveu a capacidade de defesa antioxidante endógena", como os autores descreveram no artigo que descreve o experimento.
Um dos efeitos do exercício é melhorar a sensibilidade à insulina e o metabolismo do açúcar no corpo. Mas o exercício também aumenta a formação de moléculas altamente reativas contendo oxigênio, que causariam dano às células.
O novo estudo, publicado hoje no periódico "PNAS", mostra que o exercício ajuda a aumentar a sensibilidade do corpo à insulina justamente pela formação dessas espécies reativas de oxigênio, classificadas na categoria dos radicais livres, contra os quais agem as vitaminas.
"Nossa teoria era que os antioxidantes pudessem bloquear alguns dos efeitos benéficos do exercício, pois sabe-se que o exercício induz um leve estresse oxidativo no músculo", disse à Folha um dos líderes do estudo, C. Ronald Kahn, da Escola Médica de Harvard, nos EUA.
O estudo foi feito na Alemanha com 40 voluntários que fizeram exercícios e tomaram ou não vitaminas C e E.
As doses usadas "foram de 5 a 10 vezes a necessidade diária mínima de vitamina, mas essas doses são comumente usadas por pessoas que tomam suplementos de vitaminas C e E".
O experimento tinha duas partes. Primeiro foram quatro semanas de treinamento físico intenso para metade do grupo.
Metade de cada grupo -com ou sem treinamento prévio- foi então designada para receber ou não o suplemento vitamínico quando de um novo regime de treinamento, do qual todos participaram.
Os voluntários que tomaram os suplementos não tiveram mudança nos seus níveis de oxigênio reativo. Já os que não tomavam as vitaminas revelaram um aumento na formação de radicais livres.
O exercício aumentou a sensibilidade à insulina apenas quando não havia a presença extra dos antioxidantes.
E mesmo os radicais criados pelo exercício não eram tão "livres" assim. O pequeno estresse oxidativo fomentado pelo esforço físico "causou uma resposta adaptativa que promoveu a capacidade de defesa antioxidante endógena", como os autores descreveram no artigo que descreve o experimento.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Música, música e música. Fundamental!!!
Hospitais e pesquisadores usam música para acelerar recuperação de pacientes cardíacos
A pianista Beth Ripoli, 57, tocava uma música quando viu seu marido se aproximar. A composição era romântica, ambos choraram, o público se emocionou com a cena. Ele, o empresário Luiz Carlos Franco, 56, andava com dificuldade e arrastava o frasco de soro -estava internado havia alguns dias, recuperando-se de um infarto e da implantação de quatro pontes de safena. Ela tinha resolvido tocar o piano do hospital enquanto acompanhava o marido no pós-operatório.
"Eu precisava andar e vi que ela estava tocando, e a música me chamou a atenção. Imagina ter seu tronco aberto, pararem seu coração para operá-lo e depois ele voltar a bater. Fica-se em um estado muito sensível, alguns pacientes entram em depressão. E a música exercita sua sensibilidade do lado positivo", avalia Luiz.
Desde então, Beth apresenta recitais no HCor (Hospital do Coração), em São Paulo, para pacientes e acompanhantes, como parte de um projeto que considera a música um dos componentes que ajudam na recuperação de pacientes com problemas cardiovasculares, principalmente em questões emocionais.
Silvia Cury Ismael, responsável pelo serviço de psicologia do HCor, observa em seus pacientes que ouvir música durante uma internação ajuda a resgatar questões esquecidas do lado de fora do hospital, o que faz com que se sintam mais motivados a se recuperar. O ambiente, afirma Ismael, se torna mais leve e menos depressivo.
Para a ciência, no entanto, a música vai além: os benefícios não são somente emocionais mas também se refletem na redução da pressão arterial e da frequência respiratória e na normalização das taxas de batimentos cardíacos.
É o que mostram alguns estudos, como a revisão científica divulgada no mês passado pela Cochrane Collaboration (rede global dedicada a revisão e análise de pesquisas na área da saúde). Foram avaliados 23 estudos com dados de 1.461 pacientes que se submeteram a sessões de música durante a internação após cirurgia ou infarto.
A maioria dos trabalhos comprovou que a música ajudou a reduzir pressão sanguínea, ritmo cardíaco, frequência respiratória, ansiedade e dor nos pacientes estudados.
Os trabalhos avaliaram a ação de diversas músicas -boa parte com harmonias consonantes e ritmos constantes (como algumas músicas eruditas, baladas e músicas próprias para relaxamento)- em sessões de musicoterapia ou audições de até 30 minutos.
"Os estudos não apontaram por quais mecanismos a música ajuda o sistema cardiovascular. No entanto, sabemos que a música diminui a atividade de regiões cerebrais que afetam as respostas emocionais e psicológicas. Isso reduz a liberação de hormônios estressores que podem afetar a frequência cardíaca e a pressão arterial", disse à Folha Joke Bradt, responsável pela revisão científica e diretor-assistente do Centro de Pesquisa em Artes e Qualidade de Vida da Temple University (EUA).
Experiências brasileiras
Dados preliminares de um estudo que será publicado nos "Arquivos Brasileiros de Cardiologia" também são promissores. A musicoterapeuta Cláudia Regina de Oliveira Zanini, professora da Universidade Federal de Goiás, avaliou o uso da técnica em pacientes hipertensos para sua tese de doutorado.
Zanini observou 46 pacientes da liga de hipertensão da universidade durante três meses. Metade deles participou de sessões de audição musical, composição e improvisação vocal, além de exercícios de respiração e relaxamento voltados para a música durante 30 minutos por semana. Ao final do período, a pressão arterial desse grupo havia caído de 150 mmHg por 90 mmHg para 133 mmHg por 80 mmHg. Já o grupo controle não apresentou redução significativa.
"O tratamento da hipertensão é de longo prazo, e muitos pacientes não aderem a ele. Entre os que têm pressão alta, somente 50% sabem disso e só 10% têm sucesso porque seguem o tratamento. Eu proponho a musicoterapia como um tratamento não medicamentoso, que seja um coadjuvante", afirma Zanini.
Para a cardiologista pediátrica Thamine Hatem, do Real Hospital Português de Beneficência, em Recife, o uso da música ajuda na recuperação mais rápida dos pacientes, pois as reações provocadas no organismo pela música podem diminuir o uso de sedativos e remédios para a dor.
"Quanto menor o uso de analgésicos e de sedativos, melhor. Quanto menos tempo a criança passa na UTI, menor é o risco de infecção", diz.
Hatem publicou, em 2006, uma pesquisa que avaliou como reagiram 84 crianças de até 14 anos nas primeiras 24 horas após uma cirurgia cardíaca, depois de uma sessão de música erudita. "Dava para ver que, se a criança estava angustiada e chorosa, acalmava-se ao colocar o fone de ouvido; muitas crianças dormiam durante o processo."
As crianças ouviram "A Primavera", de Vivaldi, por meia hora e tiveram melhora no ritmo de batimentos cardíacos, na frequência respiratória e na sensação de dor. "Uma frequência cardíaca muito alta aumenta a pressão e o risco de sangramento. Já a frequência respiratória elevada significa desconforto ou problema pulmonar -se é controlada, mostra que era causada mais por um desconforto", explica.
A aposentada Eunice da Silva Ferreira, 52, também sentiu os benefícios do uso da música após a cirurgia para colocar duas pontes mamárias no INC (Instituto Nacional de Cardiologia), no Rio de Janeiro.
Foram instaladas caixas de som ao lado dos leitos, que transmitem música erudita, sons da natureza e canções próprias para relaxamento durante todo o dia, das 8h às 22h.
"O ambiente hospitalar é frio, há pessoas sedadas. Eu tenho uma doença sem cura, e a música me ajudava a me desligar um pouco da realidade. O uso da música deu tão certo que nós pedíamos aos funcionários que colocassem sempre", diz Eunice, que acompanhou a implantação das caixas de som na UTI do instituto.
De acordo com o INC, um ano após a instalação de caixas de som na UTI, houve uma redução de 40% no consumo de tranquilizantes e sedativos.
Os pacientes podem até pedir aos funcionários que desliguem o som, mas, dizem os médicos, ninguém nunca o fez.
"A UTI tem muito barulho, luz acessa, aparelhos. O paciente está ansioso com o que vai acontecer e isso gera um estresse grande. As diretrizes [orientações das sociedades médicas] indicam ansiolíticos aos pacientes; muitos não conseguem dormir à noite, a ansiedade aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial", diz o cardiologista Marco Antonio de Mattos, diretor do INC.
Escolhas musicais
Na maioria dos estudos, as músicas utilizadas têm ritmos constantes, harmonias consonantes e são mais calmas, características que ajudam o paciente a relaxar.
"Não é qualquer música clássica que produz relaxamento. É preciso pensar em músicas mais calmas, com menor número de batimentos por minutos e que sejam bem harmônicas e agradáveis", aconselha o neurocientista Felipe Viegas Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Neurociência e Comportamento da USP.
No entanto, fatores culturais e o gosto pessoal também devem ser levados em consideração na hora de utilizar a música como componente na recuperação do paciente.
"É preciso curtir a música, usufruir dela e de seus efeitos benéficos", sugere o neurologista Mauro Muszkat, coordenador do In Music, grupo multidisciplinar da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que estuda a ação da música no organismo.
Não é possível, no entanto, determinar por quanto tempo o paciente deve ouvir música e quais seriam os tipos mais indicados. Muszkat resume: "Não dá para dizer o tempo adequado para cada indivíduo. De maneira didática, ouvir mais músicas, com graus diferentes de complexidade, um repertório variado, facilita ao organismo processar esses sons de formas mais variadas e mais amplas, inclusive com benefícios no sistema cardiovascular."
A pianista Beth Ripoli, 57, tocava uma música quando viu seu marido se aproximar. A composição era romântica, ambos choraram, o público se emocionou com a cena. Ele, o empresário Luiz Carlos Franco, 56, andava com dificuldade e arrastava o frasco de soro -estava internado havia alguns dias, recuperando-se de um infarto e da implantação de quatro pontes de safena. Ela tinha resolvido tocar o piano do hospital enquanto acompanhava o marido no pós-operatório.
"Eu precisava andar e vi que ela estava tocando, e a música me chamou a atenção. Imagina ter seu tronco aberto, pararem seu coração para operá-lo e depois ele voltar a bater. Fica-se em um estado muito sensível, alguns pacientes entram em depressão. E a música exercita sua sensibilidade do lado positivo", avalia Luiz.
Desde então, Beth apresenta recitais no HCor (Hospital do Coração), em São Paulo, para pacientes e acompanhantes, como parte de um projeto que considera a música um dos componentes que ajudam na recuperação de pacientes com problemas cardiovasculares, principalmente em questões emocionais.
Silvia Cury Ismael, responsável pelo serviço de psicologia do HCor, observa em seus pacientes que ouvir música durante uma internação ajuda a resgatar questões esquecidas do lado de fora do hospital, o que faz com que se sintam mais motivados a se recuperar. O ambiente, afirma Ismael, se torna mais leve e menos depressivo.
Para a ciência, no entanto, a música vai além: os benefícios não são somente emocionais mas também se refletem na redução da pressão arterial e da frequência respiratória e na normalização das taxas de batimentos cardíacos.
É o que mostram alguns estudos, como a revisão científica divulgada no mês passado pela Cochrane Collaboration (rede global dedicada a revisão e análise de pesquisas na área da saúde). Foram avaliados 23 estudos com dados de 1.461 pacientes que se submeteram a sessões de música durante a internação após cirurgia ou infarto.
A maioria dos trabalhos comprovou que a música ajudou a reduzir pressão sanguínea, ritmo cardíaco, frequência respiratória, ansiedade e dor nos pacientes estudados.
Os trabalhos avaliaram a ação de diversas músicas -boa parte com harmonias consonantes e ritmos constantes (como algumas músicas eruditas, baladas e músicas próprias para relaxamento)- em sessões de musicoterapia ou audições de até 30 minutos.
"Os estudos não apontaram por quais mecanismos a música ajuda o sistema cardiovascular. No entanto, sabemos que a música diminui a atividade de regiões cerebrais que afetam as respostas emocionais e psicológicas. Isso reduz a liberação de hormônios estressores que podem afetar a frequência cardíaca e a pressão arterial", disse à Folha Joke Bradt, responsável pela revisão científica e diretor-assistente do Centro de Pesquisa em Artes e Qualidade de Vida da Temple University (EUA).
Experiências brasileiras
Dados preliminares de um estudo que será publicado nos "Arquivos Brasileiros de Cardiologia" também são promissores. A musicoterapeuta Cláudia Regina de Oliveira Zanini, professora da Universidade Federal de Goiás, avaliou o uso da técnica em pacientes hipertensos para sua tese de doutorado.
Zanini observou 46 pacientes da liga de hipertensão da universidade durante três meses. Metade deles participou de sessões de audição musical, composição e improvisação vocal, além de exercícios de respiração e relaxamento voltados para a música durante 30 minutos por semana. Ao final do período, a pressão arterial desse grupo havia caído de 150 mmHg por 90 mmHg para 133 mmHg por 80 mmHg. Já o grupo controle não apresentou redução significativa.
"O tratamento da hipertensão é de longo prazo, e muitos pacientes não aderem a ele. Entre os que têm pressão alta, somente 50% sabem disso e só 10% têm sucesso porque seguem o tratamento. Eu proponho a musicoterapia como um tratamento não medicamentoso, que seja um coadjuvante", afirma Zanini.
Para a cardiologista pediátrica Thamine Hatem, do Real Hospital Português de Beneficência, em Recife, o uso da música ajuda na recuperação mais rápida dos pacientes, pois as reações provocadas no organismo pela música podem diminuir o uso de sedativos e remédios para a dor.
"Quanto menor o uso de analgésicos e de sedativos, melhor. Quanto menos tempo a criança passa na UTI, menor é o risco de infecção", diz.
Hatem publicou, em 2006, uma pesquisa que avaliou como reagiram 84 crianças de até 14 anos nas primeiras 24 horas após uma cirurgia cardíaca, depois de uma sessão de música erudita. "Dava para ver que, se a criança estava angustiada e chorosa, acalmava-se ao colocar o fone de ouvido; muitas crianças dormiam durante o processo."
As crianças ouviram "A Primavera", de Vivaldi, por meia hora e tiveram melhora no ritmo de batimentos cardíacos, na frequência respiratória e na sensação de dor. "Uma frequência cardíaca muito alta aumenta a pressão e o risco de sangramento. Já a frequência respiratória elevada significa desconforto ou problema pulmonar -se é controlada, mostra que era causada mais por um desconforto", explica.
A aposentada Eunice da Silva Ferreira, 52, também sentiu os benefícios do uso da música após a cirurgia para colocar duas pontes mamárias no INC (Instituto Nacional de Cardiologia), no Rio de Janeiro.
Foram instaladas caixas de som ao lado dos leitos, que transmitem música erudita, sons da natureza e canções próprias para relaxamento durante todo o dia, das 8h às 22h.
"O ambiente hospitalar é frio, há pessoas sedadas. Eu tenho uma doença sem cura, e a música me ajudava a me desligar um pouco da realidade. O uso da música deu tão certo que nós pedíamos aos funcionários que colocassem sempre", diz Eunice, que acompanhou a implantação das caixas de som na UTI do instituto.
De acordo com o INC, um ano após a instalação de caixas de som na UTI, houve uma redução de 40% no consumo de tranquilizantes e sedativos.
Os pacientes podem até pedir aos funcionários que desliguem o som, mas, dizem os médicos, ninguém nunca o fez.
"A UTI tem muito barulho, luz acessa, aparelhos. O paciente está ansioso com o que vai acontecer e isso gera um estresse grande. As diretrizes [orientações das sociedades médicas] indicam ansiolíticos aos pacientes; muitos não conseguem dormir à noite, a ansiedade aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial", diz o cardiologista Marco Antonio de Mattos, diretor do INC.
Escolhas musicais
Na maioria dos estudos, as músicas utilizadas têm ritmos constantes, harmonias consonantes e são mais calmas, características que ajudam o paciente a relaxar.
"Não é qualquer música clássica que produz relaxamento. É preciso pensar em músicas mais calmas, com menor número de batimentos por minutos e que sejam bem harmônicas e agradáveis", aconselha o neurocientista Felipe Viegas Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Neurociência e Comportamento da USP.
No entanto, fatores culturais e o gosto pessoal também devem ser levados em consideração na hora de utilizar a música como componente na recuperação do paciente.
"É preciso curtir a música, usufruir dela e de seus efeitos benéficos", sugere o neurologista Mauro Muszkat, coordenador do In Music, grupo multidisciplinar da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que estuda a ação da música no organismo.
Não é possível, no entanto, determinar por quanto tempo o paciente deve ouvir música e quais seriam os tipos mais indicados. Muszkat resume: "Não dá para dizer o tempo adequado para cada indivíduo. De maneira didática, ouvir mais músicas, com graus diferentes de complexidade, um repertório variado, facilita ao organismo processar esses sons de formas mais variadas e mais amplas, inclusive com benefícios no sistema cardiovascular."
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Muito bom. Educativo e necessário para os maldosos.
Suzana Herculano-Houzel
Quem sabe falar não precisa bater
--------------------------------------------------------------------------------
[...] Usando a fala, dom do córtex pré-frontal, podemos educar nossos filhos de forma pacífica, sem recorrer à força bruta
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Segundo a pesquisa do epidemiologista Paulo Nadanovsky, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), 16% das mães admitem bater nos filhos pequenos, beliscá-los, puxá-los, empurrá-los -enquanto só 5% dos pais, segundo elas mesmas, fazem isso. Ou seja: a principal fonte de violência física não fatal contra crianças são... suas próprias mães.
Descobri o estudo no Simpósio de Psicologia Evolucionista, ocorrido na semana passada, em Natal. Esse ramo da psicologia se preocupa em entender a origem evolutiva de nossos comportamentos, por exemplo por seu valor adaptativo.
Considere o infanticídio, perpetrado, em sua maioria, por pais que não têm certeza da paternidade e por padrastos. Em humanos e não humanos, esse comportamento vil é, desafortunadamente para as mães e as crianças, adaptativo para o macho -que, ao matar o filho que não é seu, passa a ter mais chances de deixar sua própria descendência com a fêmea que deixou de ser mãe.
Paulo mostrou que mães que moram com o padrasto das crianças são ainda mais frequentemente violentas: 31% delas admitem bater nos filhos. Como isso poderia ser adaptativo, um comportamento favorecido pela evolução? Talvez por, de forma torta, proteger os filhos do padrasto, evitando um espancamento que, se acontecer, tem boa chance de ser letal. Até faz sentido. Mas nada justifica o uso de violência por até um terço das mães contra seus filhos, por favor.
Penso, então, que talvez estejamos diante de uma daquelas heranças até adaptativas para outros animais, mas agora desnecessária para nós -por uma razão simples: nós temos linguagem.
Pense bem: se você é uma égua ou uma macaca e seu filho faz o que não deve, talvez a única forma de protegê-lo ou repreendê-lo seja, de fato, um puxão de orelha, um empurrão ou outra forma de contenção física. Mas, se você é humana e sabe falar... a violência não é mais necessária. Usá-la é deixar aflorar o nosso lado irracional, herdado de ancestrais mudos.
Usando a fala, dom do mesmo córtex pré-frontal que nos torna flexíveis, podemos resolver conflitos, educar e proteger nossos filhos de maneiras pacíficas, sem precisar recorrer à força bruta, e ainda lhes concedemos o benefício de crescer mais saudáveis, sem estresses causados pelos próprios pais, e, sobretudo, sem medo destes. Quem sabe falar não precisa bater.
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SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do blog "A Neurocientista de Plantão" ( www.suzanaherculanohouzel.com )
Quem sabe falar não precisa bater
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[...] Usando a fala, dom do córtex pré-frontal, podemos educar nossos filhos de forma pacífica, sem recorrer à força bruta
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Segundo a pesquisa do epidemiologista Paulo Nadanovsky, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), 16% das mães admitem bater nos filhos pequenos, beliscá-los, puxá-los, empurrá-los -enquanto só 5% dos pais, segundo elas mesmas, fazem isso. Ou seja: a principal fonte de violência física não fatal contra crianças são... suas próprias mães.
Descobri o estudo no Simpósio de Psicologia Evolucionista, ocorrido na semana passada, em Natal. Esse ramo da psicologia se preocupa em entender a origem evolutiva de nossos comportamentos, por exemplo por seu valor adaptativo.
Considere o infanticídio, perpetrado, em sua maioria, por pais que não têm certeza da paternidade e por padrastos. Em humanos e não humanos, esse comportamento vil é, desafortunadamente para as mães e as crianças, adaptativo para o macho -que, ao matar o filho que não é seu, passa a ter mais chances de deixar sua própria descendência com a fêmea que deixou de ser mãe.
Paulo mostrou que mães que moram com o padrasto das crianças são ainda mais frequentemente violentas: 31% delas admitem bater nos filhos. Como isso poderia ser adaptativo, um comportamento favorecido pela evolução? Talvez por, de forma torta, proteger os filhos do padrasto, evitando um espancamento que, se acontecer, tem boa chance de ser letal. Até faz sentido. Mas nada justifica o uso de violência por até um terço das mães contra seus filhos, por favor.
Penso, então, que talvez estejamos diante de uma daquelas heranças até adaptativas para outros animais, mas agora desnecessária para nós -por uma razão simples: nós temos linguagem.
Pense bem: se você é uma égua ou uma macaca e seu filho faz o que não deve, talvez a única forma de protegê-lo ou repreendê-lo seja, de fato, um puxão de orelha, um empurrão ou outra forma de contenção física. Mas, se você é humana e sabe falar... a violência não é mais necessária. Usá-la é deixar aflorar o nosso lado irracional, herdado de ancestrais mudos.
Usando a fala, dom do mesmo córtex pré-frontal que nos torna flexíveis, podemos resolver conflitos, educar e proteger nossos filhos de maneiras pacíficas, sem precisar recorrer à força bruta, e ainda lhes concedemos o benefício de crescer mais saudáveis, sem estresses causados pelos próprios pais, e, sobretudo, sem medo destes. Quem sabe falar não precisa bater.
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SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do blog "A Neurocientista de Plantão" ( www.suzanaherculanohouzel.com )
Tratamento que nunca chega à cura ganha exposição pública por mais tempo
Com muita frequência, remédios alternativos falham em mostrar sucesso ao serem submetidos a testes clínicos. Mesmo assim, produtos de eficácia duvidosa -como extrato de Gingko biloba (receitado contra demências) e raspas de barbatana de tubarão (contra câncer)- parecem estar proliferando cada vez mais. Segundo um novo estudo, porém, não há contradição aí: é justamente pela qualidade de serem inócuas que essas "receitas milagrosas" ganham terreno.
