domingo, 17 de maio de 2009

Reabilitação labiríntica

Amigos Regina e Jorge, leiam com atenção e até terça.


(Novas situações do nosso cotidiano profissional).

Os exercícios de reabilitação labinrítica ou vestibular, são formas de terapia segura que buscam a recuperação do equilíbrio corporal nas mais variadas situações.

A Reabilitação Vestibular tem o intuito de restabelecer o equilíbrio por meio de movimentos repetidos e disciplinados de olhos, cabeça e corpo, reajustando as relações entre os sinais visuais, sensações táteis e labirínticas. O tratamento inicialmente, é aplicado por um especialista em consultório. Após orientações com o paciente , é possível realizar exercícios em casa, academia...

A terapia de reabilitação labiríntica é indicada para todas as idades, com pertubação do equilíbrio corporal, ilusão de movimento, sensação de instabilidade, flutuação, oscilação e vertigem (sensação rotatória de objetos ou de si próprio). O tratamento é indicado principalmente nos casos de:

Vertigens crônicas ;
Vertigens por mudanças de postura;
Pacientes idosos com alteração de equilíbrio que apresentam quedas e desvio de marcha ;
Tontura em veículos em movimento ;
Desconforto em lugares movimentados (shopping centers , supermercados, feiras ... ).

Os exercícios bem aplicados e personalizados, proporcionam 85% de melhora total dos sintomas, ou então, contribui na diminuição da intensidade e freqüência da tontura.
O objetivo principal da reabilitação vestibular é o retorno do paciente ás atividades diárias e a recuperação da auto estima e confiança.

Este link, contém alguns exercícios importantes para esta reabilitação. Espero que lhe seja útil.
CLÍNICA OTORRINOLARINGOLOGIA

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Escala de pontos ajuda a prever risco de ter Alzheimer

Para especialista, índice poderá ser usado na tomada de decisão sobre indicação de remédios e exercícios para pacientes de risco

Um estudo publicado no "Neurology", periódico da Academia Americana de Neurologia, sugere uma escala para detectar o risco de um idoso desenvolver doença de Alzheimer nos próximos seis anos.
Por meio de 12 informações do paciente, como índice de massa corporal, consumo de álcool, tempo gasto para abotoar a camisa, problemas cardiovasculares e avaliações cognitivas específicas, é possível somar 15 pontos. Aqueles que marcam mais de oito pontos têm risco maior que 50% de manifestar a doença em seis anos, de acordo com o estudo.
Para chegarem ao índice, os pesquisadores da Universidade da Califórnia avaliaram durante seis anos dados de 3.375 pessoas sem sinal de demência e com idade média de 76 anos. Ao final do período, 480 delas (14%) desenvolveram sintomas de Alzheimer. Os fatores que melhor predisseram quem apresentaria o problema foram considerados para a escala.
"Vemos a escala como o primeiro passo de um longo processo para criar e validar um índice de risco de demência que possa ser usado no consultório ou em pesquisas para identificar idosos com alto risco", disse Deborah Barnes, responsável pelo trabalho.
Os fatores de risco para Alzheimer apontados pelo índice são conhecidos, mas a reunião de todos eles em uma escala que prevê as chances de desenvolver a doença é nova.
"Essa escala pode auxiliar na tomada de decisões. Por exemplo, um indivíduo com alto risco deve ser monitorado em intervalos menores, ser medicado para fatores vasculares, caso os tenha, ser incentivado a realizar exercícios físicos e mentais. Mas não serve para avaliar pacientes individualmente. Não é como realizar um exame de sangue que dá positivo para hepatite", afirma a patologista Lea Grinberg, coordenadora do Banco de Cérebros da Faculdade de Medicina da USP.
A eficácia do método ainda precisa ser comprovada em outros estudos e outras populações. Para o Brasil, por exemplo, a escala de escolaridade, usada para determinar alguns quesitos, deveria ser diferente, assim como o nível socioeconômico e o ponto de corte de idade: 60 anos, contra 65 anos em países desenvolvidos.
"Existem fatores que são limitados no Brasil, como o exame de genotipagem do ApoE [que indica predisposição à doença]", acrescenta Grinberg.

