sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

RISCO PARA OBESOS E FUMANTES SE EQUIVALE

Estar acima do peso na adolescência aumenta o risco de morte prematura de forma equivalente ao tabagismo, concluiu estudo do Instituto Karolinska, da Suécia. A pesquisa, publicada pelo "British Journal of Medicine", monitorou desde 1969 a saúde de 45 mil homens. Aqueles com sobrepeso e obesidade tiveram respectivamente riscos de morte prematura 37% e 124% maiores que aqueles com índice de massa corpórea normal. Entre aqueles que fumam mais de dez cigarros por dia, o risco aumentou em 86%.

HÁBITOS SAUDÁVEIS

11 tipos de câncer seriam evitados com dieta e exercício

Manter um estilo de vida saudável, com alimentação adequada, controle de peso e prática regular de exercícios físicos pode ajudar a prevenir cerca de 30% dos casos de 11 tipos de câncer no Brasil, aponta relatório elaborado pelo Fundo Mundial de Pesquisa sobre Câncer e pelo Instituto Americano para a Pesquisa do Câncer.
A pesquisa também foi realizada nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e na China. Foram avaliados cânceres de boca, laringe e faringe (considerados uma única categoria); esôfago, pulmão, estômago, pâncreas, vesícula biliar, cólon, fígado, mama, endométrio e rim.
De acordo com o oncologista Fábio de Oliveira Ferreira, do Hospital A.C. Camargo, é comprovado que manter o peso ideal, associado à uma dieta saudável e exercícios físicos pode prevenir fatores de risco para o câncer. Ele acrescentou, no entanto, que, no grupo que envolve os cânceres de laringe, faringe, boca e pulmão, é preciso acrescentar o tabagismo como fator de risco.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Cores e memórias

A sinestesia, habilidade de misturar os canais dos sentidos, pode ser boa para a cognição, diz cientista

DAVID ROBSON
DA "NEW SCIENTIST"

Todos nós temos a capacidade de passar por experiências de sinestesia ou essa habilidade do cérebro de misturar os sentidos é concedida, no nascimento, a uns poucos? Resutados recentes indicam que a resposta pode ser uma mistura das duas coisas.
A sinestesia parece estar por trás da memória dos chamados savants, pessoas de memória prodigiosa e de grande habilidade com números. A esperança é que uma compreensão melhor das origens desse fenômeno ajude a explicar essas características e, talvez, até mesmo esclarecer se nós todos temos a estranha capacidade de "ouvir cores" e "cheirar sons".
Acredita-se que a sinestesia surja quando conexões extras no cérebro cruzam as regiões responsáveis por diferentes sentidos. Para descobrir se os genes têm um papel importante no surgimento e na manutenção dessas conexões, uma equipe liderada por Julian Asher, da Universidade de Oxford, coletou amostras genéticas de 196 indivíduos de 43 famílias, sendo que 121 delis já tinham exibido sinestesia audiovisual. Nesses casos, eles conseguiam "enxergar" música. O estudo saiu no "American Journal of Human Genetics".
"Quando eu escuto um violino, eu vejo algo parecido com um bom vinho vermelho", diz Asher, que também é sinestésico. "Um violoncelo já lembra mais o mel", completa.
A partir da análise, sua equipe achou quatro regiões cromossômicas cujas variações genéticas pareciam estar relacionadas à sinestesia. Como uma das regiões já era associada ao autismo, pode existir um mecanismo genético comum por trás desse transtorno psiquiátrico e da sinestesia, diz Asher.

Azul da cor do dois
Então, se os genes predispõem algumas pessoas a desenvolver a sinestesia, isso significa que não seria possível induzir a experiência em qualquer pessoa?
Para investigar essa questão, a equipe de Rui Cohen Kadosh, do Imperial College de Londres, hipnotizou quatro voluntários. Por meio de sugestão verbal, os pesquisadores tentaram induzir os participantes do teste a enxergar algarismos como se existissem cores relacionadas a cada um deles -associação batizada como "sinestesia de cor e grafema".
No experimento, os voluntários tiveram então que olhar para uma série de imagens com fundo de cores diversas, nas quais um dígito impresso em preto aparecia no centro. Em aproximadamente 80% dos casos, assim como as pessoas sinestésicas, os voluntários hipnotizados não conseguiam ver os dígitos se a cor no fundo do slide correspondesse à cor que eles haviam associado com um número. Era como se os psicólos tivessem escrito com uma caneta azul sobre papel azul.
No experimento -descrito em estudo na revista "Psychological Science"- outras pessoas que não tinham sido hipnotizadas também foram instruídas a relacionar uma cor com cada número, mas não cometiam a confusão numérica.
"Isso mostra que, mesmo sem uma hiperconectividade no cérebro, você ainda pode ter sinestesias", diz Cohen Kadosh. O cientista afirma que a hipnose pode reativar conexões que tinham sido suprimidas pelo cérebro.