Essa conclusão "contraintuitiva", conforme reconhecem os autores do trabalho, saiu de um modelo matemático que simula como a adoção de um determinado tratamento se dissemina numa sociedade. Em artigo científico na revista "PLoS ONE" (www.plosone.org) o biólogo e matemático Mark Tanaka, da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália) explica com mais dois colegas como chegou a esse resultado.
Segundo o pesquisador, a disseminação de práticas médicas sem comprovação de eficácia é, por um lado, um fenômeno ligado à automedicação. Por outro, inclui práticas de curandeirismo em comunidades onde não há médicos. Como pessoas tendem a aprender as coisas por imitação, os remédios que são usados de maneira crônica sem nunca levarem à cura tendem a ganhar mais propaganda, porque passam mais tempo sendo usados.
"Nós mostramos que os tratamentos que proliferam não são necessariamente aqueles mais eficazes em curar a doença", escrevem Tanaka e colegas. "Explicamos por que "tratamentos supersticiosos" com pouca eficácia e mesmo práticas inadequadas podem se espalhar em diversas condições." Assinam também o estudo o antropólogo Jeremy Kendal, da Universidade de Durham, e o biólogo Kevin Laland, da Universidade de Saint Andrews, ambas no Reino Unido.
A união de três especialidades científicas em um mesmo estudo ocorreu porque o trabalho é uma simulação estatística aplicada a fenômenos evolutivos de comportamento.
Os pesquisadores partem do princípio de que existe um tipo de "seleção natural" entre boas e más práticas. Quando se trata de interação social, porém, práticas nocivas podem ser mais "adaptadas" a sobreviver numa comunidade, desde que consigam se disseminar rápido.
Para formular a equação que levou a essa conclusão, os pesquisadores partiram do princípio de que o que torna um remédio popular é a "cópia não enviesada", ou seja, quanto mais um remédio aparece sendo usado por alguém, mais ele tende a ser adotado por outros.
Essa conclusão "contraintuitiva", conforme reconhecem os autores do trabalho, saiu de um modelo matemático que simula como a adoção de um determinado tratamento se dissemina numa sociedade. Em artigo científico na revista "PLoS ONE" (www.plosone.org) o biólogo e matemático Mark Tanaka, da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália) explica com mais dois colegas como chegou a esse resultado.
Segundo o pesquisador, a disseminação de práticas médicas sem comprovação de eficácia é, por um lado, um fenômeno ligado à automedicação. Por outro, inclui práticas de curandeirismo em comunidades onde não há médicos. Como pessoas tendem a aprender as coisas por imitação, os remédios que são usados de maneira crônica sem nunca levarem à cura tendem a ganhar mais propaganda, porque passam mais tempo sendo usados.
"Nós mostramos que os tratamentos que proliferam não são necessariamente aqueles mais eficazes em curar a doença", escrevem Tanaka e colegas. "Explicamos por que "tratamentos supersticiosos" com pouca eficácia e mesmo práticas inadequadas podem se espalhar em diversas condições." Assinam também o estudo o antropólogo Jeremy Kendal, da Universidade de Durham, e o biólogo Kevin Laland, da Universidade de Saint Andrews, ambas no Reino Unido.
A união de três especialidades científicas em um mesmo estudo ocorreu porque o trabalho é uma simulação estatística aplicada a fenômenos evolutivos de comportamento.
Os pesquisadores partem do princípio de que existe um tipo de "seleção natural" entre boas e más práticas. Quando se trata de interação social, porém, práticas nocivas podem ser mais "adaptadas" a sobreviver numa comunidade, desde que consigam se disseminar rápido.
Para formular a equação que levou a essa conclusão, os pesquisadores partiram do princípio de que o que torna um remédio popular é a "cópia não enviesada", ou seja, quanto mais um remédio aparece sendo usado por alguém, mais ele tende a ser adotado por outros.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Congresso da Unesp de Rio Claro- Trabalhos selecionados e a esperada Carta de Aceite para poder fazer a defesa no mestrado.
Carta de aceite.
Temos a satisfação de informar que o estudo “Estudo comparativo das variáveis bioperacionais; coordenação geral, percepção cinestésica e tempo de reação, entre atletas de desportos de diferentes demandas” foi aprovado para ser apresentado na categoria de Sessão Temática durante o VI CIEFMH e XII SPEF.
Por gentileza fique atento aos seguintes fatos:
1) O dia, horário, local e composição dos trabalhos que farão parte da sua Sessão serão informados em uma data mais oportuna. Esta composição poderá ser diferente da eventual proposta apresentada por VSa;
2) Os trabalhos foram aprovados quanto ao mérito para serem apresentados no VI CIEFMH e XII SPEF. As eventuais sugestões quanto às correções apontadas pela nossa assessoria, serão enviadas também em um período oportuno, o que certamente será em data posterior ao VI CIEFMH e XII SPEF. Os trabalhos somente serão publicados na revista Motriz após o atendimento destas sugestões. Entretanto, não é possível agendar nem garantir a data na qual isto irá ocorrer. Isto dependerá entre outros aspectos, da política editorial da revista.
APRESENTAÇÃO DAS SESSÕES TEMÁTICAS (Nosso grupo- LANPEM- UCB)
Ginásio de Esportes
Coordenadora: Profª. Dra. Ana Maria Pelegrini
Estudo comparativo das variáveis bioperacionais; coo rdenação geral,
percepção cinestésica e tempo de reação, entre atletas de desportos
de diferentes demandas
Nilo Terra Áreas Neto
Marcos Wellington Sales de Almeida
Vernon Furtado da Silva
Efeito da estimulação cortical na variável tempo de reação e
performance hábil-motriz-cognitiva em jovens atletas de futebol
Sileno Martinho Silva Ribeiro Júnior
Márcia Maria dos Anjos Azevedo
Vernon Furtado da Silva
Temos a satisfação de informar que o estudo “Estudo comparativo das variáveis bioperacionais; coordenação geral, percepção cinestésica e tempo de reação, entre atletas de desportos de diferentes demandas” foi aprovado para ser apresentado na categoria de Sessão Temática durante o VI CIEFMH e XII SPEF.
Por gentileza fique atento aos seguintes fatos:
1) O dia, horário, local e composição dos trabalhos que farão parte da sua Sessão serão informados em uma data mais oportuna. Esta composição poderá ser diferente da eventual proposta apresentada por VSa;
2) Os trabalhos foram aprovados quanto ao mérito para serem apresentados no VI CIEFMH e XII SPEF. As eventuais sugestões quanto às correções apontadas pela nossa assessoria, serão enviadas também em um período oportuno, o que certamente será em data posterior ao VI CIEFMH e XII SPEF. Os trabalhos somente serão publicados na revista Motriz após o atendimento destas sugestões. Entretanto, não é possível agendar nem garantir a data na qual isto irá ocorrer. Isto dependerá entre outros aspectos, da política editorial da revista.
APRESENTAÇÃO DAS SESSÕES TEMÁTICAS (Nosso grupo- LANPEM- UCB)
Ginásio de Esportes
Coordenadora: Profª. Dra. Ana Maria Pelegrini
Estudo comparativo das variáveis bioperacionais; coo rdenação geral,
percepção cinestésica e tempo de reação, entre atletas de desportos
de diferentes demandas
Nilo Terra Áreas Neto
Marcos Wellington Sales de Almeida
Vernon Furtado da Silva
Efeito da estimulação cortical na variável tempo de reação e
performance hábil-motriz-cognitiva em jovens atletas de futebol
Sileno Martinho Silva Ribeiro Júnior
Márcia Maria dos Anjos Azevedo
Vernon Furtado da Silva
Corrida previne problemas de visão, sugerem estudos
Exercício reduz risco de catarata e degeneração macular; mesmo quem não corre longas distâncias tem benefícios
Pesquisas foram feitas com 41 mil corredores; segundo médicos, a prática diminui hipertensão e outros fatores que podem levar às doenças
Correr pode reduzir o risco de desenvolver catarata e degeneração macular relacionada à idade, sugerem novos estudos da Universidade de Berkeley (EUA). Os maiores ganhos foram verificados em atletas, mas mesmo pessoas que correm distâncias menores foram beneficiadas.
Um dos trabalhos analisou informações de mais de 40 mil corredores durante sete anos e verificou que os homens que correram cerca de 64 km semanais tiveram 35% menos chance de ter catarata do que aqueles que corriam menos de 16 km por semana.
Os pesquisadores compararam ainda os dados dos homens com melhor condição cardiorrespiratória aos dos menos preparados e viram que os atletas mais velozes apresentaram menos queixas da doença.
A corrida também foi benéfica em distâncias menores. Outro estudo realizado na mesma universidade analisou 152 homens e mulheres e constatou que aqueles que correram entre 2 km e 3,8 km por dia estavam 19% menos suscetíveis a ter degeneração macular do que as que se exercitaram por menos de 2 km diários.
Para o pesquisador em oftalmologa esportiva Marinho Scarpi, os resultados sugerem que a corrida pode ajudar na prevenção da catarata e da degeneração macular por evitar problemas como hipertensão, diabetes e obesidade, que são fatores de risco para as duas doenças.
Estudos anteriores já apontavam que outras atividades físicas podem reduzir tais fatores, mas exercícios vigorosos como a corrida se mostraram mais eficazes. "Com exceção da exposição à luz solar, os atletas, em geral, cuidam mais de si mesmos e de sua alimentação."
Segundo ele, a prática também ajuda no controle do metabolismo do açúcar e reduz o consumo de cigarro e álcool entre seus praticantes, fatores de proteção já conhecidos.
O ponto alto dos estudos de Berkeley, avalia Scarpi, é a indicação de que mesmo quem não alcança tão longas distâncias pode ser beneficiado. "Não é necessário correr 10 km por dia para reduzir os riscos",
Outro estudo, feito em 2006 na Universidade de Medicina de Kaunas, na Lituânia, testou 210 pacientes com cerca de 60 anos internados para cirurgias de catarata e verificou que o aumento da opacidade das lentes oculares foi maior em pessoas sedentárias. Os pesquisadores creditam o resultado, entre outros fatores, ao acúmulo de radicais livres, presentes em maior concentração no organismo de quem não pratica atividades físicas.
Pesquisas foram feitas com 41 mil corredores; segundo médicos, a prática diminui hipertensão e outros fatores que podem levar às doenças
Correr pode reduzir o risco de desenvolver catarata e degeneração macular relacionada à idade, sugerem novos estudos da Universidade de Berkeley (EUA). Os maiores ganhos foram verificados em atletas, mas mesmo pessoas que correm distâncias menores foram beneficiadas.
Um dos trabalhos analisou informações de mais de 40 mil corredores durante sete anos e verificou que os homens que correram cerca de 64 km semanais tiveram 35% menos chance de ter catarata do que aqueles que corriam menos de 16 km por semana.
Os pesquisadores compararam ainda os dados dos homens com melhor condição cardiorrespiratória aos dos menos preparados e viram que os atletas mais velozes apresentaram menos queixas da doença.
A corrida também foi benéfica em distâncias menores. Outro estudo realizado na mesma universidade analisou 152 homens e mulheres e constatou que aqueles que correram entre 2 km e 3,8 km por dia estavam 19% menos suscetíveis a ter degeneração macular do que as que se exercitaram por menos de 2 km diários.
Para o pesquisador em oftalmologa esportiva Marinho Scarpi, os resultados sugerem que a corrida pode ajudar na prevenção da catarata e da degeneração macular por evitar problemas como hipertensão, diabetes e obesidade, que são fatores de risco para as duas doenças.
Estudos anteriores já apontavam que outras atividades físicas podem reduzir tais fatores, mas exercícios vigorosos como a corrida se mostraram mais eficazes. "Com exceção da exposição à luz solar, os atletas, em geral, cuidam mais de si mesmos e de sua alimentação."
Segundo ele, a prática também ajuda no controle do metabolismo do açúcar e reduz o consumo de cigarro e álcool entre seus praticantes, fatores de proteção já conhecidos.
O ponto alto dos estudos de Berkeley, avalia Scarpi, é a indicação de que mesmo quem não alcança tão longas distâncias pode ser beneficiado. "Não é necessário correr 10 km por dia para reduzir os riscos",
Outro estudo, feito em 2006 na Universidade de Medicina de Kaunas, na Lituânia, testou 210 pacientes com cerca de 60 anos internados para cirurgias de catarata e verificou que o aumento da opacidade das lentes oculares foi maior em pessoas sedentárias. Os pesquisadores creditam o resultado, entre outros fatores, ao acúmulo de radicais livres, presentes em maior concentração no organismo de quem não pratica atividades físicas.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Rir é bom remédio para diabéticos, diz pesquisa
Dar boas gargalhadas ajuda, e muito, a afastar o risco de complicações cardiovasculares em diabéticos. Isso é o que revelam pesquisadores americanos da Universidade Loma Linda após acompanhar 20 pacientes com diabetes que também sofriam de hipertensão e tinham altas taxas de colesterol no sangue. Todos usavam remédios para controlar esses problemas.
Os cientistas dividiram os voluntários em dois grupos. Metade deles continuou com o tratamento padrão, tomando os medicamentos. Os demais, além da medicação, também assistiram diariamente a vídeos de humor, selecionados por eles mesmos, durante 30 minutos.
Ao fim de um ano, o grupo que foi estimulado a gargalhar tinha menores taxas de hormônios relacionados ao estresse, como a adrenalina. Além disso, nesses pacientes os níveis de HDL, o bom colesterol, cresceram 26% -no outro grupo, o aumento foi de 3%. E a proteína C-reativa, um marcador da inflamação e do risco de problemas cardiovasculares, despencou 66% entre os que riram mais. A queda dessa substância no grupo controle foi de 26%.
Segundo os autores, os resultados sugerem que rir pode ser um bom complemento terapêutico, capaz de ajudar a prevenir complicações. Estudos anteriores conduzidos pelo mesmo grupo já tinham constatado que a mera antecipação de um sorriso é capaz de aumentar em 27% os níveis das betaendorfinas, hormônios relacionados ao bem-estar, e em 87% as taxas do hormônio do crescimento, envolvido na resposta imune.
TERAPIA DO RISO
Sorrir aumenta o bom colesterol, diminui o estresse e afasta o risco cardíaco, mostra pesquisa
Os cientistas dividiram os voluntários em dois grupos. Metade deles continuou com o tratamento padrão, tomando os medicamentos. Os demais, além da medicação, também assistiram diariamente a vídeos de humor, selecionados por eles mesmos, durante 30 minutos.
Ao fim de um ano, o grupo que foi estimulado a gargalhar tinha menores taxas de hormônios relacionados ao estresse, como a adrenalina. Além disso, nesses pacientes os níveis de HDL, o bom colesterol, cresceram 26% -no outro grupo, o aumento foi de 3%. E a proteína C-reativa, um marcador da inflamação e do risco de problemas cardiovasculares, despencou 66% entre os que riram mais. A queda dessa substância no grupo controle foi de 26%.
Segundo os autores, os resultados sugerem que rir pode ser um bom complemento terapêutico, capaz de ajudar a prevenir complicações. Estudos anteriores conduzidos pelo mesmo grupo já tinham constatado que a mera antecipação de um sorriso é capaz de aumentar em 27% os níveis das betaendorfinas, hormônios relacionados ao bem-estar, e em 87% as taxas do hormônio do crescimento, envolvido na resposta imune.
TERAPIA DO RISO
Sorrir aumenta o bom colesterol, diminui o estresse e afasta o risco cardíaco, mostra pesquisa
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Música, trilha sonora da vida.
Do New York Times
O fato de que a música nos toca no próprio cerne de nosso ser é uma descoberta tão antiga quanto a consciência humana. Mas será que a música pode ser considerada medicamento?
Uma especialista que aposta nisso é Vera Brandes, diretora do programa de pesquisas com música e medicina da Universidade Médica Privada Paracelsus, em Salzburgo, Áustria.
“Sou a primeira farmacologista musical”, disse Brandes no ano passado em Viena. Como tal, ela vem desenvolvendo medicamentos na forma de música, prescritos como receita médica. Para promover a linha de produtos, ela ajudou a fundar a Sanoson (www.sanoson.at), empresa que também cria sistemas de música sob medida para hospitais e clínicas.
“Estamos preparando o lançamento de nossas terapias na Alemanha e na Áustria no final de 2009 e prevemos o lançamento nos EUA em 2010”, disse.
O tratamento funciona assim: uma vez dado o diagnóstico médico, o paciente é enviado para casa com um protocolo musical para ouvir e músicas carregadas num tocador semelhante ao iPod. O timing é essencial. “Se você ouvir música para acalmar quando estiver num ponto ascendente de seu ciclo circadiano, isso não o acalmará”, explicou Brandes. “Pode até deixá-lo irritado.”
Brandes e seus colaboradores analisam músicas de todo tipo para retirar seus “ingredientes ativos”, que então são misturados e balanceados para formar compostos medicinais. Embora eles não procurem tratar patologias graves ou doenças infecciosas, afirmam que seus métodos têm aplicações amplas em desordens psicossomáticas, administração de dor e o que Brandes descreve como “doenças da civilização”: ansiedade, depressão, insônia e determinados tipos de arritmia. A farmacopeia contém até agora cerca de 55 faixas de música medicinal, e novas faixas estão sendo planejadas.
Num estudo piloto, que em 2008 foi citado na reunião científica anual da Sociedade Psicossomática Americana, Brandes e seus colaboradores estudaram os efeitos da música sobre pacientes com hipertensão sem causas orgânicas. “O tratamento convencional para pacientes hipertensos é com betabloqueadores, que suprimem seus sintomas”, disse Brandes. “A música pode tratar as causas psicossomáticas originais.”
Segundo seu estudo, depois de ouvir um programa musical criado especialmente para o paciente, por 30 minutos por dia, cinco dias por semana, durante quatro semanas, os pacientes apresentaram melhoras significativas na variação do ritmo cardíaco, um indicador importante da função nervosa autônoma.
Brandes, 52, já foi produtora de eventos e gravações musicais e tem um vasto currículo na área. Mas um acidente de carro quase fatal em 1995 a levou a pensar numa mudança de carreira.
“Quebrei as vértebras 11 e 12, passando a um milímetro da medula espinhal”, ela contou. “O médico disse: ‘Não vou poder fazer nada por você durante algum tempo, mas você pode cantar, se quiser’.” A equipe médica previa que Brandes teria que ficar imobilizada entre 10 e 14 semanas.
Ela estava dividindo o quarto do hospital com uma budista, cujos amigos vinham diariamente entoar cânticos para ela. Após apenas 15 dias no hospital, uma ressonância magnética mostrou que sua espinha estava curada. “Todo o mundo disse que era um milagre”, contou Brandes. “Os médicos me mandaram para casa. Aquilo me fez refletir.”
Brandes, que não tem diploma de estudos avançados em medicina ou ciência, sabia que suas teorias jamais ganhariam aceitação se não passassem por testes clínicos. “Desde o início, eu estava determinada a satisfazer os mais exigentes critérios científicos ocidentais”, disse.
Além dos esforços de Brandes, a Sourcetone Interactive Radio, que se descreve como “o maior serviço mundial de saúde com música”, emprega pesquisas feitas conjuntamente pelo Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, e a Escola de Medicina Harvard, onde o neurologista Gottfried Schlaug estuda os efeitos da atividade musical sobre a função e a plasticidade cerebrais. “Acho que é importante participar, fazendo música, não apenas ouvir”, disse Schlaug.
Stefan Koelsch, pesquisador-sênior sobre o neurorreconhecimento da música e da linguagem na Universidade de Sussex, em Brighton, Reino Unido, concorda e está trabalhando com tratamentos musicais participativos para a depressão. No longo prazo, ele enxerga possibilidades mais amplas.
“Fisiologicamente falando, é perfeitamente plausível que a música afete não apenas as condições psiquiátricas, mas também as desordens endócrinas, autoimunes e do sistema autônomo”, disse ele.
Vera Brandes também está pensando no futuro. “Digamos que um paciente chegue sofrendo de depressão”, disse ela. “O primeiro passo sempre é procurar um médico. Mas, a partir disso, haverá opções de tratamento: com psicólogo, antidepressivo ou música.”
O fato de que a música nos toca no próprio cerne de nosso ser é uma descoberta tão antiga quanto a consciência humana. Mas será que a música pode ser considerada medicamento?
Uma especialista que aposta nisso é Vera Brandes, diretora do programa de pesquisas com música e medicina da Universidade Médica Privada Paracelsus, em Salzburgo, Áustria.
“Sou a primeira farmacologista musical”, disse Brandes no ano passado em Viena. Como tal, ela vem desenvolvendo medicamentos na forma de música, prescritos como receita médica. Para promover a linha de produtos, ela ajudou a fundar a Sanoson (www.sanoson.at), empresa que também cria sistemas de música sob medida para hospitais e clínicas.
“Estamos preparando o lançamento de nossas terapias na Alemanha e na Áustria no final de 2009 e prevemos o lançamento nos EUA em 2010”, disse.
O tratamento funciona assim: uma vez dado o diagnóstico médico, o paciente é enviado para casa com um protocolo musical para ouvir e músicas carregadas num tocador semelhante ao iPod. O timing é essencial. “Se você ouvir música para acalmar quando estiver num ponto ascendente de seu ciclo circadiano, isso não o acalmará”, explicou Brandes. “Pode até deixá-lo irritado.”
Brandes e seus colaboradores analisam músicas de todo tipo para retirar seus “ingredientes ativos”, que então são misturados e balanceados para formar compostos medicinais. Embora eles não procurem tratar patologias graves ou doenças infecciosas, afirmam que seus métodos têm aplicações amplas em desordens psicossomáticas, administração de dor e o que Brandes descreve como “doenças da civilização”: ansiedade, depressão, insônia e determinados tipos de arritmia. A farmacopeia contém até agora cerca de 55 faixas de música medicinal, e novas faixas estão sendo planejadas.
Num estudo piloto, que em 2008 foi citado na reunião científica anual da Sociedade Psicossomática Americana, Brandes e seus colaboradores estudaram os efeitos da música sobre pacientes com hipertensão sem causas orgânicas. “O tratamento convencional para pacientes hipertensos é com betabloqueadores, que suprimem seus sintomas”, disse Brandes. “A música pode tratar as causas psicossomáticas originais.”
Segundo seu estudo, depois de ouvir um programa musical criado especialmente para o paciente, por 30 minutos por dia, cinco dias por semana, durante quatro semanas, os pacientes apresentaram melhoras significativas na variação do ritmo cardíaco, um indicador importante da função nervosa autônoma.