Estilo de vida
Estima-se que a doença de Alzheimer comece a se desenvolver até 15 anos antes de os primeiros sintomas surgirem.
Para Paulo Caramelli, neurologista da Universidade Federal de Minas Gerais, médicos poderiam propor, com a ajuda da escala de risco, programas de prevenção a pacientes que têm mais chances de desenvolver demência.
Estudos anteriores mostram que atividades intelectuais como tocar um instrumento e jogos de estratégia protegem o cérebro. O mesmo ocorre com atividades físicas e a dieta do mediterrâneo. "De um lado, há o índice de risco alto, mas você pode tentar jogar com mudanças de hábitos de vida. Para promoção de saúde, esse estudo é muito interessante", diz.
Não há, porém, drogas que previnam a doença. Um diagnóstico precoce é essencial.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Vitamina anula benefício de exercícios

Fazer exercício promove longevidade; já a ingestão de substâncias antioxidantes, como vitaminas, supostamente retardaria o envelhecimento. Mas essas duas opções de quem busca uma vida mais saudável podem ser contraditórias. Um novo estudo mostrou que tomar suplementos vitamínicos depois de fazer exercício pode causar a perda de um dos benefícios do esforço físico.
Um dos efeitos do exercício é melhorar a sensibilidade à insulina e o metabolismo do açúcar no corpo. Mas o exercício também aumenta a formação de moléculas altamente reativas contendo oxigênio, que causariam dano às células.
O novo estudo, publicado hoje no periódico "PNAS", mostra que o exercício ajuda a aumentar a sensibilidade do corpo à insulina justamente pela formação dessas espécies reativas de oxigênio, classificadas na categoria dos radicais livres, contra os quais agem as vitaminas.
"Nossa teoria era que os antioxidantes pudessem bloquear alguns dos efeitos benéficos do exercício, pois sabe-se que o exercício induz um leve estresse oxidativo no músculo", disse à Folha um dos líderes do estudo, C. Ronald Kahn, da Escola Médica de Harvard, nos EUA.
O estudo foi feito na Alemanha com 40 voluntários que fizeram exercícios e tomaram ou não vitaminas C e E.
As doses usadas "foram de 5 a 10 vezes a necessidade diária mínima de vitamina, mas essas doses são comumente usadas por pessoas que tomam suplementos de vitaminas C e E".
O experimento tinha duas partes. Primeiro foram quatro semanas de treinamento físico intenso para metade do grupo.
Metade de cada grupo -com ou sem treinamento prévio- foi então designada para receber ou não o suplemento vitamínico quando de um novo regime de treinamento, do qual todos participaram.
Os voluntários que tomaram os suplementos não tiveram mudança nos seus níveis de oxigênio reativo. Já os que não tomavam as vitaminas revelaram um aumento na formação de radicais livres.
O exercício aumentou a sensibilidade à insulina apenas quando não havia a presença extra dos antioxidantes.
E mesmo os radicais criados pelo exercício não eram tão "livres" assim. O pequeno estresse oxidativo fomentado pelo esforço físico "causou uma resposta adaptativa que promoveu a capacidade de defesa antioxidante endógena", como os autores descreveram no artigo que descreve o experimento.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Música, música e música. Fundamental!!!

Hospitais e pesquisadores usam música para acelerar recuperação de pacientes cardíacos