Habilidade adquirida
Julia Simner, da Universidade de Edimburgo (Escócia), tem mais evidências de que a sinestesia não é resultado de conexões neurais fixadas antes do nascimento. Ela estudou 615 crianças com idades entre seis e sete anos, sendo que oito delas revelaram ser sinestetas de cor e grafema. Em um ano, as crianças gradualmente associaram mais letras com cores, mostrando que a habilidade delas na verdade se desenvolveu com o tempo, afirma a cientista em artigo na revista "Brain".
Deveríamos todos então tentar desenvolver a sinestesia para adquirir as habilidades dos savants? "A sinestesia está fortemente ligada à capacidades de memória aprimorada, então seria definitivamente uma boa idéia pesquisar", diz Simner.
Já Asher é mais cauteloso, enfatizando que a sinestesia frequentemente distrai quem, por exemplo, está tentando ler ou prestar atenção numa palestra. Ele espera poder desenvolver um teste genético que consiga diagnosticar crianças e alertar os professores das suas dificuldades potenciais.

Como a cor pode afetar o desempenho- The New York Times

Está tentando melhorar seu desempenho no trabalho ou escrever um romance? Talvez esteja na hora de considerar a cor de suas paredes ou da tela do seu computador. Segundo um novo estudo, a cor vermelha pode fazer as pessoas trabalharem com mais precisão, e a azul pode torná-las mais criativas.
No estudo, publicado em 5 de fevereiro no site da revista "Science", pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica testaram 600 pessoas para determinar se o desempenho cognitivo variava quando as elas viam vermelho ou azul. Os participantes realizaram tarefas com palavras ou imagens expostas em telas de computador com fundo vermelho, azul ou neutro.
Os grupos com vermelho se saíram melhor nos testes de memória e atenção aos detalhes, como lembrar palavras ou verificar a ortografia e a pontuação. Os grupos com azul se saíram melhor em testes que exigiam imaginação, como inventar utilidades criativas para um tijolo ou criar brinquedos com formas.
"Se você quer uma memória melhor para, por exemplo, revisar textos, deve usar a cor vermelha", disse Juliet Zhu, professora-assistente de marketing na escola de economia da Universidade da Colúmbia Britânica.
Mas em "uma sessão de 'brainstorming' para encontrar soluções para temas complexos, você deveria colocar as pessoas em uma sala azul", diz Zhu.
A questão de se a cor pode afetar o desempenho ou as emoções fascina cientistas, publicitários, equipes esportivas e donos de restaurantes.
Em um estudo sobre uniformes olímpicos, antropólogos da Universidade de Durham, no Reino Unido, descobriram que, naOlimpíadas de 2004, atletas equivalentes de boxe, tae-kwondo, luta greco-romana e luta livre que usaram vermelho derrotaram os que usaram azul 60% das vezes. Os pesquisadores sugeriram que, para os atletas, assim como para os animais, o vermelho simboliza inconscientemente a dominação.
Efeitos que talvez sejam igualmente primários foram revelados em um estudo de 2008 conduzido por Andrew Elliot, da Universidade de Rochester. Os homens consideravam as mulheres mostradas em fotos com fundo vermelho ou usando blusas vermelhas mais atraentes que as mulheres com outras cores, embora não necessariamente mais simpáticas ou inteligentes.
Especialistas dizem que as cores podem afetar o desempenho cognitivo por causa do estado de espírito que provocam.
"Quando você sente que está em uma situação problemática, é mais provável que preste atenção aos detalhes -o que o ajuda a processar tarefas, mas interfere com coisas criativas", disse Norbert Schwarz, professor de psicologia na Universidade de Michigan. Em comparação, disse, "as pessoas contentes são mais criativas e menos analíticas".
Muitas pessoas relacionam o vermelho a coisas problemáticas, como emergências ou notas baixas nas provas, dizem os especialistas. Essas "associações com vermelho -pare, incêndio, alarme, advertência - podem ser ativadas sem que a pessoa tenha consciência e influenciam o que elas estão pensando ou fazendo", disse John Bargh, professor de psicologia na Universidade Yale. "O azul parece ter um efeito mais fraco que o vermelho, mas o céu azul e a água azul são calmos e positivos, por isso esse efeito também tem sentido."
Ainda assim, advertiu Schwarz, os efeitos das cores podem ser inconfiáveis ou inconsequentes. "Em alguns contextos o vermelho é algo perigoso e, em outros, é algo bom", disse. "Se você estiver andando sobre um rio congelado, azul significa perigo."