Brandes, 52, já foi produtora de eventos e gravações musicais e tem um vasto currículo na área. Mas um acidente de carro quase fatal em 1995 a levou a pensar numa mudança de carreira.
“Quebrei as vértebras 11 e 12, passando a um milímetro da medula espinhal”, ela contou. “O médico disse: ‘Não vou poder fazer nada por você durante algum tempo, mas você pode cantar, se quiser’.” A equipe médica previa que Brandes teria que ficar imobilizada entre 10 e 14 semanas.
Ela estava dividindo o quarto do hospital com uma budista, cujos amigos vinham diariamente entoar cânticos para ela. Após apenas 15 dias no hospital, uma ressonância magnética mostrou que sua espinha estava curada. “Todo o mundo disse que era um milagre”, contou Brandes. “Os médicos me mandaram para casa. Aquilo me fez refletir.”
Brandes, que não tem diploma de estudos avançados em medicina ou ciência, sabia que suas teorias jamais ganhariam aceitação se não passassem por testes clínicos. “Desde o início, eu estava determinada a satisfazer os mais exigentes critérios científicos ocidentais”, disse.
Além dos esforços de Brandes, a Sourcetone Interactive Radio, que se descreve como “o maior serviço mundial de saúde com música”, emprega pesquisas feitas conjuntamente pelo Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, e a Escola de Medicina Harvard, onde o neurologista Gottfried Schlaug estuda os efeitos da atividade musical sobre a função e a plasticidade cerebrais. “Acho que é importante participar, fazendo música, não apenas ouvir”, disse Schlaug.
Stefan Koelsch, pesquisador-sênior sobre o neurorreconhecimento da música e da linguagem na Universidade de Sussex, em Brighton, Reino Unido, concorda e está trabalhando com tratamentos musicais participativos para a depressão. No longo prazo, ele enxerga possibilidades mais amplas.
“Fisiologicamente falando, é perfeitamente plausível que a música afete não apenas as condições psiquiátricas, mas também as desordens endócrinas, autoimunes e do sistema autônomo”, disse ele.
Vera Brandes também está pensando no futuro. “Digamos que um paciente chegue sofrendo de depressão”, disse ela. “O primeiro passo sempre é procurar um médico. Mas, a partir disso, haverá opções de tratamento: com psicólogo, antidepressivo ou música.”
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Frio terapêutico na recuperação muscular
Nos EUA e Europa, a hipotermia também vem sendo testada no tratamento de lesões na coluna cervical, como forma de reduzir o edema e a inflamação na área danificada. É aplicada ainda, experimentalmente, no atendimento de pacientes que tiveram infarto e derrame.
No infarto, a intenção é proteger o músculo cardíaco de possíveis comprometimentos causados pela falta de sangue e de oxigênio e, no derrame, para diminuir os riscos de seqüelas. Há ainda estudos sobre o uso da técnica em recém-nascidos que sofreram falta de oxigenação durante o parto e em vítimas de esclerose múltipla.
O efeito terapêutico das baixas temperaturas é conhecido há 2.500 anos, desde quando os egípcios faziam uso do frio para tratar feridas e inflamações e os gregos utilizavam gelo ou neve para estancar um sangramento ou reduzir um inchaço.
Temperaturas baixas favorecem a vasoconstrição, diminuem a sensação de dor e reduzem inflamação, edemas e metabolismo.
Essas características não mudaram com o tempo, mas suas possibilidades de aplicação se expandem cada vez mais, na forma de uma técnica que ficou conhecida como hipotermia terapêutica.
Atletas também buscam formas menos invasivas de usar o frio como tratamento.
A técnica é bastante usada por aqueles que exigem muito da musculatura. "A ideia é causar um resfriamento da área e vasoconstrição. Também diminui as microlesões e provoca sensação de alívio, pois o gelo dá uma anestesiada na região", diz Daniel Portella, fisiologista do Corinthians.
Ao mergulhar os membros mais exigidos em água com gelo, os vasos sanguíneos se contraem e, no caso de um trauma agudo, esse mecanismo reduz inchaços e inflamações.
O judoca Tiago Camilo, medalhista na Olimpíada de Pequim, também é adepto da técnica. Três vezes por semana, ele faz levantamento de peso para fortalecer a musculatura. Depois, passa cerca de dez minutos em um tonel de gelo, para se recuperar para o próximo treino à noite, de judô.
"Isso me deixa mais disposto. Comecei a fazer um trabalho mais contínuo. Sinto que a musculatura se recupera mais rapidamente e não tenho tanta dor muscular", diz.
Ainda em estudos, pesquisadores de Harvard buscam um novo mecanismo, que chamaram de criolipólise, para facilitar a quebra das células adiposas e eliminar gordura localizada de forma não invasiva. O método foi apresentado no encontro da Academia Americana de Dermatologia.
.
De acordo com um trabalho publicado na revista "Lasers in Surgery and Medicine", a técnica consiste em resfriar a região a até -7ºC de cinco a 15 minutos. O resfriamento causaria uma paniculite (inflamação na gordura subcutânea) e uma posterior perda dessa gordura.
Numa fria
Procedimentos à base de temperaturas baixíssimas aumentam sobrevida, reduzem riscos e tratam pacientes
No cérebro
Durante a cirurgia para AVC, aneurismas e tumores, gelo é colocado no local, para reduzir inchaço e metabolismo e facilitar os procedimentos
Na cabeça
Pacientes que serão submetidos à quimioterapia usam uma touca com gel congelado a -25ºC por 15 minutos antes do início da sessão. A vascoconstrição faz com que os medicamentos da químio atinjam o bulbo capilar com menos intensidade
Nos músculos (principalmente nas pernas)
Atletas ficam submersos em um tonel ou banheira com gelo por até sete minutos, para recupeção dos danos causados pela competição. Com isso, reduzem-se inflamações, e a liberação de toxinas produzidas durante o exercício é acelerada
No tecido adiposo (gordura)
Uma nova técnica desenvolvida em Harvard (a criolipólise) consiste na aplicação de uma placa gelada sobre a pele. Isso gera uma inflamação nas células gordurosas, o que levaria à eliminação do tecido gorduroso
Na pele
Pequenas quantidades de nitrogênio líquido (em temperatura de até -270 ºC) são aplicadas em áreas da pele que sofrem de manchas, tumores, verrugas e outras doenças e "queimam" a região, tratando o problema
Sem comprovação científica, alguns centros de estética e spas da Europa e Japão oferecem câmaras geladas (a até -150 ºC), alegando que passar alguns minutos sob frio congelante reduz rugas, celulite e melhora a aparência da pele
No infarto, a intenção é proteger o músculo cardíaco de possíveis comprometimentos causados pela falta de sangue e de oxigênio e, no derrame, para diminuir os riscos de seqüelas. Há ainda estudos sobre o uso da técnica em recém-nascidos que sofreram falta de oxigenação durante o parto e em vítimas de esclerose múltipla.
O efeito terapêutico das baixas temperaturas é conhecido há 2.500 anos, desde quando os egípcios faziam uso do frio para tratar feridas e inflamações e os gregos utilizavam gelo ou neve para estancar um sangramento ou reduzir um inchaço.
Temperaturas baixas favorecem a vasoconstrição, diminuem a sensação de dor e reduzem inflamação, edemas e metabolismo.
Essas características não mudaram com o tempo, mas suas possibilidades de aplicação se expandem cada vez mais, na forma de uma técnica que ficou conhecida como hipotermia terapêutica.
Atletas também buscam formas menos invasivas de usar o frio como tratamento.
A técnica é bastante usada por aqueles que exigem muito da musculatura. "A ideia é causar um resfriamento da área e vasoconstrição. Também diminui as microlesões e provoca sensação de alívio, pois o gelo dá uma anestesiada na região", diz Daniel Portella, fisiologista do Corinthians.
Ao mergulhar os membros mais exigidos em água com gelo, os vasos sanguíneos se contraem e, no caso de um trauma agudo, esse mecanismo reduz inchaços e inflamações.
O judoca Tiago Camilo, medalhista na Olimpíada de Pequim, também é adepto da técnica. Três vezes por semana, ele faz levantamento de peso para fortalecer a musculatura. Depois, passa cerca de dez minutos em um tonel de gelo, para se recuperar para o próximo treino à noite, de judô.
"Isso me deixa mais disposto. Comecei a fazer um trabalho mais contínuo. Sinto que a musculatura se recupera mais rapidamente e não tenho tanta dor muscular", diz.
Ainda em estudos, pesquisadores de Harvard buscam um novo mecanismo, que chamaram de criolipólise, para facilitar a quebra das células adiposas e eliminar gordura localizada de forma não invasiva. O método foi apresentado no encontro da Academia Americana de Dermatologia.
.
De acordo com um trabalho publicado na revista "Lasers in Surgery and Medicine", a técnica consiste em resfriar a região a até -7ºC de cinco a 15 minutos. O resfriamento causaria uma paniculite (inflamação na gordura subcutânea) e uma posterior perda dessa gordura.
Numa fria
Procedimentos à base de temperaturas baixíssimas aumentam sobrevida, reduzem riscos e tratam pacientes
No cérebro
Durante a cirurgia para AVC, aneurismas e tumores, gelo é colocado no local, para reduzir inchaço e metabolismo e facilitar os procedimentos
Na cabeça
Pacientes que serão submetidos à quimioterapia usam uma touca com gel congelado a -25ºC por 15 minutos antes do início da sessão. A vascoconstrição faz com que os medicamentos da químio atinjam o bulbo capilar com menos intensidade
Nos músculos (principalmente nas pernas)
Atletas ficam submersos em um tonel ou banheira com gelo por até sete minutos, para recupeção dos danos causados pela competição. Com isso, reduzem-se inflamações, e a liberação de toxinas produzidas durante o exercício é acelerada
No tecido adiposo (gordura)
Uma nova técnica desenvolvida em Harvard (a criolipólise) consiste na aplicação de uma placa gelada sobre a pele. Isso gera uma inflamação nas células gordurosas, o que levaria à eliminação do tecido gorduroso
Na pele
Pequenas quantidades de nitrogênio líquido (em temperatura de até -270 ºC) são aplicadas em áreas da pele que sofrem de manchas, tumores, verrugas e outras doenças e "queimam" a região, tratando o problema
Sem comprovação científica, alguns centros de estética e spas da Europa e Japão oferecem câmaras geladas (a até -150 ºC), alegando que passar alguns minutos sob frio congelante reduz rugas, celulite e melhora a aparência da pele
terça-feira, 24 de março de 2009
Mais um artigo para a nossa coleção.
Artigo que saiu por estes dias, na última edição do Fitness & Performance journal (março de 2009).
Variação da freqüência cardíaca durante uma sessão de estimulação cortical e imagética
Mauricio Rocha Calomeni
Marcos Wellington Sales de Almeida
Nilo Terra Arêas Neto
Vernon Furtado da Silva
RESUMO
Introdução: O objetivo deste estudo foi verificar a variação na freqüência cardíaca (FC) de jovens atletas, causada pelo efeito de uma sessão de estimulação audiovisual e imagética de situações de prática esportiva. Materiais e Métodos: A amostra do estudo foi de 10 indivíduos (n=10) do gênero masculino, com idade de 14,0±0,7 anos, praticantes de basquete e pertencentes a um time de Campos dos Goitacazes - RJ - Brasil. Os instrumentos utilizados foram: para mensuração da FC, um relógio modelo Cássio Sport CHR-100 e uma faixa torácica com sensores específicos; e um aparelho eletrônico computadorizado, marca Sirius, o qual em conjunto inclui um óculos escuro, tendo este quatro leds na face interna de cada lente, um fone de ouvido estéreo e um microprocessador programado para atingir estimulação de até 20Hz. A FC foi aferida no primeiro e no último minuto da sessão de estimulação feita, em dois dias consecutivos. Resultados: A FC cardíaca aumentou 10,3%, índice de p=0,0037, com p<0,005. Discussão: A intervenção feita causou adaptações fisiológicas, mesmo na ausência de movimentos físicos e emoções desportivas reais.
E-mail: mauriciocalomeni@gmail.com
Palavras-chave : Córtex Cerebral, Educação Física e Treinamento, Freqüência Cardíaca
Variação da freqüência cardíaca durante uma sessão de estimulação cortical e imagética
Mauricio Rocha Calomeni
Marcos Wellington Sales de Almeida
Nilo Terra Arêas Neto
Vernon Furtado da Silva
RESUMO
Introdução: O objetivo deste estudo foi verificar a variação na freqüência cardíaca (FC) de jovens atletas, causada pelo efeito de uma sessão de estimulação audiovisual e imagética de situações de prática esportiva. Materiais e Métodos: A amostra do estudo foi de 10 indivíduos (n=10) do gênero masculino, com idade de 14,0±0,7 anos, praticantes de basquete e pertencentes a um time de Campos dos Goitacazes - RJ - Brasil. Os instrumentos utilizados foram: para mensuração da FC, um relógio modelo Cássio Sport CHR-100 e uma faixa torácica com sensores específicos; e um aparelho eletrônico computadorizado, marca Sirius, o qual em conjunto inclui um óculos escuro, tendo este quatro leds na face interna de cada lente, um fone de ouvido estéreo e um microprocessador programado para atingir estimulação de até 20Hz. A FC foi aferida no primeiro e no último minuto da sessão de estimulação feita, em dois dias consecutivos. Resultados: A FC cardíaca aumentou 10,3%, índice de p=0,0037, com p<0,005. Discussão: A intervenção feita causou adaptações fisiológicas, mesmo na ausência de movimentos físicos e emoções desportivas reais.
E-mail: mauriciocalomeni@gmail.com
Palavras-chave : Córtex Cerebral, Educação Física e Treinamento, Freqüência Cardíaca
domingo, 22 de março de 2009
Viva Sem Dor.
O blog recebeu este e-mail do leitor Ricardo Berlitz, sobre importante campanha Viva Sem dor.
Vamos ao comunicado:
Prezado Profº. Marcos Almeida,
Como vai?
Acessei seu blog e achei pertinente o envio (anexo) do material sobre o Viva Sem Dor.
Ao longo de 2009, o Centro de Dor e Neuro-oncologia do Hospital 9 de Julho promoverá diversas ações numa campanha educacional para orientar públicos leigo e profissional a respeito da viabilidade e necessidade de atendimento especializado em dor aos portadores de câncer.
Este é o segundo ano consecutivo que o Centro de Dor alinha sua campanha à IASP – International Association for the Study of Pain (USA).
Para mais informações, você pode acessar também o hot-site: http://www.centrodedor.com.br/vivasemdor
Estou à disposição.
Grato,
Ricardo Berlitz
(11) 9645 2067
BARUCO.comunicação estratégica
info@baruco.com.br | www.baruco.com.br/blog | www.baruco.com.br
+55 11 3539-9901 | +55 11 3539-9902
Rua Tutóia, 1.011 - 1º Andar | Paraíso | São Paulo | SP | CEP: 04007-004
Vamos ao comunicado:
Prezado Profº. Marcos Almeida,
Como vai?
Acessei seu blog e achei pertinente o envio (anexo) do material sobre o Viva Sem Dor.
Ao longo de 2009, o Centro de Dor e Neuro-oncologia do Hospital 9 de Julho promoverá diversas ações numa campanha educacional para orientar públicos leigo e profissional a respeito da viabilidade e necessidade de atendimento especializado em dor aos portadores de câncer.
Este é o segundo ano consecutivo que o Centro de Dor alinha sua campanha à IASP – International Association for the Study of Pain (USA).
Para mais informações, você pode acessar também o hot-site: http://www.centrodedor.com.br/vivasemdor
Estou à disposição.
Grato,
Ricardo Berlitz
(11) 9645 2067
BARUCO.comunicação estratégica
info@baruco.com.br | www.baruco.com.br/blog | www.baruco.com.br
+55 11 3539-9901 | +55 11 3539-9902
Rua Tutóia, 1.011 - 1º Andar | Paraíso | São Paulo | SP | CEP: 04007-004
quinta-feira, 19 de março de 2009
O cara me deu moral!!!
Publicada em 19/3/2009 às 8:59
Alessandro, o incansável lateral do Botafogo
Camisa 2 alvinegro revela ao LNET! a fórmula para se tornar o único jogador de linha a atuar em todos minutos do ano
Alessandro é exemplo para os jovens, do alto de seus 31 anos (Crédito: Ricardo Cassiano)
André Casado
RIO DE JANEIRO
Entre em contato Danilo Santos
RIO DE JANEIRO
Entre em contato
Fruto da maturidade adquirida ao longo da carreira, Alessandro é, hoje, o destaque do grupo do Fogão, ao menos em termos físicos. Dos jogadores de linha, o lateral é o único a atingir a marca de 1.170 minutos em campo no ano. Ou seja, todos eles. Tudo por conta da vida regrada e de um segredo com origem em Campos, sua cidade natal.
Há quatro anos, Maguila, apelido dado pelos companheiros, segue à risca as orientações de Marcos Almeida, personal trainer que o conhece desde a época da escola.
– Alessandro foi meu aluno. Ele se tornou um cara muito forte, e precisa disso, até pela posição. Enquanto os outros saem do ritmo nas férias, ele já se prepara para o outro ano – explicou o profissional, de 43 anos.
Para o camisa 2, a cronologia é sagrada e possibilita que não seja preciso preocupar-se com lesões.
– Surpreendi a todos no clube, do preparador físico ao fisiologista. Minhas férias duram dez dias apenas. Depois, pego firme. Só não fui à academia no dia 25 de dezembro porque fechou. Afinal, era Natal – brincou Alessandro, que acopla as recomendações dadas pelo Botafogo às que recebe de seu personal.
Ao melhor estilo egoísta, porém, o lateral ainda não recomendou o trabalho a nenhum companheiro.
– Por enquanto, mas, em breve, quem sabe? Sei que eu preciso manter esse ritmo. Em time que está ganhando não se mexe – lembra.
Erguido ao posto de mais bem condicionado do elenco, junto a Guerreiro, que só deixou o campo contra o Flu, Alessandro ganhou um novo admirador: Alexandre Lopes.
– Isso é profissionalismo. Facilita o nosso trabalho. Mal precisamos nos preocupar, já que ele veio voando. Essa atitude serve de exemplo – disse o preparador físico do clube.
MINUTOS JOGADOS
Alessandro 1.170 minutos
Leandro Guerreiro 1.156 minutos
Maicosuel 1.028 minutos
Juninho 947 minutos
Emerson 867 minutos
Thiaguinho 862 minutos
Léo Silva 850 minutos
Fahel 847 minutos
Victor Simões 712 minutos
Reinaldo 663 minutos
Alessandro, o incansável lateral do Botafogo
Camisa 2 alvinegro revela ao LNET! a fórmula para se tornar o único jogador de linha a atuar em todos minutos do ano
Alessandro é exemplo para os jovens, do alto de seus 31 anos (Crédito: Ricardo Cassiano)
André Casado
RIO DE JANEIRO
Entre em contato Danilo Santos
RIO DE JANEIRO
Entre em contato
Fruto da maturidade adquirida ao longo da carreira, Alessandro é, hoje, o destaque do grupo do Fogão, ao menos em termos físicos. Dos jogadores de linha, o lateral é o único a atingir a marca de 1.170 minutos em campo no ano. Ou seja, todos eles. Tudo por conta da vida regrada e de um segredo com origem em Campos, sua cidade natal.
Há quatro anos, Maguila, apelido dado pelos companheiros, segue à risca as orientações de Marcos Almeida, personal trainer que o conhece desde a época da escola.
– Alessandro foi meu aluno. Ele se tornou um cara muito forte, e precisa disso, até pela posição. Enquanto os outros saem do ritmo nas férias, ele já se prepara para o outro ano – explicou o profissional, de 43 anos.
Para o camisa 2, a cronologia é sagrada e possibilita que não seja preciso preocupar-se com lesões.
– Surpreendi a todos no clube, do preparador físico ao fisiologista. Minhas férias duram dez dias apenas. Depois, pego firme. Só não fui à academia no dia 25 de dezembro porque fechou. Afinal, era Natal – brincou Alessandro, que acopla as recomendações dadas pelo Botafogo às que recebe de seu personal.
Ao melhor estilo egoísta, porém, o lateral ainda não recomendou o trabalho a nenhum companheiro.
– Por enquanto, mas, em breve, quem sabe? Sei que eu preciso manter esse ritmo. Em time que está ganhando não se mexe – lembra.
Erguido ao posto de mais bem condicionado do elenco, junto a Guerreiro, que só deixou o campo contra o Flu, Alessandro ganhou um novo admirador: Alexandre Lopes.
– Isso é profissionalismo. Facilita o nosso trabalho. Mal precisamos nos preocupar, já que ele veio voando. Essa atitude serve de exemplo – disse o preparador físico do clube.
MINUTOS JOGADOS
Alessandro 1.170 minutos
Leandro Guerreiro 1.156 minutos
Maicosuel 1.028 minutos
Juninho 947 minutos
Emerson 867 minutos
Thiaguinho 862 minutos
Léo Silva 850 minutos
Fahel 847 minutos
Victor Simões 712 minutos
Reinaldo 663 minutos
terça-feira, 17 de março de 2009
Capacidade mental começa a diminuir aos 27 anos, diz estudo
Uma pesquisa de cientistas americanos sugere que a capacidade mental de uma pessoa começa a deteriorar aos 27 anos, marcando o início do processo de envelhecimento.
Timothy Salthouse, da Universidade de Virgínia, descobriu que raciocínio, agilidade mental e visualização espacial entram em declínio perto dos 30 anos de idade, depois de chegar ao auge aos 22.
Ele acredita que tratamentos que têm o objetivo de amenizar o processo de envelhecimento deveriam começar mais cedo.
O estudo, publicado na revista "Neurobiology of Aging", foi feito ao longo de sete anos e incluiu 2 mil pessoas saudáveis com idades de 18 e 60 anos. Os participantes tiveram que resolver quebra-cabeças, lembrar-se de palavras e detalhes de histórias, além de identificar padrões em grupos de letras e símbolos.
Os testes são os mesmos já utilizados por médicos para procurar sinais de demência.
Em nove dos 12 testes realizados, a média de idade dos indivíduos que tiveram o melhor desempenho foi de 22 anos. A idade em que se observou uma piora marcante no desempenho dos participantes em testes de agilidade mental, raciocínio e habilidade para resolver quebra-cabeças visuais foi 27.
Funções como a memória ficaram intactas até os 37 anos, em média, e as habilidades baseadas no acúmulo de informações, tais como desempenho em testes de vocabulário e conhecimentos gerais, aumentaram até os 60 anos de idade.