A pianista Beth Ripoli, 57, tocava uma música quando viu seu marido se aproximar. A composição era romântica, ambos choraram, o público se emocionou com a cena. Ele, o empresário Luiz Carlos Franco, 56, andava com dificuldade e arrastava o frasco de soro -estava internado havia alguns dias, recuperando-se de um infarto e da implantação de quatro pontes de safena. Ela tinha resolvido tocar o piano do hospital enquanto acompanhava o marido no pós-operatório.
"Eu precisava andar e vi que ela estava tocando, e a música me chamou a atenção. Imagina ter seu tronco aberto, pararem seu coração para operá-lo e depois ele voltar a bater. Fica-se em um estado muito sensível, alguns pacientes entram em depressão. E a música exercita sua sensibilidade do lado positivo", avalia Luiz.
Desde então, Beth apresenta recitais no HCor (Hospital do Coração), em São Paulo, para pacientes e acompanhantes, como parte de um projeto que considera a música um dos componentes que ajudam na recuperação de pacientes com problemas cardiovasculares, principalmente em questões emocionais.
Silvia Cury Ismael, responsável pelo serviço de psicologia do HCor, observa em seus pacientes que ouvir música durante uma internação ajuda a resgatar questões esquecidas do lado de fora do hospital, o que faz com que se sintam mais motivados a se recuperar. O ambiente, afirma Ismael, se torna mais leve e menos depressivo.
Para a ciência, no entanto, a música vai além: os benefícios não são somente emocionais mas também se refletem na redução da pressão arterial e da frequência respiratória e na normalização das taxas de batimentos cardíacos.
É o que mostram alguns estudos, como a revisão científica divulgada no mês passado pela Cochrane Collaboration (rede global dedicada a revisão e análise de pesquisas na área da saúde). Foram avaliados 23 estudos com dados de 1.461 pacientes que se submeteram a sessões de música durante a internação após cirurgia ou infarto.
A maioria dos trabalhos comprovou que a música ajudou a reduzir pressão sanguínea, ritmo cardíaco, frequência respiratória, ansiedade e dor nos pacientes estudados.
Os trabalhos avaliaram a ação de diversas músicas -boa parte com harmonias consonantes e ritmos constantes (como algumas músicas eruditas, baladas e músicas próprias para relaxamento)- em sessões de musicoterapia ou audições de até 30 minutos.
"Os estudos não apontaram por quais mecanismos a música ajuda o sistema cardiovascular. No entanto, sabemos que a música diminui a atividade de regiões cerebrais que afetam as respostas emocionais e psicológicas. Isso reduz a liberação de hormônios estressores que podem afetar a frequência cardíaca e a pressão arterial", disse à Folha Joke Bradt, responsável pela revisão científica e diretor-assistente do Centro de Pesquisa em Artes e Qualidade de Vida da Temple University (EUA).

Experiências brasileiras
Dados preliminares de um estudo que será publicado nos "Arquivos Brasileiros de Cardiologia" também são promissores. A musicoterapeuta Cláudia Regina de Oliveira Zanini, professora da Universidade Federal de Goiás, avaliou o uso da técnica em pacientes hipertensos para sua tese de doutorado.
Zanini observou 46 pacientes da liga de hipertensão da universidade durante três meses. Metade deles participou de sessões de audição musical, composição e improvisação vocal, além de exercícios de respiração e relaxamento voltados para a música durante 30 minutos por semana. Ao final do período, a pressão arterial desse grupo havia caído de 150 mmHg por 90 mmHg para 133 mmHg por 80 mmHg. Já o grupo controle não apresentou redução significativa.
"O tratamento da hipertensão é de longo prazo, e muitos pacientes não aderem a ele. Entre os que têm pressão alta, somente 50% sabem disso e só 10% têm sucesso porque seguem o tratamento. Eu proponho a musicoterapia como um tratamento não medicamentoso, que seja um coadjuvante", afirma Zanini.
Para a cardiologista pediátrica Thamine Hatem, do Real Hospital Português de Beneficência, em Recife, o uso da música ajuda na recuperação mais rápida dos pacientes, pois as reações provocadas no organismo pela música podem diminuir o uso de sedativos e remédios para a dor.
"Quanto menor o uso de analgésicos e de sedativos, melhor. Quanto menos tempo a criança passa na UTI, menor é o risco de infecção", diz.
Hatem publicou, em 2006, uma pesquisa que avaliou como reagiram 84 crianças de até 14 anos nas primeiras 24 horas após uma cirurgia cardíaca, depois de uma sessão de música erudita. "Dava para ver que, se a criança estava angustiada e chorosa, acalmava-se ao colocar o fone de ouvido; muitas crianças dormiam durante o processo."
As crianças ouviram "A Primavera", de Vivaldi, por meia hora e tiveram melhora no ritmo de batimentos cardíacos, na frequência respiratória e na sensação de dor. "Uma frequência cardíaca muito alta aumenta a pressão e o risco de sangramento. Já a frequência respiratória elevada significa desconforto ou problema pulmonar -se é controlada, mostra que era causada mais por um desconforto", explica.
A aposentada Eunice da Silva Ferreira, 52, também sentiu os benefícios do uso da música após a cirurgia para colocar duas pontes mamárias no INC (Instituto Nacional de Cardiologia), no Rio de Janeiro.
Foram instaladas caixas de som ao lado dos leitos, que transmitem música erudita, sons da natureza e canções próprias para relaxamento durante todo o dia, das 8h às 22h.
"O ambiente hospitalar é frio, há pessoas sedadas. Eu tenho uma doença sem cura, e a música me ajudava a me desligar um pouco da realidade. O uso da música deu tão certo que nós pedíamos aos funcionários que colocassem sempre", diz Eunice, que acompanhou a implantação das caixas de som na UTI do instituto.
De acordo com o INC, um ano após a instalação de caixas de som na UTI, houve uma redução de 40% no consumo de tranquilizantes e sedativos.
Os pacientes podem até pedir aos funcionários que desliguem o som, mas, dizem os médicos, ninguém nunca o fez.
"A UTI tem muito barulho, luz acessa, aparelhos. O paciente está ansioso com o que vai acontecer e isso gera um estresse grande. As diretrizes [orientações das sociedades médicas] indicam ansiolíticos aos pacientes; muitos não conseguem dormir à noite, a ansiedade aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial", diz o cardiologista Marco Antonio de Mattos, diretor do INC.