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Resumo do artigo publicado na revista ciêntifica Fitness e Performance tendo como co autores os amigos Nilo e Maurício

Efeitos da imagética associado à música na melhora do arremesso de lance livre no basquetebol: comparativo entre dois grupos etários



Marcos Wellington Sales de Almeida

Mauricio Rocha Calomeni

Nilo Terra Arêas Neto

Karla Virgínia Bezerra de Castro

Vernon Furtado da Silva



Resumo

Introdução: O objetivo deste estudo foi verificar a eficácia do treinamento da imagética associado à música, em grupos de faixa etária diferentes, na melhora do arremesso de lance livre em basquetebol. Materiais e Métodos: A amostra do estudo foi de 12 indivíduos (n=12) do gênero masculino, divididos em dois grupos de seis indivíduos, sendo um grupo com idade entre 13 e 15 anos e outro entre 18 e 31 anos, praticantes de basquete competitivo e pertencentes a dois times na cidade de Campos dos Goitacazes - RJ - Brasil. O instrumento utilizado para o trabalho com a música foi um mp3 player, tendo músicas escolhidas através de questionários. Para avaliar a capacidade imaginativa dos participantes aplicou-se o questionário MIQ_R. Foram realizadas 10 sessões de imagética associada à música em ambos os grupos, durante três semanas. Nenhum dos grupos pesquisados realizou, de forma sistemática, arremessos de lance livre no período do estudo. Resultados: Os resultados mostraram que houve diferença estatística entre os grupos participantes da pesquisa. Discussão: Conclui-se que houve diferença no aproveitamento dos arremessos de lance livre após as intervenções propostas, comprovando assim que, para estes grupos pesquisados, a idade teve interferência na capacidade motriz e imaginativa.



E-mail: mwsa2006@uol.com.br





Palavras-chave: Basquetebol, Música, Aprendizagem

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Menos 14 bilhões. Nossa, é muita coisa...

Grupo da USP e UFRJ "encolhe" cérebro humano
Um grupo de neurocientistas da UFRJ e da USP que elaborou um método diferente de contagem de células nervosas chegou a uma nova estimativa sobre a quantidade de neurônios no cérebro humano: 86 bilhões. O número é uma redução de 14% em relação à estimativa mais conhecida, de 100 bilhões.
A ala carioca da equipe, que inclui os pesquisadores Roberto Lent e Suzana Herculano-Houzel -colunista da Folha-, também propõe uma revisão de estudos que previam diferenças no número de neurônios em cérebros de homens e mulheres. O grupo, além disso, apresenta novos dados sobre a proporção entre neurônios e células gliais, que dão suporte ao sistema nervoso.
É difícil estimar quantos neurônios têm um cérebro porque ele é muito heterogêneo. Essa dificuldade foi superada por meio do novo método de contagem, criado pelos brasileiros, que consiste em dissolver cérebros em detergente, fazendo um "sopão" homogêneo de núcleos de células cerebrais.
Os quatro cérebros dissolvidos no trabalho eram masculinos. Quando o método for aplicado em mulheres, os pesquisadores pretendem ter novos dados sobre as diferenças entre os cérebros dos dois sexos.
Acreditava-se também que existissem dez células gliais realizando funções de suporte e nutrição para cada neurônio. Os cientistas encontraram uma proporção de um pra um. Os resultados, segundo Lent, aproximam os humanos dos primatas. Somos, diz ele, apenas um "macaco com cérebro grande".
Entender agora como neurônios e células gliais se relacionam pode ajudar a elucidar disfunções como a epilepsia. Atualmente essa é "uma das áreas mais quentes" da neurologia, afirma Herculano-Houzel.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O vinho não é mais bem vindo (logo agora), mas o exercício físico ainda continua recomendado (isto é ciência).

Estudo proíbe dose diária de vinho

Com agência France-Presse

Um estudo do Instituto Nacional Francês do Câncer (Inca) divulgado nesta terça-feira nega que uma dose diária de vinho possa evitar o câncer. Pelo contrário, segundo o presidente do Instituto, Dominique Maraninchi, "as pequenas e repetidas doses são as mais nocivas", porque seus efeitos são invisíveis.

A pesquisa é uma síntese de trabalhos internacionais mais recentes sobre a relação entre o que comemos e bebemos e as possibilidades de vir a ter um câncer. Além da bebida alcoólica, o estudo alerta para o excesso de carne vermelha e frios.

"O consumo de bebidas alcoólicas está associado a um aumento do risco de sofrer câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, colo e reto, mama e fígado", diz o estudo. O risco aumenta 9%, no caso de câncer de colo e reto, se for consumida uma taça ao dia. E esse risco chega inclusive a 168% para os cânceres de boca, faringe e laringe.

Isso se deve, sobretudo, à transformação do etanol em acetaldeído; além disso, o etanol aumenta a permeabilidade da mucosa a elementos cancerígenos como o tabaco. O consumo crônico de álcool produz, também, uma deficiência de ácido fólico, o que favorece o câncer colorretal.

Na França, o consumo de álcool é, atrás do tabaco, a segunda causa evitável de morte por câncer (10,8% dos falecimentos por patologias cancerígenas entre homens e 4,5% entre mulheres).

A pesquisa ainda relaciona o consumo de carne vermelha e frios a maior risco de câncer de colo e reto. Os riscos aparecem em consumo, segundo o estudo, a partir de 500 gramas de carne vermelha por semana.