Segundo Salthouse, os resultados sugerem que "alguns aspectos do declínio da função cognitiva em adultos com boa saúde e nível de instrução começam aos 20 e poucos ou 30 e poucos anos".
ÍNDICE DE NOTÍCIASIM
Timothy Salthouse, da Universidade de Virgínia, descobriu que raciocínio, agilidade mental e visualização espacial entram em declínio perto dos 30 anos de idade, depois de chegar ao auge aos 22.
Ele acredita que tratamentos que têm o objetivo de amenizar o processo de envelhecimento deveriam começar mais cedo.
O estudo, publicado na revista "Neurobiology of Aging", foi feito ao longo de sete anos e incluiu 2 mil pessoas saudáveis com idades de 18 e 60 anos. Os participantes tiveram que resolver quebra-cabeças, lembrar-se de palavras e detalhes de histórias, além de identificar padrões em grupos de letras e símbolos.
Os testes são os mesmos já utilizados por médicos para procurar sinais de demência.
Em nove dos 12 testes realizados, a média de idade dos indivíduos que tiveram o melhor desempenho foi de 22 anos. A idade em que se observou uma piora marcante no desempenho dos participantes em testes de agilidade mental, raciocínio e habilidade para resolver quebra-cabeças visuais foi 27.
Funções como a memória ficaram intactas até os 37 anos, em média, e as habilidades baseadas no acúmulo de informações, tais como desempenho em testes de vocabulário e conhecimentos gerais, aumentaram até os 60 anos de idade.
Segundo Salthouse, os resultados sugerem que "alguns aspectos do declínio da função cognitiva em adultos com boa saúde e nível de instrução começam aos 20 e poucos ou 30 e poucos anos".
ÍNDICE DE NOTÍCIASIM
DIABETES E COLESTEROL ACELERAM DECLÍNIO COGNITIVO
Diabetes e altos níveis colesterol, especialmente de LDL, são associados a um declínio cognitivo mais rápido em pacientes com Alzheimer, segundo estudo da Universidade Columbia, publicado no "Archives of Neurology". Os pesquisadores acreditam que doenças cardiovasculares aumentam o estresse oxidativo ou ativam inflamações no cérebro, o que desencadearia a produção de proteínas amilóides ou a formação de emaranhados neurofibrilares, levando à doença.
Dica interessante
CAMINHADA MODERADA TEM CEM PASSOS POR MINUTO
Pesquisadores da Universidade do Estado de San Diego (EUA) observaram que a caminhada é considerada de frequência moderada quando o praticante dá, no mínimo, cem passos por minuto. Isso quer dizer que um programa de caminhada com impacto significativo deve contar com 3.000 passos em 30 minutos, cinco vezes por semana. Para a pesquisa, foram monitorados 39 homens e 58 mulheres que completaram sessões de seis minutos de caminhada em esteiras com diferentes velocidades.
Pesquisadores da Universidade do Estado de San Diego (EUA) observaram que a caminhada é considerada de frequência moderada quando o praticante dá, no mínimo, cem passos por minuto. Isso quer dizer que um programa de caminhada com impacto significativo deve contar com 3.000 passos em 30 minutos, cinco vezes por semana. Para a pesquisa, foram monitorados 39 homens e 58 mulheres que completaram sessões de seis minutos de caminhada em esteiras com diferentes velocidades.
domingo, 15 de março de 2009
Cabeça de homem...
No cérebro de um homem havia um neurônio sozinho.
Um dia, um outro neurônio passa por lá meio apressado.
O neurônio solitário diz:
- Olá! Tudo bem? Como vai? Prazer em vê-lo! Vamos conversar!
O neurônio que passeava pelo cérebro estranha a hospitalidade e responde:
- Olá, companheiro! Posso saber o motivo de tanta felicidade ao me ver?
- Quer saber? Você é o primeiro neurônio que vejo passar por aqui depois
de
décadas... Estou sozinho a tanto tempo nesse maldito cérebro...
- Mas espera aí... Há quanto tempo você está aqui solitário?
- Bem... Desde sempre... Sempre estive aqui...
- Cara, mas você é burro mesmo! Desce pro pinto... Tá todo mundo lá....
Um dia, um outro neurônio passa por lá meio apressado.
O neurônio solitário diz:
- Olá! Tudo bem? Como vai? Prazer em vê-lo! Vamos conversar!
O neurônio que passeava pelo cérebro estranha a hospitalidade e responde:
- Olá, companheiro! Posso saber o motivo de tanta felicidade ao me ver?
- Quer saber? Você é o primeiro neurônio que vejo passar por aqui depois
de
décadas... Estou sozinho a tanto tempo nesse maldito cérebro...
- Mas espera aí... Há quanto tempo você está aqui solitário?
- Bem... Desde sempre... Sempre estive aqui...
- Cara, mas você é burro mesmo! Desce pro pinto... Tá todo mundo lá....
sexta-feira, 13 de março de 2009
CHARLES DARWIN (PARA OS EVOLUCIONISTAS COMO EU)
Nada postei neste blog sobre os 200 anos do grande cientista Charles Darwin.
Sou evolucionista convícto, respeito o criacionismo, mas acho, ou melhor, tenho
certeza, que a Teoria da Evolução, tem um lugar marcado e premiado como uma das grandes descobertas do homem.
Definições como "As influências de Charles Darwin sobre o pensamento científico não se restringem apenas à biologia ou mesmo às ciências sociais. Seu legado também foi inspiração para ferramentas que, até hoje, têm importância no desenvolvimento tecnológico", são fatos que estão no nosso dia-a-dia.
A teoria da evolução, lançada com "A Origem das Espécies", completa 150 anos em 2009. Seu patrono, Charles Darwin (1809-1882), entrou em rota de colisão com a Bíblia e o criacionismo, segundo os quais o mundo teria sido criado em uma semana.
Acreditas mesmo que saímos das costelas de Adão e eva?
A minha dissertação de Mestrado começa com a seguinte fala: "O ser humano sobreviveu a todas as intempéries da vida, graças a sua grande capacidade de adaptação", perceberam? Mais Charles Darwin impossível.
O livro A Origem das espécies, é conhecido como o "o livro que abalou o mundo", "A Origem das Espécies", lançado em 1859, é um marco na história da ciência. As cópias da obra do biólogo e naturalista britânico Charles Robert Darwin se esgotaram logo no primeiro dia de lançamento --e o mesmo aconteceu com as seis impressões seguintes. Um dos cientistas mais revolucionários que já existiu, Darwin lançou para o mundo as bases da Teoria da Evolução pela Seleção Natural, com o conceito do desenvolvimento de todas as formas de vida por meio de um processo lento de seleção, no qual apenas os mais fortes sobrevivem ( deixa-se bem claro, que este mais forte, não é necessariamente o mais robusto, e sim o mais apto para determinadas situações. Posso exemplificar o caso de cobras grandes que não sobreviveram em comparação com menores, as quais se escondiam com mais facilidades dos seus predadores naturais, como o gavião por exemplo). Este livro reúne o relato dessa extensa pesquisa, até hoje considerada uma das mais revolucionárias da história da ciência.
A historia deste naturalista é de fato muito legal, merecedora de atenção e entendimento da nossa evolução natural (lembras do nosso dente ciso? Para que serve nos dias de hoje?). É isso, está dado o recado.
A Origem das Espécies
Charles Darwin
Lançamento em 17/03/2009.
R$ 69,90
Sou evolucionista convícto, respeito o criacionismo, mas acho, ou melhor, tenho
certeza, que a Teoria da Evolução, tem um lugar marcado e premiado como uma das grandes descobertas do homem.
Definições como "As influências de Charles Darwin sobre o pensamento científico não se restringem apenas à biologia ou mesmo às ciências sociais. Seu legado também foi inspiração para ferramentas que, até hoje, têm importância no desenvolvimento tecnológico", são fatos que estão no nosso dia-a-dia.
A teoria da evolução, lançada com "A Origem das Espécies", completa 150 anos em 2009. Seu patrono, Charles Darwin (1809-1882), entrou em rota de colisão com a Bíblia e o criacionismo, segundo os quais o mundo teria sido criado em uma semana.
Acreditas mesmo que saímos das costelas de Adão e eva?
A minha dissertação de Mestrado começa com a seguinte fala: "O ser humano sobreviveu a todas as intempéries da vida, graças a sua grande capacidade de adaptação", perceberam? Mais Charles Darwin impossível.
O livro A Origem das espécies, é conhecido como o "o livro que abalou o mundo", "A Origem das Espécies", lançado em 1859, é um marco na história da ciência. As cópias da obra do biólogo e naturalista britânico Charles Robert Darwin se esgotaram logo no primeiro dia de lançamento --e o mesmo aconteceu com as seis impressões seguintes. Um dos cientistas mais revolucionários que já existiu, Darwin lançou para o mundo as bases da Teoria da Evolução pela Seleção Natural, com o conceito do desenvolvimento de todas as formas de vida por meio de um processo lento de seleção, no qual apenas os mais fortes sobrevivem ( deixa-se bem claro, que este mais forte, não é necessariamente o mais robusto, e sim o mais apto para determinadas situações. Posso exemplificar o caso de cobras grandes que não sobreviveram em comparação com menores, as quais se escondiam com mais facilidades dos seus predadores naturais, como o gavião por exemplo). Este livro reúne o relato dessa extensa pesquisa, até hoje considerada uma das mais revolucionárias da história da ciência.
A historia deste naturalista é de fato muito legal, merecedora de atenção e entendimento da nossa evolução natural (lembras do nosso dente ciso? Para que serve nos dias de hoje?). É isso, está dado o recado.
A Origem das Espécies
Charles Darwin
Lançamento em 17/03/2009.
R$ 69,90
quinta-feira, 12 de março de 2009
Correndo da fome
Estudo mostra que a prática de exercícios intensos não abre o apetite, e sim diminui a fome; sensação de saciedade é mais acentuada e duradoura depois de atividades aeróbicas, como a corrida
Se fôssemos máquinas, a relação seria simples: o combustível leva ao funcionamento, que exige mais combustível. Mas, em nosso corpo, essa equação apresenta certas singularidades, a começar pelo aparente paradoxo: quanto mais exercício, menos fome.
Um estudo britânico divulgado recentemente mostrou que, após a prática de caminhada (atividade física moderada), os atletas sentiam fome normalmente. Mas, se os exercícios fossem de alta intensidade, eles perdiam o apetite. O resultado também variava conforme o tipo de treino. Constatou-se que quem fazia atividades aeróbicas perdia a fome por ainda mais tempo do que quem havia realizado atividades de resistência muscular.
Segundo o estudo, a supressão da fome é mais acentuada na primeira hora após o treino. Mas, comparando quem fez com quem não fez exercícios, observou-se que a diferença entre ambos era significativa por até duas horas. Após esse período, a fome volta a ser igual à de quem não treinou.
O mecanismo pelo qual os exercícios afetam o apetite ainda não foi esclarecido. Uma das hipóteses é que essa resposta esteja ligada ao aquecimento do corpo durante a atividade.
"Sugere-se que o aumento na temperatura corporal leve à supressão de apetite. Isso pode explicar uma supressão da fome mais intensa após a corrida do que após o levantamento de peso, já que a corrida provavelmente aquece mais o corpo", disse David Stensel, líder do estudo e professor da Loughborough University. Para testar a idéia, ele avalia agora o efeito da natação na fome.
O que já se sabe é que os hormônios são peças fundamentais desse quebra-cabeça.
No estudo conduzido por Stensel, a fome dos atletas foi "medida" por questionários e por exames de sangue, que avaliaram a concentração de substâncias como a grelina -hormônio que avisa o cérebro de que está na hora de comer. Quando nos alimentamos, entram em ação outros hormônios, que ativam a sensação de saciedade.
Constatou-se que o treino intenso tanto reduz a concentração de grelina quanto eleva a liberação de PYY -um dos hormônios que levam à saciedade. Resultado: menos fome.
Seria uma ótima notícia para quem enfrenta problemas com a balança -se a própria obesidade não atrapalhasse o processo. Um estudo da Universidade de Michigan com mulheres na pós-menopausa mostrou que a corrida realmente reduzia a fome das participantes magras, mas não tinha o mesmo efeito nas mulheres obesas.
Katarina Borer, que conduziu o trabalho, explica que o problema está na ação da leptina, hormônio que gera a sensação de saciedade. A leptina é liberada pela gordura corporal e, portanto, obesos a produzem em grande quantidade. Esse excesso acaba deixando o organismo "acostumado" com o hormônio -e a mensagem de saciedade fica menos eficaz.
"É uma bola de neve: quanto mais as pessoas engordam, menos sensíveis ficam à leptina, que induz a saciedade. Por isso, mais fome sentem", diz a nutricionista Ioná Zalcman Zimberg, pesquisadora do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Mas isso não deve desestimular obesos a adotarem uma atividade física, ressalta Zimberg, pois a prática rotineira de exercícios tem um impacto que supera a questão hormonal.
"O exercício tem um efeito psicológico fortíssimo. Quem começa a se exercitar regularmente acaba buscando também um estilo de vida mais saudável, o que inclui a busca por alimentos adequados e a preocupação com a qualidade do sono, entre outros aspectos", afirma. "Já quem se exercita só uma vez por semana não tem esse ganho. Na verdade, a pessoa pode sentir que, por ter feito uma atividade física, está liberada para consumir o que quiser sem peso na consciência e acabar engordando."
Walmir Coutinho, diretor da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), acrescenta que atividades físicas intensas, principalmente as aeróbicas, também levam à liberação de neurotransmissores como a noradrenalina, que diminui a fome, e a serotonina, que promove a sensação de bem-estar e faz com que o corpo se sinta saciado mesmo com pouca comida.
Não por acaso, os inibidores de apetite costumam ter como base a ação desses dois neurotransmissores no organismo, explica Coutinho.
Mas ele prefere não generalizar as consequências do exercício para o apetite. "Embora a maioria dos atletas sinta inapetência após o treino, essa é uma questão individual", afirma.
Coutinho cita como exemplo a ação da endorfina -neurotransmissor também liberado durante as atividades físicas intensas e associado à sensação de euforia. "Em algumas pessoas, a endorfina diminui a fome. Em outras, aumenta."
Também é bom prestar atenção para não deixar que a prática de exercícios pare de ser uma fonte de bem-estar e se transforme em mais uma razão de estresse.
Afinal, como explica Coutinho, diretor da Sbem, o estresse libera outro hormônio (neuropeptídeo Y) que, assim como a grelina, aumenta a fome. Mas com uma característica adicional: faz com que a comida ingerida seja transformada em gordura abdominal, a mais danosa para a saúde.
Se fôssemos máquinas, a relação seria simples: o combustível leva ao funcionamento, que exige mais combustível. Mas, em nosso corpo, essa equação apresenta certas singularidades, a começar pelo aparente paradoxo: quanto mais exercício, menos fome.
Um estudo britânico divulgado recentemente mostrou que, após a prática de caminhada (atividade física moderada), os atletas sentiam fome normalmente. Mas, se os exercícios fossem de alta intensidade, eles perdiam o apetite. O resultado também variava conforme o tipo de treino. Constatou-se que quem fazia atividades aeróbicas perdia a fome por ainda mais tempo do que quem havia realizado atividades de resistência muscular.
Segundo o estudo, a supressão da fome é mais acentuada na primeira hora após o treino. Mas, comparando quem fez com quem não fez exercícios, observou-se que a diferença entre ambos era significativa por até duas horas. Após esse período, a fome volta a ser igual à de quem não treinou.
O mecanismo pelo qual os exercícios afetam o apetite ainda não foi esclarecido. Uma das hipóteses é que essa resposta esteja ligada ao aquecimento do corpo durante a atividade.
"Sugere-se que o aumento na temperatura corporal leve à supressão de apetite. Isso pode explicar uma supressão da fome mais intensa após a corrida do que após o levantamento de peso, já que a corrida provavelmente aquece mais o corpo", disse David Stensel, líder do estudo e professor da Loughborough University. Para testar a idéia, ele avalia agora o efeito da natação na fome.
O que já se sabe é que os hormônios são peças fundamentais desse quebra-cabeça.
No estudo conduzido por Stensel, a fome dos atletas foi "medida" por questionários e por exames de sangue, que avaliaram a concentração de substâncias como a grelina -hormônio que avisa o cérebro de que está na hora de comer. Quando nos alimentamos, entram em ação outros hormônios, que ativam a sensação de saciedade.
Constatou-se que o treino intenso tanto reduz a concentração de grelina quanto eleva a liberação de PYY -um dos hormônios que levam à saciedade. Resultado: menos fome.
Seria uma ótima notícia para quem enfrenta problemas com a balança -se a própria obesidade não atrapalhasse o processo. Um estudo da Universidade de Michigan com mulheres na pós-menopausa mostrou que a corrida realmente reduzia a fome das participantes magras, mas não tinha o mesmo efeito nas mulheres obesas.
Katarina Borer, que conduziu o trabalho, explica que o problema está na ação da leptina, hormônio que gera a sensação de saciedade. A leptina é liberada pela gordura corporal e, portanto, obesos a produzem em grande quantidade. Esse excesso acaba deixando o organismo "acostumado" com o hormônio -e a mensagem de saciedade fica menos eficaz.
"É uma bola de neve: quanto mais as pessoas engordam, menos sensíveis ficam à leptina, que induz a saciedade. Por isso, mais fome sentem", diz a nutricionista Ioná Zalcman Zimberg, pesquisadora do Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Mas isso não deve desestimular obesos a adotarem uma atividade física, ressalta Zimberg, pois a prática rotineira de exercícios tem um impacto que supera a questão hormonal.
"O exercício tem um efeito psicológico fortíssimo. Quem começa a se exercitar regularmente acaba buscando também um estilo de vida mais saudável, o que inclui a busca por alimentos adequados e a preocupação com a qualidade do sono, entre outros aspectos", afirma. "Já quem se exercita só uma vez por semana não tem esse ganho. Na verdade, a pessoa pode sentir que, por ter feito uma atividade física, está liberada para consumir o que quiser sem peso na consciência e acabar engordando."
Walmir Coutinho, diretor da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), acrescenta que atividades físicas intensas, principalmente as aeróbicas, também levam à liberação de neurotransmissores como a noradrenalina, que diminui a fome, e a serotonina, que promove a sensação de bem-estar e faz com que o corpo se sinta saciado mesmo com pouca comida.
Não por acaso, os inibidores de apetite costumam ter como base a ação desses dois neurotransmissores no organismo, explica Coutinho.
Mas ele prefere não generalizar as consequências do exercício para o apetite. "Embora a maioria dos atletas sinta inapetência após o treino, essa é uma questão individual", afirma.
Coutinho cita como exemplo a ação da endorfina -neurotransmissor também liberado durante as atividades físicas intensas e associado à sensação de euforia. "Em algumas pessoas, a endorfina diminui a fome. Em outras, aumenta."
Também é bom prestar atenção para não deixar que a prática de exercícios pare de ser uma fonte de bem-estar e se transforme em mais uma razão de estresse.
Afinal, como explica Coutinho, diretor da Sbem, o estresse libera outro hormônio (neuropeptídeo Y) que, assim como a grelina, aumenta a fome. Mas com uma característica adicional: faz com que a comida ingerida seja transformada em gordura abdominal, a mais danosa para a saúde.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Exercício físico previne dor lombar
Revisão de 20 estudos conclui que atividade foi melhor do que reeducação postural e uso de palmilhas
As lombalgias respondem pela segunda maior causa de dor no mundo, perdendo somente para as dores de cabeça, segundo a OMS
A prática de exercícios físicos é a intervenção mais eficaz para prevenir dor na região lombar ou evitar novos episódios, segundo uma revisão científica publicada na edição de fevereiro do periódico "The Spine Journal". Pesquisadores do Departamento de Cirurgia Ortopédica da Universidade de Washington revisaram 20 artigos científicos que analisaram diferentes intervenções contra a dor lombar em pessoas com idade entre 18 e 65 anos.
Os trabalhos avaliaram os resultados do uso de suportes para as costas, de reeducação postural, de programas de redução de carregamento de peso, de políticas de prevenção no trabalho, de uso de palmilhas e de exercícios. O que se mostrou mais eficiente foi a atividade física -sete dos oitos estudos que avaliaram experimentos com exercícios reduziram crises de dor lombar.
Cinco desses sete programas envolveram de 45 a 60 minutos de exercícios supervisionados, duas vezes por semana, por um período de três a 12 meses -os responsáveis pelas pesquisas ainda encorajavam os pacientes a praticarem atividades adicionais sem supervisão.
As lombalgias respondem pela segunda maior causa de dor no mundo -perdendo somente para as dores de cabeça- e, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, devem atingir 80% da população. Entre os fatores desencadeantes estão tumores, cistos, lesões nos nervos, nas vértebras e nos discos e, sobretudo, fatores mecânico-posturais, como má postura, fraqueza nos músculos da região e uso errado do corpo. As dores causadas por esse último fator podem ser prevenidas com exercícios.
"Podemos lançar mão de diversos tipos de tratamento, como calor, manipulações. Porém, o que tem mais comprovações [de resultados] é exercício", diz o ortopedista Roberto Santin, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Mas não se trata de somente se submeter a sessões com especialistas. O tratamento com aparelhos tem ação complementar e ajuda a aliviar a dor do paciente, mas não promove realinhamento postural nem alivia a sobrecarga na região lombar -causa da dor.
Exercícios
Entre as atividades mais recomendadas, estão as técnicas de alongamento, que diminuem o encurtamento das cadeias de músculos das costas e devem ser executadas no mínimo três vezes por semana para trazerem benefícios. Séries que contribuem para fortalecer a musculatura do abdômen também são importantes: quando esses músculos são fracos, o centro de equilíbrio do corpo é desalinhado, causando sobrecarga nas costas e dor.
Exercícios de fortalecimento muscular e alongamento podem ser realizados pela maioria dos pacientes que sofrem de dores lombares por causas mecânico-posturais, explica a fisioterapeuta Raquel Casarotto, professora de ergonomia em fisioterapia preventiva da Faculdade de Fisioterapia da USP (Universidade de São Paulo).
No entanto, o paciente deve respeitar seu limite. "Deve sentir que repuxa suavemente durante o alongamento, para não machucar o músculo", diz Casarotto. Durante crises agudas de dor, a pessoa pode tentar executar as atividades, mas, se sentir dor, deve parar. Para facilitar, pode usar uma bolsa de água quente por 20 minutos antes de começar a série.