Escolhas musicais
Na maioria dos estudos, as músicas utilizadas têm ritmos constantes, harmonias consonantes e são mais calmas, características que ajudam o paciente a relaxar.
"Não é qualquer música clássica que produz relaxamento. É preciso pensar em músicas mais calmas, com menor número de batimentos por minutos e que sejam bem harmônicas e agradáveis", aconselha o neurocientista Felipe Viegas Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Neurociência e Comportamento da USP.
No entanto, fatores culturais e o gosto pessoal também devem ser levados em consideração na hora de utilizar a música como componente na recuperação do paciente.
"É preciso curtir a música, usufruir dela e de seus efeitos benéficos", sugere o neurologista Mauro Muszkat, coordenador do In Music, grupo multidisciplinar da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que estuda a ação da música no organismo.
Não é possível, no entanto, determinar por quanto tempo o paciente deve ouvir música e quais seriam os tipos mais indicados. Muszkat resume: "Não dá para dizer o tempo adequado para cada indivíduo. De maneira didática, ouvir mais músicas, com graus diferentes de complexidade, um repertório variado, facilita ao organismo processar esses sons de formas mais variadas e mais amplas, inclusive com benefícios no sistema cardiovascular."

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Muito bom. Educativo e necessário para os maldosos.

Suzana Herculano-Houzel
Quem sabe falar não precisa bater


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[...] Usando a fala, dom do córtex pré-frontal, podemos educar nossos filhos de forma pacífica, sem recorrer à força bruta
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Segundo a pesquisa do epidemiologista Paulo Nadanovsky, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), 16% das mães admitem bater nos filhos pequenos, beliscá-los, puxá-los, empurrá-los -enquanto só 5% dos pais, segundo elas mesmas, fazem isso. Ou seja: a principal fonte de violência física não fatal contra crianças são... suas próprias mães.
Descobri o estudo no Simpósio de Psicologia Evolucionista, ocorrido na semana passada, em Natal. Esse ramo da psicologia se preocupa em entender a origem evolutiva de nossos comportamentos, por exemplo por seu valor adaptativo.
Considere o infanticídio, perpetrado, em sua maioria, por pais que não têm certeza da paternidade e por padrastos. Em humanos e não humanos, esse comportamento vil é, desafortunadamente para as mães e as crianças, adaptativo para o macho -que, ao matar o filho que não é seu, passa a ter mais chances de deixar sua própria descendência com a fêmea que deixou de ser mãe.
Paulo mostrou que mães que moram com o padrasto das crianças são ainda mais frequentemente violentas: 31% delas admitem bater nos filhos. Como isso poderia ser adaptativo, um comportamento favorecido pela evolução? Talvez por, de forma torta, proteger os filhos do padrasto, evitando um espancamento que, se acontecer, tem boa chance de ser letal. Até faz sentido. Mas nada justifica o uso de violência por até um terço das mães contra seus filhos, por favor.
Penso, então, que talvez estejamos diante de uma daquelas heranças até adaptativas para outros animais, mas agora desnecessária para nós -por uma razão simples: nós temos linguagem.