O sal parece estar relacionado ao câncer de estômago e os alimentos complementares à base de betacaroteno aumentam significativamente o risco de câncer de pulmão nos fumantes.

No entanto, o informe ainda registra que o câncer é uma patologia multifatorial (alimentação, meio ambiente e genética, entre outros) e que não há alimento "milagroso" que proteja contra ela. A única prevenção possível neste sentido é manter alimentação diversificada e equilibrada, associada à prática de atividade física.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Cientistas tentam decifrar o complexo caminho das lágrimas

Segundo teorias da evolução, o choro foi desenvolvido como um mecanismo de proteção
para o ser humano. Aquele ditado "quem não chora não mama", parece que realmente
é verdade, pois, os bebês começaram a chorar para exatamente se proteger, chamar a atenção e se comunicar. Este artigo discorre sobre fenômenos deste ato. Vamos a eles.

Elas são consideradas um alívio, um tônico psicológico e, para muitos, a visão de algo mais profundo: a linguagem gestual do coração, a transpiração emocional vinda do poço de uma humanidade comum.
As lágrimas lubrificam o amor e as canções de amor, os casamentos e os funerais, os rituais públicos e a dor privada, e talvez nenhum estudo científico possa algum dia capturar todos os seus muitos significados.
"Choro quando estou feliz, choro quando estou triste e talvez chore quando estou compartilhando algo que é de grande significado para mim", disse Nancy Reiley, 62, que trabalha em um albergue feminino na Flórida. "E por alguma razão às vezes eu choro quando estou numa situação de falar em público. Não tem nada a ver com me sentir triste ou vulnerável. Não há motivo que eu possa imaginar pelo qual isso aconteça, mas acontece."
Agora, alguns pesquisadores dizem que a sabedoria popular sobre o choro -que o associa a uma saudável catarse- é incompleta e enganadora. Um "bom choro" habitualmente permite que a pessoa recupere parte do equilíbrio mental após uma perda. Mas nem sempre, e não para todos, argumenta um artigo na atual edição da revista "Current Directions in Psychological Science". Depositar tamanha expectativa sobre um ataque de pranto possivelmente predisporá algumas pessoas a uma confusão emocional posterior.
Esse apelo por uma visão mais nuançada do choro deriva em parte de uma crítica a estudos prévios. Ao longo dos anos, os psicólogos confirmaram muitas observações corriqueiras a respeito do choro. Ele é contagioso. As mulheres o liberam mais facilmente que os homens, por razões muito provavelmente bioquímicas e também culturais. E a experiência física reflete a psicológica: a frequência cardíaca e a respiração disparam durante a tempestade e se amenizam quando o céu se abre.
Questionadas sobre episódios de choro, a maioria das pessoas, previsivelmente, insiste que chorar é permitido para absorver um golpe, para se sentir melhor ou mesmo para pensar mais claramente sobre algo ou alguém que se perdeu.
Pelo menos é assim que as pessoas lembram -e aí está o problema, segundo Jonathan Rottenberg, psicólogo da Universidade do Sul da Flórida e coautor do estudo. "Muitos dados apoiando o saber convencional se baseiam na rememoração e se contaminam da crença das pessoas sobre o que o choro deveria fazer", disse.
Em um estudo publicado na edição de dezembro da revista "The Journal of Social and Clinical Psychology", Rottenberg e dois colegas, Lauren Bylsma (Universidade do Sul da Flórida) e Ad Vingerhoets (Universidade de Tilburg, Holanda), pediram a 5.096 pessoas de 35 países que detalhassem as circunstâncias do seu choro mais recente. Cerca de 70% disseram que as reações dos demais à crise foram positivas e reconfortantes. Mas cerca de 16% citaram reações ruins, que obviamente em geral lhes fizeram se sentir piores.
Como a função social mais óbvia do choro é atrair apoio e empatia, o impacto emocional das lágrimas depende parcialmente de quem está ao redor e do que essas pessoas fazem. O estudo descobriu que chorar com uma só outra pessoa presente tem mais chance de produzir um efeito catártico do que fazê-lo diante de um grupo. "Quase todas as emoções são, em algum nível, dirigidas para os outros, então a resposta deles será muito importante", disse o psicólogo James Gross, da Universidade Stanford, na Califórnia.
A experiência de chorar também varia de pessoa para pessoa, e algumas são mais propensas à catarse. Em estudos de laboratório, psicólogos induziam ao choro mostrando aos participantes clipes com cenas de filmes muito tristes. Cerca 40% das mulheres choravam; pouquíssimos homens o faziam. Esse tipo de estudo, embora não passe de uma simulação, sugere que as pessoas com sintomas de depressão e ansiedade não se comovem tanto nem se recuperam tão rápido quanto a maioria. Nas pesquisas, elas se mostram menos propensas a relatar benefícios psicológicos do choro.
Em seu livro "Seeing Through Tears: Crying and Attachment" ("Vendo através das lágrimas: choro e ligação"), a terapeuta e professora Judith Kay Nelson argumenta que a experiência de chorar está arraigada na primeira infância e na relação da pessoa com seu cuidador, em geral mãe ou pai. Filhos de pais atentos, que apaziguavam o choro quando necessário, tendiam quando adultos a encontrarem mais consolo no choro.
"Chorar, para uma criança, é uma forma de chamar o cuidador, manter a proximidade e usar o cuidador para regular o humor ou a agitação negativa", disse Nelson.
Quem cresce inseguro sobre se e quando esse consolo virá pode, quando adulto, ficar preso àquilo que ela chama de choro de protesto -o berro impotente da criança para que alguém conserte o problema ou desfaça a perda.
"Você não pode elaborar a dor se está preso ao choro de protesto, que diz respeito apenas a consertar, consertar a perda", afirmou Nelson. "E na terapia -assim como nas relações íntimas- o choro de protesto é muito difícil de consolar, porque você não consegue fazer nada direito, não consegue desfazer a perda. Por outro lado, o choro triste, que é um apelo por um conforto de alguém que se ama, é um caminho para a proximidade e a cura."