Outros fatores
Para o reumatologista José Goldenberg, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e autor do livro "Coluna: Ponto e Vírgula" (ed. Ateneu), além da da atividade física -obrigatória em qualquer tratamento de dor lombar-, perder o peso em excesso, reeducar a postura e se livrar do tabagismo são fatores essenciais para uma terapia bem-sucedida. " Para tratar dor na coluna, há muita invenção: gasta-se fortunas e nada muda. O que ajuda é a motivação do paciente, ele tem de querer participar para melhorar. Deve fazer exercícios o resto da vida", afirma.
Além do encurtamento da musculatura das costas e a flacidez do abdômen, a má-postura também contribui para a dor. Dormir e carregar peso de forma errada e passar longos períodos em uma mesma posição ajudam a sobrecarregar a coluna. Por isso, além das atividades físicas, é preciso reeducar o corpo.
É necessário prestar atenção na postura e procurar mudar hábitos. "Artigos de revisão sistemática mostram que alguns programas de educação postural têm uma redução de dor importante, assim como programas de ergonomia, que incluem adequação de mobiliário e organização do trabalho, como fazer pausas a cada uma hora para mudar de posição", afirma Casarotto, da USP.
As lombalgias respondem pela segunda maior causa de dor no mundo, perdendo somente para as dores de cabeça, segundo a OMS
A prática de exercícios físicos é a intervenção mais eficaz para prevenir dor na região lombar ou evitar novos episódios, segundo uma revisão científica publicada na edição de fevereiro do periódico "The Spine Journal". Pesquisadores do Departamento de Cirurgia Ortopédica da Universidade de Washington revisaram 20 artigos científicos que analisaram diferentes intervenções contra a dor lombar em pessoas com idade entre 18 e 65 anos.
Os trabalhos avaliaram os resultados do uso de suportes para as costas, de reeducação postural, de programas de redução de carregamento de peso, de políticas de prevenção no trabalho, de uso de palmilhas e de exercícios. O que se mostrou mais eficiente foi a atividade física -sete dos oitos estudos que avaliaram experimentos com exercícios reduziram crises de dor lombar.
Cinco desses sete programas envolveram de 45 a 60 minutos de exercícios supervisionados, duas vezes por semana, por um período de três a 12 meses -os responsáveis pelas pesquisas ainda encorajavam os pacientes a praticarem atividades adicionais sem supervisão.
As lombalgias respondem pela segunda maior causa de dor no mundo -perdendo somente para as dores de cabeça- e, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, devem atingir 80% da população. Entre os fatores desencadeantes estão tumores, cistos, lesões nos nervos, nas vértebras e nos discos e, sobretudo, fatores mecânico-posturais, como má postura, fraqueza nos músculos da região e uso errado do corpo. As dores causadas por esse último fator podem ser prevenidas com exercícios.
"Podemos lançar mão de diversos tipos de tratamento, como calor, manipulações. Porém, o que tem mais comprovações [de resultados] é exercício", diz o ortopedista Roberto Santin, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Mas não se trata de somente se submeter a sessões com especialistas. O tratamento com aparelhos tem ação complementar e ajuda a aliviar a dor do paciente, mas não promove realinhamento postural nem alivia a sobrecarga na região lombar -causa da dor.
Exercícios
Entre as atividades mais recomendadas, estão as técnicas de alongamento, que diminuem o encurtamento das cadeias de músculos das costas e devem ser executadas no mínimo três vezes por semana para trazerem benefícios. Séries que contribuem para fortalecer a musculatura do abdômen também são importantes: quando esses músculos são fracos, o centro de equilíbrio do corpo é desalinhado, causando sobrecarga nas costas e dor.
Exercícios de fortalecimento muscular e alongamento podem ser realizados pela maioria dos pacientes que sofrem de dores lombares por causas mecânico-posturais, explica a fisioterapeuta Raquel Casarotto, professora de ergonomia em fisioterapia preventiva da Faculdade de Fisioterapia da USP (Universidade de São Paulo).
No entanto, o paciente deve respeitar seu limite. "Deve sentir que repuxa suavemente durante o alongamento, para não machucar o músculo", diz Casarotto. Durante crises agudas de dor, a pessoa pode tentar executar as atividades, mas, se sentir dor, deve parar. Para facilitar, pode usar uma bolsa de água quente por 20 minutos antes de começar a série.
Outros fatores
Para o reumatologista José Goldenberg, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e autor do livro "Coluna: Ponto e Vírgula" (ed. Ateneu), além da da atividade física -obrigatória em qualquer tratamento de dor lombar-, perder o peso em excesso, reeducar a postura e se livrar do tabagismo são fatores essenciais para uma terapia bem-sucedida. " Para tratar dor na coluna, há muita invenção: gasta-se fortunas e nada muda. O que ajuda é a motivação do paciente, ele tem de querer participar para melhorar. Deve fazer exercícios o resto da vida", afirma.
Além do encurtamento da musculatura das costas e a flacidez do abdômen, a má-postura também contribui para a dor. Dormir e carregar peso de forma errada e passar longos períodos em uma mesma posição ajudam a sobrecarregar a coluna. Por isso, além das atividades físicas, é preciso reeducar o corpo.
É necessário prestar atenção na postura e procurar mudar hábitos. "Artigos de revisão sistemática mostram que alguns programas de educação postural têm uma redução de dor importante, assim como programas de ergonomia, que incluem adequação de mobiliário e organização do trabalho, como fazer pausas a cada uma hora para mudar de posição", afirma Casarotto, da USP.
domingo, 8 de março de 2009
Males da infância
Por Marcelo Leite
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O ser humano carrega marcas químicas indeléveis pela vida
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O biólogo Sidarta Ribeiro, chefe da tropa do Instituto Internacional de Neurociência de Natal (RN), costuma dar uma palestra sobre Freud e a neurobiologia que deixa torcidos os narizes tanto de psicanalistas quanto de biólogos. O ponto alto é uma relação de pesquisas recentes para mostrar que Freud atirava no que via e às vezes acertava no que não podia ver. Faltava-lhe a mira telescópica da biologia molecular.
Ribeiro terá de aumentar a lista para incluir um trabalho revelador de Patrick McGowan. O estudo da universidade canadense McGill, na última edição do periódico científico "Nature Neuroscience", focaliza um mecanismo que ajuda a entender como, de modo concreto e não por meio de vagas "pulsões", experiências da infância conformam a base do comportamento do adulto.
McGowan não trabalhou com genes, que alguns desinformados ainda supõem conter todo o destino de uma pessoa escrito em código cifrado de DNA. Deu preferência para um dispositivo químico (metilação) que silencia genes, ou seja, impede que eles sejam usados pelas células. Fez essa escolha a partir de pesquisas com ratos apontando que era um mecanismo importante para gravar no cérebro efeitos de vivências infantis.
Ninguém sabe se roedores têm complexo de Édipo, mas já se conhece bem o resultado de lambidas frequentes das ratas sobre seus filhotes. Eles se tornam mais resistentes ao estresse, característica que mantêm até a vida adulta. E esta resposta tem a ver com hormônios glicocorticóides, como o cortisol (conhecido como o "hormônio do estresse").
No foco da pesquisa canadense estava a metilação do gene NR3C1, mordaça bioquímica que atrapalha a comunicação desses hormônios. Seguindo a pista dos ratos, a equipe de McGowan levantou a hipótese de que seres humanos maltratados na infância -por abuso sexual, espancamentos etc.- apresentariam o mesmo padrão de silenciamento. Acertaram na mosca do alvo invisível para Freud.
Como não dá para fazer com gente viva os experimentos infligidos a roedores, o grupo da McGill recorreu a cadáveres. Mais exatamente, cadáveres de suicidas, divididos em dois grupos: com e sem história documentada de abusos na infância.
Para controle, examinaram também a metilação do gene NR3C1 no cérebro de pessoas que tivessem morrido de modo repentino. O resultado esperado era que o padrão de silenciamento de glicocorticóides entre suicidas maltratados na infância fosse mais intenso do que entre os outros suicidas ou entre não-suicidas. Não deu outra.
McGowan mostrou que, assim como acontece com ratos, seres humanos carregam para a vida adulta marcas indeléveis do que os entes queridos lhes fazem (ou deixam de fazer).
É óbvio que devem existir muitos outros mecanismos do gênero em ação, como alerta Steven Hyman, da Universidade Harvard, no mesmo número da "Nature Neuroscience". Para entendê-los, "será necessária a profundidade ilustrada pela linha de pesquisa que culminou no trabalho de McGowan et al., mas também uma amplitude muito maior, e então [teremos] os meios para elucidar o número estonteante de interações gene-gene e gene-ambiente que estão por trás de quem somos e do que fazemos".
O inconsciente molecular, por assim dizer -de cuja compreensão não nos encontramos tão mais próximos assim do que estava Freud quando escreveu, em 1895, seu "Projeto para uma Psicologia Científica".
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MARCELO LEITE é autor da coletânea de colunas "Ciência - Use com Cuidado" (Editora da Unicamp, 2008) e do livro de ficção infanto-juvenil "Fogo Verde" (Editora Ática, 2009), sobre biocombustíveis e florestas. Blog: Ciência em Dia ( cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br ). E-mail: cienciaemdia.folha@uol.com.br
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O ser humano carrega marcas químicas indeléveis pela vida
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O biólogo Sidarta Ribeiro, chefe da tropa do Instituto Internacional de Neurociência de Natal (RN), costuma dar uma palestra sobre Freud e a neurobiologia que deixa torcidos os narizes tanto de psicanalistas quanto de biólogos. O ponto alto é uma relação de pesquisas recentes para mostrar que Freud atirava no que via e às vezes acertava no que não podia ver. Faltava-lhe a mira telescópica da biologia molecular.
Ribeiro terá de aumentar a lista para incluir um trabalho revelador de Patrick McGowan. O estudo da universidade canadense McGill, na última edição do periódico científico "Nature Neuroscience", focaliza um mecanismo que ajuda a entender como, de modo concreto e não por meio de vagas "pulsões", experiências da infância conformam a base do comportamento do adulto.
McGowan não trabalhou com genes, que alguns desinformados ainda supõem conter todo o destino de uma pessoa escrito em código cifrado de DNA. Deu preferência para um dispositivo químico (metilação) que silencia genes, ou seja, impede que eles sejam usados pelas células. Fez essa escolha a partir de pesquisas com ratos apontando que era um mecanismo importante para gravar no cérebro efeitos de vivências infantis.
Ninguém sabe se roedores têm complexo de Édipo, mas já se conhece bem o resultado de lambidas frequentes das ratas sobre seus filhotes. Eles se tornam mais resistentes ao estresse, característica que mantêm até a vida adulta. E esta resposta tem a ver com hormônios glicocorticóides, como o cortisol (conhecido como o "hormônio do estresse").
No foco da pesquisa canadense estava a metilação do gene NR3C1, mordaça bioquímica que atrapalha a comunicação desses hormônios. Seguindo a pista dos ratos, a equipe de McGowan levantou a hipótese de que seres humanos maltratados na infância -por abuso sexual, espancamentos etc.- apresentariam o mesmo padrão de silenciamento. Acertaram na mosca do alvo invisível para Freud.
Como não dá para fazer com gente viva os experimentos infligidos a roedores, o grupo da McGill recorreu a cadáveres. Mais exatamente, cadáveres de suicidas, divididos em dois grupos: com e sem história documentada de abusos na infância.
Para controle, examinaram também a metilação do gene NR3C1 no cérebro de pessoas que tivessem morrido de modo repentino. O resultado esperado era que o padrão de silenciamento de glicocorticóides entre suicidas maltratados na infância fosse mais intenso do que entre os outros suicidas ou entre não-suicidas. Não deu outra.
McGowan mostrou que, assim como acontece com ratos, seres humanos carregam para a vida adulta marcas indeléveis do que os entes queridos lhes fazem (ou deixam de fazer).
É óbvio que devem existir muitos outros mecanismos do gênero em ação, como alerta Steven Hyman, da Universidade Harvard, no mesmo número da "Nature Neuroscience". Para entendê-los, "será necessária a profundidade ilustrada pela linha de pesquisa que culminou no trabalho de McGowan et al., mas também uma amplitude muito maior, e então [teremos] os meios para elucidar o número estonteante de interações gene-gene e gene-ambiente que estão por trás de quem somos e do que fazemos".
O inconsciente molecular, por assim dizer -de cuja compreensão não nos encontramos tão mais próximos assim do que estava Freud quando escreveu, em 1895, seu "Projeto para uma Psicologia Científica".
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MARCELO LEITE é autor da coletânea de colunas "Ciência - Use com Cuidado" (Editora da Unicamp, 2008) e do livro de ficção infanto-juvenil "Fogo Verde" (Editora Ática, 2009), sobre biocombustíveis e florestas. Blog: Ciência em Dia ( cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br ). E-mail: cienciaemdia.folha@uol.com.br
domingo, 1 de março de 2009
Astrologia e autossugestão
Suzana Herculano-Houzel
Parece que, poucos dias atrás, os céus nos prepararam uma conjunção especial: a lua em Libra na casa sete, Júpiter e Marte alinhados em Aquário. Nessas condições, tem-se "The dawning of the Age of Aquarius", como anunciava a canção do musical "Hair", na qual "A paz guiará os planetas, e o amor dirigirá as estrelas".
Não sei, não. Com o risco de incorrer na ira dos astrólogos, vou dizer com todas as letras: todos os estudos controlados de que tenho notícia, até os mais simples feitos em sala de aula e em cursos de estatística, refutam qualquer influência direta dos astros celestiais sobre nossa índole, personalidade ou destino. Sim, aquele mapa astral feito especialmente para a data e hora do seu nascimento "descrevia você perfeitamente" até a raiz dos cabelos.
Mas um mapa feito para a sua vizinha também serve para você, assim como um horóscopo bem feito se aplica a qualquer um (ou você acredita que só existam doze tipos de pessoas, e que o mesmo acontecerá a cada dia com 1/12 delas?).
Caímos feito patos em definições da nossa essência, sejam elas feitas por astrólogos, tarólogos ou cartomantes. Basta que elas contenham elogios genéricos o suficiente ("Você é uma pessoa bondosa") e críticas positivas à nossa personalidade ("Você tem dificuldade em dizer não aos amigos") para que até o mais cético dos humanos se identifique. Coisa do cérebro, que adora encontrar padrões em tudo o que vê -e cujas autoavaliações são sempre tingidas de cor-de-rosa.
A astrologia, contudo, pode ter uma influência indireta sobre nossos destinos -assim como a homeopatia, aliás (pronto, arranjei encrenca com duas classes profissionais no mesmo dia).
Ambas nos sugestionam, ou seja, levam o cérebro a crer que é um bom dia para decisões financeiras/um novo amor surgirá em breve/será preciso lutar contra opositores/as crises de alergia vão diminuir. E, assim, saímos de casa para encarar o dia já mais confiantes/amorosos/ belicosos/desestressados, e -espanto!- de fato tomamos boas decisões ou brigamos com tudo e com todos, conforme a profecia do dia.
Por isso, acho que o poder (comprovado, por sinal) da autossugestão deveria ser suficiente para que astrologia, cartomancia e similares fossem regulamentados: nada de previsões negativas ou catastróficas, por favor.
Quanto à Era de Aquário...
Até meu cérebro, descrente, foi sugestionado. Passei o dia todo cantarolando: "When the moon is in the seventh house..."
--------------------------------------------------------------------------------
SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do site "O Cérebro Nosso de Cada Dia" (www.cerebronosso.bio.br)
Parece que, poucos dias atrás, os céus nos prepararam uma conjunção especial: a lua em Libra na casa sete, Júpiter e Marte alinhados em Aquário. Nessas condições, tem-se "The dawning of the Age of Aquarius", como anunciava a canção do musical "Hair", na qual "A paz guiará os planetas, e o amor dirigirá as estrelas".
Não sei, não. Com o risco de incorrer na ira dos astrólogos, vou dizer com todas as letras: todos os estudos controlados de que tenho notícia, até os mais simples feitos em sala de aula e em cursos de estatística, refutam qualquer influência direta dos astros celestiais sobre nossa índole, personalidade ou destino. Sim, aquele mapa astral feito especialmente para a data e hora do seu nascimento "descrevia você perfeitamente" até a raiz dos cabelos.
Mas um mapa feito para a sua vizinha também serve para você, assim como um horóscopo bem feito se aplica a qualquer um (ou você acredita que só existam doze tipos de pessoas, e que o mesmo acontecerá a cada dia com 1/12 delas?).
Caímos feito patos em definições da nossa essência, sejam elas feitas por astrólogos, tarólogos ou cartomantes. Basta que elas contenham elogios genéricos o suficiente ("Você é uma pessoa bondosa") e críticas positivas à nossa personalidade ("Você tem dificuldade em dizer não aos amigos") para que até o mais cético dos humanos se identifique. Coisa do cérebro, que adora encontrar padrões em tudo o que vê -e cujas autoavaliações são sempre tingidas de cor-de-rosa.
A astrologia, contudo, pode ter uma influência indireta sobre nossos destinos -assim como a homeopatia, aliás (pronto, arranjei encrenca com duas classes profissionais no mesmo dia).
Ambas nos sugestionam, ou seja, levam o cérebro a crer que é um bom dia para decisões financeiras/um novo amor surgirá em breve/será preciso lutar contra opositores/as crises de alergia vão diminuir. E, assim, saímos de casa para encarar o dia já mais confiantes/amorosos/ belicosos/desestressados, e -espanto!- de fato tomamos boas decisões ou brigamos com tudo e com todos, conforme a profecia do dia.
Por isso, acho que o poder (comprovado, por sinal) da autossugestão deveria ser suficiente para que astrologia, cartomancia e similares fossem regulamentados: nada de previsões negativas ou catastróficas, por favor.
Quanto à Era de Aquário...
Até meu cérebro, descrente, foi sugestionado. Passei o dia todo cantarolando: "When the moon is in the seventh house..."
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SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do site "O Cérebro Nosso de Cada Dia" (www.cerebronosso.bio.br)
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
RISCO PARA OBESOS E FUMANTES SE EQUIVALE
Estar acima do peso na adolescência aumenta o risco de morte prematura de forma equivalente ao tabagismo, concluiu estudo do Instituto Karolinska, da Suécia. A pesquisa, publicada pelo "British Journal of Medicine", monitorou desde 1969 a saúde de 45 mil homens. Aqueles com sobrepeso e obesidade tiveram respectivamente riscos de morte prematura 37% e 124% maiores que aqueles com índice de massa corpórea normal. Entre aqueles que fumam mais de dez cigarros por dia, o risco aumentou em 86%.
HÁBITOS SAUDÁVEIS
11 tipos de câncer seriam evitados com dieta e exercício
Manter um estilo de vida saudável, com alimentação adequada, controle de peso e prática regular de exercícios físicos pode ajudar a prevenir cerca de 30% dos casos de 11 tipos de câncer no Brasil, aponta relatório elaborado pelo Fundo Mundial de Pesquisa sobre Câncer e pelo Instituto Americano para a Pesquisa do Câncer.
A pesquisa também foi realizada nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e na China. Foram avaliados cânceres de boca, laringe e faringe (considerados uma única categoria); esôfago, pulmão, estômago, pâncreas, vesícula biliar, cólon, fígado, mama, endométrio e rim.
De acordo com o oncologista Fábio de Oliveira Ferreira, do Hospital A.C. Camargo, é comprovado que manter o peso ideal, associado à uma dieta saudável e exercícios físicos pode prevenir fatores de risco para o câncer. Ele acrescentou, no entanto, que, no grupo que envolve os cânceres de laringe, faringe, boca e pulmão, é preciso acrescentar o tabagismo como fator de risco.
Manter um estilo de vida saudável, com alimentação adequada, controle de peso e prática regular de exercícios físicos pode ajudar a prevenir cerca de 30% dos casos de 11 tipos de câncer no Brasil, aponta relatório elaborado pelo Fundo Mundial de Pesquisa sobre Câncer e pelo Instituto Americano para a Pesquisa do Câncer.
A pesquisa também foi realizada nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e na China. Foram avaliados cânceres de boca, laringe e faringe (considerados uma única categoria); esôfago, pulmão, estômago, pâncreas, vesícula biliar, cólon, fígado, mama, endométrio e rim.
De acordo com o oncologista Fábio de Oliveira Ferreira, do Hospital A.C. Camargo, é comprovado que manter o peso ideal, associado à uma dieta saudável e exercícios físicos pode prevenir fatores de risco para o câncer. Ele acrescentou, no entanto, que, no grupo que envolve os cânceres de laringe, faringe, boca e pulmão, é preciso acrescentar o tabagismo como fator de risco.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Cores e memórias
A sinestesia, habilidade de misturar os canais dos sentidos, pode ser boa para a cognição, diz cientista
DAVID ROBSON
DA "NEW SCIENTIST"
Todos nós temos a capacidade de passar por experiências de sinestesia ou essa habilidade do cérebro de misturar os sentidos é concedida, no nascimento, a uns poucos? Resutados recentes indicam que a resposta pode ser uma mistura das duas coisas.
A sinestesia parece estar por trás da memória dos chamados savants, pessoas de memória prodigiosa e de grande habilidade com números. A esperança é que uma compreensão melhor das origens desse fenômeno ajude a explicar essas características e, talvez, até mesmo esclarecer se nós todos temos a estranha capacidade de "ouvir cores" e "cheirar sons".
Acredita-se que a sinestesia surja quando conexões extras no cérebro cruzam as regiões responsáveis por diferentes sentidos. Para descobrir se os genes têm um papel importante no surgimento e na manutenção dessas conexões, uma equipe liderada por Julian Asher, da Universidade de Oxford, coletou amostras genéticas de 196 indivíduos de 43 famílias, sendo que 121 delis já tinham exibido sinestesia audiovisual. Nesses casos, eles conseguiam "enxergar" música. O estudo saiu no "American Journal of Human Genetics".
"Quando eu escuto um violino, eu vejo algo parecido com um bom vinho vermelho", diz Asher, que também é sinestésico. "Um violoncelo já lembra mais o mel", completa.
A partir da análise, sua equipe achou quatro regiões cromossômicas cujas variações genéticas pareciam estar relacionadas à sinestesia. Como uma das regiões já era associada ao autismo, pode existir um mecanismo genético comum por trás desse transtorno psiquiátrico e da sinestesia, diz Asher.
Azul da cor do dois
Então, se os genes predispõem algumas pessoas a desenvolver a sinestesia, isso significa que não seria possível induzir a experiência em qualquer pessoa?
Para investigar essa questão, a equipe de Rui Cohen Kadosh, do Imperial College de Londres, hipnotizou quatro voluntários. Por meio de sugestão verbal, os pesquisadores tentaram induzir os participantes do teste a enxergar algarismos como se existissem cores relacionadas a cada um deles -associação batizada como "sinestesia de cor e grafema".