Pense bem: se você é uma égua ou uma macaca e seu filho faz o que não deve, talvez a única forma de protegê-lo ou repreendê-lo seja, de fato, um puxão de orelha, um empurrão ou outra forma de contenção física. Mas, se você é humana e sabe falar... a violência não é mais necessária. Usá-la é deixar aflorar o nosso lado irracional, herdado de ancestrais mudos.
Usando a fala, dom do mesmo córtex pré-frontal que nos torna flexíveis, podemos resolver conflitos, educar e proteger nossos filhos de maneiras pacíficas, sem precisar recorrer à força bruta, e ainda lhes concedemos o benefício de crescer mais saudáveis, sem estresses causados pelos próprios pais, e, sobretudo, sem medo destes. Quem sabe falar não precisa bater.



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SUZANA HERCULANO-HOUZEL, neurocientista, é professora da UFRJ e autora do livro "Fique de Bem com o Seu Cérebro" (ed. Sextante) e do blog "A Neurocientista de Plantão" ( www.suzanaherculanohouzel.com )

Tratamento que nunca chega à cura ganha exposição pública por mais tempo

Com muita frequência, remédios alternativos falham em mostrar sucesso ao serem submetidos a testes clínicos. Mesmo assim, produtos de eficácia duvidosa -como extrato de Gingko biloba (receitado contra demências) e raspas de barbatana de tubarão (contra câncer)- parecem estar proliferando cada vez mais. Segundo um novo estudo, porém, não há contradição aí: é justamente pela qualidade de serem inócuas que essas "receitas milagrosas" ganham terreno.
Essa conclusão "contraintuitiva", conforme reconhecem os autores do trabalho, saiu de um modelo matemático que simula como a adoção de um determinado tratamento se dissemina numa sociedade. Em artigo científico na revista "PLoS ONE" (www.plosone.org) o biólogo e matemático Mark Tanaka, da Universidade de Nova Gales do Sul (Austrália) explica com mais dois colegas como chegou a esse resultado.
Segundo o pesquisador, a disseminação de práticas médicas sem comprovação de eficácia é, por um lado, um fenômeno ligado à automedicação. Por outro, inclui práticas de curandeirismo em comunidades onde não há médicos. Como pessoas tendem a aprender as coisas por imitação, os remédios que são usados de maneira crônica sem nunca levarem à cura tendem a ganhar mais propaganda, porque passam mais tempo sendo usados.
"Nós mostramos que os tratamentos que proliferam não são necessariamente aqueles mais eficazes em curar a doença", escrevem Tanaka e colegas. "Explicamos por que "tratamentos supersticiosos" com pouca eficácia e mesmo práticas inadequadas podem se espalhar em diversas condições." Assinam também o estudo o antropólogo Jeremy Kendal, da Universidade de Durham, e o biólogo Kevin Laland, da Universidade de Saint Andrews, ambas no Reino Unido.
A união de três especialidades científicas em um mesmo estudo ocorreu porque o trabalho é uma simulação estatística aplicada a fenômenos evolutivos de comportamento.
Os pesquisadores partem do princípio de que existe um tipo de "seleção natural" entre boas e más práticas. Quando se trata de interação social, porém, práticas nocivas podem ser mais "adaptadas" a sobreviver numa comunidade, desde que consigam se disseminar rápido.
Para formular a equação que levou a essa conclusão, os pesquisadores partiram do princípio de que o que torna um remédio popular é a "cópia não enviesada", ou seja, quanto mais um remédio aparece sendo usado por alguém, mais ele tende a ser adotado por outros.

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Professor, Mestre em Ciência, assessor esportivo, maratonista.