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Resenha

Livros/Crítica/"Uma Senhora Toma Chá"


MARCELO COELHO
COLUNISTA DA FOLHA

Na falta de melhor emprego, um matemático de 29 anos chamado Ronald Aymler Fisher resolveu trabalhar numa fazenda ao norte de Londres, de propriedade de uma grande fábrica de adubos. Nessa fazenda se testava, havia várias décadas, o efeito de diferentes combinações de fertilizantes sobre as colheitas. Fisher foi encarregado de analisar os dados acumulados em quase 90 anos de pesquisa.
Não era possível chegar a resultado nenhum. Muitas variáveis interferiam sobre os resultados de cada ano. Por exemplo, o índice pluviométrico. Ou o tipo e o subtipo da batata testada. A qualidade do terreno. Pior que isso, havia a influência das experimentações de anos anteriores sobre os seguintes. Lembremos que Fisher se deparou com essa maçaroca de dados em 1919, muito antes de alguém sonhar em construir um computador.
Para quem está habituado às incertezas típicas das ciências humanas, a situação enfrentada por Fisher desperta imediata simpatia. Mas, como demonstra com especial vivacidade o livro "Uma Senhora Toma Chá", de David Salsburg, dedicado à história da estatística no século 20, se a separação entre ciências exatas e humanas não é tão grande assim, é mais complicada do que se pensa. O problema de Fisher na sua fazenda de adubos repete-se em todo experimento científico. Como isolar as variáveis relevantes, como testá-las, como saber quando devem ser desprezados os erros de medição?
O livro, simpática introdução ao mundo dos gênios do cálculo das probabilidades, deriva seu nome de um episódio da biografia de Fisher. A tal senhora do título dizia que o gosto do chá fica diferente se alguém põe antes o leite na xícara e depois derrama o chá, ou se alguém põe antes o chá e depois derrama o leite. Ouvindo isso, naquela tarde de verão em Cambridge, Fisher propôs que se testasse a proposição.
Bastaria, pensa o leigo, oferecer diferentes xícaras de chá com leite àquela senhora, convenientemente vendados os seus olhos, e verificar se ela era capaz de acertar a ordem da mistura. Estamos sendo científicos -mas não o suficiente. Quantas xícaras seriam suficientes para asseverar que a senhora tinha razão? Quantos erros podemos admitir em seus palpites? Desse gênero de dificuldades nasceu um clássico da metodologia científica, "The Design of Experiments" (o desenho, ou a arquitetura, dos experimentos), publicado por Fisher em 1935.
Esse é só o começo da história contada por David Salsburg, professor de estatística em Cambridge e na Pensilvânia, que por muito tempo trabalhou como matemático numa indústria farmacêutica. Seu livro está repleto de histórias fascinantes sobre conquistas e paradoxos da matemática e também sobre as falhas de caráter e lógica que acometiam os maiores gênios. Para se ter uma ideia, Fi-sher nunca admitiu que o cigarro fosse cancerígeno.
Anedotas desse tipo conferem (talvez com um tom forçado demais) tempero biográfico a um livro que, embora dirigido ao público mais amplo, é incapaz de ocultar o fato de que tudo é terrivelmente complexo -mesmo para um bom divulgador como Salsburg. O leitor se sente como um surdo lendo um ótimo livro sobre os gênios da música. Tudo é inteligível, admirável, e amplia consideravelmente seu entendimento sobre o mundo; o essencial, todavia, não está ao seu alcance.

Você faria?