No experimento, os voluntários tiveram então que olhar para uma série de imagens com fundo de cores diversas, nas quais um dígito impresso em preto aparecia no centro. Em aproximadamente 80% dos casos, assim como as pessoas sinestésicas, os voluntários hipnotizados não conseguiam ver os dígitos se a cor no fundo do slide correspondesse à cor que eles haviam associado com um número. Era como se os psicólos tivessem escrito com uma caneta azul sobre papel azul.
No experimento -descrito em estudo na revista "Psychological Science"- outras pessoas que não tinham sido hipnotizadas também foram instruídas a relacionar uma cor com cada número, mas não cometiam a confusão numérica.
"Isso mostra que, mesmo sem uma hiperconectividade no cérebro, você ainda pode ter sinestesias", diz Cohen Kadosh. O cientista afirma que a hipnose pode reativar conexões que tinham sido suprimidas pelo cérebro.
Habilidade adquirida
Julia Simner, da Universidade de Edimburgo (Escócia), tem mais evidências de que a sinestesia não é resultado de conexões neurais fixadas antes do nascimento. Ela estudou 615 crianças com idades entre seis e sete anos, sendo que oito delas revelaram ser sinestetas de cor e grafema. Em um ano, as crianças gradualmente associaram mais letras com cores, mostrando que a habilidade delas na verdade se desenvolveu com o tempo, afirma a cientista em artigo na revista "Brain".
Deveríamos todos então tentar desenvolver a sinestesia para adquirir as habilidades dos savants? "A sinestesia está fortemente ligada à capacidades de memória aprimorada, então seria definitivamente uma boa idéia pesquisar", diz Simner.
Já Asher é mais cauteloso, enfatizando que a sinestesia frequentemente distrai quem, por exemplo, está tentando ler ou prestar atenção numa palestra. Ele espera poder desenvolver um teste genético que consiga diagnosticar crianças e alertar os professores das suas dificuldades potenciais.
DAVID ROBSON
DA "NEW SCIENTIST"
Todos nós temos a capacidade de passar por experiências de sinestesia ou essa habilidade do cérebro de misturar os sentidos é concedida, no nascimento, a uns poucos? Resutados recentes indicam que a resposta pode ser uma mistura das duas coisas.
A sinestesia parece estar por trás da memória dos chamados savants, pessoas de memória prodigiosa e de grande habilidade com números. A esperança é que uma compreensão melhor das origens desse fenômeno ajude a explicar essas características e, talvez, até mesmo esclarecer se nós todos temos a estranha capacidade de "ouvir cores" e "cheirar sons".
Acredita-se que a sinestesia surja quando conexões extras no cérebro cruzam as regiões responsáveis por diferentes sentidos. Para descobrir se os genes têm um papel importante no surgimento e na manutenção dessas conexões, uma equipe liderada por Julian Asher, da Universidade de Oxford, coletou amostras genéticas de 196 indivíduos de 43 famílias, sendo que 121 delis já tinham exibido sinestesia audiovisual. Nesses casos, eles conseguiam "enxergar" música. O estudo saiu no "American Journal of Human Genetics".
"Quando eu escuto um violino, eu vejo algo parecido com um bom vinho vermelho", diz Asher, que também é sinestésico. "Um violoncelo já lembra mais o mel", completa.
A partir da análise, sua equipe achou quatro regiões cromossômicas cujas variações genéticas pareciam estar relacionadas à sinestesia. Como uma das regiões já era associada ao autismo, pode existir um mecanismo genético comum por trás desse transtorno psiquiátrico e da sinestesia, diz Asher.
Azul da cor do dois
Então, se os genes predispõem algumas pessoas a desenvolver a sinestesia, isso significa que não seria possível induzir a experiência em qualquer pessoa?
Para investigar essa questão, a equipe de Rui Cohen Kadosh, do Imperial College de Londres, hipnotizou quatro voluntários. Por meio de sugestão verbal, os pesquisadores tentaram induzir os participantes do teste a enxergar algarismos como se existissem cores relacionadas a cada um deles -associação batizada como "sinestesia de cor e grafema".
No experimento, os voluntários tiveram então que olhar para uma série de imagens com fundo de cores diversas, nas quais um dígito impresso em preto aparecia no centro. Em aproximadamente 80% dos casos, assim como as pessoas sinestésicas, os voluntários hipnotizados não conseguiam ver os dígitos se a cor no fundo do slide correspondesse à cor que eles haviam associado com um número. Era como se os psicólos tivessem escrito com uma caneta azul sobre papel azul.
No experimento -descrito em estudo na revista "Psychological Science"- outras pessoas que não tinham sido hipnotizadas também foram instruídas a relacionar uma cor com cada número, mas não cometiam a confusão numérica.
"Isso mostra que, mesmo sem uma hiperconectividade no cérebro, você ainda pode ter sinestesias", diz Cohen Kadosh. O cientista afirma que a hipnose pode reativar conexões que tinham sido suprimidas pelo cérebro.
Habilidade adquirida
Julia Simner, da Universidade de Edimburgo (Escócia), tem mais evidências de que a sinestesia não é resultado de conexões neurais fixadas antes do nascimento. Ela estudou 615 crianças com idades entre seis e sete anos, sendo que oito delas revelaram ser sinestetas de cor e grafema. Em um ano, as crianças gradualmente associaram mais letras com cores, mostrando que a habilidade delas na verdade se desenvolveu com o tempo, afirma a cientista em artigo na revista "Brain".
Deveríamos todos então tentar desenvolver a sinestesia para adquirir as habilidades dos savants? "A sinestesia está fortemente ligada à capacidades de memória aprimorada, então seria definitivamente uma boa idéia pesquisar", diz Simner.
Já Asher é mais cauteloso, enfatizando que a sinestesia frequentemente distrai quem, por exemplo, está tentando ler ou prestar atenção numa palestra. Ele espera poder desenvolver um teste genético que consiga diagnosticar crianças e alertar os professores das suas dificuldades potenciais.
Como a cor pode afetar o desempenho- The New York Times
Está tentando melhorar seu desempenho no trabalho ou escrever um romance? Talvez esteja na hora de considerar a cor de suas paredes ou da tela do seu computador. Segundo um novo estudo, a cor vermelha pode fazer as pessoas trabalharem com mais precisão, e a azul pode torná-las mais criativas.
No estudo, publicado em 5 de fevereiro no site da revista "Science", pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica testaram 600 pessoas para determinar se o desempenho cognitivo variava quando as elas viam vermelho ou azul. Os participantes realizaram tarefas com palavras ou imagens expostas em telas de computador com fundo vermelho, azul ou neutro.
Os grupos com vermelho se saíram melhor nos testes de memória e atenção aos detalhes, como lembrar palavras ou verificar a ortografia e a pontuação. Os grupos com azul se saíram melhor em testes que exigiam imaginação, como inventar utilidades criativas para um tijolo ou criar brinquedos com formas.
"Se você quer uma memória melhor para, por exemplo, revisar textos, deve usar a cor vermelha", disse Juliet Zhu, professora-assistente de marketing na escola de economia da Universidade da Colúmbia Britânica.
Mas em "uma sessão de 'brainstorming' para encontrar soluções para temas complexos, você deveria colocar as pessoas em uma sala azul", diz Zhu.
A questão de se a cor pode afetar o desempenho ou as emoções fascina cientistas, publicitários, equipes esportivas e donos de restaurantes.
Em um estudo sobre uniformes olímpicos, antropólogos da Universidade de Durham, no Reino Unido, descobriram que, naOlimpíadas de 2004, atletas equivalentes de boxe, tae-kwondo, luta greco-romana e luta livre que usaram vermelho derrotaram os que usaram azul 60% das vezes. Os pesquisadores sugeriram que, para os atletas, assim como para os animais, o vermelho simboliza inconscientemente a dominação.
Efeitos que talvez sejam igualmente primários foram revelados em um estudo de 2008 conduzido por Andrew Elliot, da Universidade de Rochester. Os homens consideravam as mulheres mostradas em fotos com fundo vermelho ou usando blusas vermelhas mais atraentes que as mulheres com outras cores, embora não necessariamente mais simpáticas ou inteligentes.
Especialistas dizem que as cores podem afetar o desempenho cognitivo por causa do estado de espírito que provocam.
"Quando você sente que está em uma situação problemática, é mais provável que preste atenção aos detalhes -o que o ajuda a processar tarefas, mas interfere com coisas criativas", disse Norbert Schwarz, professor de psicologia na Universidade de Michigan. Em comparação, disse, "as pessoas contentes são mais criativas e menos analíticas".
Muitas pessoas relacionam o vermelho a coisas problemáticas, como emergências ou notas baixas nas provas, dizem os especialistas. Essas "associações com vermelho -pare, incêndio, alarme, advertência - podem ser ativadas sem que a pessoa tenha consciência e influenciam o que elas estão pensando ou fazendo", disse John Bargh, professor de psicologia na Universidade Yale. "O azul parece ter um efeito mais fraco que o vermelho, mas o céu azul e a água azul são calmos e positivos, por isso esse efeito também tem sentido."
Ainda assim, advertiu Schwarz, os efeitos das cores podem ser inconfiáveis ou inconsequentes. "Em alguns contextos o vermelho é algo perigoso e, em outros, é algo bom", disse. "Se você estiver andando sobre um rio congelado, azul significa perigo."
No estudo, publicado em 5 de fevereiro no site da revista "Science", pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica testaram 600 pessoas para determinar se o desempenho cognitivo variava quando as elas viam vermelho ou azul. Os participantes realizaram tarefas com palavras ou imagens expostas em telas de computador com fundo vermelho, azul ou neutro.
Os grupos com vermelho se saíram melhor nos testes de memória e atenção aos detalhes, como lembrar palavras ou verificar a ortografia e a pontuação. Os grupos com azul se saíram melhor em testes que exigiam imaginação, como inventar utilidades criativas para um tijolo ou criar brinquedos com formas.
"Se você quer uma memória melhor para, por exemplo, revisar textos, deve usar a cor vermelha", disse Juliet Zhu, professora-assistente de marketing na escola de economia da Universidade da Colúmbia Britânica.
Mas em "uma sessão de 'brainstorming' para encontrar soluções para temas complexos, você deveria colocar as pessoas em uma sala azul", diz Zhu.
A questão de se a cor pode afetar o desempenho ou as emoções fascina cientistas, publicitários, equipes esportivas e donos de restaurantes.
Em um estudo sobre uniformes olímpicos, antropólogos da Universidade de Durham, no Reino Unido, descobriram que, naOlimpíadas de 2004, atletas equivalentes de boxe, tae-kwondo, luta greco-romana e luta livre que usaram vermelho derrotaram os que usaram azul 60% das vezes. Os pesquisadores sugeriram que, para os atletas, assim como para os animais, o vermelho simboliza inconscientemente a dominação.
Efeitos que talvez sejam igualmente primários foram revelados em um estudo de 2008 conduzido por Andrew Elliot, da Universidade de Rochester. Os homens consideravam as mulheres mostradas em fotos com fundo vermelho ou usando blusas vermelhas mais atraentes que as mulheres com outras cores, embora não necessariamente mais simpáticas ou inteligentes.
Especialistas dizem que as cores podem afetar o desempenho cognitivo por causa do estado de espírito que provocam.
"Quando você sente que está em uma situação problemática, é mais provável que preste atenção aos detalhes -o que o ajuda a processar tarefas, mas interfere com coisas criativas", disse Norbert Schwarz, professor de psicologia na Universidade de Michigan. Em comparação, disse, "as pessoas contentes são mais criativas e menos analíticas".
Muitas pessoas relacionam o vermelho a coisas problemáticas, como emergências ou notas baixas nas provas, dizem os especialistas. Essas "associações com vermelho -pare, incêndio, alarme, advertência - podem ser ativadas sem que a pessoa tenha consciência e influenciam o que elas estão pensando ou fazendo", disse John Bargh, professor de psicologia na Universidade Yale. "O azul parece ter um efeito mais fraco que o vermelho, mas o céu azul e a água azul são calmos e positivos, por isso esse efeito também tem sentido."
Ainda assim, advertiu Schwarz, os efeitos das cores podem ser inconfiáveis ou inconsequentes. "Em alguns contextos o vermelho é algo perigoso e, em outros, é algo bom", disse. "Se você estiver andando sobre um rio congelado, azul significa perigo."
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Resumo do artigo publicado na revista ciêntifica Fitness e Performance tendo como co autores os amigos Nilo e Maurício
Efeitos da imagética associado à música na melhora do arremesso de lance livre no basquetebol: comparativo entre dois grupos etários
Marcos Wellington Sales de Almeida
Mauricio Rocha Calomeni
Nilo Terra Arêas Neto
Karla Virgínia Bezerra de Castro
Vernon Furtado da Silva
Resumo
Introdução: O objetivo deste estudo foi verificar a eficácia do treinamento da imagética associado à música, em grupos de faixa etária diferentes, na melhora do arremesso de lance livre em basquetebol. Materiais e Métodos: A amostra do estudo foi de 12 indivíduos (n=12) do gênero masculino, divididos em dois grupos de seis indivíduos, sendo um grupo com idade entre 13 e 15 anos e outro entre 18 e 31 anos, praticantes de basquete competitivo e pertencentes a dois times na cidade de Campos dos Goitacazes - RJ - Brasil. O instrumento utilizado para o trabalho com a música foi um mp3 player, tendo músicas escolhidas através de questionários. Para avaliar a capacidade imaginativa dos participantes aplicou-se o questionário MIQ_R. Foram realizadas 10 sessões de imagética associada à música em ambos os grupos, durante três semanas. Nenhum dos grupos pesquisados realizou, de forma sistemática, arremessos de lance livre no período do estudo. Resultados: Os resultados mostraram que houve diferença estatística entre os grupos participantes da pesquisa. Discussão: Conclui-se que houve diferença no aproveitamento dos arremessos de lance livre após as intervenções propostas, comprovando assim que, para estes grupos pesquisados, a idade teve interferência na capacidade motriz e imaginativa.
E-mail: mwsa2006@uol.com.br
Palavras-chave: Basquetebol, Música, Aprendizagem
Marcos Wellington Sales de Almeida
Mauricio Rocha Calomeni
Nilo Terra Arêas Neto
Karla Virgínia Bezerra de Castro
Vernon Furtado da Silva
Resumo
Introdução: O objetivo deste estudo foi verificar a eficácia do treinamento da imagética associado à música, em grupos de faixa etária diferentes, na melhora do arremesso de lance livre em basquetebol. Materiais e Métodos: A amostra do estudo foi de 12 indivíduos (n=12) do gênero masculino, divididos em dois grupos de seis indivíduos, sendo um grupo com idade entre 13 e 15 anos e outro entre 18 e 31 anos, praticantes de basquete competitivo e pertencentes a dois times na cidade de Campos dos Goitacazes - RJ - Brasil. O instrumento utilizado para o trabalho com a música foi um mp3 player, tendo músicas escolhidas através de questionários. Para avaliar a capacidade imaginativa dos participantes aplicou-se o questionário MIQ_R. Foram realizadas 10 sessões de imagética associada à música em ambos os grupos, durante três semanas. Nenhum dos grupos pesquisados realizou, de forma sistemática, arremessos de lance livre no período do estudo. Resultados: Os resultados mostraram que houve diferença estatística entre os grupos participantes da pesquisa. Discussão: Conclui-se que houve diferença no aproveitamento dos arremessos de lance livre após as intervenções propostas, comprovando assim que, para estes grupos pesquisados, a idade teve interferência na capacidade motriz e imaginativa.
E-mail: mwsa2006@uol.com.br
Palavras-chave: Basquetebol, Música, Aprendizagem
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Menos 14 bilhões. Nossa, é muita coisa...
Grupo da USP e UFRJ "encolhe" cérebro humano
Um grupo de neurocientistas da UFRJ e da USP que elaborou um método diferente de contagem de células nervosas chegou a uma nova estimativa sobre a quantidade de neurônios no cérebro humano: 86 bilhões. O número é uma redução de 14% em relação à estimativa mais conhecida, de 100 bilhões.
A ala carioca da equipe, que inclui os pesquisadores Roberto Lent e Suzana Herculano-Houzel -colunista da Folha-, também propõe uma revisão de estudos que previam diferenças no número de neurônios em cérebros de homens e mulheres. O grupo, além disso, apresenta novos dados sobre a proporção entre neurônios e células gliais, que dão suporte ao sistema nervoso.
É difícil estimar quantos neurônios têm um cérebro porque ele é muito heterogêneo. Essa dificuldade foi superada por meio do novo método de contagem, criado pelos brasileiros, que consiste em dissolver cérebros em detergente, fazendo um "sopão" homogêneo de núcleos de células cerebrais.
Os quatro cérebros dissolvidos no trabalho eram masculinos. Quando o método for aplicado em mulheres, os pesquisadores pretendem ter novos dados sobre as diferenças entre os cérebros dos dois sexos.
Acreditava-se também que existissem dez células gliais realizando funções de suporte e nutrição para cada neurônio. Os cientistas encontraram uma proporção de um pra um. Os resultados, segundo Lent, aproximam os humanos dos primatas. Somos, diz ele, apenas um "macaco com cérebro grande".
Entender agora como neurônios e células gliais se relacionam pode ajudar a elucidar disfunções como a epilepsia. Atualmente essa é "uma das áreas mais quentes" da neurologia, afirma Herculano-Houzel.
Um grupo de neurocientistas da UFRJ e da USP que elaborou um método diferente de contagem de células nervosas chegou a uma nova estimativa sobre a quantidade de neurônios no cérebro humano: 86 bilhões. O número é uma redução de 14% em relação à estimativa mais conhecida, de 100 bilhões.
A ala carioca da equipe, que inclui os pesquisadores Roberto Lent e Suzana Herculano-Houzel -colunista da Folha-, também propõe uma revisão de estudos que previam diferenças no número de neurônios em cérebros de homens e mulheres. O grupo, além disso, apresenta novos dados sobre a proporção entre neurônios e células gliais, que dão suporte ao sistema nervoso.
É difícil estimar quantos neurônios têm um cérebro porque ele é muito heterogêneo. Essa dificuldade foi superada por meio do novo método de contagem, criado pelos brasileiros, que consiste em dissolver cérebros em detergente, fazendo um "sopão" homogêneo de núcleos de células cerebrais.
Os quatro cérebros dissolvidos no trabalho eram masculinos. Quando o método for aplicado em mulheres, os pesquisadores pretendem ter novos dados sobre as diferenças entre os cérebros dos dois sexos.
Acreditava-se também que existissem dez células gliais realizando funções de suporte e nutrição para cada neurônio. Os cientistas encontraram uma proporção de um pra um. Os resultados, segundo Lent, aproximam os humanos dos primatas. Somos, diz ele, apenas um "macaco com cérebro grande".
Entender agora como neurônios e células gliais se relacionam pode ajudar a elucidar disfunções como a epilepsia. Atualmente essa é "uma das áreas mais quentes" da neurologia, afirma Herculano-Houzel.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O vinho não é mais bem vindo (logo agora), mas o exercício físico ainda continua recomendado (isto é ciência).
Estudo proíbe dose diária de vinho
Com agência France-Presse
Um estudo do Instituto Nacional Francês do Câncer (Inca) divulgado nesta terça-feira nega que uma dose diária de vinho possa evitar o câncer. Pelo contrário, segundo o presidente do Instituto, Dominique Maraninchi, "as pequenas e repetidas doses são as mais nocivas", porque seus efeitos são invisíveis.
A pesquisa é uma síntese de trabalhos internacionais mais recentes sobre a relação entre o que comemos e bebemos e as possibilidades de vir a ter um câncer. Além da bebida alcoólica, o estudo alerta para o excesso de carne vermelha e frios.
"O consumo de bebidas alcoólicas está associado a um aumento do risco de sofrer câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, colo e reto, mama e fígado", diz o estudo. O risco aumenta 9%, no caso de câncer de colo e reto, se for consumida uma taça ao dia. E esse risco chega inclusive a 168% para os cânceres de boca, faringe e laringe.
Isso se deve, sobretudo, à transformação do etanol em acetaldeído; além disso, o etanol aumenta a permeabilidade da mucosa a elementos cancerígenos como o tabaco. O consumo crônico de álcool produz, também, uma deficiência de ácido fólico, o que favorece o câncer colorretal.
Na França, o consumo de álcool é, atrás do tabaco, a segunda causa evitável de morte por câncer (10,8% dos falecimentos por patologias cancerígenas entre homens e 4,5% entre mulheres).
A pesquisa ainda relaciona o consumo de carne vermelha e frios a maior risco de câncer de colo e reto. Os riscos aparecem em consumo, segundo o estudo, a partir de 500 gramas de carne vermelha por semana.
O sal parece estar relacionado ao câncer de estômago e os alimentos complementares à base de betacaroteno aumentam significativamente o risco de câncer de pulmão nos fumantes.
No entanto, o informe ainda registra que o câncer é uma patologia multifatorial (alimentação, meio ambiente e genética, entre outros) e que não há alimento "milagroso" que proteja contra ela. A única prevenção possível neste sentido é manter alimentação diversificada e equilibrada, associada à prática de atividade física.
Com agência France-Presse
Um estudo do Instituto Nacional Francês do Câncer (Inca) divulgado nesta terça-feira nega que uma dose diária de vinho possa evitar o câncer. Pelo contrário, segundo o presidente do Instituto, Dominique Maraninchi, "as pequenas e repetidas doses são as mais nocivas", porque seus efeitos são invisíveis.
A pesquisa é uma síntese de trabalhos internacionais mais recentes sobre a relação entre o que comemos e bebemos e as possibilidades de vir a ter um câncer. Além da bebida alcoólica, o estudo alerta para o excesso de carne vermelha e frios.
"O consumo de bebidas alcoólicas está associado a um aumento do risco de sofrer câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, colo e reto, mama e fígado", diz o estudo. O risco aumenta 9%, no caso de câncer de colo e reto, se for consumida uma taça ao dia. E esse risco chega inclusive a 168% para os cânceres de boca, faringe e laringe.
Isso se deve, sobretudo, à transformação do etanol em acetaldeído; além disso, o etanol aumenta a permeabilidade da mucosa a elementos cancerígenos como o tabaco. O consumo crônico de álcool produz, também, uma deficiência de ácido fólico, o que favorece o câncer colorretal.
Na França, o consumo de álcool é, atrás do tabaco, a segunda causa evitável de morte por câncer (10,8% dos falecimentos por patologias cancerígenas entre homens e 4,5% entre mulheres).
A pesquisa ainda relaciona o consumo de carne vermelha e frios a maior risco de câncer de colo e reto. Os riscos aparecem em consumo, segundo o estudo, a partir de 500 gramas de carne vermelha por semana.