POR DRAUZIO VARELLA

A CIRCUNCISÃO é arma de grande valor no combate à Aids.
As primeiras evidências surgiram nos anos 80, quando alguns médicos observaram que a prevalência da infecção pelo HIV na Ásia e África parecia mais baixa, em regiões nas quais homens eram circuncisados por imposição religiosa.
Vários estudos realizados nos anos seguintes obtiveram resultados contraditórios, até que em 2002, Bertram Auvert, da Universidade de Versalhes, realizou o primeiro trabalho criterioso para comparar a prevalência do HIV entre homens submetidos ou não à circuncisão, em Orange Farm, na África do Sul, comunidade com grande número de casos de Aids.
Depois de 12 meses, o comitê de segurança do estudo decidiu interromper o acompanhamento e oferecer circuncisão para todos os participantes. Os dados eram indiscutíveis: 60% de proteção entre os homens heterossexuais operados.
Desde essa data, mais dois ensaios clínicos foram efetuados: um no Quênia, outro em Uganda. Ambos foram interrompidos por causa dos resultados francamente favoráveis à circuncisão.
Hoje ninguém mais discute: em homens heterossexuais, ela reduz em 50% a 60% os índices de transmissão do HIV. Os epidemiologistas calculam que 3 milhões de vidas poderiam ser salvas, apenas na região abaixo do deserto do Saara, caso esse procedimento cirúrgico fosse colocado à disposição.
Além da proteção contra o HIV, homens circuncisados apresentam menos infecções pelos papilomavírus, pelo treponema da sífilis e pelos vírus do herpes genital.
Os mecanismos por meio dos quais a circuncisão protege são mal conhecidos. Provavelmente, a pele que recobre a glande cria um espaço que funciona como reservatório para o HIV (e outros germes) e assegura contato prolongado do vírus com as mucosas, facilitando seu acesso à corrente sanguínea.
Nos países em que a prevalência do HIV é alta, estaria a circuncisão indicada para todos os homens? Infelizmente, não existe consenso. Primeiro, porque os críticos a consideram um procedimento cirúrgico sujeito a complicações; segundo, por motivos econômicos e políticos.
O primeiro argumento é mais fácil de discutir. De fato, quando a cirurgia é realizada por pessoas despreparadas, em locais inadequados e com más condições de higiene, as complicações ocorrem com maior frequência. Caso contrário, são bem raras. Nos estudos africanos citados, elas variaram entre 1,7% e 3,6%, números não muito distantes dos 0,2% a 2% referentes às complicações das circuncisões realizadas em meninos, nos Estados Unidos.
O segundo argumento é mais problemático. A justificativa econômica se baseia no fato de que, para oferecer circuncisões em larga escala, seria necessário alocar recursos materiais e deslocar profissionais que prestam serviços em outras áreas da saúde (atendimento à infância, cuidados maternos, combate à tuberculose etc.), justamente em países pobres que se ressentem da escassez de ambos.
Além dessas restrições econômicas e logísticas, alguns governantes dos países africanos mais atingidos pela epidemia tendem a receber com desconfiança as sugestões que vêm de seus antigos colonizadores. Ainda mais, quando são propostos procedimentos cirúrgicos.
Alegam que depois da circuncisão os homens poderiam sentir-se mais confiantes e engajar-se em práticas sexuais inseguras, e que não há evidências diretas de que as mulheres seriam protegidas.
Os estudos, no entanto, mostram que o comportamento sexual dos homens circuncisados não difere significativamente dos demais e que eles se tornam mais receptivos aos programas de educação sexual. Quanto à proteção oferecida às mulheres, as evidências indiretas são indiscutíveis: quanto menor o número de homens infectados numa comunidade, mais baixo o risco de transmissão do vírus nas relações heterossexuais.
Qualquer estratégia preventiva para combater a transmissão de uma doença infecciosa deve ser baseada em dados científicos. No caso da epidemia de Aids, infelizmente, a intromissão indevida de grupos que defendem interesses religiosos, econômicos ou políticos retarda e, às vezes, impede a introdução de programas que evitariam muito sofrimento humano.
No caso da circuncisão em países com alta prevalência de AIDS, leitor, se dispuséssemos de uma vacina capaz de proteger 50 a 60% dos homens, deixaríamos de vacinar os meninos antes da puberdade?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Médicos indicam anabolizantes a jovens- Folha de São Paulo- 09-02-2009-

A responsabilidade profissional com a saúde do ser humano, não pode ser esquecida. Estas "figuras", que também incluem Professores de educação Física, tem que ser punidas. Vamos aos fatos:

(Apresentando-se como um paciente que queria ganhar músculos para o verão, repórter da Folha passou por consulta com cinco médicos)

Obter anabolizante é quase tão fácil quanto comprar aspirina. Em São Paulo, a Folha encontrou médicos que se especializaram em "tratar" jovens que sonham em engrossar os músculos da noite para o dia.
Apesar de os anabolizantes serem indicados exclusivamente para tratar problemas de saúde, os médicos os prescrevem para pessoas saudáveis. E além de provocarem danos sérios e irreversíveis, essas drogas chegam a ser receitadas sem nenhum tipo de exame.
Apresentando-se como um paciente que desejava ganhar músculos para o verão, o repórter se consultou com cinco médicos. Três disseram que os anabolizantes seriam o único remédio e não alertaram para os riscos nem deram a receita.
Outro médico prometeu prescrever a droga na consulta seguinte, depois que o repórter buscasse um nutricionista. E o último deu a entender que faria o mesmo, mas impôs que o repórter frequentasse a academia nos sete dias da semana.
A Folha chegou aos cinco médicos por indicação de professores de musculação e de fóruns na internet. Três deles trabalham em clínicas de estética (em Moema, no Paraíso e nos Jardins). Os outros dois atendem em consultórios (em Higienópolis e no Ibirapuera).
Em quase todas as salas de espera, os pacientes são jovens de peito estufado e braços inflados. Eles desembolsam de R$ 150 a R$ 350 pela consulta.
Embora os anabolizantes sejam achados no mercado negro (em academias e na internet), esses jovens preferem o médico porque acreditam que, dessa forma, as drogas deixam de ser perigosas. Pura ilusão.
"Os anabólicos não devem ser usados de forma nenhuma. Nunca. Nem com fins estéticos nem para melhorar o desempenho no esporte", diz Eduardo De Rose, especialista em medicina do esporte e membro da Agência Mundial Antidoping.
Os anabolizantes são derivados da testosterona, hormônio natural ligado ao desenvolvimento das características sexuais masculinas e ao crescimento dos músculos. Foram criados nos anos 1930 para tratar homens que não produzem testosterona suficiente.
Hoje, eles são indicados também para pessoas com doenças neurológicas que afetam os músculos, idosos que precisam de reposição de testosterona e pessoas que sofrem certos tipos de anemia. Não é indicado para pessoas saudáveis.
Para ganhar músculos, jovens usam essas drogas em doses cem vezes superiores às indicadas para tratar problemas de saúde. A lista de efeitos colaterais é extensa. Vai da queda de cabelo ao ataque de coração. De ataques de agressividade ao câncer de fígado.
"Quanto maior a dose, maior o risco. Mas há pessoas que tomam pequenas doses e têm problemas. Essas substâncias são coisas sérias. Não podem ser vendidas sem indicação segura", diz a médica Ruth Clapauch, do departamento de andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
Por isso, anabolizantes só podem ser vendidos com receita médica. E a prescrição fica retida na farmácia. Quem dá ou vende o produto sem a devida receita comete crime de tráfico de drogas.
Outro risco é o vício. Quando a pessoa suspende o uso do anabolizante, os músculos desincham. Como esse "retrocesso" não costuma ser bem aceito, são grandes as chances de que a pessoa volte a usá-lo várias vezes ao longo da vida.
"Isso é muito preocupante", diz Daniel Paulino Venâncio, professor de educação física da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "O padrão de beleza é ditado pela TV, mas nem todos podem atingi-lo."
Para especialistas, a única receita segura para ganhar músculos inclui exercitar-se e alimentar-se corretamente e descansar bem. A ajuda de médicos, nutricionistas e profissionais de educação física também é recomendada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Tempo livre e atividades na escola são essenciais para aprendizado, diz estudo- Jornal O Globo-

Pesquisadores da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York, relatou que crianças que tiveram pelo menos 15 minutos de recesso durante o horário escolar tiveram um melhor comportamento em sala de aula, em comparação com aqueles que não tiveram pausas. A conclusão foi feita com base num estudo encomendado pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos e publicado no periódico médico "Pediatrics".

Romina M. Barros, pediatra e professora-assistente da Albert Einstein, diz que os dados foram importantes, pois muitas escolas novas estavam sendo construídas sem os espaços livres adequados para estudantes.

- Temos que entender que as crianças precisam de uma pausa - diz Barros.

- Nossos cérebros podem se concentrar e prestar atenção durante 45 a 60 minutos, e com crianças esse tempo é ainda menor. Para que elas consigam adquirir todas as habilidades acadêmicas que queremos que aprendam, elas precisam de uma pausa para sair, liberar energia, brincar e ser sociais - explica.

Os pesquisadores também descobriram que crianças que não têm pausas são na maioria negros provenientes de famílias pobres e estudam em escolas públicas de grandes cidades.

A pesquisa também indicou que o problema crescente da obesidade infantil, especialmente em escolas onde as crianças passam grande parte do dia.

Meditação ajuda a aliviar a dor, indica estudo

Meditar pode ser uma ferramenta eficaz para quem busca alívio para a dor, indicam pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá. Um novo estudo publicado na edição de fevereiro da revista Psychosomatic Medicine mostra que quem medita costuma ter menos sensibilidade a dores, tanto durante crises quanto no dia-a-dia.

A pesquisa, coordenada pelo fisiologista Joshua Grant, teve como objetivo avaliar se o cérebro de praticantes de meditação respondia de forma diferente a certos estímulos, entre eles o da dor.