O sal parece estar relacionado ao câncer de estômago e os alimentos complementares à base de betacaroteno aumentam significativamente o risco de câncer de pulmão nos fumantes.
No entanto, o informe ainda registra que o câncer é uma patologia multifatorial (alimentação, meio ambiente e genética, entre outros) e que não há alimento "milagroso" que proteja contra ela. A única prevenção possível neste sentido é manter alimentação diversificada e equilibrada, associada à prática de atividade física.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Cientistas tentam decifrar o complexo caminho das lágrimas
Segundo teorias da evolução, o choro foi desenvolvido como um mecanismo de proteção
para o ser humano. Aquele ditado "quem não chora não mama", parece que realmente
é verdade, pois, os bebês começaram a chorar para exatamente se proteger, chamar a atenção e se comunicar. Este artigo discorre sobre fenômenos deste ato. Vamos a eles.
Elas são consideradas um alívio, um tônico psicológico e, para muitos, a visão de algo mais profundo: a linguagem gestual do coração, a transpiração emocional vinda do poço de uma humanidade comum.
As lágrimas lubrificam o amor e as canções de amor, os casamentos e os funerais, os rituais públicos e a dor privada, e talvez nenhum estudo científico possa algum dia capturar todos os seus muitos significados.
"Choro quando estou feliz, choro quando estou triste e talvez chore quando estou compartilhando algo que é de grande significado para mim", disse Nancy Reiley, 62, que trabalha em um albergue feminino na Flórida. "E por alguma razão às vezes eu choro quando estou numa situação de falar em público. Não tem nada a ver com me sentir triste ou vulnerável. Não há motivo que eu possa imaginar pelo qual isso aconteça, mas acontece."
Agora, alguns pesquisadores dizem que a sabedoria popular sobre o choro -que o associa a uma saudável catarse- é incompleta e enganadora. Um "bom choro" habitualmente permite que a pessoa recupere parte do equilíbrio mental após uma perda. Mas nem sempre, e não para todos, argumenta um artigo na atual edição da revista "Current Directions in Psychological Science". Depositar tamanha expectativa sobre um ataque de pranto possivelmente predisporá algumas pessoas a uma confusão emocional posterior.
Esse apelo por uma visão mais nuançada do choro deriva em parte de uma crítica a estudos prévios. Ao longo dos anos, os psicólogos confirmaram muitas observações corriqueiras a respeito do choro. Ele é contagioso. As mulheres o liberam mais facilmente que os homens, por razões muito provavelmente bioquímicas e também culturais. E a experiência física reflete a psicológica: a frequência cardíaca e a respiração disparam durante a tempestade e se amenizam quando o céu se abre.
Questionadas sobre episódios de choro, a maioria das pessoas, previsivelmente, insiste que chorar é permitido para absorver um golpe, para se sentir melhor ou mesmo para pensar mais claramente sobre algo ou alguém que se perdeu.
Pelo menos é assim que as pessoas lembram -e aí está o problema, segundo Jonathan Rottenberg, psicólogo da Universidade do Sul da Flórida e coautor do estudo. "Muitos dados apoiando o saber convencional se baseiam na rememoração e se contaminam da crença das pessoas sobre o que o choro deveria fazer", disse.
Em um estudo publicado na edição de dezembro da revista "The Journal of Social and Clinical Psychology", Rottenberg e dois colegas, Lauren Bylsma (Universidade do Sul da Flórida) e Ad Vingerhoets (Universidade de Tilburg, Holanda), pediram a 5.096 pessoas de 35 países que detalhassem as circunstâncias do seu choro mais recente. Cerca de 70% disseram que as reações dos demais à crise foram positivas e reconfortantes. Mas cerca de 16% citaram reações ruins, que obviamente em geral lhes fizeram se sentir piores.
Como a função social mais óbvia do choro é atrair apoio e empatia, o impacto emocional das lágrimas depende parcialmente de quem está ao redor e do que essas pessoas fazem. O estudo descobriu que chorar com uma só outra pessoa presente tem mais chance de produzir um efeito catártico do que fazê-lo diante de um grupo. "Quase todas as emoções são, em algum nível, dirigidas para os outros, então a resposta deles será muito importante", disse o psicólogo James Gross, da Universidade Stanford, na Califórnia.
A experiência de chorar também varia de pessoa para pessoa, e algumas são mais propensas à catarse. Em estudos de laboratório, psicólogos induziam ao choro mostrando aos participantes clipes com cenas de filmes muito tristes. Cerca 40% das mulheres choravam; pouquíssimos homens o faziam. Esse tipo de estudo, embora não passe de uma simulação, sugere que as pessoas com sintomas de depressão e ansiedade não se comovem tanto nem se recuperam tão rápido quanto a maioria. Nas pesquisas, elas se mostram menos propensas a relatar benefícios psicológicos do choro.
Em seu livro "Seeing Through Tears: Crying and Attachment" ("Vendo através das lágrimas: choro e ligação"), a terapeuta e professora Judith Kay Nelson argumenta que a experiência de chorar está arraigada na primeira infância e na relação da pessoa com seu cuidador, em geral mãe ou pai. Filhos de pais atentos, que apaziguavam o choro quando necessário, tendiam quando adultos a encontrarem mais consolo no choro.
"Chorar, para uma criança, é uma forma de chamar o cuidador, manter a proximidade e usar o cuidador para regular o humor ou a agitação negativa", disse Nelson.
Quem cresce inseguro sobre se e quando esse consolo virá pode, quando adulto, ficar preso àquilo que ela chama de choro de protesto -o berro impotente da criança para que alguém conserte o problema ou desfaça a perda.
"Você não pode elaborar a dor se está preso ao choro de protesto, que diz respeito apenas a consertar, consertar a perda", afirmou Nelson. "E na terapia -assim como nas relações íntimas- o choro de protesto é muito difícil de consolar, porque você não consegue fazer nada direito, não consegue desfazer a perda. Por outro lado, o choro triste, que é um apelo por um conforto de alguém que se ama, é um caminho para a proximidade e a cura."
para o ser humano. Aquele ditado "quem não chora não mama", parece que realmente
é verdade, pois, os bebês começaram a chorar para exatamente se proteger, chamar a atenção e se comunicar. Este artigo discorre sobre fenômenos deste ato. Vamos a eles.
Elas são consideradas um alívio, um tônico psicológico e, para muitos, a visão de algo mais profundo: a linguagem gestual do coração, a transpiração emocional vinda do poço de uma humanidade comum.
As lágrimas lubrificam o amor e as canções de amor, os casamentos e os funerais, os rituais públicos e a dor privada, e talvez nenhum estudo científico possa algum dia capturar todos os seus muitos significados.
"Choro quando estou feliz, choro quando estou triste e talvez chore quando estou compartilhando algo que é de grande significado para mim", disse Nancy Reiley, 62, que trabalha em um albergue feminino na Flórida. "E por alguma razão às vezes eu choro quando estou numa situação de falar em público. Não tem nada a ver com me sentir triste ou vulnerável. Não há motivo que eu possa imaginar pelo qual isso aconteça, mas acontece."
Agora, alguns pesquisadores dizem que a sabedoria popular sobre o choro -que o associa a uma saudável catarse- é incompleta e enganadora. Um "bom choro" habitualmente permite que a pessoa recupere parte do equilíbrio mental após uma perda. Mas nem sempre, e não para todos, argumenta um artigo na atual edição da revista "Current Directions in Psychological Science". Depositar tamanha expectativa sobre um ataque de pranto possivelmente predisporá algumas pessoas a uma confusão emocional posterior.
Esse apelo por uma visão mais nuançada do choro deriva em parte de uma crítica a estudos prévios. Ao longo dos anos, os psicólogos confirmaram muitas observações corriqueiras a respeito do choro. Ele é contagioso. As mulheres o liberam mais facilmente que os homens, por razões muito provavelmente bioquímicas e também culturais. E a experiência física reflete a psicológica: a frequência cardíaca e a respiração disparam durante a tempestade e se amenizam quando o céu se abre.
Questionadas sobre episódios de choro, a maioria das pessoas, previsivelmente, insiste que chorar é permitido para absorver um golpe, para se sentir melhor ou mesmo para pensar mais claramente sobre algo ou alguém que se perdeu.
Pelo menos é assim que as pessoas lembram -e aí está o problema, segundo Jonathan Rottenberg, psicólogo da Universidade do Sul da Flórida e coautor do estudo. "Muitos dados apoiando o saber convencional se baseiam na rememoração e se contaminam da crença das pessoas sobre o que o choro deveria fazer", disse.
Em um estudo publicado na edição de dezembro da revista "The Journal of Social and Clinical Psychology", Rottenberg e dois colegas, Lauren Bylsma (Universidade do Sul da Flórida) e Ad Vingerhoets (Universidade de Tilburg, Holanda), pediram a 5.096 pessoas de 35 países que detalhassem as circunstâncias do seu choro mais recente. Cerca de 70% disseram que as reações dos demais à crise foram positivas e reconfortantes. Mas cerca de 16% citaram reações ruins, que obviamente em geral lhes fizeram se sentir piores.
Como a função social mais óbvia do choro é atrair apoio e empatia, o impacto emocional das lágrimas depende parcialmente de quem está ao redor e do que essas pessoas fazem. O estudo descobriu que chorar com uma só outra pessoa presente tem mais chance de produzir um efeito catártico do que fazê-lo diante de um grupo. "Quase todas as emoções são, em algum nível, dirigidas para os outros, então a resposta deles será muito importante", disse o psicólogo James Gross, da Universidade Stanford, na Califórnia.
A experiência de chorar também varia de pessoa para pessoa, e algumas são mais propensas à catarse. Em estudos de laboratório, psicólogos induziam ao choro mostrando aos participantes clipes com cenas de filmes muito tristes. Cerca 40% das mulheres choravam; pouquíssimos homens o faziam. Esse tipo de estudo, embora não passe de uma simulação, sugere que as pessoas com sintomas de depressão e ansiedade não se comovem tanto nem se recuperam tão rápido quanto a maioria. Nas pesquisas, elas se mostram menos propensas a relatar benefícios psicológicos do choro.
Em seu livro "Seeing Through Tears: Crying and Attachment" ("Vendo através das lágrimas: choro e ligação"), a terapeuta e professora Judith Kay Nelson argumenta que a experiência de chorar está arraigada na primeira infância e na relação da pessoa com seu cuidador, em geral mãe ou pai. Filhos de pais atentos, que apaziguavam o choro quando necessário, tendiam quando adultos a encontrarem mais consolo no choro.
"Chorar, para uma criança, é uma forma de chamar o cuidador, manter a proximidade e usar o cuidador para regular o humor ou a agitação negativa", disse Nelson.
Quem cresce inseguro sobre se e quando esse consolo virá pode, quando adulto, ficar preso àquilo que ela chama de choro de protesto -o berro impotente da criança para que alguém conserte o problema ou desfaça a perda.
"Você não pode elaborar a dor se está preso ao choro de protesto, que diz respeito apenas a consertar, consertar a perda", afirmou Nelson. "E na terapia -assim como nas relações íntimas- o choro de protesto é muito difícil de consolar, porque você não consegue fazer nada direito, não consegue desfazer a perda. Por outro lado, o choro triste, que é um apelo por um conforto de alguém que se ama, é um caminho para a proximidade e a cura."
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Resenha
Livros/Crítica/"Uma Senhora Toma Chá"
MARCELO COELHO
COLUNISTA DA FOLHA
Na falta de melhor emprego, um matemático de 29 anos chamado Ronald Aymler Fisher resolveu trabalhar numa fazenda ao norte de Londres, de propriedade de uma grande fábrica de adubos. Nessa fazenda se testava, havia várias décadas, o efeito de diferentes combinações de fertilizantes sobre as colheitas. Fisher foi encarregado de analisar os dados acumulados em quase 90 anos de pesquisa.
Não era possível chegar a resultado nenhum. Muitas variáveis interferiam sobre os resultados de cada ano. Por exemplo, o índice pluviométrico. Ou o tipo e o subtipo da batata testada. A qualidade do terreno. Pior que isso, havia a influência das experimentações de anos anteriores sobre os seguintes. Lembremos que Fisher se deparou com essa maçaroca de dados em 1919, muito antes de alguém sonhar em construir um computador.
Para quem está habituado às incertezas típicas das ciências humanas, a situação enfrentada por Fisher desperta imediata simpatia. Mas, como demonstra com especial vivacidade o livro "Uma Senhora Toma Chá", de David Salsburg, dedicado à história da estatística no século 20, se a separação entre ciências exatas e humanas não é tão grande assim, é mais complicada do que se pensa. O problema de Fisher na sua fazenda de adubos repete-se em todo experimento científico. Como isolar as variáveis relevantes, como testá-las, como saber quando devem ser desprezados os erros de medição?
O livro, simpática introdução ao mundo dos gênios do cálculo das probabilidades, deriva seu nome de um episódio da biografia de Fisher. A tal senhora do título dizia que o gosto do chá fica diferente se alguém põe antes o leite na xícara e depois derrama o chá, ou se alguém põe antes o chá e depois derrama o leite. Ouvindo isso, naquela tarde de verão em Cambridge, Fisher propôs que se testasse a proposição.
Bastaria, pensa o leigo, oferecer diferentes xícaras de chá com leite àquela senhora, convenientemente vendados os seus olhos, e verificar se ela era capaz de acertar a ordem da mistura. Estamos sendo científicos -mas não o suficiente. Quantas xícaras seriam suficientes para asseverar que a senhora tinha razão? Quantos erros podemos admitir em seus palpites? Desse gênero de dificuldades nasceu um clássico da metodologia científica, "The Design of Experiments" (o desenho, ou a arquitetura, dos experimentos), publicado por Fisher em 1935.
Esse é só o começo da história contada por David Salsburg, professor de estatística em Cambridge e na Pensilvânia, que por muito tempo trabalhou como matemático numa indústria farmacêutica. Seu livro está repleto de histórias fascinantes sobre conquistas e paradoxos da matemática e também sobre as falhas de caráter e lógica que acometiam os maiores gênios. Para se ter uma ideia, Fi-sher nunca admitiu que o cigarro fosse cancerígeno.
Anedotas desse tipo conferem (talvez com um tom forçado demais) tempero biográfico a um livro que, embora dirigido ao público mais amplo, é incapaz de ocultar o fato de que tudo é terrivelmente complexo -mesmo para um bom divulgador como Salsburg. O leitor se sente como um surdo lendo um ótimo livro sobre os gênios da música. Tudo é inteligível, admirável, e amplia consideravelmente seu entendimento sobre o mundo; o essencial, todavia, não está ao seu alcance.
MARCELO COELHO
COLUNISTA DA FOLHA
Na falta de melhor emprego, um matemático de 29 anos chamado Ronald Aymler Fisher resolveu trabalhar numa fazenda ao norte de Londres, de propriedade de uma grande fábrica de adubos. Nessa fazenda se testava, havia várias décadas, o efeito de diferentes combinações de fertilizantes sobre as colheitas. Fisher foi encarregado de analisar os dados acumulados em quase 90 anos de pesquisa.
Não era possível chegar a resultado nenhum. Muitas variáveis interferiam sobre os resultados de cada ano. Por exemplo, o índice pluviométrico. Ou o tipo e o subtipo da batata testada. A qualidade do terreno. Pior que isso, havia a influência das experimentações de anos anteriores sobre os seguintes. Lembremos que Fisher se deparou com essa maçaroca de dados em 1919, muito antes de alguém sonhar em construir um computador.
Para quem está habituado às incertezas típicas das ciências humanas, a situação enfrentada por Fisher desperta imediata simpatia. Mas, como demonstra com especial vivacidade o livro "Uma Senhora Toma Chá", de David Salsburg, dedicado à história da estatística no século 20, se a separação entre ciências exatas e humanas não é tão grande assim, é mais complicada do que se pensa. O problema de Fisher na sua fazenda de adubos repete-se em todo experimento científico. Como isolar as variáveis relevantes, como testá-las, como saber quando devem ser desprezados os erros de medição?
O livro, simpática introdução ao mundo dos gênios do cálculo das probabilidades, deriva seu nome de um episódio da biografia de Fisher. A tal senhora do título dizia que o gosto do chá fica diferente se alguém põe antes o leite na xícara e depois derrama o chá, ou se alguém põe antes o chá e depois derrama o leite. Ouvindo isso, naquela tarde de verão em Cambridge, Fisher propôs que se testasse a proposição.
Bastaria, pensa o leigo, oferecer diferentes xícaras de chá com leite àquela senhora, convenientemente vendados os seus olhos, e verificar se ela era capaz de acertar a ordem da mistura. Estamos sendo científicos -mas não o suficiente. Quantas xícaras seriam suficientes para asseverar que a senhora tinha razão? Quantos erros podemos admitir em seus palpites? Desse gênero de dificuldades nasceu um clássico da metodologia científica, "The Design of Experiments" (o desenho, ou a arquitetura, dos experimentos), publicado por Fisher em 1935.
Esse é só o começo da história contada por David Salsburg, professor de estatística em Cambridge e na Pensilvânia, que por muito tempo trabalhou como matemático numa indústria farmacêutica. Seu livro está repleto de histórias fascinantes sobre conquistas e paradoxos da matemática e também sobre as falhas de caráter e lógica que acometiam os maiores gênios. Para se ter uma ideia, Fi-sher nunca admitiu que o cigarro fosse cancerígeno.
Anedotas desse tipo conferem (talvez com um tom forçado demais) tempero biográfico a um livro que, embora dirigido ao público mais amplo, é incapaz de ocultar o fato de que tudo é terrivelmente complexo -mesmo para um bom divulgador como Salsburg. O leitor se sente como um surdo lendo um ótimo livro sobre os gênios da música. Tudo é inteligível, admirável, e amplia consideravelmente seu entendimento sobre o mundo; o essencial, todavia, não está ao seu alcance.
Você faria?
POR DRAUZIO VARELLA
A CIRCUNCISÃO é arma de grande valor no combate à Aids.
As primeiras evidências surgiram nos anos 80, quando alguns médicos observaram que a prevalência da infecção pelo HIV na Ásia e África parecia mais baixa, em regiões nas quais homens eram circuncisados por imposição religiosa.
Vários estudos realizados nos anos seguintes obtiveram resultados contraditórios, até que em 2002, Bertram Auvert, da Universidade de Versalhes, realizou o primeiro trabalho criterioso para comparar a prevalência do HIV entre homens submetidos ou não à circuncisão, em Orange Farm, na África do Sul, comunidade com grande número de casos de Aids.
Depois de 12 meses, o comitê de segurança do estudo decidiu interromper o acompanhamento e oferecer circuncisão para todos os participantes. Os dados eram indiscutíveis: 60% de proteção entre os homens heterossexuais operados.
Desde essa data, mais dois ensaios clínicos foram efetuados: um no Quênia, outro em Uganda. Ambos foram interrompidos por causa dos resultados francamente favoráveis à circuncisão.
Hoje ninguém mais discute: em homens heterossexuais, ela reduz em 50% a 60% os índices de transmissão do HIV. Os epidemiologistas calculam que 3 milhões de vidas poderiam ser salvas, apenas na região abaixo do deserto do Saara, caso esse procedimento cirúrgico fosse colocado à disposição.
Além da proteção contra o HIV, homens circuncisados apresentam menos infecções pelos papilomavírus, pelo treponema da sífilis e pelos vírus do herpes genital.
Os mecanismos por meio dos quais a circuncisão protege são mal conhecidos. Provavelmente, a pele que recobre a glande cria um espaço que funciona como reservatório para o HIV (e outros germes) e assegura contato prolongado do vírus com as mucosas, facilitando seu acesso à corrente sanguínea.
Nos países em que a prevalência do HIV é alta, estaria a circuncisão indicada para todos os homens? Infelizmente, não existe consenso. Primeiro, porque os críticos a consideram um procedimento cirúrgico sujeito a complicações; segundo, por motivos econômicos e políticos.
O primeiro argumento é mais fácil de discutir. De fato, quando a cirurgia é realizada por pessoas despreparadas, em locais inadequados e com más condições de higiene, as complicações ocorrem com maior frequência. Caso contrário, são bem raras. Nos estudos africanos citados, elas variaram entre 1,7% e 3,6%, números não muito distantes dos 0,2% a 2% referentes às complicações das circuncisões realizadas em meninos, nos Estados Unidos.
O segundo argumento é mais problemático. A justificativa econômica se baseia no fato de que, para oferecer circuncisões em larga escala, seria necessário alocar recursos materiais e deslocar profissionais que prestam serviços em outras áreas da saúde (atendimento à infância, cuidados maternos, combate à tuberculose etc.), justamente em países pobres que se ressentem da escassez de ambos.
Além dessas restrições econômicas e logísticas, alguns governantes dos países africanos mais atingidos pela epidemia tendem a receber com desconfiança as sugestões que vêm de seus antigos colonizadores. Ainda mais, quando são propostos procedimentos cirúrgicos.
Alegam que depois da circuncisão os homens poderiam sentir-se mais confiantes e engajar-se em práticas sexuais inseguras, e que não há evidências diretas de que as mulheres seriam protegidas.
Os estudos, no entanto, mostram que o comportamento sexual dos homens circuncisados não difere significativamente dos demais e que eles se tornam mais receptivos aos programas de educação sexual. Quanto à proteção oferecida às mulheres, as evidências indiretas são indiscutíveis: quanto menor o número de homens infectados numa comunidade, mais baixo o risco de transmissão do vírus nas relações heterossexuais.
Qualquer estratégia preventiva para combater a transmissão de uma doença infecciosa deve ser baseada em dados científicos. No caso da epidemia de Aids, infelizmente, a intromissão indevida de grupos que defendem interesses religiosos, econômicos ou políticos retarda e, às vezes, impede a introdução de programas que evitariam muito sofrimento humano.
No caso da circuncisão em países com alta prevalência de AIDS, leitor, se dispuséssemos de uma vacina capaz de proteger 50 a 60% dos homens, deixaríamos de vacinar os meninos antes da puberdade?
A CIRCUNCISÃO é arma de grande valor no combate à Aids.
As primeiras evidências surgiram nos anos 80, quando alguns médicos observaram que a prevalência da infecção pelo HIV na Ásia e África parecia mais baixa, em regiões nas quais homens eram circuncisados por imposição religiosa.
Vários estudos realizados nos anos seguintes obtiveram resultados contraditórios, até que em 2002, Bertram Auvert, da Universidade de Versalhes, realizou o primeiro trabalho criterioso para comparar a prevalência do HIV entre homens submetidos ou não à circuncisão, em Orange Farm, na África do Sul, comunidade com grande número de casos de Aids.