"Outros estudos já mostraram que a meditação ajuda a aliviar dores crônicas, mas poucos tinham investigado a ligação entre meditação e todo tipo de dor. Descobrimos que quem medita com regularidade tem uma forma diferente de perceber a dor", escreveu Grant no periódico.

De acordo com o estudo, quem medita com regularidade sente até 18% menos dor no cotidiano. Uma das explicações dos pesquisadores é de que os praticantes de meditação aprendem a ter controle sobre sua respiração.

A respiração, afirma Grant, nos faz perceber as sensações de forma diferente. A respiração lenta, por exemplo, está associada ao relaxamento e, por consequência, menos sensações dolorosas, enquanto uma respiração agitada aumenta a percepção do estresse, da ansiedade e da dor.

- O estudo mostra que a meditação pode ser uma ferramenta para quem sofre de dores, principalmente de dores crônicas. Meditar pode ajudar a reduzir o consumo de analgésicos e, quem sabe, auxiliar no processo de cura - completa o canadense.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

TOSTÃO - Coisas básicas, simples e óbvias (o melhor cronista de futebol e porque não da vida)

Os grandes talentos são os que conhecem profundamente o básico, enxergam o óbvio, executam bem as coisas essenciais e tornam simples o que é complexo.

O peso da alma- MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo".

Caro leitor: após o assunto de extrema seriedade que tratamos na semana passada -o novo governo de Obama e as mudanças positivas que esperamos nos EUA e, quem sabe, no Brasil- gostaria de voltar a minha e a sua atenção para assuntos mais imponderáveis.
Eis que, essa semana, quando pesquisava material para o meu novo livro (que deverá sair no ano que vem), deparei-me com uma matéria deliciosa que imagino seja do interesse de todos os leitores: o peso da alma.
Pois é, a alma tem ou não um peso?
Claro está, como não estabelecemos contato com uma alma livre ou, se estabelecemos, a pergunta de cunho científico sempre fica deixada para trás perante às de cunho emocional, não temos ainda uma resposta universalmente aceita.
Devo dizer, para maior esclarecimento, que nem todas as religiões acreditam em alma. As que acreditam dificilmente atribuiriam à alma propriedades materiais, como o peso ou um campo eletromagnético. Por outro lado, visto que nós humanos podemos apenas medir aquilo que é material, ficamos limitados a esse tipo de estratégia mais metodológica. Na pior das hipóteses, se obtivermos resultados negativos, confirmaremos mais uma vez nossa incapacidade de mergulharmos nos mistérios mais profundos da existência de forma racional. Que ingênuos aqueles cientistas que acham que poderia ser diferente!
No dia 11 de Março de 1907, leitores do prestigioso jornal americano "The New York Times", depararam-se com a manchete: "Médico acredita que a alma tem peso". O doutor Duncan MacDougall, de Haverhill (EUA), conjecturou que, se a alma fosse material teria uma massa. Para provar a sua hipótese, equipou seis leitos com balanças de boa precisão e ocupou-os com pacientes que estavam à beira da morte. Seguiu-se um período de observação, durante o qual o doutor esperou pela morte de seus pacientes. Cuidadoso, certificou-se de que a perda de peso medida já antes da morte era devida aos fluidos eliminados pelos pacientes pelo suor ou urina; após a sua evaporação, as balanças acusavam uma pequena perda de peso.
Um deles morreu após três horas e quarenta minutos. Para a surpresa do bom doutor, em alguns segundos, a balança acusou uma perda de 21,3 gramas. Seria esse o peso da alma, 21 gramas? Dos seis testes, dois tiveram que ser eliminados devido a erros nas balanças: num deles, a balança não havia sido calibrada corretamente; o outro morreu tão rápido que o médico não teve tempo de calibrá-la.
Dos outros três, dois indicaram uma perda de peso que continuou durante um bom tempo, e o último indicou uma perda de peso que depois reverteu ao normal. O doutor especulou que a partida da alma depende do temperamento da pessoa: as almas daquelas mais lentas demoram mais para abandonar o corpo.
O doutor repetiu o experimento com quinze desafortunados cachorros, não encontrando qualquer diferença no momento da morte. O resultado não o surpreendeu. Pelo contrário, serviu de apoio à sua conclusão.
Afinal, cachorros não têm almas.
Quatro anos mais tarde, o doutor MacDougall voltou às manchetes do "The New York Times". Desta vez, pretendia fotografar a alma usando o recém-descoberto raio-X. Resultados negativos foram atribuídos à agitação da substância animista no momento da morte. De qualquer forma, o doutor afirmou ter visto "a alma de doze pacientes emitir uma luz semelhante àquela vista no éter interestelar".
Pobre doutor. Provavelmente não sabia que em 1905 um jovem físico alemão de nome Albert Einstein havia demonstrado que o éter não existe.



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Professor, Mestre em Ciência, assessor esportivo, maratonista.