Depois de 12 meses, o comitê de segurança do estudo decidiu interromper o acompanhamento e oferecer circuncisão para todos os participantes. Os dados eram indiscutíveis: 60% de proteção entre os homens heterossexuais operados.
Desde essa data, mais dois ensaios clínicos foram efetuados: um no Quênia, outro em Uganda. Ambos foram interrompidos por causa dos resultados francamente favoráveis à circuncisão.
Hoje ninguém mais discute: em homens heterossexuais, ela reduz em 50% a 60% os índices de transmissão do HIV. Os epidemiologistas calculam que 3 milhões de vidas poderiam ser salvas, apenas na região abaixo do deserto do Saara, caso esse procedimento cirúrgico fosse colocado à disposição.
Além da proteção contra o HIV, homens circuncisados apresentam menos infecções pelos papilomavírus, pelo treponema da sífilis e pelos vírus do herpes genital.
Os mecanismos por meio dos quais a circuncisão protege são mal conhecidos. Provavelmente, a pele que recobre a glande cria um espaço que funciona como reservatório para o HIV (e outros germes) e assegura contato prolongado do vírus com as mucosas, facilitando seu acesso à corrente sanguínea.
Nos países em que a prevalência do HIV é alta, estaria a circuncisão indicada para todos os homens? Infelizmente, não existe consenso. Primeiro, porque os críticos a consideram um procedimento cirúrgico sujeito a complicações; segundo, por motivos econômicos e políticos.
O primeiro argumento é mais fácil de discutir. De fato, quando a cirurgia é realizada por pessoas despreparadas, em locais inadequados e com más condições de higiene, as complicações ocorrem com maior frequência. Caso contrário, são bem raras. Nos estudos africanos citados, elas variaram entre 1,7% e 3,6%, números não muito distantes dos 0,2% a 2% referentes às complicações das circuncisões realizadas em meninos, nos Estados Unidos.
O segundo argumento é mais problemático. A justificativa econômica se baseia no fato de que, para oferecer circuncisões em larga escala, seria necessário alocar recursos materiais e deslocar profissionais que prestam serviços em outras áreas da saúde (atendimento à infância, cuidados maternos, combate à tuberculose etc.), justamente em países pobres que se ressentem da escassez de ambos.
Além dessas restrições econômicas e logísticas, alguns governantes dos países africanos mais atingidos pela epidemia tendem a receber com desconfiança as sugestões que vêm de seus antigos colonizadores. Ainda mais, quando são propostos procedimentos cirúrgicos.
Alegam que depois da circuncisão os homens poderiam sentir-se mais confiantes e engajar-se em práticas sexuais inseguras, e que não há evidências diretas de que as mulheres seriam protegidas.
Os estudos, no entanto, mostram que o comportamento sexual dos homens circuncisados não difere significativamente dos demais e que eles se tornam mais receptivos aos programas de educação sexual. Quanto à proteção oferecida às mulheres, as evidências indiretas são indiscutíveis: quanto menor o número de homens infectados numa comunidade, mais baixo o risco de transmissão do vírus nas relações heterossexuais.
Qualquer estratégia preventiva para combater a transmissão de uma doença infecciosa deve ser baseada em dados científicos. No caso da epidemia de Aids, infelizmente, a intromissão indevida de grupos que defendem interesses religiosos, econômicos ou políticos retarda e, às vezes, impede a introdução de programas que evitariam muito sofrimento humano.
No caso da circuncisão em países com alta prevalência de AIDS, leitor, se dispuséssemos de uma vacina capaz de proteger 50 a 60% dos homens, deixaríamos de vacinar os meninos antes da puberdade?
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Médicos indicam anabolizantes a jovens- Folha de São Paulo- 09-02-2009-
A responsabilidade profissional com a saúde do ser humano, não pode ser esquecida. Estas "figuras", que também incluem Professores de educação Física, tem que ser punidas. Vamos aos fatos:
(Apresentando-se como um paciente que queria ganhar músculos para o verão, repórter da Folha passou por consulta com cinco médicos)
Obter anabolizante é quase tão fácil quanto comprar aspirina. Em São Paulo, a Folha encontrou médicos que se especializaram em "tratar" jovens que sonham em engrossar os músculos da noite para o dia.
Apesar de os anabolizantes serem indicados exclusivamente para tratar problemas de saúde, os médicos os prescrevem para pessoas saudáveis. E além de provocarem danos sérios e irreversíveis, essas drogas chegam a ser receitadas sem nenhum tipo de exame.
Apresentando-se como um paciente que desejava ganhar músculos para o verão, o repórter se consultou com cinco médicos. Três disseram que os anabolizantes seriam o único remédio e não alertaram para os riscos nem deram a receita.
Outro médico prometeu prescrever a droga na consulta seguinte, depois que o repórter buscasse um nutricionista. E o último deu a entender que faria o mesmo, mas impôs que o repórter frequentasse a academia nos sete dias da semana.
A Folha chegou aos cinco médicos por indicação de professores de musculação e de fóruns na internet. Três deles trabalham em clínicas de estética (em Moema, no Paraíso e nos Jardins). Os outros dois atendem em consultórios (em Higienópolis e no Ibirapuera).
Em quase todas as salas de espera, os pacientes são jovens de peito estufado e braços inflados. Eles desembolsam de R$ 150 a R$ 350 pela consulta.
Embora os anabolizantes sejam achados no mercado negro (em academias e na internet), esses jovens preferem o médico porque acreditam que, dessa forma, as drogas deixam de ser perigosas. Pura ilusão.
"Os anabólicos não devem ser usados de forma nenhuma. Nunca. Nem com fins estéticos nem para melhorar o desempenho no esporte", diz Eduardo De Rose, especialista em medicina do esporte e membro da Agência Mundial Antidoping.
Os anabolizantes são derivados da testosterona, hormônio natural ligado ao desenvolvimento das características sexuais masculinas e ao crescimento dos músculos. Foram criados nos anos 1930 para tratar homens que não produzem testosterona suficiente.
Hoje, eles são indicados também para pessoas com doenças neurológicas que afetam os músculos, idosos que precisam de reposição de testosterona e pessoas que sofrem certos tipos de anemia. Não é indicado para pessoas saudáveis.
Para ganhar músculos, jovens usam essas drogas em doses cem vezes superiores às indicadas para tratar problemas de saúde. A lista de efeitos colaterais é extensa. Vai da queda de cabelo ao ataque de coração. De ataques de agressividade ao câncer de fígado.
"Quanto maior a dose, maior o risco. Mas há pessoas que tomam pequenas doses e têm problemas. Essas substâncias são coisas sérias. Não podem ser vendidas sem indicação segura", diz a médica Ruth Clapauch, do departamento de andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
Por isso, anabolizantes só podem ser vendidos com receita médica. E a prescrição fica retida na farmácia. Quem dá ou vende o produto sem a devida receita comete crime de tráfico de drogas.
Outro risco é o vício. Quando a pessoa suspende o uso do anabolizante, os músculos desincham. Como esse "retrocesso" não costuma ser bem aceito, são grandes as chances de que a pessoa volte a usá-lo várias vezes ao longo da vida.
"Isso é muito preocupante", diz Daniel Paulino Venâncio, professor de educação física da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "O padrão de beleza é ditado pela TV, mas nem todos podem atingi-lo."
Para especialistas, a única receita segura para ganhar músculos inclui exercitar-se e alimentar-se corretamente e descansar bem. A ajuda de médicos, nutricionistas e profissionais de educação física também é recomendada.
(Apresentando-se como um paciente que queria ganhar músculos para o verão, repórter da Folha passou por consulta com cinco médicos)
Obter anabolizante é quase tão fácil quanto comprar aspirina. Em São Paulo, a Folha encontrou médicos que se especializaram em "tratar" jovens que sonham em engrossar os músculos da noite para o dia.
Apesar de os anabolizantes serem indicados exclusivamente para tratar problemas de saúde, os médicos os prescrevem para pessoas saudáveis. E além de provocarem danos sérios e irreversíveis, essas drogas chegam a ser receitadas sem nenhum tipo de exame.
Apresentando-se como um paciente que desejava ganhar músculos para o verão, o repórter se consultou com cinco médicos. Três disseram que os anabolizantes seriam o único remédio e não alertaram para os riscos nem deram a receita.
Outro médico prometeu prescrever a droga na consulta seguinte, depois que o repórter buscasse um nutricionista. E o último deu a entender que faria o mesmo, mas impôs que o repórter frequentasse a academia nos sete dias da semana.
A Folha chegou aos cinco médicos por indicação de professores de musculação e de fóruns na internet. Três deles trabalham em clínicas de estética (em Moema, no Paraíso e nos Jardins). Os outros dois atendem em consultórios (em Higienópolis e no Ibirapuera).
Em quase todas as salas de espera, os pacientes são jovens de peito estufado e braços inflados. Eles desembolsam de R$ 150 a R$ 350 pela consulta.
Embora os anabolizantes sejam achados no mercado negro (em academias e na internet), esses jovens preferem o médico porque acreditam que, dessa forma, as drogas deixam de ser perigosas. Pura ilusão.
"Os anabólicos não devem ser usados de forma nenhuma. Nunca. Nem com fins estéticos nem para melhorar o desempenho no esporte", diz Eduardo De Rose, especialista em medicina do esporte e membro da Agência Mundial Antidoping.
Os anabolizantes são derivados da testosterona, hormônio natural ligado ao desenvolvimento das características sexuais masculinas e ao crescimento dos músculos. Foram criados nos anos 1930 para tratar homens que não produzem testosterona suficiente.
Hoje, eles são indicados também para pessoas com doenças neurológicas que afetam os músculos, idosos que precisam de reposição de testosterona e pessoas que sofrem certos tipos de anemia. Não é indicado para pessoas saudáveis.
Para ganhar músculos, jovens usam essas drogas em doses cem vezes superiores às indicadas para tratar problemas de saúde. A lista de efeitos colaterais é extensa. Vai da queda de cabelo ao ataque de coração. De ataques de agressividade ao câncer de fígado.
"Quanto maior a dose, maior o risco. Mas há pessoas que tomam pequenas doses e têm problemas. Essas substâncias são coisas sérias. Não podem ser vendidas sem indicação segura", diz a médica Ruth Clapauch, do departamento de andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
Por isso, anabolizantes só podem ser vendidos com receita médica. E a prescrição fica retida na farmácia. Quem dá ou vende o produto sem a devida receita comete crime de tráfico de drogas.
Outro risco é o vício. Quando a pessoa suspende o uso do anabolizante, os músculos desincham. Como esse "retrocesso" não costuma ser bem aceito, são grandes as chances de que a pessoa volte a usá-lo várias vezes ao longo da vida.
"Isso é muito preocupante", diz Daniel Paulino Venâncio, professor de educação física da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "O padrão de beleza é ditado pela TV, mas nem todos podem atingi-lo."
Para especialistas, a única receita segura para ganhar músculos inclui exercitar-se e alimentar-se corretamente e descansar bem. A ajuda de médicos, nutricionistas e profissionais de educação física também é recomendada.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Tempo livre e atividades na escola são essenciais para aprendizado, diz estudo- Jornal O Globo-
Pesquisadores da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York, relatou que crianças que tiveram pelo menos 15 minutos de recesso durante o horário escolar tiveram um melhor comportamento em sala de aula, em comparação com aqueles que não tiveram pausas. A conclusão foi feita com base num estudo encomendado pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos e publicado no periódico médico "Pediatrics".
Romina M. Barros, pediatra e professora-assistente da Albert Einstein, diz que os dados foram importantes, pois muitas escolas novas estavam sendo construídas sem os espaços livres adequados para estudantes.
- Temos que entender que as crianças precisam de uma pausa - diz Barros.
- Nossos cérebros podem se concentrar e prestar atenção durante 45 a 60 minutos, e com crianças esse tempo é ainda menor. Para que elas consigam adquirir todas as habilidades acadêmicas que queremos que aprendam, elas precisam de uma pausa para sair, liberar energia, brincar e ser sociais - explica.
Os pesquisadores também descobriram que crianças que não têm pausas são na maioria negros provenientes de famílias pobres e estudam em escolas públicas de grandes cidades.
A pesquisa também indicou que o problema crescente da obesidade infantil, especialmente em escolas onde as crianças passam grande parte do dia.
Romina M. Barros, pediatra e professora-assistente da Albert Einstein, diz que os dados foram importantes, pois muitas escolas novas estavam sendo construídas sem os espaços livres adequados para estudantes.
- Temos que entender que as crianças precisam de uma pausa - diz Barros.
- Nossos cérebros podem se concentrar e prestar atenção durante 45 a 60 minutos, e com crianças esse tempo é ainda menor. Para que elas consigam adquirir todas as habilidades acadêmicas que queremos que aprendam, elas precisam de uma pausa para sair, liberar energia, brincar e ser sociais - explica.
Os pesquisadores também descobriram que crianças que não têm pausas são na maioria negros provenientes de famílias pobres e estudam em escolas públicas de grandes cidades.
A pesquisa também indicou que o problema crescente da obesidade infantil, especialmente em escolas onde as crianças passam grande parte do dia.
Meditação ajuda a aliviar a dor, indica estudo
Meditar pode ser uma ferramenta eficaz para quem busca alívio para a dor, indicam pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá. Um novo estudo publicado na edição de fevereiro da revista Psychosomatic Medicine mostra que quem medita costuma ter menos sensibilidade a dores, tanto durante crises quanto no dia-a-dia.
A pesquisa, coordenada pelo fisiologista Joshua Grant, teve como objetivo avaliar se o cérebro de praticantes de meditação respondia de forma diferente a certos estímulos, entre eles o da dor.
"Outros estudos já mostraram que a meditação ajuda a aliviar dores crônicas, mas poucos tinham investigado a ligação entre meditação e todo tipo de dor. Descobrimos que quem medita com regularidade tem uma forma diferente de perceber a dor", escreveu Grant no periódico.
De acordo com o estudo, quem medita com regularidade sente até 18% menos dor no cotidiano. Uma das explicações dos pesquisadores é de que os praticantes de meditação aprendem a ter controle sobre sua respiração.
A respiração, afirma Grant, nos faz perceber as sensações de forma diferente. A respiração lenta, por exemplo, está associada ao relaxamento e, por consequência, menos sensações dolorosas, enquanto uma respiração agitada aumenta a percepção do estresse, da ansiedade e da dor.
- O estudo mostra que a meditação pode ser uma ferramenta para quem sofre de dores, principalmente de dores crônicas. Meditar pode ajudar a reduzir o consumo de analgésicos e, quem sabe, auxiliar no processo de cura - completa o canadense.
A pesquisa, coordenada pelo fisiologista Joshua Grant, teve como objetivo avaliar se o cérebro de praticantes de meditação respondia de forma diferente a certos estímulos, entre eles o da dor.
"Outros estudos já mostraram que a meditação ajuda a aliviar dores crônicas, mas poucos tinham investigado a ligação entre meditação e todo tipo de dor. Descobrimos que quem medita com regularidade tem uma forma diferente de perceber a dor", escreveu Grant no periódico.
De acordo com o estudo, quem medita com regularidade sente até 18% menos dor no cotidiano. Uma das explicações dos pesquisadores é de que os praticantes de meditação aprendem a ter controle sobre sua respiração.
A respiração, afirma Grant, nos faz perceber as sensações de forma diferente. A respiração lenta, por exemplo, está associada ao relaxamento e, por consequência, menos sensações dolorosas, enquanto uma respiração agitada aumenta a percepção do estresse, da ansiedade e da dor.
- O estudo mostra que a meditação pode ser uma ferramenta para quem sofre de dores, principalmente de dores crônicas. Meditar pode ajudar a reduzir o consumo de analgésicos e, quem sabe, auxiliar no processo de cura - completa o canadense.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
TOSTÃO - Coisas básicas, simples e óbvias (o melhor cronista de futebol e porque não da vida)
Os grandes talentos são os que conhecem profundamente o básico, enxergam o óbvio, executam bem as coisas essenciais e tornam simples o que é complexo.
O peso da alma- MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo".
Caro leitor: após o assunto de extrema seriedade que tratamos na semana passada -o novo governo de Obama e as mudanças positivas que esperamos nos EUA e, quem sabe, no Brasil- gostaria de voltar a minha e a sua atenção para assuntos mais imponderáveis.
Eis que, essa semana, quando pesquisava material para o meu novo livro (que deverá sair no ano que vem), deparei-me com uma matéria deliciosa que imagino seja do interesse de todos os leitores: o peso da alma.
Pois é, a alma tem ou não um peso?
Claro está, como não estabelecemos contato com uma alma livre ou, se estabelecemos, a pergunta de cunho científico sempre fica deixada para trás perante às de cunho emocional, não temos ainda uma resposta universalmente aceita.
Devo dizer, para maior esclarecimento, que nem todas as religiões acreditam em alma. As que acreditam dificilmente atribuiriam à alma propriedades materiais, como o peso ou um campo eletromagnético. Por outro lado, visto que nós humanos podemos apenas medir aquilo que é material, ficamos limitados a esse tipo de estratégia mais metodológica. Na pior das hipóteses, se obtivermos resultados negativos, confirmaremos mais uma vez nossa incapacidade de mergulharmos nos mistérios mais profundos da existência de forma racional. Que ingênuos aqueles cientistas que acham que poderia ser diferente!
No dia 11 de Março de 1907, leitores do prestigioso jornal americano "The New York Times", depararam-se com a manchete: "Médico acredita que a alma tem peso". O doutor Duncan MacDougall, de Haverhill (EUA), conjecturou que, se a alma fosse material teria uma massa. Para provar a sua hipótese, equipou seis leitos com balanças de boa precisão e ocupou-os com pacientes que estavam à beira da morte. Seguiu-se um período de observação, durante o qual o doutor esperou pela morte de seus pacientes. Cuidadoso, certificou-se de que a perda de peso medida já antes da morte era devida aos fluidos eliminados pelos pacientes pelo suor ou urina; após a sua evaporação, as balanças acusavam uma pequena perda de peso.
Um deles morreu após três horas e quarenta minutos. Para a surpresa do bom doutor, em alguns segundos, a balança acusou uma perda de 21,3 gramas. Seria esse o peso da alma, 21 gramas? Dos seis testes, dois tiveram que ser eliminados devido a erros nas balanças: num deles, a balança não havia sido calibrada corretamente; o outro morreu tão rápido que o médico não teve tempo de calibrá-la.
Dos outros três, dois indicaram uma perda de peso que continuou durante um bom tempo, e o último indicou uma perda de peso que depois reverteu ao normal. O doutor especulou que a partida da alma depende do temperamento da pessoa: as almas daquelas mais lentas demoram mais para abandonar o corpo.
O doutor repetiu o experimento com quinze desafortunados cachorros, não encontrando qualquer diferença no momento da morte. O resultado não o surpreendeu. Pelo contrário, serviu de apoio à sua conclusão.
Afinal, cachorros não têm almas.
Quatro anos mais tarde, o doutor MacDougall voltou às manchetes do "The New York Times". Desta vez, pretendia fotografar a alma usando o recém-descoberto raio-X. Resultados negativos foram atribuídos à agitação da substância animista no momento da morte. De qualquer forma, o doutor afirmou ter visto "a alma de doze pacientes emitir uma luz semelhante àquela vista no éter interestelar".
Pobre doutor. Provavelmente não sabia que em 1905 um jovem físico alemão de nome Albert Einstein havia demonstrado que o éter não existe.
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Eis que, essa semana, quando pesquisava material para o meu novo livro (que deverá sair no ano que vem), deparei-me com uma matéria deliciosa que imagino seja do interesse de todos os leitores: o peso da alma.
Pois é, a alma tem ou não um peso?
Claro está, como não estabelecemos contato com uma alma livre ou, se estabelecemos, a pergunta de cunho científico sempre fica deixada para trás perante às de cunho emocional, não temos ainda uma resposta universalmente aceita.
Devo dizer, para maior esclarecimento, que nem todas as religiões acreditam em alma. As que acreditam dificilmente atribuiriam à alma propriedades materiais, como o peso ou um campo eletromagnético. Por outro lado, visto que nós humanos podemos apenas medir aquilo que é material, ficamos limitados a esse tipo de estratégia mais metodológica. Na pior das hipóteses, se obtivermos resultados negativos, confirmaremos mais uma vez nossa incapacidade de mergulharmos nos mistérios mais profundos da existência de forma racional. Que ingênuos aqueles cientistas que acham que poderia ser diferente!
No dia 11 de Março de 1907, leitores do prestigioso jornal americano "The New York Times", depararam-se com a manchete: "Médico acredita que a alma tem peso". O doutor Duncan MacDougall, de Haverhill (EUA), conjecturou que, se a alma fosse material teria uma massa. Para provar a sua hipótese, equipou seis leitos com balanças de boa precisão e ocupou-os com pacientes que estavam à beira da morte. Seguiu-se um período de observação, durante o qual o doutor esperou pela morte de seus pacientes. Cuidadoso, certificou-se de que a perda de peso medida já antes da morte era devida aos fluidos eliminados pelos pacientes pelo suor ou urina; após a sua evaporação, as balanças acusavam uma pequena perda de peso.
Um deles morreu após três horas e quarenta minutos. Para a surpresa do bom doutor, em alguns segundos, a balança acusou uma perda de 21,3 gramas. Seria esse o peso da alma, 21 gramas? Dos seis testes, dois tiveram que ser eliminados devido a erros nas balanças: num deles, a balança não havia sido calibrada corretamente; o outro morreu tão rápido que o médico não teve tempo de calibrá-la.
Dos outros três, dois indicaram uma perda de peso que continuou durante um bom tempo, e o último indicou uma perda de peso que depois reverteu ao normal. O doutor especulou que a partida da alma depende do temperamento da pessoa: as almas daquelas mais lentas demoram mais para abandonar o corpo.
O doutor repetiu o experimento com quinze desafortunados cachorros, não encontrando qualquer diferença no momento da morte. O resultado não o surpreendeu. Pelo contrário, serviu de apoio à sua conclusão.
Afinal, cachorros não têm almas.
Quatro anos mais tarde, o doutor MacDougall voltou às manchetes do "The New York Times". Desta vez, pretendia fotografar a alma usando o recém-descoberto raio-X. Resultados negativos foram atribuídos à agitação da substância animista no momento da morte. De qualquer forma, o doutor afirmou ter visto "a alma de doze pacientes emitir uma luz semelhante àquela vista no éter interestelar".
Pobre doutor. Provavelmente não sabia que em 1905 um jovem físico alemão de nome Albert Einstein havia demonstrado que o éter não existe.
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